Estilos de apego e habilidades sociais
Os seres humanos são animais sociais dependentes uns dos outros durante toda a vida. Por meio da necessidade de pertencimento – necessidade de se conectar aos outros por meio de relacionamentos-, o indivíduo garante sua sobrevivência e de outros iguais. Ao longo da vida vão criando vínculos por meio de diversos tipos de interações sociais e com o auxílio das habilidades sociais (Myers, 2014).
As habilidades sociais são comportamentos que os indivíduos apresentam para lidar com as demandas sociais, possibilitando a satisfação nas relações interpessoais, como com a construção de relacionamentos benéficos e sustentadores (Del Prette, 2005).
O desenvolvimento dessas habilidades na infância é de extrema importância para a prevenção da ocorrência de comportamentos problemáticos que podem levar a relacionamentos sociais empobrecidos, segundo Bandeira, Del Prette & Magalhães, 2009. Alguns estudos afirmam que os modelos agressivos primários levam ao aumento da probabilidade de comportamentos disfuncionais durante as experiências sociais iniciais de suas vidas.
É nas experiências iniciais da infância que o indivíduo desenvolve uma ligação afetiva com figuras de apego, como seus pais e/ou cuidadores. São essas pessoas que vão gerar na criança o sentimento de proteção e conforto, permitindo que os pequenos explorem de forma equilibrada o círculo social em que habitam. Esse vínculo afetivo que regula a segurança da criança é conhecido como apego (Francischetto & Soares, 2014).
Há diferentes estilos de apegos, que são divididos de maneira mais concisa entre apego seguro e apego inseguro. O apego seguro tem sua base na confiança, sendo essencial no trabalho da intimidade (Myers, 2014). Sujeitos com apego seguro são mais autoconfiantes, apresentam melhor autoestima, buscam ajuda, expressam de forma funcional seus sentimentos, confiam mais nos outros e exibem maior capacidade de desenvolver habilidades sociais (Francischetto et al, 2014). Além disso, pessoas seguras apresentam uma imagem positiva dos outros e de si.
Pessoas com apego inseguro apresentam uma imagem negativa de si e/ou dos outros. Esse estilo de apego pode ser dividido em apego preocupado, rejeitador e temeroso. O primeiro tipo de apego é caracterizado pela sensação de próprio desmerecimento, mesmo que a imagem aos outros se mostre positiva. Geralmente são os bebês que se agarram firmemente as mães. Quando adultos, por serem menos confiantes, costumam ser ciumentos e possessivos. Os outros dois estilos de apegos inseguros manifestam uma visão negativa tanto de si como dos outros, sendo ambos evitativos. O apego rejeitador é marcado pela desconfiança em relação aos outros, ao passo que o temeroso é marcado pelo medo de rejeição (Myers, 2014).
É sugerido por alguns autores que o apego seguro é um fator de proteção para algumas psicopatologias. Outros autores sugerem que os padrões de apego podem ser favoráveis ao aparecimento de comportamentos desajustados e inadequados, indicando vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais ((Francischetto et al, 2014).
Assim, segundo esses autores, tão quão importante as habilidades sociais, são também os estilos de apego e as experiências iniciais da vida de cada indivíduo, sendo eles a base das formas características de pensar sobre relacionamentos e sobre o social. Ou seja, de acordo com os autores citados nesse texto, e com outros diversos que abordam tal tema, os tipos de apego estão diretamente relacionados com o desenvolvimento das habilidades sociais e também com a prevenção ou aparição de comportamentos vistos como desajustados e inadequados pela sociedade.
Isabela Missiatto Gavioli
2° ano - Psicologia FAMERP