Escravos de corpos
Escravos das estrelas
Escravos de sonhos e memórias distorcidos
E não basta?
Não, claro que não.
Escravos de hegemonias,
Das guerras silenciosas e furtivas
Da hodiernidade igual às outras,
Ninguém sabe ou quer saber,
Fahrenheit 451 escreve-se sozinho.
Os Reis Lear modernos
São levados ao desvairo
Para canalizar a sua raiva natural
no próximo,
Para quem se mostra menos demagogo.
Segurança? Liberdade?
São as premissas
do lobo, para ele próprio as usar
em seu proveito,
pois ele sabe que não as há.
A guerra de controlo e poder:
Facebook vs Tik Tok
Duas faces da moeda enferrujada.
O gato que, bem alimentado,
ainda se lança aos pássaros.
O gato e as suas secreções territoriais.
As gaiolas são uma prisão,
em alternativa a outra prisão.
Um pássaro na Natureza sujeita-se a ser engulipado,
E na gaiola sujeita-se ao controlo do dono.
Os donos do mundo e dos pássaros
Abrem as bocarras para engolir números.
E as Cordélias?
Que se danem as Cordélias.
E golooooooooooooooooooooo!
Do Big Brother que se faz sozinho.