O Sobrenatural Existe
Conhecido como Marquinhos, o senhor Marcos mora em Cruzeiro dos Peixotos há muito tempo e tem muitas histórias para contar. Artesão e amante de histórias de terror envolvendo fantasmas, lobisomens e tudo que existe no mundo do sobrenatural, ele não poupa palavras quando perguntado se já viu algo estranho passeando por Cruzeiro. Chegando à sua casa em uma manhã de março, ele já nos recebe com bom humor e mostra com muito orgulho seu trabalho com pequenas esculturas que retratam a história e a religião do distrito, todas bem detalhadas e feitas com material reciclado que ele encontra por aí. Marquinhos nunca viu o lobisomem, mas não desacredita em hora algum de sua existência; já que uma conhecida viu. Ele conta com muito entusiasmo e certa apreensão, detalhes da história contada pela vizinha que teve a sorte, ou azar de se encontrar com este híbrido de lobo e homem que vaga pelos lugares na época da Quaresma e na presença da lua cheia. Agora os conhecidos fantasmas e outras ações sobrenaturais, esses Marquinhos já viu de sobra cercando Cruzeiro e região. Já um pouco mais sério, conta que já foi visitado pelo fantasma que acredita ser seu falecido pai, que não gostava que o filho dormisse fora de casa, e um dia, contrariando as vontades dele, apareceu como forma de aviso para obedecê-lo. Tem também o Gulu, figura vista somente em Cruzeiro, que se faz presente no topo de uma árvore e que ataca cavalheiros que vagam durante a noite. Ninguém nunca soube descrevê-lo exatamente, mas todos tem medo de que ele apareça no meio da noite, apesar de Marquinhos afirmar veemente que ele só apareça para quem não faz suas orações. Já viu também um fantasma branco misterioso pendurado em uma árvore, e que ao tentar passar, seu cavalo recuou de medo. Marquinhos não é nada cético quando se trata desse assunto. Já viu muita coisa estranha e acredita que ainda verá muitas outras em Cruzeiro dos Peixotos. Principalmente na época da Quaresma, quando, durante a noite, os cachorros não param de latir durante um minuto sequer. Cruzeiro esconde coisas que nem seus moradores mais antigos são capazes de explicar.
Maria Clara Fernandes Vieira














