“Tudo começou em 2012 quando eu fui fazer High school nos eua em uma cidade de menos de mil pessoas. Fui designada uma host family super querida, e logo nas primeiras semanas fui apresentada para o resto da família toda, até que fui apresentada para o meu "primo", Patrick. De cara tive uma paixão platônica por ele, mas ele era mais velho, era da família, parecia meio rebelde, tava sempre andando com gente que eram conhecidas como "trouble makers", então pra mim ele era super fora da minha realidade, apesar de ser um sonho americano (risos).
Durante aquele ano frequentei as festas de família em que ele estava, mas ele nunca me deu bola, e eu ficava chateada porque queria a atenção, então passei a achar motivos para desgostar dele com todas as minhas forças, achava ele mesquinho, metido, e tudo mais, só que na verdade ele só era muuuito tímido, e nada expressivo.
Comecei a namorar outro menino do colégio da minha turma, namorico besta mesmo, o menino era meio pé no saco, super ciumento e controlador. Terminei com o garoto depois de alguns meses e fiquei meio traumatizada com menino americano e decidi que ia curtir apenas amigos durante o intercâmbio. 3 meses antes de eu ir embora dos EUA eu recebo uma mensagem do meu primo, Patrick, dizendo que precisava me ligar e se eu estava ocupada. Minha mente dizia "ignore esse garoto" mas o coração falava "atende boba" mas a razão dizia "ele provavelmente vai te ligar e pedir pra vc passar o telefone para sua host sister", a prima de verdade dele. Atendi ao telefone, ele começou a jogar conversa fora, perguntar se eu estava gostando da cidadezinha e blá-blá-blá, até que ele disse do nada e na lata "andressa te liguei pra falar que queria te conhecer melhor, longe da família, e queria te convidar pra sair comigo" obviamente fiquei em choque, mas resolvi também compartilhar meus sentimentos com ele e a raiva dele até passou (risos), até que eu escuto no fundo a voz de uns amigos deles, na hora eu desligo o celular crente que ele estava fazendo alguma pegadinha comigo.
Resolvi ignorar ele durante dias, morta de vergonha por ter caído nessa cilada. Depois de alguns dias ele aparece na casa dos tios dele (minha hostfamily) meio envergonhado tentando entender o que aconteceu, se eu tinha desistido da ideia de sair com ele, e que ele entenderia se essa fosse minha decisão, mas só queria saber o porque (risos), me senti uma boba, mas no final das contas marquei de sai com ele em um sábado, e a partir daí começamos a sair várias vezes, até virar um namoro contra o bom senso, já que iria embora dos EUA em poucos meses.
Tudo era tão intenso, tão surreal, ele tinha as ideias mais divertidas e criativas, ao mesmo tempo ideias clichês para passar o nosso tempo, desde invadir o campo de futebol americano da escola a noite e levar cobertores e jogar conversa fora, a ir ao famoso cineminha de Domingo. Voltei pro Brasil sem saber o que ia acontecer, mas sabendo que queria ficar com ele. Um mês depois da minha chegada ele mandou uma mensagem para meus pais e comprou uma passagem para vir me ver no final do ano. E a gente começou um relacionamento à distância, onde a gente se via sempre de 5 em 5 meses, revezando que ia e quem viria. Até que ele saiu da faculdade e começou a trabalhar e ele não pode mais vim, então eu comecei a ir todas as férias da faculdade pra passar 1 mês com ele, decoramos o novo apartamento dele que por mais que eu passasse apenas 2 meses no ano lá, já sentia como fosse minha casa.
A minha família passou a ficar menos descrente desse relacionamento, passou a dar mais confiança para a gente. Cada vez que eu tinha que me despedir era uma dor que eu achava que nunca ia passar, mas quando chegava no Brasil a gente rapidamente voltava para as nossas rotinas, ele trabalho, eu faculdade, e ficava tudo bem até começar tudo de novo. E em dezembro de 2015 ele conseguiu pedir férias de 3 semanas para o chefe, e veio passar um tempo com minha família, e no ano novo todo mundo que estava lá em casa já sabia, menos eu, que durante a virada do ano nós ficaríamos noivos. Fiquei totalmente sem reação e ele só sabia chorar, meu irmão também só chorava, meu pai segurava o choro e minha mãe gritava (risos).
