Vivemos na era da beleza artificial e das personalidades superficiais.
(Christie Wingler).

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Vivemos na era da beleza artificial e das personalidades superficiais.
(Christie Wingler).
Entre passos silenciosos,
toques leves,
conversas profundas.
Me beijou lento,
me abraçou forte,
sorriu fácil e me conquistou rápido.
Se fez abrigo em uma semana,
talvez no primeiro segundo.
Fez do meu lugar favorito lembrança sua,
do blues que tocava apenas som de fundo.
E agora,
o que eu faço com isso tudo?
Eu só quero deitar no seu peito
e esquecer o resto do mundo.
Só queria poder ser
todo o meu eu lírico
e todo o meu eu mudo.
Christie Wingler
Será que pras outras tu mentes?
Diz que é nada, não sente.
Como quando falou entredentes
Mas teus olhos queimaram ardentes
Tentei não sentir sua falta
Mas tua ausência era armada
E quando toquei tua alma calada
Vi amor por trás da fachada
Tu finges que já me esqueceu
Mas ainda gemeu
Na curva do pescoço meu
O lugar onde nosso amor se escondeu
E eu? Eu fiquei com as dúvidas na garganta
Com teu cheiro preso na manta
Com a porta entreaberta
e tanta
Coisa que ninguém conta
E eu? Te escrevo em versos mal resolvidos
Te encontro em todos os beijos que sinto
Te canto mesmo sem sentido
Mas canto, me entrego ao delírio.
Eu ainda te quero, baby
Acende um cigarro e me atende
Me deixa ser tua só por um instante
Pois só ali eu me sinto em transe
Teu toque bagunça meu eixo
Teu nome ainda sussurro no peito
Mesmo sabendo que é despeito
Me entrego, sem mais pretexto
Então vem devagar, me beija sereno
Me ama por inteiro, sem veneno
Não precisa prometer o eterno
Só mora aqui dentro, sem tempo
Mesmo que parta cedo me leva em segredo
E eu tô aqui, poetizando essa saudade que se chama medo
Tô aqui, quebrada, me fazendo um inteiro
Era só tua mão entrelaçando meus dedos
Teu beijo descendo… e descendo
Silêncio entre gemidos e segredos
Promessas ditas só com o olhar
E eu ainda tento não lembrar…
Mas meu corpo insiste em te chamar,
te amar.
(CHRISTIE WINGLER)
"Quero um amor"
Quero um amor que seja mais que presença,
que queime como febre, mas cure como calma.
Quero mais que o corpo em cópula,
quero pele que arrepia no ritmo da alma.
Quero um amor com tanta paixão
que o significado da palavra “sexo”
não alcance tamanho tesão.
Quero um amor que seja lento,
que se demore, que não tema o silêncio.
Que mergulhe fundo, sem medo do abismo,
e me encontre inteira no avesso do íntimo.
Quero um amor que seja tão eu e você,
que não caiba em mim tanto querer.
(CHRISTIE WINGLER)
"E agora, Deus?" E agora, Deus, quem te consola? Quem ouve Tuas preces quando tudo em volta desola? Quando o amor que criaste vira arma, e o perdão, um fardo que ninguém mais carrega com calma? Quem te estende a mão quando a criança chora? Quando até o milagre se demora? Quando o homem, em nome do céu, faz guerra, e esmaga o irmão, achando que Te encerra? Quem sussurra no Teu ouvido quando o vazio ressoa? Quando nem os anjos entendem a dor que ecoa? Será que o Teu peito também arde em silêncio, vendo filhos se perderem no próprio veneno? E agora, Deus, quem Te embala o pranto? Quem cura Tuas dúvidas, Te devolve o encanto? Ou será que és só espelho do que criaste? Afinal… Criador e criatura te apavoram? (Christie Wingler)
Sabe por que eu estou com raiva de você? Porque eu estava bem, eu não queria me apaixonar, e agora vai doer toda vez que tocar Nando Reis, vai doer quando chegar sexta-feira e eu não puder mais te mandar mensagem perguntando que filme vamos ver e o que vamos comer, se vamos no mercado ou vamos usar nossos cupons do Ifood, mas principalmente porque a gente poderia ter sido muito mais, mas você quis ser pouco.
