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Minha ave botou um ovo, e agora?
Traduzido do blog BirdTricks, escrito por Patty Jourgensen.
Ovo que a Fennel botou e quase me matou do coração
Uma ave botando um ovo é a coisa mais comum no mundo, ainda sim, nós humanos sempre ficamos surpresos quando acontece.
Produção de ovos não é resultado de acasalamento, como muitos donos de aves solitárias parecem ter percebido. Ela é causada pelo estímulo ambiental que faz com que a fêmea gere o ovo. Se você só tem uma fêmea, ou tem certeza que seu macho e sua fêmea são só bons amigos, o ovo será infertil. Sem fertilização, o ovo não produzirá um feto. Agora que nós concluímos a parte de "como os bebês são feitos", podemos falar do que fazer se sua ave botou um ovo:
1. Não mexa com a mamãe!
Você acordou uma manhã e encontrou sua ave sentada em um canto da gaiola. Você acha que algo está errado e estende a mão para pegá-la, quando de repente ela avança, asas abertas para os lados, direto na sua mão (que esperançosamente você tirou do caminho a tempo).
Atrás dela está um ovinho. Ela retorna para o seu canto e enfia o ovo debaixo do corpo. Ela vai proteger seu tesouro com unhas e bico. Se você for esperto, você vai deixar ela quieta por alguns dias.
2. Não remova o ovo muito rápido
Se você imediatamente remover o ovo enquanto mamãe ainda está em modo maternidade, isso só vai fazer com que ela bote outro para substituir o que ela perdeu. Isso pode causar sérios problemas de saúde, inclusive ovo preso, muito comum em calopsitas.
Não vai demorar muito para mamãe perceber que aquele ovo é infértil. Normalmente, ela abandonará depois de alguns dias, ou passará a ficar cada vez mais tempo longe dele. Quando você perceber que ela não mais defende o ovo, é a hora de tirá-lo de lá.
Algumas pessoas gostam de colocar ovos de plástico de mesmo tamanho no lugar, para minimizar as chances de outra postura.
Comparação entre ovo de galinha e ovo de kakariki
3. Evite que ela superproduza ovos
Já que é o estímulo ambiental que gera a produção de ovos, você deveria dar uma boa olhada ao redor e eliminar coisas que possam estar causando o estímulo.
Cubra o canto que ela escolheu como ninho com algum brinquedo grande ou objeto que ela não possa usar como ninho.
Deixa ela longe de cantinhos escuros e fechados, como debaixo do sofá ou atrás de armários.
Remova qualquer coisa que possa estar sendo usada como material de construção de ninho, como feno, palha, tecido, lascas de madeira ou pedaços de brinquedo.
Evite comidas mornas ou quentes, especialmente as que se parecem com regurgitação como purês.
Limite o banho dela a menos vezes por semana, na primavera chove mais e há mais banho disponível, isso também pode ser um gatilho.
Tenha certeza que ela está tendo 12h de escuro por dia (mesmo que ela acorde antes, não ligue as luzes). Na primavera as noites são mais curtas, e permitir menos tempo de escuro faz com que o organismo dela pense que é época de reprodução.
4. Mantenha ela saudável enquanto estiver botando
A casca do ovo é feita principalmente de cálcio, que vem direto dos estoques de cálcio do corpo da mãe. Isso significa que ela está cedendo seus próprios nutrientes para suprir a produção. Sempre que ela bota um ovo, essa reserva ficará meio esgotada. Em uma fêmea com problema crônico de postura, esse esgotamento é sério e põe a vida dela em risco.
Ofereça a ela uma dieta rica em cálcio, como feijões, brócolis e papaia. Dê ovos mexidos com a casca moída nele algumas vezes na semana. Evite folhas escuras como couve, espinafre e mostarda. Essas folhas são ótimas para saúde da sua ave, mas elas contém oxalato que inibe a absorvação de cálcio. Normalmente isso não é um problema, mas nesse momento ela precisa de todo cálcio que conseguir.
Se preferir, suplemente com cálcio em gotas na água por uma semana, seguindo as instruções do fabricante.
Dia de Chop, baby!
Escrito por Tais Tonobohn
Vira e mexe faço chop nos stories, mas resolvi deixar aqui um guia simples do meu processo. Vem comigo fazer chop!
Créditos: Essa receita varia toda vez que faço pela disponibilidade de ingredientes, mas existe uma lógica por trás do que escolho, que é o Seasonal Feed System criado pela incrível Jamieleigh Womach. Você pode encontrar o curso completo dela de nutrição aqui.
INGREDIENTES DESSA RECEITA:
100g de Feijão azuki 100g de Feijão moyashi 100g de Ervilha 01 xícara de Cuscuz marroquino 01 Pimentão vermelho médio 01 Pimentão amarelo médio 01 Pimenta dedo de moça 01 Cabeça de brócolis com talo e tudo 05 Folhas grandes de couve 01 Maço pequeno de coentro (opcional) 02 Cenouras 1/2 Abóbora japonesa
PREPARAÇÃO:
Meu preparo começa no dia anterior, quando deixo os feijões 24h de molho, mas você pode deixar no mínimo 12h. Finalizado o molho, e com tudo devidamente higienizado, vamos começar a cortar tudo, ou melhor, chop everything!
Começo sempre pelos pimentões porque eles soltam muita água. Pico no processador de alimentos, e deixo em uma peneira para drenar enquanto faço o resto. O mesmo deve ser feito se você usar outros legumes que soltem água, como abobrinha e beterraba.
Já deixe o feijão no fogo porque demora, é o único ingrediente que cozinho. Quero que o resto mantenha todas as suas propriedades, e cozinhar elimina muitos nutrientes, apenas cozinhe outras coisas se for a preferência da sua ave.
