“Era como sentir amor à primeira vista e ter certeza absoluta de que aquele amor era um sentimento que habitaria em meu coração para sempre.”
– Amor...
Justin estava dormindo e não despertou com meu chamado. Me ajeitei e desferi beijos por sua clavícula nua. – Mmm.
– Garotão.
Lucas estava tranquilo, ele não tinha se remexido muito esta noite me possibilitando uma noite de sono completa, mas eu não conseguia. Meu corpo estava quente e eu estava com desejo.
Comecei a beijar seu pescoço dando chupões intensos e ele gemeu fraco. Justin sorriu e me puxou mais pra perto. – Que foi, linda? Quer alguma coisa?
Seus olhos ainda estavam fechados enquanto eu beijava sua pele com fome. – Quero sim.
– O que?
– Você. – seus olhos se abriram e ele riu fraco. Justin segurou meu rosto e me beijou do jeito que eu gostava.
– Delícia.
Montei nele durante o beijo, porque era a única forma que nós conseguíamos fazer algo devido a minha barriga. – Lucky...
– Não. Eu preciso só uma vez.
– Mas o médico disse–
– Ele disse que a gente podia. – murmurei manhosa beijando seu rosto enquanto ele se sentava e recostava a cabeceira.
– Não consigo me controlar dentro de você, e agora ele tá grande, amor. Não quero machucar nosso campeão.
Justin estava sendo terrivelmente cuidadoso comigo. Ele não me deixava fazer quase nada e isso era um saco. Até o sétimo mês transamos como nunca, com a mesma ousadia e frequência. A minha libido tinha ido pro espaço e minha médica disse que era normal sentir tesão com qualquer coisa. Eu estava sensível.
No entanto, a partir do sétimo mês, Justin se recusou a continuar com as nossas aventuras na cama por conta do bebê. Eu compreendia, mas meu tesão não. Justin dormia colado comigo, se trocava na minha frente e até mesmo vestido eu conseguia ficar excitada só de vê–lo.
Era um pesadelo.
– Você não vai machucá–lo. Garotão, por favor. – suguei um ponto especial atrás do pescoço dele e Justin gemeu apertando minhas coxas.
Rebolei encima dele e pude sentir seu pau rígido abaixo de mim. Justin segurou minha nuca com força e tomou meus lábios sendo vencido pelo desejo. Pelo menos, eu achei que sim.
Justin nos virou na cama e me deixou na cama. Desci minhas mãos pelas suas costas empurrando a boxer pra baixo, mas ele parou e saiu de cima de mim.
– Sinto muito, amor.
Ele disse com um sorriso safo e o fulminei frustrada. – Justin!
– É pro bem dele!
– O bem dele o cacete! Eu quero sexo!
Grunhi e ele riu pegando um travesseiro. – Pra onde você vai?
– Dormir no sofá. Você está muito tensa e eu de pau duro. É melhor pra nós três, manter uma distância.
Levantei furiosa da cama e fui pro banheiro – Vou me lembrar disso, seu idiota!
Ele riu e eu bati a porta com força. Lavei meu rosto na pia tentando abaixar a temperatura do meu corpo e grunhi. Idiota. Idiota. Idiota!
Apoiei minhas mãos na pia e respirei fundo. Olhei pro chão e vi uma poça ao redor dos meus pés. Levantei a camiseta que eu vestia e vi água escorrendo pelas minhas pernas.
Franzi o cenho até sentir uma dor no pé da minha barriga. Foi como uma cólica mil vezes mais intensa, perdi o ar e me apoiei na pia com uma mão na barriga.
Era a hora. – Justin...
O chamei perdendo o fôlego. Mais uma contração me atingiu e era difícil até controlar minha respiração.
– Justin!
Gritei e em um segundo ele estava girando a maçaneta.
– Mack?
– Ele... Minha bolsa estourou! – gritei e gemi alto sentindo a dor piorar.
– Abre a porta!
Péssima ideia ter trancado. Eu não conseguia me mexer, doía até mesmo caminhar. Eu precisava ficar calma e respirar.
Inspira e expira. Esse era o meu mantra.
– Mackenzie!
A dor vinha cada vez mais forte e as contrações com mais frequência. Ao meu grito sôfrego, Justin derrubou a porta do banheiro e me pegou.
– Calma, ok?
– Dói! – murmurei me apoiando nele. Justin me pegou no colo e saiu do banheiro.
– Respira, Lucky. Fica calma, minha princesa. Respira.
Ele estava tão nervoso quanto eu, mas não queria demonstrar. Justin me deitou na cama e se vestiu em segundos enquanto falava ao telefone. Ele tinha pedido para o motorista do prédio tirar o carro. Tentei me levantar e ir pegar a bolsa, mas a dor me impedia de mexer.
– A bolsa.
Justin pegava as coisas em tempo recorde. Ele pegou minha mala já pronta e correu até o quarto do bebê pegando a bolsa dele. Ele me pegou no colo novamente e quando chegamos ao hall Paul, o porteiro já tinha deixado o carro na entrada do prédio.
– Boa sorte, Sra. Bieber.
Ele sorriu e tentei sorrir antes de segurar mais um grito de dor. Doía. Eu sorria e chorava por conta da dor. O meu garoto estava nascendo. Eu sentia do medo a euforia.
•
Justin Bieber
– O senhor vai querer assistir?
– Mas é claro que sim, porra! É o meu filho!
A enfermeira recuou um passo e assentiu. – Preencha o formulário e...
Ri em escárnio – Você acha que eu vou preencher essa porra agora? Cadê a minha mulher?
– Senhor, eu peço que...
– Vai! Eu preencho por você! – Brooke surgiu com Scott no seu encalço. Eles deveriam estar acordados quando liguei e odiei a cena que se formou na minha cabeça. Eu ainda não tinha digerido o relacionamento deles, mas não era a minha maior preocupação no momento. A enfermeira me levou até uma sala para que eu colocasse as roupas adequadas e então entrei na sala de parto. Mack estava deitada suando em nervosismo. A médica dela lhe dava instruções, mas quando ela me viu sorriu e chorou.
Aquele era o momento da minha vida. Eu só tinha ficado nervoso desse jeito no dia do nosso casamento.
– Lucky. – beijei sua testa e seus lábios com carinho.
Ela apertou minha mão nervosa e eu engoli o seco. – Você está com dez dedos de dilatação. Ele quer sair, mas você precisa ajudá–lo. Ok?
– Eu não vou conseguir – ela soluçou e olhou pra mim – Não vou.
Eu via o medo em seus olhos, mas eu sabia que ela podia. Eu acreditava nela, Mackenzie era tudo e aquele era o momento mais especial de nossas vidas.
– Você pode. Você é a minha Lucky, meu amor e porra, a mulher mais forte e corajosa que eu conheço. Você pode, eu estou com você. Vamos fazer isso, amor. Vamos trazer nosso garoto pro mundo. – ela olhou pra mim sem fala, mas com um sorriso que dizia muito por si só.
– Eu te amo.
– Eu te amo muito mais. Agora vamos lá.
Ela assentiu e respirou fundo fazendo força. Era agonizante ver sua dor e não poder fazer nada. Eu podia sentir seu desespero e medo, mas assim como ela me dava forças quando eu estava no ringue, eu lhe dava as minhas agora.
– Isso, Mackenzie! Ele está saindo!
A médica a encorajou, Mack a apertou minha mão e beijei sua testa – Vamos lá, Lucky. Traz ele pra mim.
Ela se esforçou mais uma vez e então o som mais fantástico e lindo invadiu a sala.
O choro do meu filho.
Eu posso dizer que senti meu coração parar por uma fração de segundos. Virei meu rosto para a médica segurando–o e escutei seu choro agudo e forte. Ele engoliu o choro e depois gritou novamente dando sua voz ao mundo. Eu não sabia que poderia me sentir assim. Meu peito inflou e perdi o ar vendo o fruto do amor da minha vida materializado.
Lucas gritou e então uma enfermeira colocou uma pulseirinha no braço dele. Ela trouxe–o para Mackenzie e ela o tomou nos braços. Ele era lindo, mesmo sujo e vermelho, era a coisa mais linda que meus olhos já tinham visto. O orgulho que eu sentia por ser o criador daquele ser pequeno à minha frente não podia ser medido com palavras, era apenas demais. Eu tinha feito aquilo.
– Ele é lindo. – ela comentou chorando e o apertando com cuidado nos braços.
– Ele é nosso. Você consegue acreditar, Lucky? Porra, nós... – minhas lágrimas caíram e limpei o rosto – Nós o fizemos.
– Eu te amo. Você são os homens da minha vida agora.
