Combinei comigo mesma que nessas férias eu teria uma rotina diferente, meus planos eram: escovar os dentes, fazer um chá, deitar e ler um bom livro. Peguei o livro em mãos e só pensei em escrever, cá estamos nós ou digo eu, afinal um chá não é uma pessoa mas é uma companhia.
Esse ano minha vida tomou diversos rumos diferentes nos quais hoje sinto que os danos me deixaram fragilizada. Viver da maneira que eu estava vivendo não estava me fazendo bem, tentei mudar e não deu certo, novamente fiz de outra forma e caramba, não deu, agora eu to aqui depois da ultima tentativa do ano e me sinto de maneira geral, ok.
De tantos acontecimentos bons no ano como o nascimento do meu pequeno raio de sol, houveram em conjunto acontecimentos que fizeram da minha vida um borrão preto.
Como toda historia se não existe um coração partido não tem graça, minha vida amorosa no decorrer desses 20 anos foram 3 relacionamentos, totalmente diferentes. No primeiro eu dei metade de mim, no segundo eu me dei por inteira e mais um pouco mas no ultimo eu já não tinha mais o que ofertar.
Ninguém deve ficar na vida de ninguém se não houver amor.
Já deitou a cabeça no travesseiro e pensou “o que há de errado comigo?”, eu já e só nesse ano eu fiz isso inúmeras vezes. Houveram pessoas que reforçaram para mim a minha incapacidade de me relacionar, eu me sentia louca afinal me achavam louca, sentia que não havia saída apenas que eu precisava mudar porquê o problema era claramente eu, não tinha outro motivo, e se as tentativas de mudança não dessem certo eu deveria desistir, do que adiantava viver se eu não era merecedora de estar aqui?
Foram 4 idas ao hospital com crise de ansiedade, foram inúmeras noites bem dormidas a base de remédios, foram algumas sessões de terapia intensiva, foram notas baixas na faculdade, foram dias de má rendimento no trabalho, foram beijos vazios, sexo sem amor, abraço sem calor e uma vida que não tinha cor.
Acreditei que o erro era eu, me coloquei como o maior obstaculo da minha vitoria, me sacrifiquei a carregar fardos que não me pertenciam e a estar em um relacionamento a onde eu não estava feliz, por medo, medo de estar sozinha e ter que enfrentar a dura realidade de que eu precisava mudar.
Nunca estive tão sozinha na minha vida como agora e eu nesse ano inteiro nunca me senti tão leve como hoje, é bom não sentir dor, não sentir que esta errando com alguém, não precisar dizer o porque da vida, não dividir a coberta, não mentir, não me sentir menos amada, menos aclamada, menos desejada e muito julgada. Eu não preciso sentir nada disso porque agora sou só eu.
Esses dias me perguntaram qual era a minha palavra favorita e eu disse que costumava ser “always” porém, eu havia mudado de opinião sobre ela, hoje eu entendo que nada é pra sempre e que amor nenhum te alimenta, te rega, te ama pra sempre.
Sobre sentir falta? Sinto falta de algumas coisas e de uma pessoa mas as vezes temos somente que deixar esse sentimento ir sumindo, uma hora ele se apaga e essas coisas não terão mais importância, essa pessoa será só mais uma pessoa e o planeta vai continuar girando.
Com tudo, gostaria de deixar registrado que independe de quantas noites eu durma até o final do ano chorando, eu me sinto realizada por não ter desistido quando tudo dizia para eu partir e que hoje eu me sinto mais forte e confiante para poder enfrentar esse mundão lindo sozinha.
Sou só um brotinho que precisa de sol e chuva para continuar crescendo pois, aprendi que não dá para viver só de chuva, não quero mais só chuva.