Depois eu sigo batendo os verdinhos! Brócolis, couve, e coentro cortam muito fácil, então coloco juntos conforme cabe no meu processador.
Depois vem os laranjinhas. Meu processador sofre um pouco com a abóbora mesmo sendo forte, então eu pico ela e a cenoura em bloquinhos menores para facilitar a vida do coitado.
O feijão terminou de cozinhar, escorro e lavo bem para esfriar ele, e já jogo na mistura. Não gosto de deixar super mole, deixo ainda pouco consistente, acho que tem menos chance de virar purê quando eu misturar tudo.
Importante citar que uso essas variedades (moyashi e azuki) por serem as menores, minhas meninas preferem porque conseguem segurar no pé, mas vocês podem usar qualquer variedade de leguminosa, tipo lentilha verde, lentilha vermelha, feijão preto, jalo, rosa, feijão vermelho, branco, grão de bico, etc. Meu único conselho é escolher no mínimo 3 de cores diferentes, para variar os nutrientes :)
Ervilhas estou usando as da De Marchi mesmo, mas se preferir comprar seca e cozinhar com o feijão, fique a vontade.
Agora vem o pulo do gato, eu coloco uma xícara de cuscuz marroquino sem hidratar, para que ele absorva todo o excesso de líquido. Já me perguntaram se o de milho funciona também e eu sinceramente nunca testei. Uso o marroquino que é de sêmola (trigo), e ele absorve demais, deixa o chop bem sequinho sem virar aquela papa quando descongela.
Por fim, aquela pimentinha para fazer um agrado. Eu ponho por último porque antes dela separo parte desse chop para os meus ratos (que obviamente não comem pimenta), mas se você não tiver bocas de outras espécies para alimentar como eu, pode bater essa pimenta junto dos verdinhos sem problema.
Agora porciono tudo em bandejas de gelo de silicone (não recomendo as de plástico, sofro o dobro para tirar o cubo depois) e ajeitar em uma caixinha no freezer.
Essa receita rende em média uns 3kg de comida, que aqui em casa dá facilmente comida o suficiente para 6 meses com 2 passarinhas pequenas. Se você tem apenas uma ave pequena talvez seja melhor fazer meia-receita. Se tiver mais, ou aves maiores, faça essa e anote quanto tempo durou para saber como dosar os ingredientes na próxima.
É isso :) Obrigada por ler até aqui e até!
15 Flores para Enriquecer a Dieta
Compilado por Tais Tonobohn, inspirado por BirdNerd Sophie.
Continuando o assunto do último post onde listamos 15 ervas seguras para incrementar a dieta da sua ave, vamos agora falar sobre elas, as belíssimas flores comestíveis.
Você sabia que espécies muito populares como o ringneck consomem consideráveis quantidades de flor? Quando pensamos em psitacídeos sempre associamos a alimentação a frutas ou sementes, mas a verdade é que eles são mestres em tirar proveito de tudo que pode ser coletado, não importa se é um inseto ou uma rosa.
Por esse motivo, a dieta deles na natureza é muito rica e diversificada, e pode parecer complicado tentar reproduzir isso em cativeiro. Não tema, as coisas são mais simples do que parecem; A seguir listamos 15 flores comestíveis que tornarão a brincadeira naturalmente mais colorida. E o melhor, algumas delas são fáceis de encontrar desidratadas em casas de produtos naturais.
ATENÇÃO! Você pode ofertá-las frescas, mas tome muito cuidado para higienizá-las adequadamente caso não conheça sua procedência. Se encontrar uma flor e não souber identificar sua espécie com exatidão, não arrisque ofertar. Algumas plantas seguras possuem primas próximas que são indigestas. Na dúvida, compre desidratadas para consumo humano.
1. Calêndula (Calendula officinalis)
Vitamina A; Adstringente; Antifúngica; Anti-inflamatória; Anticéptica; Antiespasmódica; Diaforética; Sedativa.
2. Camomila (Matricaria chamomilla)
Antiespasmódica; Carminativa; Calmante; Cicatrizante; Tônica; Emoliente; Refrescante; Antisséptica; Antialérgica.
3. Cravo (Dianthus caryophyllus)
Vitaminas A e C; Calmante; Antialérgica; Anti-inflamatória; Antioxidante.
4. Crisântemo (Chrysanthemum sp.)
Antioxidante; Anti-inflamatória; Desintoxicante; Calmante.
5. Dente de Leão (Taraxacum officinalis)
Vitaminas A, C e K; Antioxidante; Anti-inflamatória; Auxilia no combate a diabetes e colesterol alto.
6. Gardênia (Gardenia jasminoides)
Vitamina C; Antioxidante, Antibacteriana, Analgésico, Antifúngico, Antiespasmótico.
7. Girassol (Helianthus annuus)
Vitamina E e Ômega-6; Antioxidante; Cicatrizante; Anti-inflamatória; Fonte de proteínas e óleos essenciais.
8. Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
Espécie comumente usada para fazer chás; Antioxidante; Anti-inflamatório; Melhora saúde cardiovascular; Auxilia no combate ao colesterol alto.
9. Lavanda (Lavandula sp.)
Calmante; Antisséptico; Antibacteriana; Cicatrizante; Alivia distúrbios respiratórios.
10. Magnólia (Magnolia grandiflora)
Ansiolítica; Antioxidante; Antialérgica; Anti-séptica; Anti-inflamatória; Digestiva.
11. Maracujá (Passiflora edulis)
Calmante; Sedativo; Antibacteriana; Auxilia no controle da pressão e colesterol alto.
12. Margarida (Leucanthemum vulgare)
Vitaminas A, C e E; Possui cálcio, fósforo e selênio; Anti-inflamatória; Adstringente; Antiespasmódica; Cicatrizante; Tônica; Emoliente.
