Quarentena
Nossa saudade só aumentava por conta do isolamento. Os planos de te ver eram quase impossíveis. Não podia ir te visitar em casa e muito menos recebe-la onde morava por causa do risco de contaminação para os mais idosos que estavam conosco. Além do mais, não havia opções de lugares para sair. Era um esforço pensar em fazer algo e ter que se contentar com a vontade. Você ainda trabalhava por estar em um dos setores que não parou, uma farmácia.
Em alguns dias, ficava só quando a Dona não ia verificar como estavam as vendas. Então, antes de dormir decide me dar uma ideia.
- Sabe, tem um canto aqui, um cômodo do lado do banheiro, você pode vir e quem sabe a gente não faz sexo. Não tem quase ninguém vindo aqui comprar mesmo.
Assim que vejo a foto do lugar, acho difícil ter algo num espaço tão pequeno e com o estabelecimento aberto, mas concordo.
Umas nove horas da manhã, pergunto onde é e você me diz o endereço, confirmando que podia ir. Preparado, levo o brinquedo que fazia você tremer. Se rolar algo, melhor estar pronto.
Começo a me deslocar e quando estou no meio do caminho recebo uma mensagem desanimadora:
- Ei, a Dona disse que está vindo...
Leio, mas queria pelo menos te ver. Se ela estivesse, ia comprar alguma coisa e voltar para minha residência. Baita falta de sorte.
Chegando, te encontro ainda sozinha esperando a patroa.
- Ela falou que vem, eu avisei. Vai que encontra a gente...
- Sim, mas eu vim pelo menos te dar um cheiro.
Já era uma satisfação reconhecer seus olhos ficando quase fechados de estar sorrindo por eu ter ido. Seu rosto feliz era o que gostava de enxergar quando ficávamos próximos. Um laço roxo prendia seu cabelo longo. Usava uma blusa preta com um tigre desenhado em branco e uma legue escura que apertava as pernas. Me sento de frente para você e escondidos pelo balcão, ficamos conversando. Observo bem de perto toda sua silhueta oculta como se não soubesse como era. Reparando ao redor, as ruas estavam bem movimentadas mesmo com a quarentena por causa de uma feira ao ar livre.
- Impossível, deixar a farmácia aberta e ir pros fundos.
- Sim, mas você não veio me ver? Então...
Tem razão, isso já era uma coisa boa depois dessa distância toda. Começo a apertar suas coxas, passando a mão, o que fazia minha vontade minha vontade crescer enquanto falávamos dos assuntos atrasados. Por estar tanto tempo sem fazer nada, apenas te tocar era suficiente para me deixar visivelmente excitado. Reparava o meio das suas pernas, imaginado como seria usar meus dedos na costura da sua roupa. Assim que você levanta para atender um cliente, eu ia junto só para ficar por trás quando ele saia, beijando seu pescoço ainda que por um breve instante até sentir seus pelos ficando arrepiados. Era sensível a esse tipo de caricia e eu gostava dessa provocação.
Falava no seu ouvido: – Safada, te quero... - e apertava sua cintura ao mesmo tempo que puxava seu cabelo. Entre esses beijos oportunos, a sua vontade desperta. Era interessante ver como tentava sair depois de até fechar os olhos ouvindo minha voz sussurrando. Embora alguém que estivesse passando pudesse ver, não impedia minhas mãos de apertar sua bunda até que você tivesse uma reação com um sorriso saliente.
- Trouxe o vibrador?
- Sim, está aqui comigo.
Já que não podíamos fazer muita coisa, pelo menos ia te deixar molhada ficar sentindo prazer no seu ponto mais sensível. Sentamos então numa parte mais afastada da loja e fico responsável por ver quem entrava enquanto você iniciava sua brincadeira ligando o aparelho. Era rosa e grande o suficiente para massagens em outras partes do corpo, por isso bem intenso.
- Não fica me olhando, eu tenho vergonha.