Beijei seus lábios e a abracei como podia. A enfermeira levou–o de nós para o procedimento padrão e senti como se me tirassem o ar.
Foi um sentimento instantâneo. O sentimento mais incrível que eu poderia sentir, palavras nunca poderiam descrever a sensação. Minha melhor criação foi você.
Tudo pelo que rezei, ele era um presente de Deus. Queria ter rezado um pouco mais... Deus não erra, eu errei um pouco. Momentos difíceis aqui e ali, mas consegui sobreviver. Causei destruição no mundo, mas preparem–se para a parte dois. Um eu mais jovem, inteligente e mais rápido. Lucas Jonathan Bieber.
•
– Tudo bem, ele até que é bonito.
– Meu filho é lindo.
Brooke rolou os olhos e balançou a cabeça.
Tyler o observava com curiosidade. – Ele é... Pequeno.
– Sim, Ty. Ele é um bebezinho. – Mack explicou com um sorriso lindo.
– Posso pegar?
Scott questionou e neguei com a cabeça. – Ele não é um boneco.
– Por isso mesmo. Quero pegar. Não vou quebrar, Bieber.
Ri cruzando os braços – Claro que não. Se o fizesse eu quebrava você inteiro.
Ele rolou os olhos e peguei meu garoto, ele dormia tranquilo. Era pequeno e frágil. Seria mentira se eu dissesse que não sentia medo ao pegá–lo, era como se qualquer coisa pudesse o machucar e eu não estaria pronto pra evitar. Era confuso, mas a sensação era maravilhosa. Lucas se remexeu e suspirou em seu sono. Ele ainda estava vermelho e quentinho, era tão bom segurá–lo.
Olhei pra Mackenzie e ela sorria ao me ver com ele no colo. Seus olhos se enchiam de lágrimas e ela não as evitava.
– Vamos nessa, vocês podem chorar em paz.
Brooke avisou e saiu com Scott e Tyler. Apreciei seu gesto e sorri. Aquela era a minha família dali em diante. A minha razão e emoção. Meu coração e minha vida.
A euforia e a êxtase percorriam meu corpo e era como se meu coração não conseguisse bombear todo o sangue de meu corpo. Eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo, mas era esquisito porque eu também sentia medo. Meu filho tinha nascido, existia alguém que havia surgido do meu amor com o de Mackenzie. Uma criança com as minhas características e sangue, uma criança com o meu DNA, mais do que isso. Uma criança feita do meu amor. Um ser que seria dependente de mim, que precisaria de mim, um ser que agora estava exposto a tudo o que o mundo tem de bom e de ruim. Eu sentia como se tivesse de me tornar um soldado dali por diante, como se tivesse de fazer de tudo parar protege–los e faze–los feliz.
•
Mackenzie
– Ele tem o seu nariz – comentei e Justin sorriu fraco.
– E seus olhos. Amo seus olhos.
Analisávamos Lucas com tanta precisão e cuidado que eu queria poder decorar cada mínima marquinha em sua pele. Ele era perfeito e era difícil de acreditar que aquele bebezinho lindo era meu. Por nove meses ele esteve dentro de mim, crescendo e se desenvolvendo aos poucos, agora ele estava aqui, mas desejei que ele voltasse pra dentro de mim. Eu o protegeria com a minha vida.
– Agora entendo o Taylor. – Justin passou o dedo pela mãozinha de Lucas e então olhou pra mim – Eu tirei uma com ele por ficar igual a um idiota quando a Lily nasceu, mas... É tão louco.
Sorri compreendendo perfeitamente suas palavras confusas. – Imagina quando ele começar a andar ou a falar... – sorri ansiosa com minha imaginação
– Eu te amo, Mack. – Justin disse subitamente e desviei meu olhar pra ele. Seu olhar sincero me enchia de amor, ele me amava com gestos, palavras e olhares. Justin fazia questão de mostrar ao mundo inteiro que eu era o seu amor e eu nunca podia evitar. Ele causava arrepios deliciosos pelo meu corpo, era como se sempre fosse a primeira vez. Ele mantinha essa chama acesa dentro de nós. E eu o amava mais a cada segundo do dia.
– Amo você em níveis que desafiam a sanidade. Porra, olha só pra gente agora... – ele sorriu com os olhos brilhando – Eu faria tudo de novo por você. Por ele... Por nós. Você é o que faz a minha vida valer a pena e... – ela sorriu e desviou o olhar balançando a cabeça com um sorriso tímido por conta das lágrimas que enchiam seus olhos.
Puxei sua nuca, trazendo seu rosto pra perto do meu e beijei seus lábios. Ele não precisava dizer mais nada, eu compreendia tudo. Justin segurou meu rosto e retribuiu o beijo carinhosamente.
– Pra sempre, Garotão.
Ele sorriu com o meu sussurro e descansou sua testa na minha – Pra sempre, minha Lucky.
Chegamos em casa pela manhã, ninguém tinha acordado ainda o que foi ótimo porque nós estávamos sujos e vergonhosos. Era cedo, mas eu não sentia o mínimo cansaço.
– Vamos tomar banho e cair na cama.
Ele me abraçou por trás e beijou meu ombro. – Não estou com sono.
Ele sorriu e mordiscou minha pele – Não? Acha que aguenta mais uma rodada?
Ri fraco e me virei pra ele. – Só se você cuidar de mim.
Murmurei puxando seu lábio com o dente. Justin abraçou minhas costas e sorriu. Meu Deus, como eu o amava. Andamos entre beijos até a escada, mas paramos ao ouvir a porta abrir. Justin e eu nos viramos imediatamente e vimos Brooke entrar sorridente. Ela parou quando nos viu e corou.
– O que?
– Onde você estava?
Justin questionou me soltando – Por aí. Onde vocês estavam? – ela fez uma cara de nojo por conta da tinta em nosso corpo.
– Por aí com quem?
– Não enche, Justin. Tive uma noite agitada e preciso dormir. – ela passou por nós e eu ri. Ele a fitou irritado, mas não disse nada.
– Ela já tem idade suficiente pra sair sozinha, ok?
– Esse não é o problema. Eu só não quero que... Esquece.
Escolhemos por dispensar a ideia da cama e ir comer alguma coisa. Eu estava faminta. Os empregados ainda não tinham chegado, então tive que colocar meus dotes culinários em prática, ou pelo menos tentei.
– Amor, pode deixar que eu assumo isso. É melhor pra saudade de nós dois que eu faça o café.
Ele tomou a espátula da minha mão e eu ri. – Tudo bem, chefe culinário graduado.
Debochei e ele riu. – É terrível você saber cozinhar melhor que eu.
Comentei me sentando no balcão no centro da cozinha. Ele começou a misturar os ingredientes e a preparar as coisas. Eu gostei de vê-lo assumir a posição daquela forma.
– O que eu posso fazer? Sou perfeito em tudo.
Eu tinha que concordar. Justin fez waffles e eu cortei os morangos, posso dizer que ajudei em algumas coisas, mas ele fez toda a mágica acontecer. Sua comida era fantástica. Tomamos café juntos, no sentido mais literal da palavra. Fiquei em seu colo por todo o tempo e eu não podia ter o suficiente do sorriso dele. Deus, aquele homem era mesmo só meu?
Quando terminamos os empregados apareceram e ficaram constrangidos por atrapalhar nosso beijo. Eu ri e achei adorável a forma como as cozinheiras ficaram vermelhas.
– Bom dia, Sr. e Sra. Bieber.
O motorista nos saudou a passar pela cozinha.
– Sra. Bieber?
– O que eu posso fazer, o homem sabe das coisas. – ele deu de ombros e sorriu me dando um beijo estalado. Segurei seu queixo o mordisquei seu lábio.
– O que vamos fazer hoje a tarde?
Ele fez bico e eu ri o beijando de novo.
– Quero voltar a treinar.
No mesmo instante parei e franzi o cenho – O que?
Justin ficou sério, mas me deu um sorriso confiante. Ele se ajeitou na cadeira, mas me segurou em seu colo.
– Não sei se vou voltar aos ringues. Acho que ainda não estou pronto pra isso, mas... Eu amo o que faço e mesmo que não seja pra competir eu quero lutar.
Eu não tinha certeza sobre como eu me sentia com Justin voltando as lutas. Meu coração apertava só com a possibilidade de vê-lo ferido novamente.
Mordi o canto do lábio sem saber ao certo o que dizer – Você tem certeza?
– Por enquanto sim. Vou continuar treinando, mas vou me focar nos negócios agora. Quem sabe daqui uns meses eu não penso em algo maior?
Sorri e assenti – Vou estar com você.
– Pra sempre?