13. Petúnia (Petunia sp.)
Antioxidante; Anti-inflamatória; Antisséptica.
14. Rosa (Rosa sp.)
Vitaminas A, C e E; Anticéptico; Antioxidante; Ácidos graxos essenciais; Anti-inflamatório e Antibacteriana.
15. Violeta (Viola odorata)
Vitamina C; Antioxidante; Melhora circulação; Expectorante; Analgésico; Anti-inflamatório; Diurético; Antibacteriana.
15 Ervas para Enriquecer a Dieta
Compilado por Tais Tonobohn, inspirado por BirdNerd Sophie.
Na natureza, psitacídeos possuem uma dieta bastante variada, se alimentando não apenas de sementes e castanhas, como também flores e folhas.
Assim como nós, aves possuem sabores favoritos, e é mentalmente estimulante para elas comer coisas gostosas, com texturas e paladares diferentes. Mixes de flores e ervas são formas excelentes de enriquecer a dieta da sua ave pet, além de tornar o forrageamento mais interessante e naturalmente colorido.
Abaixo listamos 15 ervas fáceis de encontrar em casas de produto natural e feiras, que não apenas são seguras, mas também são benéficas na saúde geral. Você pode ofertá-las frescas ou desidratadas. Caso opte por ofertar frescas, a menos que tenham sido germinadas no seu próprio jardim ou você saiba a procedência, lembre-se de lavar muito bem! Vasinhos de planta vendidos em supermercados ou como ornamentais não possuem legislação rígida sobre uso de pesticidas, então podem vir carregadas de veneno.
1. Alecrim
Fonte de: vitaminas A, C, K, B1 e B2. Ação: por ser rico em compostos flavonoides, terpenos e ácidos fenólicos, possui ação anti-inflamatória e antioxidante.
2. Anis Estrelado
Fonte de: vitamina A, vitamina C, ferro, magnésio, cobre, cálcio, carboidratos, proteínas, fibras e gordura. Ação: Combate infecções por fungos, repele insetos, facilita digestão e fortalece o sistema imune.
3. Boldo
Fonte de: vitamina C. Ação: digestivas, anti-inflamatórias e antioxidantes, sendo muito usada como remédio caseiro para problemas no fígado.
4. Capim Limão
Fonte de: vitaminas A, B e C, folato e minerais como potássio, magnésio, manganês, zinco, ferro. Ação: analgésico, anti-inflamatório, melhor insônia e a saúde da pele.
5. Coentro
Fonte de: vitamina A, B1, B2, B3 e C, ainda conta com ácido fólico, que é um forte aliado do cérebro. Ação: Prevene alguns tipos de câncer, mantém a saúde da pele, reduz o colesterol e triglicerídeos, melhorar a digestão e controlar a pressão alta.
6. Cominho
Fonte de: vitaminas do complexo B, ferro e zinco, além de conter vitamina C, A e E. Ação: melhora a digestão, reduz infecções causadas por alimentos contaminados, auxilia na perda de peso e atua no controle dos níveis de açúcar no sangue e colesterol.
7. Funcho
Fonte de: vitaminas A, B e C, ferro, cálcio, fósforo, zinco e potássio. Ação: alivia problemas gastrointestinais, ajuda no alívio de cólicas intestinais, possui propriedades antioxidantes, ajuda no combate a infecções, desintoxica o fígado.
8. Gengibre
Fonte de: Vitamina B6, cobre, magnésio e potássio. Ação: analgésica, anti inflamatória, antioxidante, digestiva e termogênica.
9. Hortelã
Fonte de: vitaminas do complexo B, vitamina C, D e E e também é fonte de minerais como cálcio e fósforo. Ação: Trata as náuseas e a indigestão, ajuda a aliviar os sintomas do intestino irritável e possui ação analgésica.
10. Louro
Fonte de: vitaminas A e C, e também de minerais como selênio e potássio. Ação: anti-inflamatório, analgésico, antioxidante, combate a retenção de líquido, ameniza stress e ansiedade.
11. Manjericão
Fonte de: vitaminas A, B, C, E e K. Além disso, ele é uma ótima fonte de minerais, como cálcio, zinco, manganês e ferro. Ação: combate cansaço, depressão, enxaqueca e insônia; é eficaz também na cura de laringite e faringite; ajuda a diminuir a febre; combate a acne; ativa o sistema imunológico; desinflama aftas; possui propriedades analgésicas, antissépticas e cicatrizantes.
12. Orégano
Fonte de: vitaminas A, C, K e do complexo B; minerais como zinco, magnésio, cálcio, ferro, manganês, cobre e potássio; polifenóis e ômega 3. Ações: Relaxante muscular, controla pressão, reduz inflamações e colabora para saúde cardiovascular.
13. Sálvia
Fonte de: vitaminas K, a A, a B, a C e a E. Magnésio, ferro, cálcio, manganês, cobre e outros. Ação: anti-inflamatória, bem como anti-reumática (previne dores e doenças nos músculos, articulações e ossos), balsâmica, cicatrizante e digestiva.
14. Salsinha
Fonte de: vitaminas A, B, C, E, K e ácido fólico, além de minerais que são muito importantes para a saúde, como o ferro, cobre e magnésio. Ação: Previne anemia, ajuda no controle de diabetes, fortalece os ossos, faz bem para pele.
15. Tomilho
Fonte de: vitamina C e uma boa fonte de vitamina A, cobre, fibra, ferro e manganês. Ação: sedativa, bactericida e propriedades antissépticas para tratar infecções, eliminar fungos e outros micro-organismos.
Pólen na Dieta das Aves
Adaptado da matéria escrita por Patty Jourgensen para BirdTricks Blog.
