Sonho de uma noite de verão || Closed: @psycoland
Era verão, e para o Príncipe do Inferno, não havia nada mais belo do que a Itália no verão.
O vento soprava de forma morna, agitando os cabelos fartos e negros do grego, fazendo-os lembrar as penas de um corvo. Vestia-se de forma despojada mas elegante, trajando uma calça jeans preta e uma camisa de botões com mangas curtas, também preta. Devido ao calor, os dois primeiros botões encontravam-se desabotoados, deixando à mostra parte do peitoral definido do rapaz. Em sua mão direita, carregava uma garrafa de vinho tinto fino que já estava pela metade. Garrafa esta que devia ser a terceira ou quarta da noite.
Caminhando aparentemente sem rumo, murmurava para si mesmo as coisas que ainda poderia fazer na presente noite, como se fizesse uma pequena lista. Já havia parado para jantar em seu restaurante favorito, e agora terminava mais uma garrafa de vinho, o que poderia estar faltando? Como se a resposta fosse soprada por um espírito lascivo, Derek respondeu a si mesmo: faltava satisfazer-se com um corpo alheio. Animado com a ideia, e já levemente embriagado, tomou o caminho que o levaria à uma região onde sabia que encontraria bordéis de luxo, o seu tipo favorito de bordel.
Após uma longa caminhada, enveredou por uma rua que, em ambos os lados, possuía fachadas de diversos tipos de estabelecimento. Experiente como era, passou os olhos lentamente por cada construção, até que se deparou com uma que aparentava ser nada mais nada menos do que um simples café. Vocês não podem se esconder de mim., pensou com um sorriso malicioso nos lábios, Eu consigo farejá-los.
O estabelecimento era uma pequena construção de dois andares bastante discreta. O local acompanhava o layout padrão das construções italianas: uma fachada lisa de pedra parcialmente polida com janelas retangulares e uma porta de vidro que se abria para fora. O telhado era quadrado e reto, sem telhas aparentes. Ao entrar no estabelecimento, notou que este parecia-se verdadeiramente com uma cafeteria, com mesas dispostas aqui e ali, garçons parados próximos ao balcão onde o caixa se encontrava e onde uma vitrine dispunha todos os comes e bebes servidos no local. As paredes eram pintadas em um tom suave de creme, com gesso esculpindo os detalhes do forro com temos bucólicos como cachos e uva e flores.
Aproximando-se do balcão, sorriu gentilmente para a moça que ali se encontrava e, em perfeito italiano, falou:
- Boa noite, minha cara. Saberia me recomendar algo doce para comer, que casasse bem com este meu vinho? – Ao falar, ergueu lentamente a garrafa, virando-a para que a atendente pudesse ler seu rótulo. A pronúncia da palavra doce indicava a ambiguidade que ele queria imprimir, fazendo com que a mulher franzisse o cenho momentaneamente.
No entanto, o ar de desconfiança nos olhos da mulher desapareceu assim que ela focou seu olhar na garrafa e, depois, nas roupas do rapaz. Com um aceno de cabeça, chamou por um garçom, que em poucos segundos materializou-se ao lado de Derek
- Por favor senhor, acompanhe Giovane. Ele o levará ao encontro da parte mais sofisticada da nossa bombonière. – O tom da voz da mulher era suave e sugestivo, indicando que ela havia, de fato, compreendido as intenções do rapaz.
Derek então caminhou atrás do garçom, observando atentamente cada detalhe do lugar.
De forma muito discreta, fora conduzido por um corredor simples, que terminava em uma porta onde lia-se o aviso “apenas pessoal autorizado”. Ao passar pela porta, o grego sentiu como se tivesse adentrado outra dimensão.