Aquele sorriso gigante surgiu nos meus lábionovamente – Pra sempre.
•
Justin Bieber
– Porra, Penn!
– Você está gritando comigo? Eu acho bom você não estar gritando comigo, Bieber! – ela gritou do outro lado e bufei estressado.
– Não estou gritando! Mas puta que pariu, o que eu vou fazer agora?
– Use a sua criatividade! Você não é tão burro assim. Aposto que pode pensar em algo. Mas vou ver se consigo falar com a antipática da Evans.
– Com a Lexi?
– Existe outra? – rolei os olhos e passei a mão pelo cabelo.
– Que seja. Vou dar o meu jeito.
Encerrei a chamada e sai do quarto. Brooke também saia do quarto com Tyler, os dois riam de algo. Sorri por ver a decida-se daqueles que eu amava. Porraera até difícil de acreditar que tudo estava dando certo. – Posso saber o motivo da alegria?
– O Zeff! Ele está de namorada nova e enquanto falava com ela no telefone se atrapalhou e caiu na piscina. – Tyler contou voltando a rir sem parar. Ri imaginando a cena e Brooke cessou o riso.
– Pestinha, vai encher o saco de alguém. Preciso falar com o Justin. – Tyler rolou os olhos, mas obedeceu e seguiu pelo corredor.
– Tem alguma coisa errada?
Ela cruzou os braços e negou com a cabeça rindo – É estranho, ne? Pela primeira vez acho que não tem nada errado. Pela primeira vez tudo parece estar no lugar certo.
Brooke sempre seria a mulher que tinha me salvado. Eu seria eternamente grato a ela por tudo, acho que até mesmo pelas coisas ruins que aconteceram entre a gente. Se não tivéssemos passado por tudo isso, as coisas não estariam bem agora. É como dizem, você precisa atravessar a tempestade pra conhecer o arco íris. E ela tinha, pela primeira vez tudo estava em seu devido lugar.
– Sim. Acho que quando chega o final a gente olha pra trás e vê que tudo valeu a pena. – ela sorriu pensativa com a minha fala.
– Você tem razão. Vemos que, algumas coisas não eram pra ser enquanto outras já estavam predestinadas a acontecer.
Não havia melancolia em suas palavras, pelo contrário, havia certo orgulho e felicidade. Sorri e me aproximei dela, puxando-a para um abraço.
– Você sabe que sempre vai ser uma parte de mim, não sabe? – ela me abraçou de volta.
– Claro que sei. Mesmo você negando, sei que fui a maior loucura da sua vida. – nós dois rimos. Mas ela tinha razão. Enquanto Mackenzie era minha sanidade, Brooklyn era minha loucura. E eu precisava das duas, só que de formas diferentes.
Ela me apertou forte por um minuto e então me soltou.
– Espero que vocês sejam felizes. De verdade.
Ela me lançou aquele sorriso sarcástico e nós dois rimos. – Obrigado.
Ela deu de ombros e seguiu pelo corredor, até uma ideia cair na minha mente. – Brooke?
Ela se virou – Sim.
– Vou precisar da sua ajuda.
•
– Você sabe, ela pode ser um pouco idiota, mas não ao ponto de concordar com isso.
Ela disse assim que concluímos o trabalho. Tinha ficado perfeito, exatamente como eu tinha imaginado. O nervosismo repuxava meu estômago, mas eu me sentia confiante.
– Então vou precisar de sorte.
Ela riu e balançou a cabeça. – Vai mesmo.
Podia ser loucura, mas eu gostava de ser o azarão. Havia uma parte de mim que adorava desafiar o perigo, essa parte era a que me mantinha vivo. Era agir como um louco insensato é obter êxito no final. Eu gostava de ser testado. E agora, eu teria o maior teste da minha vida.
Voltamos pra casa e liguei pra Penn avisando que eu tinha conseguido. Ela ficou feliz, mas me deu um milhão de instruções, claro que eu não escutei nenhuma. Aquilo era entre eu e Mackenzie. Apenas nós.
Quando cheguei em casa, os empregados me avisaram que ela tinha saído com Tyler o segurança. Os dois tinham ido fazer compras e eu gostei de saber que eles estavam se dando bem. E claro, assim tive mais tempo pra arrumar os detalhes. No final da tarde enquanto eu me arrumava, liguei para Jeremy, ele era meu pai e podia me dar alguns conselhos. O telefone tocou três vezes até alguém atender.
– Pai?
– Ih, olha só senão é o viadinho.
A voz de Jaxon soou zombeteira do outro lado e ri terminando de ajeitar a gravata.
– Cala a boca, otário. Cadê o pai?
– Ele deve estar traçando a Angel. Cheguei em casa agora e não os vi ainda.
Tive que rir e arranquei a gravata do pescoço. Essa merda não estava funcionando.
– O que você queria com o velho?
– Um conselho. Mas deixa pra lá.
Ajeitei a gola da camisa e arrumei o cabelo da forma que dava só com uma mão.
– Conselho? Eu sou o maior conselheiro dessa cidade. Fala ai. Hey, o babaca maior acabou de chegar. – ele disse e escutei alguns sons até ouvir Jason – Quem é?
– O viadinho apaixonado.
Os dois riram do outro lado e então Jaxon colocou no viva voz.
– Vocês deviam ir se foder.
– Isso é o que eu mais faço. – Jax rebateu.
– Se aliviar na mão, não conta como sexo, cara. – Jason respondeu e foi a minha vez de cair na risada. Eu tinha os irmãos mais babacas. Escutei alguns sons e eu podia apostar que eles tinham se empurrado.
– Já que vocês estão aí, me digam. Vocês acham que eu e a Mack somos muito novos pra começar uma vida juntos? Eu digo, pra valer.
– Muito novos? Porra, se vocês não ficarem juntos logo eu paro de acreditar nessa porra de conto de fadas. – Jaxon disse.
Eu ri – Cara, você ainda pergunta? Vocês dois já viveram um inferno vezes demais, tem mesmo é que passar o resto d a vida juntos.
Sorri orgulhoso da fala dos meus irmãos. – Então acho que isso é um sim.
– Claro que é, babaca. Só sinto muito por ela. Ela merecia um Bieber melhor, digo, um como eu.
– Vai se foder, Jaxon.
Disse rindo e escutei a porta abrir. Ela tinha chegado. – Tenho que desligar agora.
Encerrei a chamada e sai do closet, ela estava cheia de sacolas e quando me viu congelou abriu um sorriso e me aproximei – E então?
– Acho que... Entrei no quarto errado.
Seus olhos caminharam pelo meu corpo. Eu não costumava vestir ternos, mas era uma ocasião que pedia o traje. Pelo menos eu achava que sim.
– Vou te levar pra jantar.
– Não tenho certeza se eu quero que outras mulheres te vejam assim. – ela envolveu meu pescoço com os braços e sorriu.
– Elas podem até olhar, mas eu sou seu. Ninguém nunca vai me possuir como você faz, Lucky. Isso soa gay pra caralho, mas não importa. Eu te amo e quero que todo mundo saiba disso.
Ela sorriu e me beijou delicadamente.
– Eu te amo muito, sabia?
Ri e dei de ombros – Eu sei que sou irresistível, Lucky.
Ela me deu um tapa no peito e marido a bochecha dela com carinho.
– Pelo visto vamos a um lugar elegante, então é melhor eu começar a me arrumar.
•
Mackenzie
Não levei muito tempo pra me arrumar. Eu nunca levava, vesti um vestido que eu tinha acabado de comprar. Um par de saltos e uma maquiagem leve, deixei meu cabelo solto porque eu sabia que ele gostava assim. Justin me esperou pacientemente no guardo. Ele ficava me observando e sorrindo toda hora, o que tornava cada momento mais incrível.
Eu sentia que havia algo especial em torno dessa noite. E eu estava nervosa a respeito. Só faltava um passo para completar tudo. O casamento.
– Estou pronta! – sorri e me virei de frente pra ele. Justin se levantou da poltrona e sorriu encantado comigo.
– Como você consegue ser tão linda? Porra, Mack.
Ri e ele me envolveu com a cintura.
Fomos jantar num restaurante chique em BeverllyHills. O lugar devia ser muito bem frequentado já que na entrada havia fotógrafos e paparazzi aos montes. Quando o motorista abriu a porta, os seguranças fizeram uma trilha até a entrada do lugar. Justin saiu primeiro e eu fui em seguida, ele entrelaçou nossas mãos tomando todo o cuidado para me proteger dos flashes, as pessoas iam fazendo perguntas e falando coisas sem fundamento até que chegamos e entramos no lugar. O ambiente era calmo, lindo e tocava uma música suave por ali. Perfeito.