O pólen apícola é o pólen coletado e processado pelas abelhas, sendo depois “colhido” por produtores em colmeias adaptadas. Esse é um dos principais alimentos das abelhas, servindo principalmente para desenvolver suas larvas e produzir o mel.
A grande diferença do pólen apícola para o encontrado nas flores está no processo de enriquecimento que essa substância passa ao ser coletada pelas abelhas. Esses insetos secretam sua saliva nos pequenos grãos coletados em cada flor, quebrando sua estrutura e adicionando substâncias essenciais.
Benefícios
De acordo com Gudrun Maybaum, autor de “What Happened to My Peanuts”, um grande livro sobre nutrição e uma metodologia holística para dieta das aves:
“O pólen das abelas é um grande suplemento alimentício que contém pelo menos 130 substâncias de significância nutricional. A alta qualidade da proteína excede a da carne de vaca e frango. O pólen da abelha é composto por 50% de carboidratos, rico em ácidos graxos, quase todos os minerais conhecidos, aminoácidos, enzimas, oligoelementos, vitaminas como complexo B, A, C, D, E, betacaroteno, um antibiótico potente contra E. coli. A alimentação com pólen de abelha evita desequilíbrios nutricionais, deficiências, acúmulo de toxinas no corpo e ajuda a fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças. É o alimento mais rico da natureza”.
Onde encontrar
O pólen de abelha está disponível em lojas de produtos naturais e online, mas nem todos os produtos de pólen de abelha são iguais. A qualidade do pólen de abelha é determinada em parte pelo local onde é colhido. Como absorve poluentes em seu ambiente, um produto de um local ecologicamente saudável produzirá pólen de abelha saudável.
Por exemplo, a Nova Zelândia preocupada com a ecologia, um dos lugares mais limpos da Terra, é uma fonte segura para qualquer produto natural. Em comparação, o pólen de abelha vindo da China altamente industrializada teria maior probabilidade de conter metais pesados e pesticidas.
Desconfie de produtos que vêm de fontes não identificáveis e produtos comparativamente baratos. Eles, é claro, serão de baixa qualidade e podem fazer mais mal do que bem.
O pólen de abelha pode ser comprado processado em comprimidos ou cápsulas. Seu refinamento os torna de menor qualidade que os produtos crus e granulados. Faça sua lição de casa para garantir que o produto que você escolheu foi armazenado adequadamente antes do envio, isso afeta sua qualidade.
Como servir
Ao servir a refeição principal da sua ave, espalhe uma pitada pequena de pólen de abelhas granulado sobre a comida. Se você fizer chop, dê preferência a oferecer junto dele. Como a comida estará molhada o pólen vai aderir a ela, o que a torna impossível de evitar para aves que sejam muito neofóbicas. Junto da ração ou sementes secas, o pólen tende a ficar no fundo do pote e não ser comido como devia. Caso isso aconteça, ofereça com petiscos úmidos, como um pedaço de fruta.
E já que você está se esforçando tanto para proporcionar ótima saúde ao seu pássaro, não se esqueça de si mesmo – 1 colher de chá de pólen de abelha por dia fará maravilhas em sua própria dieta.
O Guia do Kakariki Pet
Escrito por Tais Tonobohn e revisado por Rafaela Spalding.
Kakariki é o nome Maori (que significa “pequeno papagaio”) dado a várias espécies do gênero Cyanoramphus nativas da Nova Zelândia. Neste post abordaremos especificamente o kakariki conhecido como periquito-de-coroa-vermelha, ou Cyanoramphus novaezelandiae, que é a única espécie tida no momento como pet no Brasil.
Características físicas
Tamanho: O periquito-de-coroa-vermelha é uma ave pequena, maior que um agapornis e menor que uma calopsita. Pesa entre 50-70g.
Foto de Lina e Darwin em @peridotthepear
Cores: Eles existe já em várias mutações, sendo as mais comercializadas no Brasil a cor selvagem verde, verde canela, azul, azul canela e amarelo. Nas mutações azuis, a coroa perde pigmentação e se torna branca.
Foto de Mizu em @mizubluekakariki
Dimorfismo: Machos são geralmente maiores, tem a cabeça maior, o bico largo e mais potente. Essas informações, contudo, não devem ser levadas como regra embora sejam verdadeiras na maioria dos casos. Existem contudo, machos pequenos e fêmeas grandes. Na dúvida, faça ou exija a sexagem da sua ave.
A esquerda Mizu, kakariki macho, e a direita Fennel, kakariki fêmea.
Bico: O bico de um kakariki sempre começa rosado e vai escurecendo conforme ele envelhece. No adulto, o bico é prateado com a ponta preta. Uma vantagem muito atribuída a pequenos psitacídeos é ter o bico pequeno e ser incapaz de machucar. Não se engane! O kakariki é plenamente capaz de separar pele.
Super patinhas: As patas do kakariki são notavelmente grandes para seu tamanho, e suas unhas são bastante longas. Eles tem pés muito fortes, utilizados para ciscar, e conseguem segurar coisas para comer.
Penugem: Esta é mais densa e próxima ao corpo do que a de outros periquitos do mesmo porte. É importante dizer que o kakariki é especialmente vulnerável ao calor brasileiro, sendo uma ave acostumada a invernos de 8° a 14° e verões de no máximo 26° nas ilhas neozelandesas.
Expectativa de vida: Média de 10 a 15 anos, embora existam casos que chegaram a 20 anos.
Alergias: Um dos maiores medos que eu tinha quando resolvi adquirir aves é que meu marido é muito alérgico, e eu não tinha certeza se o kakariki era “poeirento” como cacatuas e calopsitas. Para a alegria dos envolvidos, eles não são, e mesmo depois de muitas mudas de pena, a rinite do rapaz nunca reclamou de nada.