O local era fracamente iluminado por luzes amarelas e vermelhas. Suas paredes estavam pintadas com um profundo tom de vinho, e vários divãs pretos e marrons se espalhavam pela sala. Os acompanhantes, embora razoavelmente bem vestidos, não despertaram sua atenção. Sabia que havia sido claro o suficiente: não estava em busca apenas de prazer, queria também luxo. Como se já estivesse ciente das intenções de Derek, o garçom continuou andando, levando-o escada acima para o segundo e último andar da construção.
Já no andar superior, o feiticeiro finalmente olhou ao redor e suspirou em contentamento.
Apesar de se assemelhar em muito ao andar inferior, este era visivelmente mais bem organizado e sofisticado. As pesadas cortinas vermelhas que roxas que cobriam as janelas eram de veludo. Os tapetes, persas. Os divãs eram visivelmente mais confortáveis e caros. A iluminação era suave e imprimia um toque de sofisticação ao lugar, cujas paredes eram pintadas de um tom belíssimo de preto, fazendo o lugar parecer misterioso e requintado.
- Tenha uma boa estadia, senhor. – Despediu-se o garçom, retirando-se após fazer uma mesura discreta.
Tomando um profundo gole de vinho, o Príncipe encaminhou-se diretamente para o balcão onde uma atraente e bem vestida jovem olhava distraidamente para suas unhas.
- Olá querida, como vai? - Perguntou com voz rouca e sedutora, puxando suavemente a mão da garota para em seguida beijá-la delicadamente. Estava acostumado a ser gentil com os atendentes de todos os bordéis que frequentava, deixando sempre uma generosa gorjeta após ser atendido. – Eu gostaria de uma companhia masculina, discreta e bem vestida. – O pedido era direto, afinal sabia que agora não precisava mais ser tão discreto. – Também gostaria que fosse jovem, entre vinte e vinte e cinco anos, e de aparência impecável. – Exigente como era, não ia deixar de mencionar o que queria por mais minucioso que tivesse de ser. – Não me importo se ele não souber falar outra língua além do italiano, afinal, o sotaque de vocês é irresistivelmente sedutor. – Ao completar a frase, soltou a mão da jovem, que o olhava com certa aprovação, um leve rubor tomando conta de suas bochechas.
Lisonjeada com a educação do rapaz, a atendente fez um aceno com a cabeça e chamou por outra jovem. As duas, por sua vez, comunicaram-se e a segunda saiu para uma porta que encontrava-se atrás da recepção.
- Por favor, sente-se, senhor. – A jovem atendente falou, dirigindo-se a Derek polidamente. – Minha colega irá lhe trazer seu acompanhante em alguns instantes. Espero que o senhor fique satisfeito com ele.
Com um sorriso arrasador, o feiticeiro retirou a carteira do bolso traseiro da calça, entregando a jovem uma nota de valor extremamente alto. Quando esta fez menção de recusar, de certo por achar o valor absurdo, o rapaz levantou uma das mãos em um gesto educado de negação.
- Guarde para você ou divida com suas colegas, meu bem. – O sorriso fácil permanecia em seu rosto, enquanto ele se afastava lentamente para sentar no divã preto que encontrava-se a poucos metros do balcão. – E não se preocupe quanto ao pagamento. Eu irei combinar o valor diretamente com meu acompanhante.
Após receber um sinal positivo da atendente, sentou-se confortavelmente no divã, relaxando por completo. Aproveitando o vai-e-vem de pessoas com os olhos, terminou de beber lentamente seu vinho, deixando a garrafa vazia sobre a mesinha que encontrava-se ali ao lado.
Com a mente flutuando devido a embriaguez, recostou a cabeça no encosto do divã, fechando os olhos momentaneamente. Vamos ver se este lugar corresponde às minhas expectativas, afinal, dizem que os melhores vinhos encontram-se nas mais discretas garrafas.
O pensamento o fez sorrir e, enquanto aguardava a chegada de seu acompanhante, cantarolava baixinho uma antiga cantiga grega que falava sobre o deus Dionísio e suas aventuras regadas a vinho e sexo.