A hostess nos levou até nossa mesa e o come-inencheu nossas taças com água, ele entregou a carta de vinho a Justin, mas não prestei atenção. Eu estava impressionada com a decoração do lugar. A iluminação era totalmente feita por velas, mas i ambiente não ficará escuro. Os lustres eram de vidro e com pequenas velas nas pontas. O teto era de vidro, dando vista para o céu estrelado com a lua cheia.
– Esse lugar é incrível.
Comentei quando Justin dispensou o maître. – Sei que você não gosta de coisas exageradas, mas achei digno te trazer aqui.
Sorri e ele tocou minha mão por cima da mesa, entrelaçando nossos dedos.
– Eu gosto, mas há algo sobre bares e lanchonetes que me atrai. No entanto, sou a namorada de um lutador famoso. Acho que preciso me adequar, não é?
Ele sorriu, mas balançou a cabeça – Você acha que me importo com tudo isso? – ele sorriu – Não. Eu não quero que você mude qualquer coisa por mim. Foda-se a fama e o dinheiro. Eu só me importo com você.
Sorri corando levemente.
– Ótimo, porque eu me apaixonei pelo que você é,não pelo que você tem. Pelo seu sorriso, seu olhar, o conforto que me passa... Foi tudo isso e sua bagunça que me encantaram.
- Eu te amo e é o sentimento mais sincero e puro que eu poderia ter.
Meus olhos brilharam novamente e ergui o rosto levemente para não derramar as lágrimas. Sorri e ele riu fraco da minha emoção.
– Com licença. – o maître pediu e serviu a faca de Justin, quando ele chegou até a minha, o impedi.
– Não, obrigada.
Justin franziu o cenho, e o garçom foi embora.
– Não vai beber?
– Não. Estou meio enjoada e álcool não ajuda.
Ele deu um gole com seu olhar desconfiado sob mim.
Nós jantamos entre risadas e conversas maravilhosas. A cada segundo eu tinha mais certeza dos meus sentimentos por ele, não que ainda houvesse duvida, mas a cada momento que partilhávamos juntos eu sentia tudo girar e parar no mesmo lugar. A cada momento de nossas vidas a coisa toda ficava melhor e só de pensar que aquela era uma nova fase eu sentia borboletas borbulhando no meu estômago.
– O Bry e a Dra estão em meio a algo. O que você acha disso?
– Ela comentou comigo que ele não saia do pé dela.
Nós rimos – Mas da pra ver que ela está gostando do cara. Eu estou feliz porque ele desapegou da Penn e isso já é bom o bastante.
Ri – Sim, isso é ótimo. Eles formam um casal lindo.
Justin bebericou o vinho e deu de ombros.
– Nós somos um casal lindo. Ou melhor, acho que nenhum casal pode competir com a gente.
Eu ri de sua falsa pretensão e ele se fez de desentendido.
- O que? Somos melhores que Romeu e Juliente, nem Bonie e Clyde se amaram tanto quanto nós. Anote isso, Lucky: nosso amor marcou a história.
•
– Pra onde vamos?
Questionei assim que terminamos o jantar e Justin deu as instruções ao motorista.
– Ver as estrelas.
Eu não tinha entendido até que o motorista estacionou na frente do observatório de Griffith. Justin olhou pra mim sorrindo e saímos do carro. À noite estrelada de Los Angeles servia de cenário para a nossa noite. – Você existe mesmo?
Ele riu e abraçou minha cintura – Sei que sou seu sonho em realidade, amor.
Justin trocou duas palavras com o segurança e ele permitiu nossa entrada. – Você tem que me prometer uma coisa, antes de entrarmos.
Ele segurou meu rosto e ficou sério.
– O que?
– Não vai abrir os olhos até que eu diga que deve.
– Mas...
Ele me puxou pra um beijo sabendo que eu sempre fechava os olhos quando nos beijávamos e adentrou, me guiando para dentro durante o beijo. Ri e o abracei, Justin nos virou e partiu o beijo tampando meus olhos em seguida. A ansiedade crescente tinha se construído na ideia do pedido que ele faria estava me deixando eufórica.
– O que você está aprontando? – ele riu na minha orelha e beijou meu pescoço.
– Você vai gostar.
Eu sabia que iria. Ele sempre me surpreendia das melhores formas. Justin me guiou até certo ponto e parou – Vou tirar as mãos, mas não abra os olhos ainda ok?
Assenti e ele se afastou retirando as mãos. Eu não conseguia escutar nada que pudesse me dar uma pista.
– Pode abrir.
Quando abri os olhos tive a visão da cidade de LosAngeles a minha frente, era noite, a cidade lá embaixo era iluminada me dando uma vista mágica. Presas a parede de vidro, que separava o lado de fora com a sala onde estávamos, havia fotos de Justin e eu na faculdade. Fotos que eu não sabia que tinham sido tiradas, mas que o fotógrafo tinha feito um ótimo trabalho. Atrás de cada foto pendurada havia a data da captura. Eu não consegui evitar e finalmente deixei que as lágrimas escorressem pelos meus olhos.
Uma luz suave iluminava o ambiente e eu não podia explicar com exatidão o que era isso. Essa sensação aquecida dentro do peito.
Justin Bieber
Ela sorriu como se eu tivesse lhe dado a melhor coisa do mundo. Sorriu como se fosse inevitável e porra, eu tive que sorrir junto mesmo que ela não estivesse olhando.
Eu estava nervoso, meu coração batia tão forte que ele atravessaria as minhas costelas. Engoli o seco respirei fundo.
– Isso é lindo, Justin. – Mackenzie disse ainda de costas pra mim observando as fotos com curiosidade, ela parecia dividida entre a vista fantástica de Los Angeles do ponto mais alto da cidade ou nós dois preenchendo as fotos.
– Olha pra cima. – pedi e ela levantou o rosto olhando para o teto estrelado do observatório, era como uma lupa gigante, ampliando a imagem da galáxia.
Peguei meu violão e comecei a tocar os primeiros acordes enquanto ela olhava para as estrelas acima de nós.
– Look at the stars, look how they shine for you, and everything you do… Yeah, they were all yellow.
Olhe as estrelas Veja como elas brilham para você e para tudo que você faz... Sim, elas são todas brilhantes.
Mackenzie se virou ao som da minha voz ecoando pelo observatório e encontrei seus olhos brilhando em lágrimas. Merda, eu tive que me segurar para conter as minhas.
– I came along, I wrote a song for you, and all the things you do… And it was called "Yellow." So then I took my turn. Oh what a thing to've done.
Eu progredi. Escrevi uma canção para você e para tudo que você faz comigo. E ela se chamava "amarelo". Então eu esperei a minha vez para fazer o que tem que ser feito.
Ela parou e fui andando até ela, lenta e pacientemente.
– Your skin… Oh yeah, your skin and bones turn into something beautiful.
E era tudo brilhante. Sua pele, sim, sua pele e tudo sobre você se transforma em algo lindo.
Cheguei a sua frente e sorri lhe cantando tudo que eu sentia sobre ela. Não era tudo, mas uma parte.
– Do you know? You know I love you so, you know I love you so.
Você sabe? Você sabe que eu te amo tanto.
Andei ao seu redor e ela ia me seguindo. Nossos olhares fixos um no outro. Corações abertos prontos para receber tudo que o destino nos guardava.
– I swam across. I jumped across for you… Oh what a thing to do, cause you were all yellow.
Eu nadei e superei as barreiras por você. Eu faria qualquer coisa. Porque você é toda brilhante. E por você eu daria todo o meu sangue.
Parei a sua frente novamente e ela não se dava nem o trabalho de enxugar as lágrimas que caíam.
– Por você eu daria todo o meu mundo. É verdade, olhe para as estrelas e veja como elas brilham para você. – olhei para o céu estrelado acima de nós e ela fez o mesmo. Fitei sua face angelical e brilhante e continuei – Veja como elas brilham para você. Veja como elas brilham para... Veja como elas brilham para você. Olhe as estrelas Veja como elas brilham para você e para tudo que você faz.
– Veja como elas brilham para nós esta noite.
Finalizei e ela abaixou o olhar até o meu. Soltei o violão e toquei seu rosto.
– Você... Você não...
– Shh... Não diz nada. – sorri e passei o dedo em seus lábios. – Eu te amo.
Eu não consegui, no entanto. As palavras ficaram presas na minha boca e engoli o seco. Ainda não era a hora certa.
Mackenzie
Não sei dizer se foi frustração ou emoção que senti quando Justin não me pediu em casamento noites atrás. Tudo bem, ele preparou uma noite romântica para nós e tinha sido incrível. No entanto, faltou a cereja do bolo. Mas tinha sido incrível de qualquer forma.