Comportamento geral
Antes de mais nada é importante dizer que nenhuma ave é igual a outra. Leia essas características abaixo com a consciência de que essa é a ideia geral da espécie, mas sempre existem exceções.
Ritmo acelerado: O kakariki é uma ave aventureira, brincalhona, hiperativa e curiosa. Eles são aves de alta energia e parecem ter uma bateria infindável para se enfiar em qualquer lugar que lhes pareça interessante, isso inclui sua mochila, seu tênis, a lata de lixo, caixas, embalagens, móveis, nichos, vãos entre objetos e parede, etc. Os donos de kakariki devem ter atenção redobrada ao animal solto, pois eles frequentemente ficam em silêncio enquanto exploram.
Periquito de chão: Uma vez que essa ave confie nos arredores, é comum vê-la passeando pelo chão em busca de algo interessante para comer ou brincar. Os kakarikis são forrageadores de chão. Esta é uma ave que se beneficia muito de caixas de escavação, pois suas unhas crescem rápido para acompanhar o comportamento, e se ele não as desgastar com frequência, precisará que o veterinário as corte periodicamente.
Metade pato: Os periquitos neozelandeses amam água. Eles tomam banho todos os dias, se dada a oportunidade. Acostume o seu kakariki desde bebê a tomar banho em um prato ou bandeja, e ofereça sempre. Se privados da oportunidade de banho, eles vão encontrar seus próprios métodos, seja se enfiando no pote de água, seja se jogando dentro de uma panela que estava de molho na pia (experiência própria).
Para a família toda: Você já deve ter ouvido que algumas espécies de psitacídeos escolhem apenas um humano para amar, e não gostam de todo o resto. O kakariki é uma ave muito sociável e destemida, que se acostumada, faz amizade com todos os membros da casa e ativamente busca interagir com eles. Minha experiência pessoal é de que se socializado com frequência, não é uma ave que se estressa com visitantes e estranhos.
Independente: A alta energia do kakariki faz com que ele esteja sempre em movimento. Se você está buscando uma ave que fica paradinha no colo recebendo carinho, essa definitivamente não é a ave para você. O kakariki não costuma gostar de carinho inclusive. Suas penas são bastantes frágeis ao desgaste, e eles evitam serem tocados. Porém, é uma ave que quer participar de tudo que está acontecendo na casa, ver tudo que você está fazendo, comer tudo que você come, mexer em tudo que você mexe. Eles são extremamente curiosos e adoram estar presentes.
A voz mais fofinha: O kakariki é uma das poucas aves de pequeno porte capaz de aprender a “falar” com considerável clareza (leia-se imitar fala humana). Como em toda espécie, é o macho que tem o maior vocabulário, mas as fêmeas também podem aprender. A voz do kakariki é aguda e um pouco nasal, falo que parece um patinho de borracha, mas tem quem compare com o Yoshi do Mario Bros. Aqui um vídeo de um mocinho falando.
Bons provadores: Embora não seja a verdade sobre todos os indivíduos (e nem sobre todas as comidas), kakarikis no geral não têm dificuldade para provar coisas novas e comer o que lhe é oferecido. Se acostumados desde pequenos com a ração, sementes e legumes, eles tendem a não ser inquisitivos.
Foto de Mizu em @mizubluekakariki
Problemas de Saúde
Ao mesmo tempo que é uma ave durona que não fica doente fácil, existem alguns problemas que mais comumente chamam atenção na comunidade internacional. Infelizmente tudo que temos são informações mencionadas em fóruns e grupos, com pouco estudo real em cima. São eles:
Convulsões: A Nova Zelândia, lar dos kakarikis, é um dos poucos lugares no mundo onde praticamente não existem mamíferos, apenas morcegos e mamíferos marinhos. Isso faz com que o kakariki tenha poucos predadores naturais, e tenha, por consequência, poucos mecanismos para lidar com stress. Alguns tutores reportam que seus kakarikis chegam a entrar em um transe acompanhado de convulsão logo após algum evento estressante simples como corte de unhas. Por isso é muito importante acostumar os filhotes ao toque e manuseio.
Problemas de coração: Há quem diga que esses foram causados por problemas genéticos no início da domesticação do kakariki. Donos reportam que a ave teve morte súbita, muito possivelmente causada por complicações cardíacas.
Problemas de pena: Causada por ácaros invisíveis ao olho nu, essa condição faz com que o kakariki comece a perder penas e ter pontos pelados no corpo, geralmente iniciando no rosto e ao redor dos olhos. É um estado extremamente incomodo que deve ser tratado com o veterinário o mais rápido possível.
Aspergilose: Criadores dessas aves relatam que elas parecem mais suscetíveis ao fungo causador da aspergilose do que outras espécies mantidas em cativeiro. O problema geralmente depende da existência de esporos na área onde vivem.
Kakariki com problema de ácaros, retirado de Kakariki Paradise.
O que não te contam na Internet
A informação sobre kakariki pet aqui no Brasil (e no mundo na verdade) é muito escassa. Muito do que aprendi foi com uma criadora inglesa que os teve por anos, e com amigas que me ensinaram sobre suas próprias experiências (créditos para @mizubluekakariki e @peridotthepear). Aqui quero deixar algumas informações que fui adquirindo apenas posteriormente, e que não vejo divulgadas com frequência:
O kakariki é sexualmente maduro com 5-6 meses. O que significa que a fase bebê passa extremamente rápido (minhas duas kakarikis desmamaram da papinha com menos de 50 dias), e o animal logo começa a exibir comportamentos sexuais. Os donos de kakariki precisam se adequar a essa velocidade, porque alguns afagos e algumas práticas não são adequadas com animais adultos. A espécie fica hormonal com facilidade, pois é uma excelente reprodutora e pode ter filhotes ao longo do ano todo se o clima for propício. Gatilhos hormonais precisam ser duplamente evitados.