Christie Wingler
É que eu tenho mesmo essa sede de mundo, de histórias pra contar, me desculpe não querer estar presa a você ou a um lugar. É que eu tenho essas asas pra voar e diversos pontos para pousar. Não é por falta de te amar, é por amor a liberdade de ir onde o vento levar, mas se você quiser voar comigo, plana no ar, sem amarras e sem amarrar.
Christie Wingler
Eu fui embora de casa, embora do meu relacionamento de 6 anos, que era quase perfeito, embora da família dele, que basicamente me adotou, embora da nossa gatinha, dos abraços que me abrigaram... Eu fui embora do mais próximo da estabilidade que já estive.
Eu me arrisquei e risquei o vidro intacto, rachando-o, para parecer mais comigo, para ainda sentir que sou eu por mim e que sempre serei sozinha, e joguei tudo para cima, como quem vira a mesa ou uma dose de tequila. Eu estou andando na estrada escura rumo ao infinito, ao incerto, ao acaso, ora cambaleando, ora cantando, e continuo viva.
Eu deixei todos sem palavras, troquei o certo pelo duvidoso, perdi o ar de tanto chorar, mas peguei minha vida nas costas e fui andando com o coração pesado e os pés cansados do passado, mas que há 6 anos se acostumaram a ser fixos e massageados.
Eu pichei um quadro do Picasso, rasurei uma obra-prima, um romance aclamado, dei um fim ao que seria um final feliz, e agora sou alguém que viveu o amor e não que o deixou escapar pelas mãos, mas que encheu as mãos e a alma e depois o jogou de volta nas correntezas do destino para ser inteiro antes de dar o que não tem.
Eu sinto frio ao dormir sozinha, sinto as mãos geladas sem as mãos dele nas minhas, sinto falta do sorriso dele aquecendo meu peito e daquele olhar de admiração que corava meu rosto quando me via arrumada, da sensação de me sentir linda ao acordar mesmo com a cara amassada e, ainda assim, sigo com a minha decisão de ser sozinha.
Quando se namora dos 15 aos 21 e vocês se casam, você desaprende a não ser amado e tudo depois disso é raso, como observar a superfície de um oceano e não mergulhar. Estar com outra pessoa quase soa errado, é como se você ainda pertencesse a ele, e você toma banhos demorados, como se pudessem te limpar dos toques sem paixão que ainda estão no seu corpo.
Quando se tem uma infância/adolescência complicada e aparece o príncipe encantado suprindo todas as suas necessidades, você se sente sortuda e se torna eternamente grata, você cria raízes e se vê florir, se enchendo de vida e transbordando sorrisos que nunca soube dar, aprende a ser feliz como nunca havia sido e, de repente, quando tudo está sereno há tanto tempo, vem o caos que habita em você e te afasta, te isola do mundo mágico, porque aquilo ali não é você, não é para você.
Toda aquela realidade aparentemente plena é surreal e muitas vezes injusta, você se sente um estranho no ninho e não se encaixa mais, mas você continua tentando e tentando, e, de tanto fazer força, vai destruindo o que está em volta, aqueles que te fizeram tão bem, perde o encanto e já é hora de ir embora para não estragar a história. Dói e vai continuar doendo, mas você precisa ir.
É hora de começar um novo livro, aceitar que você não é um romance e aprender a ser autoajuda, mistério e superação, seu guia de bolso, sua Bíblia. Hora de aprender a ser sua casa, sua melhor amiga, sua família e sua própria fé, ser a mulher da sua vida, a autora da sua história e a personagem principal – um pouco mocinha e um pouco vilã. Hora de amadurecer, dentro do seu próprio tempo, sintonizar na estação do agora, errar, se decepcionar consigo mesma, se perdoar e voltar a sorrir. Hora de entender Nietzsche, tomar bastante café e, enfim, tornar-se o que é e, ainda assim, ser metamorfose, se desconstruindo e reconstruindo quantas vezes forem necessárias até se tornar a melhor versão de si mesma.
Christie Wingler