O sentido começa quando existe a coragem para criar um.
Essa despedida seria um texto. Mas é um pedido, é um aviso sobre a brincadeira de ser, sobre cansar e não haver como descansar sobre o motivo do que me cansa aos poucos. Tolos, somos todos tolos no fim das contas, jogamos nosso precioso tempo fora entre cada respirada de ar onde não estamos vivendo de fato o que a vida nos faria ser em cada desabrochar de sonho semeado. Tolos por achar que a conformidade do conforto seja a chave da imortalidade. Todos na verdade já estão mortos quando percebem que sua criança interior que sonha já não existe mais. E de fato são zombados aqueles que dão voz aos sonhos dessa criança, calando-a e intimidando-a.
Mas criança teimosa faz birra e chora, faz barulho e esperneia até conseguir o que quer, a não ser que sejam tão duros com ela que façam ela perder a vontade, e consequentemente deixar de ser esse brilho desmedido. Que sentido faz estar aqui apenas por estar e continuar algo que se quer sabemos como começou? Que sentido faz, não sabermos nem mesmo o que somos e termos medo de perder isso? Essas perguntas deveriam ser as chaves para abrirmos a porta dos esforços que levam aos caminhos de onde sonham certas crianças internas, mas ao longo do caminho, percebo que, outras pessoas transformam-nas em grilhões e correntes que mais impendem do que estimulam.
Com exceção a morte, não existe nenhuma resposta certa, e essa é a maior certeza que deveríamos ter para rumar a qualquer caminhada aqui. Mas ninguém nos fala isso. Ninguém nos ensina a ver isso. Ninguém realmente se importa com o desabrochar límpido das flores de verões quentes de nossos seres. “São os pais com bixo na cabeça botando bixo na cabeça dos filhos”. Se fala tanto de respeito mas a base é sempre o medo, e não existe maneira mais fácil de manipular e controlar do que o medo. Não me agrada viver onde a base das relações entre sociedades se baseia em quantidade de controles e sobre o poder que acaba incrustrado disso. Não que o controle seja dispensável em certos casos, mas jamais deveria ser a fonte de poder e alimento de egos como o é.
Não mais peço apreço pelo que vejo, afinal, ninguém quer se dar ao desconforto de tocar na própria ferida pensando sobre isso. Poucos são os que olham pra suas próprias feridas inclusive. O que mais vejo são pessoas fortemente anestesiadas em deleite com o prazer da anestesia, sem se quer perceberem que estão sendo lentamente devoradas por vermes. Entre cada noite e cada dia que passa, os meus dedos escrevem o minha mente não cala. Isso é o que me cansa, é o que me faz querer não mais escrever para ninguém qualquer coisa que seja, é o que me faz não querer mais levar tal percepção para nenhuma mente que se vicia na própria mentira e assume tal como verdade. A verdade é que é muito mais fácil pra todo mundo simplesmente ignorar tudo isso e continuar vivendo no piloto automático até o dia que a estrada acabe e não haja mais a luz da existência a iluminar a estrada.
Mas sempre existe o outro lado da página. Sempre existe uma exceção. Sempre existe uma nota que quebra o silêncio e dá luz a uma nova música. Sempre existem aqueles que assumem a responsabilidade de serem fiéis a si mesmos e de permitirem que as crianças ainda sonhem e possam caminhar lindamente em cada resquício do que um dia já foi apenas uma bobeira sem “sentido”. Sempre existem aqueles que são elegantes por continuarem sendo gentis mesmo em situações cruéis. Sempre existem aqueles que conseguem dizer um “eu não ligo” para quando alguém tenta por um ponto final em uma frase da vida que não foi ainda escrita. Raras vezes acontecem momentos em que, encontramos com alguns seres como esses, onde quando o mesmo ocorre, percebemos que existe muito mais dentro de nós do que um dia tivemos a coragem e capacidade de acreditar e olhar, ou que então, com o tempo acabamos censurando o que de tão lindo existe por lá.












