Amado irmão (ou irmã) em Cristo,
Escrevo estas linhas com um coração profundamente grato ao Senhor, a fim de registrar, diante d’Ele e de quem lê, as manifestações da Sua graça que, com mãos ternas e firmes, foram derramadas sobre minha vida por meio da presença de Luiz Paulo. Confesso que, ao relembrar o dia em que conheci esse servo do Altíssimo, não posso deixar de ver ali um gotejar suave da misericórdia divina — um raio de luz vindo do céu, alcançando uma alma que buscava compreender a vontade de Deus.
Naquele tempo, meu coração já almejava ser esposa de um pastor. Eu havia deixado uma congregação e estava em processo de libertação de conceitos humanos, rígidos e pesados, sobre o que significava ser esposa, especialmente de alguém vocacionado ao ministério pastoral. Mas foi ao lado de Luiz Paulo que o Senhor começou a me ensinar com brandura, com paciência e com verdade. Ele, sendo apenas instrumento, revelou-me o cuidado de Deus com Seu povo — não através de esforços braçais, de méritos pessoais, mas por meio da dependência sincera e plena do Senhor.
Luiz Paulo me apresentou uma visão eclesiástica tão viva, tão centrada em Cristo, que fui profundamente tocada. Foi através de seu olhar sobre a Igreja, sobre o ministério pastoral, que eu aprendi que o verdadeiro pastor não deseja que os irmãos olhem para ele como uma figura de poder ou de superioridade, mas como um servo entre servos, um irmão entre irmãos, que deseja ardentemente conduzir uma igreja totalmente dependente do Senhor. E isso me fez amá-lo — não apenas como homem, mas como instrumento fiel do Altíssimo.
Eu, que viera de um contexto onde o pastor era tratado quase como um anjo, vi, com assombro e gratidão, a figura de um homem que tremia diante de Deus e desejava desaparecer para que Cristo fosse exaltado. Isso revolucionou minha fé. Passei a compreender o que de fato era a graça. A graça não como doutrina fria, mas como realidade viva que se manifesta por meio daqueles que Deus separa para o Seu serviço.
Os três anos de convivência com Luiz Paulo foram uma escola espiritual para mim. Vi sua dedicação nos estudos, sua aflição santa nos dias em que julgava não estar sendo constante, sua humildade diante dos conflitos eclesiásticos, sua mansidão nas adversidades. E em tudo isso, eu via a ação do Espírito de Deus. Era como se, ao observar sua vida, meu coração se voltasse para Deus com mais fervor e reverência. E esse é um dom raro, pelo qual rendo graças.
Com o tempo, fui aprendendo a amar não apenas a sua vida, mas tudo o que o cercava. A família de Luiz Paulo tornou-se para mim motivo de oração, de zelo e de afeto — mesmo sem tê-los conhecido pessoalmente, meu coração se encheu de cuidado por sua mãe, seu pai, sua irmã, seu primo e, especialmente, por sua avó, por quem nutro uma ternura profunda. Ao orar por eles, sinto-me como alguém que, de longe, participa de uma comunhão que vai além dos laços humanos, uma comunhão selada pelo Espírito de Deus.
E quanto à sua igreja, confesso que meu coração se alegrava profundamente ao pensar em meios de promover a comunhão entre os irmãos. Aquela comunidade, mesmo sem que eu estivesse oficialmente inserida nela, tornou-se parte das minhas orações diárias, parte do meu cuidado, parte da minha vida. Despedir-me de Luiz Paulo é também despedir-me disso tudo — não apenas de um relacionamento, mas de uma realidade espiritual que se entrelaçou com a minha alma. É abrir mão não apenas de planos terrenos, mas de afetos profundos, enraizados na fé.
Contudo, mesmo diante da dor dessa despedida, vejo a misericórdia de Deus cercando-me por todos os lados. Cada gesto de Luiz Paulo — suas palavras de incentivo, suas correções, seus silêncios carregados de sabedoria, seu zelo por mim — foram expressões do amor de Deus para com minha vida. Foi por meio dele que compreendi, de maneira mais concreta e profunda, a veracidade da graça. A graça que ensina, que sustenta, que corrige e que conduz ao Senhor.
Foi também Luiz Paulo quem me ensinou a amar a doutrina da Igreja Batista. Sua lealdade a essa tradição, seu amor visível pela teologia batista, sua seriedade em zelar por ela, fizeram com que eu também desenvolvesse admiração e amor por essa herança de fé. Ele é, sem dúvida, batista de coração inteiro, e foi esse testemunho coerente que me ajudou a ter uma visão ministerial mais bíblica, mais centrada em Cristo, mais madura. Sem essa influência, talvez eu continuasse a ver o papel da mulher no ministério como um fardo pesado, repleto de exigências externas, mas desvinculado de uma verdadeira dependência de Deus.
Por tudo isso, testifico: foi muito bom para mim. Deus, em Sua bondade, usou Luiz Paulo como instrumento de edificação, de consolo, de ensino e de restauração. A Ele seja toda a glória.
Que o Senhor, em Sua infinita sabedoria, continue guiando nossos passos, ainda que por caminhos distintos. Que Ele seja sempre exaltado em nossas vidas — em tudo o que vivemos, no que nos foi dado e também naquilo que nos foi retirado.
Com reverência, saudade e esperança no Senhor.












