E, por um instante apenas, me permiti pensar em nós dois. Venho, em vão, tentando me proibir desse ato, pois sei que não devo cutucar feridas antigas. Mas, quando o sol se põe e as primeiras estrelas surgem no céu, quando alguma música aleatória toca no rádio, quando todos estão retornando para a casa... é impossível não pensar em você. Toda a mágoa que você me causou, aquela dor que me partia em milhares de pedaços durante noites a fio (e que eu precisava fingir não sentir para estar bem no dia seguinte). A vontade que eu tive de largar tudo para poder, de alguma forma, pertencer mais à você. Era isso, exatamente isso, que eu queria: me encaixar em algum ponto da sua vida, em algum lugar do seu coração, da sua rotina. Eu só queria os seus olhos brilhando toda vez que me encontrasse e que as suas mãos também ficassem trêmulas e suassem frio quando tocasse alguma parte do meu corpo. Eu queria ser para você o que ninguém antes foi, sem te machucar, sem te deixar para trás, ser a tua estrela guia, ponto de referência. Mas você preferiu continuar perdido.