– Nunca pensei que você fosse o tipo de cara que gosta de ir ao cinema.
Ri e ele me seguiu. Justin comprou as entradas e caminhamos para a lanchonete.
– Eu sou todo tipo de cara.
Ele piscou e passou o braço pelo meu pescoço me dando um beijo.
A fila não era longa, para falar a verdade eu pensava que cinemas fossem muito mais cheios as sextas à noite. – Boa noite, qual o pedido?
A caixa disse seu discurso pré-ensaiado ainda olhando para a máquina registradora, quando seus olhos encontraram Justin, ela se engasgou e deixou o queixo cair.
– Boa noite, vou querer duas pipoca grandes, coca cola e... Hey, está tudo bem?
Quando Justin notou que ela tinha ficado estática ele parou de pedir. Duas garotas atrás dela também pararam para admirar a beleza do meu homem e eu ri fraco, abraçando-o com firmeza pela cintura.
– Moça?
Ele a chamou de novo e finalmente ela despertou do transe, prostrando um sorriso fantástico na direção dele.
Eu não senti ciúmes, até porque u conseguia entendê-las. Justin era uma perdição. Não existia ninguém mais lindo que ele e ele tinha o mundo a seus pés.
– Me desculpe pela distração, Justin. Pode pedir.
Ele riu fraco e refez os pedidos. Ele pediu um pouco de tudo e agradeci por isso. Podia ser muito cedo pra eu ter desejos de grávida, mas eu nunca tinha me sentido tão faminta.
Pegamos tudo e fomos pra sala, claro que somente após todas as caixas tirarem uma selfie com ele.
– Quais são os nossos assentos?
A sala estava escura e eu falava baixo para não atrapalhar as outras pessoas.
– F4 e F5.
Ele respondeu e encontrei. Ficava exatamente no centro, ótimos lugares. Entrei na fileira primeiro e Justin veio atrás de mim. Assim que me sentei, ele tropeçou e derrubou as bebidas no chão.
– Justin!
Ele sorriu safo – Tudo bem, eu vou pegar outro!
Assenti e ele fez o caminho de volta.
O filme estava prestes a começar e ele não tinha voltado. Suspirei e voltei minha atenção para a tela.
No entanto assim que os trailers acabaram um vídeo começou. Primeiramente meu nome apareceu na tela escura:
– Para a mulher mais linda e fantástica do mundo. Aquela que balança meu mundo e me faz o homem mais feliz do mundo: Mackenzie Rose Manson; Lucky.
Em seguida começou um vídeo meu e de Justin.
Era um vídeo de quando ainda estávamos na faculdade, estávamos deitados na cama e eu tinha pegado seu celular para uma brincadeira. Aquilo não deveria estar ali. Minhas bochechas coraram instantaneamente e olhei pros lados tentando entender ou encontrar Justin.
– Acabamos de acordar e estou deitada nos braços do homem mais lindo de Rhode Island.
Meu sorriso deixava evidente a minha felicidade por estar ali. No entanto, eu estava horrível, com o cabelo bagunçado e com o rosto totalmente amassado. Justin estava ao meu lado sem camisa. Eu preferia não pensar no que estava passando na cabeça de todas aquelas pessoas que também assistiam ao filme.
– Diga oi, Justin!
Pedi no vídeo – Hey – ele murmurou de olhos fechados – Ele é chato. – comentei olhando a câmera novamente – Crianças, se vocês acharem este vídeo algum dia: não! Mamãe e papai não acabaram de transar!
As pessoas no cinema riram e Deus, eles pareciam estar se divertindo c tudo aquilo.
Justin abriu os olhos para rir e olhei pra ele – O que foi? Estou falando sério!
Ele sorriu, balançando a cabeça e afundou o rosto no meu pescoço voltando a dormir, neste instante mudei a orientação da câmera para horizontal dando mais abertura a filmagem – Acorda, Justin. Daqui a dez anos vamos ver esse vídeo e lembrar de como tudo começou.
Ele riu novamente e me mexi, eu tinha me sentado sobre ele naquele momento. O vídeo não pegou, mas me lembro de ter me inclinado e sussurrado sobre sua orelha "abre os olhos e faz isso comigo que eu não vou embora".
No mesmo instante ele abriu os olhos e me puxou pros seus braços novamente. Ele arrumou o celular na minha mão e nós dois aparecíamos nitidamente na tela. Deus, o que estava acontecendo?
– Hey, sou Justin e essa é a garota mais linda, gostosa e incrível da porra dessa cidade e eu a amo. Ela é a minha garota.
Gargalhei na filmagem e corri enterrando o rosto no peito de Justin. Algumas pessoas riram é murmuraram "awn" em uníssono. O vídeo foi cortado e varias fotos de nós dois começaram a rolar sobre a tela com a música Summer do fundo.
Quando eu te conheci no verão, ao som das batidas do meu coração. Nós nos apaixonamos à medida em que as folhas se secaram. Poderíamos ficar juntos, amor enquanto o céu for azul.
Não eram fotos românticas, nós dois caídos no chão fazendo caretas. Nós bêbados no meu aniversário, várias com Penn e Taylor junto de nós. De repente a música parou e a tela ficou escura.
Justin apareceu arrumando a câmera e então se afastando para se sentar. Pelo ambiente eu podia ver que era a sala da casa dele. Ele estava lindo, com uma camiseta de mangas branca, seu boné vermelho na cabeça e um sorriso malandro nos lábios.
– Mm, espero que isso esteja gravando porque já é a terceira vez e... – ele riu e passou a mão no cabelo arrumando o boné. – Estou nervoso, mas vamos lá.Você deve estar se perguntando qual a porra do meu problema, não é Lucky? – ele riu e Deus, como eu amava aquele sorriso!
– Eu sei que você está! Mas, isso é uma surpresa e você vai adorar. Eu só queria que você soubesse que... Eu te amo muito. Você é a mulher da minha vida. Você é a minha princesa e é digna de todo amor do mundo. Você é o amor da minha vida. E... Vou te fazer uma pergunta no final disso tudo e vou te mostrar o caminho para a resposta certa. Vamos lá!
Ele cortou o vídeo e tudo ficou escuro novamente. Eu já não entendia nada, meu coração batia tão acelerado que eu não sabia se sobreviveria ao fim de tudo aquilo. A música Blue da Beyonce começou a tocar e agora fotos minhas começaram a passar pela telona.
Deus te fez linda. E você me trouxe de volta à vida. Você fez tudo ficar certo novamente. E o seu amor... Ele brilha tão forte.
Fotos até mesmo de quando eu era criança surgiram em sequência e eu já não conseguia mais conter minha emoção. – Ele te fez linda... Tão linda.
Outro corte no vídeo e Brian apareceu – Hey, linda! Merda, estou sentindo sua falta. Parece que o Bieber está querendo te impressionar. Eu ainda não acredito que ele te roubou de mim, mas não posso dizer não ao cara.
Ele sorriu e aquele sorriso me derrubou – Vocês dois me ensinaram algo sobre o amor. E eu pretendo nunca me envolver com isso!
Ele fez graça e todo mundo riu, era como se eles soubessem o que estava acontecendo – Brincadeiras à parte... Vocês dois me ensinaram que amar vai muito além do que estar com alguém. Vai muito além do sentimento e de tudo que um dia eu pensei sobre o amor. Vocês dois... – ele sorriu emocionado - Passaram por um enchente de obstáculos, vocês atravessaram o inferno, mas finalmente encontraram o Paraíso e merecerem esse momento. Sempre fui um cara que autossuficiente, eu não me imaginava com uma pessoa, tendo o que vocês tinham, mas... Porra, isso está ficado meloso. Vocês me ensinaram a amar e algum dia eu espero encontrar a minha Lucky. Algum dia eu espero encontrar um amor igual o de vocês.
Enxuguei minhas lágrimas inutilmente, porque elas não paravam nunca.
Fotos minhas com Brian começaram a surgir sobre I’m Sexy And I Know It. Essa definitivamente era a minha música. Mais um corte de alguns segundos e então Justin voltou a aparecer.
– Pense em uma coisa boa. Eu sei que você pensou em mim. – ele riu pra câmera como se soubesse que eu estava sorrindo também. – Agora pense numa coisa tão boa que você não consegue descrever. Algo que te faz sentir tudo ao mesmo tempo. Algo tão mágico que você se torna dependente. – ele andava pela sala – Algo tão fodidamente bom e inexplicável... – seus lábios se curvaram num sorriso genuíno – Pensou? Se você o fez, já tem uma mínima ideia de como eu me sinto com você. Você é esse “algo bom” na minha vida, Mackenzie e não há nada que eu possa dizer que explique detalhadamente o tamanho do meu amor por você.
