Hey!
Finalmente, depois de incansáveis horas e cinco anos, depois do trágico acontecimento com minha mãe Julia e ter que acabar morando com meu pai, vendo ovelhas e muita grama na Escócia estava quase próxima de Liverpool novamente. Deus, como senti falta deste lugar, das noites nas quais as ruas se encontravam cheias de jovens com a minha idade e muito rock and roll nos clubes. Ah, já era possível sentir o cheirinho daquela cidade e a movimentação dentro do trem aumentando, sinal que já estávamos próximos. Juntei minhas poucas malas e vesti o casaco que estava sobre o braço de minha poltrona já que parecia mais frio que o normal e saí da cabine dando de cara com várias pessoas que me olhavam um pouco torto, talvez pelo grosso casaco de couro e franjas que eu vestia e as botas grosseiras e um pouco embarradas. O trem enfim parou e abriu as portas exibindo aquele cenário nostálgico para mim, as pessoas rapidamente desceram e logo eu já estava do lado de fora contemplando a estação a espera daquele rostinho que eu não via há cinco anos. Será que ele estava maior? Usava topete ainda? E o óculos, será que ele abandonou-o por completo? Será que ele ainda lembraria de mim? Isso certamente sim, ou não teria recebido tantas cartas bobas e desenhos tolos nesse meio tempo. Descansei as malas no chão e observei a quantidade de pessoas que circulavam praticamente correndo por aquele lugar gigante e entre elas estava aquele garoto, vestindo sua jaqueta de couro e exibindo uma expressão confusa. Seu topete havia sido substituído por uma graciosa franja mas seus traços continuavam másculos como antigamente, e sem perder aquele jeito de andar que só ele tinha. Foi quando ele finalmente olhou em minha direção abrindo um largo sorriso me fazendo sorrir também.