Existe uma probabilidade do kakariki macho passar por um estágio de agressividade. Muito se fala sobre a bipolaridade do ringneck, especialmente quando passando pelo estágio hormonal, onde um dia o bicho te ama e no outro quer te agredir. Embora existam muitos casos de kakarikis machos que amadurecem sem grandes mudanças, alguns deles passam por um estágio similar ao ringneck entre 5 meses e 1 ano de idade. Nessa fase ele pode ficar territorial, proteger a gaiola ou locais que ele vê como ninho, proteger brinquedos, não permitir proximidade, dificultar a troca de potes e limpeza da gaiola, entre outras coisas. O kakariki dá vários sinais sonoros e visuais de que está irritado, mas uma vez que resolva te machucar, ele avança muito rápido, e é difícil de puxar a mão a tempo. O estrago não é grande, mas dói. Felizmente, depois de 1 ano de idade parece que os hormônios assentam, e ele vai aos poucos voltando ao normal. A fêmea não costuma passar por esse estágio.
Se te disseram que o kakariki é quieto, é uma meia-verdade. Ao contrário de periquitos australianos e calopsitas, o kakariki não vocaliza o tempo todo. No geral, se ele estiver entretido, ele estará quieto. Se ele estiver falando com você, os sons também não são altos. Mas ele é plenamente capaz de gritar, e se ele achar que deve, ele VAI. Na minha experiência, não é alto o suficiente para ser ouvido de fora de casa, o que faz com que seja um bom animal se você tem vizinhos “sensíveis”, mas dizer que é um animal quieto, para mim, é subestimar as cordas vocais desses carinhas. O som parece um carneirinho, são vários “eh” entrecortados, aqui um vídeo que mostra bem.
Eles fazem sujeira. Muita sujeira. Você vai dizer “Ah, Tais, mas todo psitacídeo faz sujeira”. Verdade! Mas raros são os psitacídeos com força suficiente nas pernas para chutar a comida num raio de metros ao redor da gaiola. Kakarikis ciscam, e eles ciscam em tudo, inclusive na água, na ração, nos legumes. Você vai ter que se acostumar a procurar projéteis de comida, e vai se juntar ao clube dos que choram a ração derramada (Megazoo tá cara, gente).
Alta energia e baixa atenção. Esse talvez não seja um tópico importante para muita gente, mas foi para mim, e eu não achei a resposta em nenhum site, eu descobri na experiência. Kakarikis são sim mais difíceis de treinar, porque a hiperatividade deles causa uma janela de atenção menor (eu falo que se transtorno de atenção e hiperatividade fosse um passarinho, seria um kakariki). Mas se isso te importa, fique tranquilo, é plenamente possível! Você só precisa tornar as sessões mais curtas e mais espaçadas, e realmente saber ler os níveis de motivação do serelepe. Eles adoram atividades que gastem energia, então o interesse muitas vezes compensa pela falta de atenção.
Lista de compras
Ainda por aqui? Ótimo!
Uma das coisas que mais penei antes de adquirir meu kakariki foi o que deveria comprar, porque muito se encontra na internet sobre ideais para calopsita, mas eu não tinha certeza do que era ideal para um kakariki. Hoje, um pouco menos perdida, eu posso te dar uma ideia!
Ração: Eu sempre vou recomendar MegaZoo pelo tamanho genial dos grãos que (na minha opinião) torna muito mais fácil a aceitação por aves cuja dieta é majoritariamente sementes, mas no geral a ração pode ser qualquer uma que sirva para calopsita. Evitem rações com conservante, corante, e com frutas secas junto. Não que eles não possam comer frutas, mas deve haver moderação. Kakarikis já tem uma energia interestelar, imagine se açúcar fizer parte da dieta diária deles.
Sementes: A dieta de periquitos em geral deveria conter, ainda que com a devida parcimônia, sementes. Na natureza os kakarikis tem uma dieta muito variada, e comem bastante para compensar sua natureza irriquieta. Aqui em casa eu preparo um mix com iguais partes de: quinoa mista, linhaça marrom, chia, aveia, painço sem casca e cevadinha. Eu complemento periodicamente com flores comestíveis, semente de coentro, mostarda e pimenta seca. Tente manter as porções de semente a aproximadamente 10-15% da alimentação diária deles.
Legumes: Nesse quesito pode seguir listas de confiança do que psitacídeos podem consumir (temos uma aqui no blog). Meu único adendo com o kakariki em específico seria que as minhas parecem preferir coisas que elas consigam segurar com o pé, então eu indico picadinhos mistos (chop), ou pedaços tamanho ervilha.
Proteínas: Na natureza a alimentação dos kakariki consiste em aproximadamente 5% de invertebrados. Eles comem mais proteína animal que outros periquitos. Dessa forma, acho importante ofertar, se não insetos de biotério, pelo menos um pedacinho de ovo cozido por semana.
Brinquedos: Existem exceções mas na minha experiência eles se desmotivam rápido com esses brinquedos de bloco de madeira maciça, que são recomendados para aves grandes, de bicos potentes. Cascas, cortiça, palitos, papel, papelão, cork bark, solla, madeiras macias no geral, são mais interessantes.
Gaiola: Esse foi com certeza meu maior “Ops”. Eu tinha uma gaiola de tamanho decente para uma calopsita, e achei que seria ótimo para um kakariki que é menor. O que eu descobri é que a gaiola deve ser coerente com o tamanho da energia do bicho, não só do bicho em si. Hoje eu tenho uma gaiola que serviria para um ringneck, e eu posso afirmar com certeza, ela usa TUDO. Quem me segue no Insta vê que ela anda até nas parede e no teto. Você não precisa pegar uma igual a minha (é essa aqui), mas tente pensar em uma que valha para uma ave o dobro do tamanho do kakariki!