Mais um corte no vídeo e Lexi e Penn surgiram na tela. Não me aguentei nesse momento e ri, as duas juntas era demais.
– Justin é um idiota.
– Sim, ele é um babaca. Não sei o que você está fazendo com ele, mas...
Elas se olharam – Não podemos negar que é lindo.
– Sim, fisicamente ele é perfeito. Mas... Acho que a melhor qualidade dele é o coração.
Ambas concordaram.
– Ele ama com tanta força e... – Lexi sorriu e baixou o olhar – Ele é o cara da sua vida e é o homem mais sortudo do mundo por ter você.
– Tenho que concordar.
Mais um corte de segundos e mais foi à vez de fotos minhas com Lexi e Penn surgiram ao som de Girls Just Wanna Have Fun.
Havia fotos realmente vergonhosas de nós o que deu ao público uma ótima diversão. A música parou, a tela ficou preta e então a escuridão tomou o lugar. Uma luz se acendeu acima de mim e corei em níveis inimagináveis. Em seguida abaixo da tela, Justin. Ele sorria e tinha um microfone vintage a sua frente. Ele vestia um terno e um sorriso sacana nos lábios. A música começou a tocar no fundo e ele sorriu e piscou pra mim.
– It's a beautiful night, we're looking for something dumb to do. Hey baby, I think I wanna marry you.
É uma noite linda, estamos à procura de algo idiota para fazer. Ei amor, eu acho que quero me casar com você.
– Is it the look in your eyes or is it this dancing juice? Who cares, baby? I think I wanna marry you. – elefez uma dancinha - Well I know this little chapel on the boulevard we can go.
Será o olhar em seus olhos ou será que esta dança empolgante? Quem se importa, amor. Acho que quero me casar com você.
Justin cantou segurando o pedestal do microfone incorporando o cantor. Atrás dele surgiram casais dançando juntos num ritmo dos anos setenta. Eu não conseguia mais evitar. Tudo estava explodindo dentro de mim, era um misto entre surpresa, vergonha, euforia, felicidade... Tudo ao mesmo tempo. Eu chorava, ria e sorria.
– No one will know. Oh come on girl, who cares if we're trashed? Got a pocket full of cash we can blow, shots of patron. And it's on girl.
Ninguém vai saber, venha garota. E daí se estamos bagunçados? Tenho um monte de grana pra gastar, com doses de tequila e tá valendo, garota.
Ele dançava e cantava com um sorriso no rosto olhando pra mim fixamente, me fazendo aquele pedido. Eu estava arrepiada dos pés a cabeça e não conseguia fazer nada além de sorrir.
– Don't say no, no, no, no-no. – ele fez mais uma dancinha e eu percebi que os casais dançando atrás dele, Taylor e Penn, Jason e Lexi, Zeff e Brooke e alguns dançarinos. Era inacreditável. – Just say yeah, yeah, yeah, yeah-yeah… And we'll go, go, go, go-go. If you're ready, like I'm ready.
Não diga não, não, não, não, não. Basta dizer sim, sim, sim, sim, sim. E vamos, vamos, vamos, vamos... Se você estiver pronta, como eu estou.
Eu estava pronta? Eu não tinha certeza se já estive tão pronta na minha vida. Era simplesmente a melhor coisa do mundo acontecendo diante dos meus olhos. Era como um sonho. Justin cantando um pedido de casamento para mim no meio de um cinema.
– I'll go get a ring let the choir bells sing like. So whatcha wanna do? Let's just run girl, If we wake up and you wanna break up that's cool. No, I won'tblame you. It was fun girl.
Eu vou pegar um anel, deixe o coro cantar e o sino tocar. Então o que quer fazer? Vamos apenas fugir, garota. Se você acordar e quiser terminar, tudo bem. Não, eu não vou te culpar.
Justin tirou o microfone antigo da base e comecou a fazer seu caminho para cima até mim. Os casais dançantes atrás dele continuaram com um coro sorrindo para nós. As luzes do cinema já tinham sido acesas e agora todas as outras pessoas no lugar olhavam pra mim. Quando ele chegou a fileira, me levantei sentindo todo meu mundo girar.
– Cause it's a beautiful night. We're looking for something dumb to do. Hey baby, I think I wanna marry you.
Porque é uma noite linda e estamos procurando por algo bobo pra fazer... Ei, amor. Eu quero me casar com você.
Assim que ele parou a minha frente eu senti tudo girar drasticamente. Justin prolongou a ultima frase e então meu coração parou. Estava mesmo acontecendo?
– Tentei treinar no espelho como fazer isso. Mas acho que sou melhor quando improviso. – ele tocou meu rosto e sorriu – Desde o instante em que te vi eu sabia que você ia ferrar comigo, eu só não sabia que iria amar cada minuto disso. Você me tomou de uma forma que nunca imaginei, eu era mais seu do que de mim mesmo. Tudo se resumia a você, Mackenzie. Você me ensinou a amar você me deu a chance de provar do amor pra vida inteira e eu nunca vou poder explicar com palavras o quanto eu sou grato pela sua existência na minha vida. Todo mundo tem um lado bom. O meu é quando estou com você. – eu sorri e ele respirou fundo para continuar – Passamos por tanta coisa, cometemos erros fodidos, mas nossos acertos anularam tudo isso. Você foi o meu acerto. Você é a minha única certeza e eu não sei mais imaginar uma vida sem você do meu lado. Eu não consigo olhar pra frente e não te ver comigo. Sem você não dá, porque além de ser a minha sorte, você é a minha vida. E eu quero ter você. Eu quero que você seja minha e eu quero ser seu. Eu quero tudo que a vida pode me dar estando do seu lado. Eu quero o nosso pra sempre até meu último suspiro e muito além disso. Eu quero você como jamais quis alguma coisa. Mas eu quero que você saiba que quando eu me imagino feliz, é com você. Então, Mackenzie Rose Manson...
Ele se ajoelhou a minha frente e tive a visão das letras no telão. Todo mundo olhava pra nós, mas era como se fossemos apenas nós dois ali.
“Will you marry me?" Meu olhar recaiu sobre ele novamente e ele segurava uma caixa com um anel lindo.
– Você aceita se casar comigo?
Palavras não eram suficientes para descrever a sensação. Era como se o mundo tivesse girado apenas para chegar àquele momento. Era como se aquela fosse à razão primordial da nossa existência. Meu coração acelerou; mas não era só isso. Justin estava me dando tudo de si, e pedindo tudo de mim. Engoli em seco sem saber o que pensar e como pensar. Eu aceitava. Meu Deus, sim eu queria morrer ao lado dele. Eu queria tudo.
– Eu... – era como se todas as palavras tivessem fugido da minha boca – Aceito. Sim, meu Deus. Sim!
Ele retirou o anel da caixinha e deslizou no meu dedo. Justin se levantou e não esperei mais nada para agarrar seu corpo. Ele sorriu e segurou minha nuca me beijando e marcando aquilo.
Era um sonho? Porque se fosse, eu não queria acordar.
Meu desespero estava nítido, era bom demais, intenso demais e eu tinha medo. Medo de acordar e ver que tudo não se passava de um sonho. Ele partiu o beijo e sorriu contra o meu rosto.
As pessoas ao nosso redor nos aplaudiam e enterrei meu rosto em seu pescoço envergonhada.
– Agora não tem mais volta. Você vai ser minha pra sempre.
– Sou sua desde o primeiro instante.
Ele não sorriu, foi muito mais do que esse simples gesto. Justin iluminou meu mundo com aquele sorriso e nada poderia ter sido mais surreal.
Nada poderia explicar a sensação. Nada, porque as melhores coisas não eram feitas para serem explicadas, eram apenas para serem sentidas. E eu sentia tudo naquele momento – Isso soa clichê, mas eu te amo mais do que qualquer coisa e vou te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Sorri abraçando seu pescoço – Na verdade vindo de você qualquer clichê basta.
– Me da alguma prova de que isso é real, porque eu não consigo acreditar.
Ele riu e me beijou novamente. Quando partimos o beijo percebi que aquele era o momento certo. Certo pra nós. Pra nossa história e pro nosso futuro. Soltei-me dele – Também tenho uma coisa pravocê.
Mesmo com todas aquelas pessoas ao nosso redor, aplaudindo e gritando parabéns para nós, não me importei em lhe mostrar aquilo. Era especial e nós nunca esqueceríamos aquilo.
Peguei a caixinha dentro da minha bolsa e respirei fundo em puro nervosismo. – O que é?