Fiquei super feliz mas depois de umas semanas, a medida que fui contando para algumas pessoas, veio todo aquele turbilhão de perguntas na minha cabeça. Será que sou muito nova pra isso? Será que estou preparada? O que as pessoas vão pensar? No final das contas eu mascarei minha felicidade com medo de como as pessoas julgariam uma menina de 21 anos ficando noiva. Tem um tabu enorme hoje em dia sobre o que devemos fazer para sermos felizes, que devemos beijar mil bocas para nos sentirmos realizadas, as pessoas esquecem que cada um escolhe o significado de "curtir a vida" para a sua vida. E eu também esqueci disso, fui na onda dos outros e ficava com vergonha de dizer para as pessoas algo que me fazia tão feliz, e isso me fez tão mal naquele ano. Estava de saco cheio de ter reações "mas vc não tem curiosidade de conhecer outras pessoas?" "Mas você é nova demais pra isso, vai curtir a vida" "ih, isso é receita para dar errado" E nosso relacionamento pela primeira vez esfriou, nosso relacionamento pela primeira vez cedeu aos julgamentos dos outros, já que no passado a gente recebia o mesmo tipo de julgamento por estar em um relacionamento à distância, mas eu compartilhava isso com ele e ele me ajudava a ignorar essas pessoas, mas dessa vez era diferente, porque eu não contava pra ele pelo o que estava passando com medo de que ele também se machucasse.
Até que tive uma conversa com minha mãezinha, e ela me disse uma frase que ficou guardada comigo "Relacionamento não é receita de bolo, cada um vai ter um jeitinho próprio de acontecer" e a partir disso resolvi pela primeira vez compartilhar com ele tudo que eu tinha guardado durante aquele ano inteiro. A próxima vez que fui ver ele, em janeiro de 2017, foi quando passei os meses mais felizes ao lado dele! Passei a ver o que importava mais na minha vida, passei a ligar menos para o julgamento dos outros, e esses meses resultaram na maior decisão que eu já fiz até agora, faltando um ano e meio para acabar a minha faculdade no Brasil, depois de 5 anos de relacionamento, indo pra faculdade todo dia apenas porque era o que eu achava que era esperado de mim, morando longe dele e longe dos meus pais, resolvi aplicar para o visto de noiva americano.
E se tudo correr certo, no próximo semestre trancarei minha faculdade e vou finalmente fazer algo que eu sempre quis fazer mas não estava pronta até eu conseguir me desprender da opinião dos outros, ir morar com ele e tentar a vida lá. Por mais que ame o meu curso, sempre foi difícil ir pra faculdade estando longe das coisas mais preciosas da minha vida, minha família e ele, isso sempre acumulava no meu dia a dia um monte de estresse, ataques de ansiedade, noites de choro inacabáveis, tentativas constantes de me provar algo que não havia necessidade, tentativas constantes de provar pros meus pais que eu não era uma criança mimada que estava atrás de um amor irreal (o que eu descobri que eu criei essa ideia na minha cabeça sozinha, meus pais apenas sempre concordaram com as minha decisões de ficar no Brasil e terminar a faculdade aqui achando que realmente era o que eu queria) E agora, depois de tantos anos, o único julgamento que realmente vai importar para nossa vida é o julgamento do governo americano (risos), oh o Karma... Obviamente já recebi pessoas me chamando de louca por estar disposta a trancar a faculdade depois de 3 anos estudando, mas isso pouco me importa. Nunca estive tão calma, minhas ansiedades diminuíram drasticamente, e tudo que eu precisava era tomar uma decisão por mim mesma, e também precisava escutar dos meus pais que eles sempre vão me apoiar, não importa o que acontecer.
Aliás, para os meus pais, só o fato de eu ter tomado uma decisão tão importante como essas tão nova já mostra pra eles que eles que eu estou pronta, independente do resultado, que eles me educaram para a vida, e eles têm um orgulho imenso disso (eu sempre tinha medo de não orgulhar meus pais, e isso me faz tão feliz). E para o Patrick, eu só posso agradecer por ter sido tão companheiro durante esses últimos 5 anos, porque sei que por ele eu nunca nem teria deixado os Estados Unidos aos 17 anos, e sim teria ficado por lá. Mas ele sempre respeitou minhas decisões, mesmo que no fundo no fundo ele sempre soube que eu apenas não estava preparada para tomar uma decisão tão grande como essa, e então ele me esperou, como ele disse que esperaria a vida inteira se fosse preciso quando eu estava embarcando para voltar para o Brasil e ficar longe dele pela primeira vez.”
*As imagens utilizadas possuem autorização para serem simuladas em formato de posts de redes sociais.