Preferi ligar com número restrito. Depois de tanto tempo ele poderia não querer me atender. - Alô?. Disse a voz rouca, que eu sempre gostei - Oi. - É você! - Por favor, não desliga. - O que quer? - Nós podemos conversar? Juro que tomarei pouco do seu tempo. - Olha, eu to meio ocupado... - Eu estou no portão da sua casa, agora. Mas, se estiver com alguém eu posso voltar outro dia! *Chamada finalizada* Ele desligou, fiquei no portão esperando por um tempo. Talvez ele tivesse desligado pra digerir tudo que havia lhe ocorrido, mas o tempo se prolongou, então decidi ir embora. Dei alguns passos até ouvi-lo me chamando. - Você não vai querer entrar? Paralizei, eu não sabia como reagir. Juntei forças, me virei e respondi: - Sim.- Ele estava lindo, alto, forte e lindo. Vestido numa calça jeans meio rasgada e desbotada, e numa camisa azul marinho. Os passos até ele foram como 1000km, eu não sabia se o abraçava, se de cara me desculpava, eu só soube andar. Adentramos a casa, humilde, mas organizada. Tudo em verde e branco, talvez a mãe dele tivesse escolhido a mobília. Sentei-me num sofá, obedecendo ao convite feito por suas mãos. - Eu já não me lembrava muito daqui. - É, muito tempo passou, desde que... você sabe! - Como estão as coisas com você? - Perguntei, ainda que ele parecesse absurdamente bem, e perturbado com a minha visita inesperada. - Bem, tudo vai bem. E com você? Formou-se? - Sim, ja acabei à algum tempo. - Nós não tinhamos assunto, era como se os anos estivessem engasgados na garganta, feito um nó que nem mesma eu era capaz de desatar. - O que veio fazer aqui? - Ele perguntou, senti um pouco de rígidez em suas palavras, mas também havia tristeza. - Eu... bem, saudade. Talvez. - Saudade?, se passaram 6 anos, e agora do nada você vem a minha casa com a desculpa de saudade?, você faz ideia do quanto eu sofri quando você foi embora? Eu chorei dias e noites, não que você merecesse. E agora que eu estava reorganizando minha vida você apareçe. Isso é egoísmo demais. - Olha, eu sinto muito, sinto muito mesmo.- Eu não sabia o que dizer, e mais uma vez eu me senti um monstro. Minha vontade era sair correndo dali, mas ao mesmo tempo era envolvê-lo nos meus braços até que ele se acalmasse. - Sinto muito? É só isso que tem pra me dizer? - Eu não conseguia me mover, nenhuma palavra mais saia da minha boca. Só lágrimas e mais lágrimas. Eram anos, chorados por uma dor que eu mesma tinha criado. - Quero que volte, me perdoe e volte pra mim. - Não, eu já refiz minha vida. Eu aprendi a viver sem você. Foram os piores anos da minha vida, mas agora eu sei que sou capaz de suportar. Você foi a melhor e a pior coisa que já me aconteceu. Mas dessa vez eu não vou deixar que você entre na minha vida, me faça feliz e depois me destrua. Então, por favor, vá embora. - Eu sinto muito.- Disse e me retirei, talvez ele estivesse certo. Eu o magoei demais, idiotice da minha parte acreditar que ele pudesse me perdoar. A dor marca as pessoas, e um sorriso não é capaz de curar ninguém. Hoje eu me arrependo, mas o tempo não volta. Queria eu poder consertar meus erros. A vida é feita de perdas, e infelizmente nem tudo que vai, volta.
E agora, amor?