Justin olhou confuso e começou a desmanchar o embrulho.
– Apenas abra.
Quando ele retirou a tampa da caixa viu o pequeno par de luvas de box dentro da caixa confuso. – Hm, é incrível. Porra, imagine quando tivermos um filho e...
“Campeão do Papai”
Ele leu o recado dentro da caixa e se calou. Justin perdeu a fala e congelou. Seu olhar subiu de encontro ao meu e sorri.
– O... O que isso significa?
– Acho que daqui nove meses você vai descobrir.
Toquei minha barriga e ele parou. Os olhos de Justin se encheram de lágrimas e ele não se deu o trabalho de segurar. Elas desceram pelo seu rosto à medida que sua ficha ia caindo.
– Estou grávida, Justin.
Ele me puxou pros seus braços me apertando com força. Chorei mais ainda. Eu nunca tinha me sentido tão completa, feliz e realizada como naquele momento. Era um sonho. O nosso sonho invadindo a realidade.
– Repete.
Ele implorou segurando meu rosto com o maior sorriso que seu rosto poderia dar.
– Estou grávida. Vamos ter um bebê.
Justin se ajoelhou e abraçou minha barriga. – Vamos ter um filho. Tem um pedaço de mim ai dentro. – ele soluçou tocando minha barriga emocionado.
– Em cada pedaço de mim, sempre haverá um pedaço de você.
Ele se levantou e me beijou, me beijou como se sua vida dependesse disso, e a minha dependia. Tudo dependia dele. Segurei seu rosto e fitei seus olhos.
– Talvez você não saiba, mas eu amo o seu sorriso, amo quando te faço sorrir, amo o jeito que você meche os dedos, amo até o seu piscar, o seu olhar me fascina, e caso você também não saiba, o que eu mais quero é ser feliz com você.
•
Depois da noite mais mágica da minha vida fui despertada pelo toque insuportável do meu celular. Justin estava com metade do corpo por cima do meu me abraçando apertado por trás. A posição estava tão confortável que eu não sairia dali pra atender. Esperei o toque cessar e quando parou, suspirei voltando a me aconchegar em Justin.
Não levou dois segundos e o barulho contou a interromper meu sono novamente.
– Cacete, que barulho chato. – Justin despertou e se levantou esticando o braço até a mesa de cabeceira e pegando meu aparelho.
Ri por conta do seu mau humor matinal atendeu – Que é Penélope?
Ela deve ter reclamado alguma coisa porque ele rolou os olhos e acionou o viva voz voltando a deitar por cima de mim.
– Oi, Penn.
– Filha da puta! – foi à primeira coisa que Penn gritou quando atendi o telefone. Eu já sabia o porque. Depois do evento na noite passada, Justin tinha me sequestrado e nós dois tivemos a melhor noite de amor de nossas vidas. Ou seja, não falei com nenhum deles.
– Ô, Penélope, fala direito com a minha noiva!
Justin reclamou. Ele tinha ficado irritado por ter sido acordado cedo. Tivemos uma noite bem longa e eu também estava cansada.
– Não sei o que você está pensando, Bieber. Mas eu tenho mais posse sobre ela do que você, então cala a sua boca! Como você me esconde uma gravidez? Mas que porra! Sou sempre a última a saber! Eu nunca vou te perdoar por isso!
Ela gritava sem parar, Justin pegou o celular e desligou, me puxando pra perto do seu corpo. Ele levantou a blusa que eu vestia e acariciou minha barriga – Tudo bem aí dentro, campeão?
Eu ri sentindo cócegas – Ele não pode te ouvir ainda, meu amor.
– Mas ele sabe que é meu campeão.
Justin me apertou contra seu corpo e beijou meu ombro.
– Ainda não sabemos o sexo. E se for uma menina?
Virei-me pra ele e ri por conta do seu cabelo bagunçado e o rosto amassado. Como ele podia ser tão lindo?
– Pode ser, mas eu não sei. O que importa é que é o nosso filho, porra eu vou ser pai!
Ele gritou de novo como se ainda não acreditasse. Justin começou a beijar minha barriga sem parar me fazendo cócegas.
– Te amo. Te amo e te amo, porra!
Brooke
Passei pelo corredor escutando a risada do casal vinte. Ri balançando a cabeça e passei por eles.
– Aonde você vai?
Tyler surgiu ao me ver pronta pra sair. – Você tá muito folgado, hein. Vou sair.
Ele cruzou os braços, desconfiado – Estou de olho em você.
Gargalhei e baguncei o cabelo dele. – Abaixa a bola, pirralho.
•
– Pensei que você não viesse.
Desci da moto e andei até ele. Scott estava escorado no carro com os braços cruzados. – Estava sentindo saudade?
Ele riu e se desencostou do carro – Você é muito marrenta mesmo.
Lancei-lhe um sorriso desdenhoso e ele me puxou pela cintura – Mas as marrentas são as minhas favoritas – tomando meus lábios, ele me beijou com fervor.
Scott tinha tudo pra ser mais um erro na minha vida, mas por enquanto ele estava sendo uma certeza. A minha chance de descobrir um sentimento novo, menos sofrido e mais intenso. Era hora de recomeçar.
Mackenzie
Eu não esperava que Brian chegasse acompanhado de Mandy, mas confesso que adorei vê-los juntos. Ele não estava na surpresa da noite passada e eu certamente senti sua falta. Quando abri a porta lhes permitindo a entrada pude ver no brilho do olhar dele que havia algo entre os dois. Ele nem tentou disfarçar o olhar na bunda dela quando ela entrou primeiro. Aquele era Brian Stephens.
Assim que ele olhou pra mim, não esperou um segundo e me agarrou num abraço de urso apertado. Deus, como eu tinha sentido falta daquele abraço.
– Linda!
– Bry, senti tanta saudade. – o abracei de volta enquanto ele fechava porta da entrada com os pés. Ele tinha me tirado do chão e ri por conta disso. Não importava a nossa idade, Brian sempre seria meu evento grandão da faculdade.
Quando meus pés voltaram a tocar o chão, o abracei de novo.
– Stephens, larga minha mulher. – Justin reclamou em tom de brincadeira. Ele e Mandy se cumprimentaram e se abraçaram levemente. – Sua mulher? Cadê a aliança no dedo dela mostrando que ela é sua?
Não aguentei e mordi o lábio levantando a mão com o anel. Ele me fitou confuso e depois incrédulo. – Puta merda, vocês estão me zoando?
– Acho que ele não estava brincando quando propôs isso noite passada.
Brian balançou a cabeça e fitou Justin, como se estivesse num conflito mental.
Seu olhar acabou recaindo em mim no final – Ele te pediu em casamento?
Assenti – E você aceitou? – balancei a cabeça novamente – Qual a porra do seu problema, Mack?
Justin, Mandy e eu rimos e novamente fui retirada do chão. Mas dessa vez ele me jogou sobre seu ombro. – Você vai casar, caralho!
– Seu filho da puta, a coloque no chão!
Justin gritou em reprimenda enquanto eu morria de rir com Brian correndo comigo pela sala. – Isso pode fazer mau pro bebê!
Havia um par de coisas que podiam chocar Brian Stephens: um fora e uma mulher com peitos enormes. No entanto, ao escutar a palavra bebê ele congelou e me pôs no chão. Brian empalideceu e olhou pra minha barriga – Ok. Onde estão as câmeras cacete? Cansei dessa pegadinha.
Justin se aproximou rindo – Pegadinha? Eu vou ser pai, babaca.
Não sei como eles conseguiram, mas entraramnuma briga, comemoração. Era difícil descrever. Mandy apareceu ao meu lado sorrindo e me parabenizou.
– Obrigada.
– Agora eu tenho certeza de que esse homem nunca mais vai ser o mesmo.
Sorri orgulhosa por isso e nós duas acabamos rindo com Justin e Brian.
Penn e Taylor estavam vindo pra cá, assim como Lexi, Jason e Jett. Justin tinha planejado tudo nos mínimos detalhes sem que eu soubesse de nada, todos eles tinham me enganado junto. Mas eu podia dizer que os amava mais agora.
A notícia do meu noivado tinha começado a circular e eu já tinha recebido ligações até mesmo de primos que eu nem conhecia. Pam já deveria comunicado toda a cidade do noivado da filha e eu já esperavapor isso.
Dylan e Hailey nos parabenizaram também e percebi que eu estava sentindo mais falta deles do que imaginei. Eles só sabiam do noivado, eu não tinha certeza sobre tornar minha gravidez o assunto do momento. Apenas quem estava no pedido de casamento mais incrível da historia sabia daquilo, ou seja, apenas quem merecia saber. Era algo tão bom que se eu pudesse guardaria apenas pra mim e Justin. Era o nosso momento, nosso bem mais precioso crescendo aos poucos dentro de mim.