Enriquecimento: Aqui você pode seguir o que já sabe de aves do porte (poleiros, balanços, etc), porém quero reiterar, acho caixas de forrageamento essenciais para eles. “O que é isso, Tais?”, é basicamente uma bandejinha cheia de tralhas seguras, onde ele possa cavar e fuxicar. Algumas lojinhas vendem já prontas, mas você pode montar a sua com qualquer coisa que seja segura, de verdade. Se você adicionar pedras de rio (higienizadas por favor) ou até aquelas bolinhas de argila para jardinagem, você vai ter muito menos trabalho cortando unhas, porque as pedras ajudam a desgastar!
Bandeja de forrageamento. Retirado de Queenslander Aviaries
Custos e um Aviso Importante
Para finalizar, muita gente me pergunta onde adquiri meu kakariki e quanto paguei. O valor como toda ave depende da mutação. Esses são os valores atuais (2023) no criador onde adquiri as minhas, anilhadas e legalizadas, a Exotic Bird Store:
KAKARIKI VERDE - R$800
KAKARIKI VERDE CANELA - R$900
KAKARIKI VERDE ARLEQUIM - R$950
KAKARIKI AZUL - R$1.300
KAKARIKI AZUL CANELA - R$1.100
KAKARIKI AZUL ARLEQUIM - R$1.400
KAKARIKI AMARELO - R$2.000
Eles entregam gratuitamente na WildVet em São Paulo/SP, mas também enviam por transporte. Paguei cerca de R$120 para me trazerem em Jundiaí/SP.
Embora eu não possa recomendar a Exotic Bird o suficiente, existem hoje muitos criadores de kakariki no Brasil. Lembre-se sempre de procurar um criador legalizado pelo IBAMA, que te forneça Nota Fiscal.
Aves sem nota são ilegais, não importa o que digam (na dúvida, leiam a legislação na íntegra). Sem a nota você é incapaz de levar sua ave de avião ou ônibus para qualquer lugar, pois a companhia exige, e acima de tudo a nota é prova de que houve transferência de posse do criatório para você, pessoa física. Sem ela, tecnicamente, a ave continua a pertencer ao criatório que te “vendeu”, e pode ser recolhida caso te denunciem e o fiscal esteja num dia ruim. Não caiam nesse papo de “vem com certificado” ou “depois te mando a nota”, hein galera?
Considerações finais
O kakariki é uma avezinha peculiar, que assusta quem já está acostumado com aves mais calmas como calopsitas e periquitos. Ele é elétrico, veloz, radiante, ele quer o que quer e quer agora. E apesar de tudo, ainda é uma criaturinha incrivelmente companheira, querida, que está disposta a te incluir em tudo (e se incluir em tudo também).
Se você se julgar uma pessoa certa para o seu kakariki, eu tenho certeza que o seu futuro te reserva alguns sustos, comida pra todo lado, mas principalmente, muitas risadas e um amorzinho serelepe como nenhum outro.
Obrigada por ler até aqui!
Protocolo para Aves que Gritam
Texto traduzido do post de Pamela Clark, CPBC (Consultora Certificada de Comportamento de Psitacídeos).
Problemas de grito são sempre criados pelo proprietário. Embora difícil de aceitar, esta é a verdade. Muitas vezes, o cenário é montado por disposições alimentares e ambientais inadequadas. Quando o papagaio vive em circunstâncias que o impedem de satisfazer suas necessidades ou condições que aumentam a produção de hormônios, ele será mais barulhento. Quando o aumento do barulho se torna evidente, os cuidadores geralmente reforçam (recompensam) o comportamento de diferentes maneiras.
Nossas ações que reforçam o comportamento geralmente são o resultado de alguma história que estamos contando para nós mesmos. Exemplo: “Ele deve estar com medo de algo que viu do lado de fora da janela. Eu deveria ir até ele e tranquilizá-lo.” Nossa resposta social ao comportamento o recompensa. Muitas vezes, com o tempo, mudamos nossas respostas à medida que ficamos mais desesperados para interromper a gritaria. Podemos sair da sala quando o papagaio começar a gritar, ou ir até lá e cobrir a gaiola.
No entanto, essas ainda são reações sociais que podem recompensar o comportamento, mesmo que nossa intenção fosse punir o comportamento ou fazê-lo parar.
Sabemos um fato sobre o comportamento: qualquer comportamento que receba uma recompensa ocorrerá com mais frequência no futuro. À medida que o comportamento é recompensado pelas ações do cuidador, ocorre cada vez com mais frequência até que um verdadeiro problema esteja no lugar.
1. Assim, o primeiro passo para resolver um problema de grito é mudar a maneira como pensamos. Devemos parar de tentar fazer a ave feliz. Parar de contar a nós mesmos histórias sobre por que está acontecendo. Parar de tentar descobrir por que está ocorrendo. Em vez disso, devemos nos tornar mais objetivos em nosso pensamento. Examinar nossas próprias respostas ao comportamento. Se nossas ações causaram o problema em primeiro lugar, conclui-se então que devemos mudar nosso próprio comportamento para que o problema pare. E por sua vez não mudaremos nosso próprio comportamento a menos que mudemos a maneira como pensamos.
2. O segundo passo para a resolução é identificar o que está atualmente reforçando o comportamento. Um pássaro não continuará a oferecer um comportamento na ausência de reforço. Assim, se você tem um problema contínuo com barulhos indesejados, sabe com certeza que algum tipo de reforço o está mantendo. Uma vez que descobrimos quais ações ou condições são recompensadoras e mantêm o comportamento, devemos então remover o reforço. Isso resulta no conselho típico para ignorar o grito. Ignorar deve ser parte integrante do plano de modificação do comportamento, mas se usado sozinho nunca resolverá o problema. É apenas uma pequena parte da solução e para ser uma parte bem-sucedida do plano, deve ser seguido religiosamente.
