Oi, talvez teus olhos já estejam cansados de ler tantos textos titulados com o teu nome nas entrelinhas, mas eu prometo, esse é o último. Acordei nessa segunda-feira cinzenta disposta a mudar a minha vida, a seguir em frente sem auês e dramalhões. Acordei decidida, mas isso não significa que eu tenha acordado feliz. Nem sempre o que escolhemos fazer será o que nos trará felicidade, pelo menos não de imediato. Minha madrugada foi longa, cheia de pensamentos e lembranças boas e ruins. Desde que você foi embora eu mudei bastante, a gente realmente aprende com a dor. Mas aprender esse tipo de coisa na marra é a mesma coisa que aprender aquelas matérias que a gente odeia no colégio. Somos forçados, mas no fundo sabemos que iremos precisar desse aprendizado mais pra frente. Eu pelo menos sei. Vi umas coisas que apesar de me fazerem sentir ciúmes, não machucaram como achei que machucariam. Talvez isso seja um bom sinal, não sei. Calma, não estou aqui pra dizer que eu não amo mais você, por que eu estaria mentindo pra mim mesma se o fizesse. Quero dizer apenas que naquele momento eu percebi que eu consigo suportar mais do que eu imagino. Fechei os olhos no escuro e vi o quanto era fácil te imaginar com uma outra garota. Você será o primeiro a se aventurar novamente, eu tenho certeza disso. Talvez você á conheça da mesma forma que me conheceu, talvez ela queira saber mais de você, te escute, te conforte. Talvez vocês passem a madrugada inteira se falando, e no dia seguinte já se pegam desejando bom dia um ao outro, até virar rotina e vir os telefonemas, o gostar e o primeiro encontro. Ou quem sabe você esbarre com alguém que esteja do mesmo lado do mar que você, e vocês passam a ficar, namorar e se casam. Pode acontecer nos corredores da faculdade, nas festas e nos rolês. Pode acontecer em qualquer lugar, e quando acontecer, espero que você seja feliz e que essa felicidade venha com aquilo que sempre faltou na sua vida, aquilo que te trará vontade de viver sem querer um fim. Você deve estar se perguntando: "Mas e você, D... enquanto tudo isso acontece comigo, o que vai acontecer com você?" E eu te respondo sem pensar duas vezes. Eu não sei. Não sei ao certo, ninguém nunca sabe, e quando não sabemos a gente supõe ou imagina. Eu me imagino trabalhando muito pra conseguir publicar o meu primeiro livro, me imagino fazendo intercâmbio e até comprando o meu primeiro carro. Me imagino na faculdade, nos bares, nas casas de show com alguns amigos do lado. Imagino também a minha tão sonhada casinha em poá pra relaxar, e escrever meus próximos livros. Me imagino atuando como psicologá nas horas vagas, e também fazendo aquela tatuagem nas entradinhas que nós dois sempre gostamos. Por fim, me imagino de mãos dadas com um outro cara, fazendo os planos que eu e você nunca fizemos. E quem sabe até por sorte, os realizando. É tanta coisa pra se imaginar, que mal sobra espaço pra realidade. Gosto mais de imaginar, confesso. Tudo é bem mais fácil e bonito dentro da minha cabeça, pena não ser assim de verdade. Expulso do meu interior quaisquer fuligem de esperança, pois já não quero á sentir. Levou algumas semanas pra aceitar, mas eu sei que não daríamos certo. Tão diferentes. Vai ver eu seja mesmo alguém pra se estar junto quando a vontade de ficar em casa vivendo uma vidinha calma ao lado da família seja mais forte do que a vontade de ver o mundo. Talvez eu venha a ser uma boa mulher e uma boa mãe. Amor não vai me faltar pra dar, como nunca faltou. Sobre nossos beijos, eles sempre foram incrivelmente gostosos e intensos. Sobre nossas noites de amor e safadezas, elas vão continuar me vindo a cabeça quando meu corpo ansiar por um pouco de prazer. As mesmas lembranças vão te invadir também, talvez até com mais frequência. Sobre a sua barba, não á faça. Sobre você, se cuide. Sobre nós, sem pontos finais concretos, só reticências. Ou talvez não. Sobre mim, um recomeço.