Seu rosto mudava, a pele ficava mais vermelha e ensaiava uns movimentos curtos para tentar se fechar à medida que a sensação te invadia. Deixava você em seu momento, imaginando como estava ficando por baixo da calcinha. Gostava de saber que você estava sentindo alguma coisa por minha causa, mesmo não sendo como tinha planejado. Com uma das mãos, vou fazendo carinho seu pescoço e pelo nível de excitação que percebia na sua respiração, desço até encontrar seus seios. Acariciando por cima da roupa, percebo seus mamilos sensíveis se destacando.
Pensei que fosse tirar minha mão, pelo risco de alguém ver, mas pelo jeito gostava dessa adrenalina de fazer essas loucuras proibidas. Nem parece que a Dona ainda poderia aparecer pelo tanto que isso te provocava. Aperto um e o outro, enchendo minha mão e prendendo o biquinho, doido de vontade de te sentir por dentro. Minha ereção estava ficando maior a cada pressão que colocava nos meus dedos para que seu desejo crescesse.
- Eu quero transar... vou mandar aqui mensagem para ela dizendo que vou comprar meu almoço e aí eu fecho alguns minutos.
Fico meio surpreso com tamanha determinação. Não deixa de ser algo emocionante realizar essas aventuras. Pensei que ia passar sua vontade esse pouco de carinho, mas só despertou.
- Ela disse que posso fechar meia hora. Você trouxe camisinha? Se não tiver, eu tenho aqui. – Fala pegando uma da prateleira.
- Eu tenho, relaxa.
Se apressando, desce as portas de ferro sem trancar, possibilitando que a gente começasse a diversão. Meu coração até acelera pela adrenalina de a qualquer hora alguém aparecer.
Começo devagar, como se estivéssemos em outra situação e com tempo disponível. Beijo lentamente enquanto vou acariciando sua bunda com as duas mãos. Aperto sua cintura até que você reaja soltando um gemido. Queria te provocar ainda mais, porém, tinha que ser breve e direto ao ponto.
- Vem... – me puxando, me leva até o tal cômodo pequeno, baixando a calça e a calcinha.
Estava pronta para mim por causa do vibrador, o que não pensei a princípio. Tiro meu calção e cueca enquanto você se ajeita encostada na parede. Seu rosto ficava quase virado para o lado, e suas mãos apoiadas. Uma rapidinha de um jeito que não imaginava que ia acontecer. Apenas me coloco por trás e abrindo sua bunda, vou metendo em sua buceta apertada. Usando de novo o brinquedo enquanto enfiava, era capaz de sentir a vibração no seu corpo. Coloco com força como podia segurando sua pele com minhas unhas para te devorar. Era a vontade de dias sendo satisfeita. Dou um tapa forte no seu rabo e você me olha fazendo sinal para que eu não fizesse tanto barulho, ainda assim era impossível não ouvir cada estocada profunda. Metia e você se movia querendo mexer junto comigo. Puxo seu cabelo e me encosto no seu corpo, apertando um dos seios.
- Isso, safada, rebola assim pra mim, vai. – Falava baixinho só para você ouvir.
Enfiava com tanta intensidade que começo a suar. Os minutos passavam e nem percebíamos. Olhando o relógio, você me chama para o balcão e se encostando com os cotovelos sobre o vidro, consigo colocar ainda mais fundo. Aumento o ritmo e sinto seu corpo estremecer enquanto mordia os lábios para não gemer. Não te deixo sair de perto de mim até que cesse seu clímax.
Vendo a hora, você exclama:
- Passou do tempo, se veste!
E assim ficamos procurando as roupas pelo lugar tentado deixar tudo arrumado. Terminando, você abre a farmácia novamente. Poucos momentos depois chega um motoboy com seu almoço, realmente tinha pedido comida. Tendo que sair para evitar problemas, me despeço com um abraço forte, sem esquecer de reparar nos seus olhos ainda mais fechados do seu sorriso por finalmente aliviar a nossa falta um do outro.