Se você está ignorando o comportamento, você não pode sair da sala quando ele ocorre. Você também não revira os olhos ou comenta com seu cônjuge sobre o que está acontecendo. Você simplesmente finge que o papagaio não existe enquanto ele estiver gritando. Use proteção auditiva se for necessário.
Para aves que tendem a continuar gritando com alguma duração (mais de 5 minutos), pode ser útil recompensar a cessação do ruído. Quando o pássaro parar, marque imediatamente o evento com um “Bom!” e caminhe para oferecer um petisco favorito. Se feito de forma consistente, o pássaro logo aprenderá a gritar por períodos mais curtos, percebendo que, quando para, ganha algo que valoriza.
3. A terceira e mais importante estratégia é começar a recompensar outros comportamentos, mais desejáveis, que possam ter a mesma função para a ave que os gritos antes. Isso pode incluir falar ou fazer outros barulhos agradáveis. Também pode incluir a interação com itens de enriquecimento. Como a ave não é mais recompensada por gritar e, em vez disso, ganha guloseimas por falar, o cuidador logo começa a ouvir mais conversas e muito menos gritos. Durante esta fase, mantenha-se atento às atividades do seu psitacídeo e trabalhe duro para recompensar qualquer um que você gostaria de vê-lo realizar com mais frequência no futuro.
Essas mesmas estratégias funcionarão bem com qualquer ruído desagradável que seu pássaro ofereça. Ele não precisa estar gritando para você considerar o barulho dele um problema. Se você tem um papagaio que imita o alarme do carro até você perder a cabeça, implemente essas recomendações!
Para recompensar efetivamente esses novos comportamentos alternativos, devemos (1) identificar reforçadores que a ave valoriza e (2) refinar nosso tempo. Muitas vezes, encontrar bons reforçadores é tão fácil quanto remover os alimentos favoritos da dieta e usá-los como reforçadores. Para aves que comem uma mistura de sementes como um alimento básico na dieta, pode ser necessário primeiro converter para uma dieta formulada antes que a av tenha algum interesse real em ganhar petiscos.
O tempo é crucial ao reforçar comportamentos desejáveis. A ciência provou que um reforço eficaz deve ser entregue em 3 segundos para influenciar o comportamento futuro. Como você pode levar mais de 3 segundos para caminhar até o pássaro para oferecer o petisco, você deve primeiro marcar o comportamento com um som. Quando sua ave oferecer um som ou palavra que você goste, concentre-se imediatamente nele e diga “Bom!” ou “Muito bem!”. Isso irá transmitir a ele que seu comportamento foi correto e que um petisco está a caminho. Sempre siga a frase com um petisco.
Todas essas intervenções não resolverão completamente o problema, a menos que a dieta e o ambiente também sejam corrigidos para melhor atender às necessidades do papagaio. Se certas condições “preparam o cenário” para que o problema evolua, faz sentido que devamos mudar essas mesmas condições ambientais que sustentam os gritos se quisermos resolver totalmente o problema.
Isso requer que mudemos todas as maneiras de cuidar de nossos psitacídeos que são agravantes. Agravantes são quaisquer disposições que são tão opostas às necessidades inatas de um papagaio que ele não pode se comportar bem a longo prazo sob essas condições. Como os identificamos? Ajuda a tirar uma lição da natureza, já que a maioria dos psitacídeos com quem vivemos ainda não foi domesticada. Papagaios selvagens normalmente experimentam condições ambientais previsíveis. A maioria acorda à primeira luz. Eles passam horas forrageando todos os dias, geralmente durante dois períodos diferentes. Eles tomam banho regularmente e passam horas mastigando materiais vegetais. Papagaios que vivem em bandos de qualquer tamanho nunca são isolados, pois a segurança depende dos números. Em vez disso, eles vivem uma existência independente dentro do bando.
Típicos agravantes que encontrei incluem:
#1: Aves que só saem da gaiola uma vez por dia. (Os papagaios precisam de um mínimo de 3 a 4 horas fora da gaiola por dia, e isso deve ser dividido em dois períodos.)
#2: Aves que não podem começar o dia cedo o suficiente pela manhã. (Como os papagaios acordam assim que a luz entra na sala, eles precisam ser acordados e alimentados o mais rápido possível.)
#3: Aves que têm pouco enriquecimento ou oportunidades de forrageamento fornecidos ou que não interagem com o enriquecimento. (psitacídeos precisam estar ocupados e passar parte de seus dias forrageando ou trabalhando por comida através do treinamento.)
#4: Aves que não tomam banho regularmente. (O banho é essencial para a limpeza normal e para difundir a energia acumulada.)
#5: Aves que comem uma dieta rica em gorduras e carboidratos. (Tal dieta pode causar um aumento na produção de hormônios, o que leva não apenas à desnutrição, mas resulta em mais barulho, mais agressão e prepara o terreno para um comportamento destrutivo de penas.)
#6: Papagaios que vivem isolados, talvez em um quarto longe da sala principal. Papagaios que vivem em tais condições simplesmente não podem se comportar bem.
Talvez a coisa mais difícil de perceber seja que, para mudar o comportamento do papagaio, devemos mudar o nosso. Pode ser gratificante apontar o dedo para o papagaio e culpá-lo por nosso próprio desconforto. No entanto, ao fazê-lo, removemos toda empatia e ética da equação do relacionamento e nos impedimos de resolver o problema. Em vez disso, devemos manter a consciência dos fatos de que não é necessariamente fácil para essas aves viver em cativeiro e que somos responsáveis por garantir que eles desfrutem de uma excelente qualidade de vida e por guiá-los a comportamentais apropriados.