Justin não se conteve sobre contar que teria mais um Bieber na família. Fizemos uma chamada de vídeo com eles e eu não tinha como descrever a reação de Jaxon e Jason, eles começaram a gritar palavrões ao redor da sala e eu poderia dizer que eles tinham criado alguns novos. Angelina e Jeremy ficaram emocionados, resultando na minha emoção também. Era tão estranho ter a certeza de que agora em diante não seria somente eu. Eu nunca mais estaria sozinha, aquele vazio que me encheu na infância tinha ficado no passado para sempre. Era hora de trilhar o caminho da felicidade.
– Amor, não adianta. Você vai ficar gostosa de qualquer jeito.
Justin comentou vestindo a boxer enquanto eu me fitava no enorme espelho do closet. Daqui a alguns meses minha barriga estaria gigante e eu não conseguia conter minha euforia em relação a isso. Pelas minhas contas eu estava com dois meses e meio. Não havia nada de diferente ainda. No hospital o obstetra tinha me dito que só começaria a crescer a partir do terceiro mês.
– Será que ele vai ser grande?
Justin passou os dedos pelo cabelo molhado e se aproximou de mim segurando minha cintura. Nós dois vestíamos apenas roupas íntimas.
– Ele vai ser perfeito. Olhe só o pai. – ele sorriu e não fitou no espelho – Lindo, gostoso, rico...
– Me desculpe, mas ele vai ser perfeito por causa da mãe. Inteligente, paciente...
– Gostosa pra caralho. – ele umedeceu os lábios e apertou minha bunda.
– Sábia!
– Uma tentação com essa lingerie – ele rebateu mordendo o lábio com sua cara mais safada. Não aguentei e ri me virando pra ele – Você está muito assanhado.
– O que eu posso fazer? Fico de pau duro com qualquer coisa que você faz. Pensei que fosse passar com o tempo, mas porra, fica pior.
Gargalhei jogando a cabeça pra trás e ele me acompanhou.
– Você é um pervertido!
– Completamente. E minha única e maior perversão é você. Sempre você. – ele disse abaixando o fim e beijando meu rosto até chegar à boca.
– Acho que gosto disso.
– Claro que você gosta. Sou seu garotão, você me ama.
Acariciei sua nuca e concordei. Era verdade. Ele tocou seu rosto com o meu e sorrimos contra os lábios um do outro – Pra sempre?
– Pra sempre.
Nossos lábios finalmente se tocaram num beijo cheio de entrega e romance.
•
– Não gosto dela.
– Nem eu. – Penn concordou com Lexi. Elas falavam de Brooke, estavam todos sentados à beira da piscina tomando café da manhã: Taylor, Justin e Zeff. Tyler já tinha ido pra escola. Brian e Mandy por algum acaso ainda não tinham levantado. Eles estavam em quartos separados, mas aposto que algum tinha escapado para a cama do outro durante a noite. Eu estava com Lily no colo. Ela era a coisa mais adorável do mundo e isso me dava vontade de ter uma menina.
– Você quer, princesa? – perguntei. Ela estava olhando os morangos no meu prato com seus olhos azuis gigantes.
– Posso dar a ela?
Alexia e Penélope interromperam seu diálogo maldoso e Penn me fitou.
– Oh, sim. Ela adora tudo. Por que acha que ela está desse tamanho?
Justin e eu rimos, até mesmo Brooke riu e eu não conseguia imaginar ela gostando de crianças desse tamanho. No entanto, havia algo em tono dela que a deixou radiante nos últimos dias. Eu podia sentir cheiro de homem nisso, mas nós não éramos amigas a esse ponto para que eu pudesse perguntar.
Peguei um pedaço do morango e dei a Lily, ela ficou com a fruta um tempo na boca e fez uma careta depois. Justin e eu acabamos rindo.
– Acho que ela não é fã de morangos.
Comentei e ele pegou a fralda de pano para limpar a boca dela. Ele seria um ótimo pai e só o pensamento me deixava com borboletas no estômago.
– Me deixa segurar ela um pouco.
– Tudo bem, mas toma cuidado.
Eu não precisei ensinar, Justin tinha um talento nato para segurar bebês. Ela sorriu pra ele imediatamente e ele começou a brincar com ela.
O brilho nos olhos daquele homem me deixava encantada. Eu não tive como tirar aquela imagem da cabeça.
– Eu sei o que você está pensando.
Brooke disse baixo só para que eu escutasse e me virei pra ela – O que?
– Como vai ser o filho de vocês e blá blá blá... Mas crianças são choronas, fedorentas e ugh, chatas.
– Brooke! – ri a repreendendo.
– Somente a verdade! Pense bem, elas podem ser fofas e adoráveis, mas há choro, noites sem dormir e fraldas!
Balancei a cabeça rindo e fitei Justin novamente. Ela não entendia. – É a prova de amor mais magnífica do mundo. É o fruto do amor entre duas pessoas. Pode haver tudo isso que você falou, mas olhe só esse sorriso – ela olhou Justin e Lily sorrindo um pro outro – Acha que por isso não vale a pena? Não sei pra você, mas pra mim vale mais do que tudo.
Ela pareceu pensar por um segundo, mas balançou a cabeça – Mas há toda a dor do parto e...
Não aguentei e ri. Ela não entenderia mesmo.
•
Justin Bieber
– Sequência right-left com ganho!
Respirei fundo flexionando meu abdome e posicionei os braços. Comecei a dar socos no saco de areia com força e rapidez. Eu tentava implantar cada vez mais força a cada golpe, mas eu ainda sentia minha lombar.
– Já chega.
Zeff avisou, mas não parei. Eu podia dar o meu melhor e daria.
– Eu disse, já chega.
Ele grunhiu e segurou o saco me impedindo de continuar.
Reparei fundo recuperando o fôlego.
– Eu posso fazer melhor.
– Eu sei que pode, mas vamos devagar. Isso não é treinamento pra campeonato.
Por mais que eu não estivesse focando nas lutas algo dentro de mim falava mais forte quando eu treinava. O ringue era o meu lar, as luvas, meu escudo. Eu precisava daquilo, era a minha função. Eu me sentia útil dentro dos ringues.
– Eu sei, Zeff.
Retirei as luvas e joguei na mesa, andando pra fora. Peguei uma garrafa de isotônico no estoque e bebi atravessando as portas de vidro e andando pela piscina. Dentro de casa Mackenzie, Alexia e Penélope planejavam as coisas sobre o casamento. Eu queria casar o mais rápido possível, mas as mulheres queriam fazer tudo perfeito. Eu estava disposto a ser paciente e dar a Mack o melhor dia de sua vida.
Entrei em casa e elas estavam na sala de jantar com papéis e revistas.
Penn e Lexi gritavam uma com a outra e Mack estava entre as duas parecendo estressada. Ela fitava o diamante em sua mão e sorria levemente.
– Ô, suas loucas! — gritei acabando com a palhaçada das duas. Elas me fitaram – Isso aqui não é um manicômio pra vocês ficarem gritando!
Mack segurou o riso e as duas me fitaram putas. Não demorou um segundo e elas voltaram a gritar uma com a outra. Balancei a cabeça e Mack se levantou vindo até mim.
– Não se preocupe. Uma hora elas param. Pelo menos eu espero que sim.
Puxei ela pela cintura e acariciei sua barriga. – A gente pode se casar logo? Vamos pra Vegas casarnuma capela. Só eu e você. Eu só quero que você seja minha logo.
Ela sorriu e me beijou – Quantas vezes vou ter que dizer que já sou sua?
– Quantas forem preciso, nunca vou me cansar de escutar isso, Lucky.
Ela sorriu e foi a minha vez de tomar seus lábios até Lexi e Penn nos interromperem.
•
Mackenzie
Eu não tinha nenhuma objeção em relação ao planejamento de Penn e Lexi, mas eu queria me casar em Rhode Island. Era ali que tudo tinha começado e era ali que eu queria dar aquele passo importante na nossa história.
Quando eu anunciei isso elas enlouqueceram e me xingaram diversas vezes, uma vez que Los Angeles era a cidade mais incrível para cerimônias. Eu não queria um casamento de capa de revistas. Eu só queria algo memorável pra mim.
Justin estava preocupado com a inauguração dos seus ginásios. Relentless Gym. Seria uma rede de academias de alto padrão. Pelo pouco que eu tinha visto seria uma inovação dentro do mercado. Justin tinha dinheiro. Dinheiro suficiente pra fazer qualquer coisa.
Por um lado era bom porque eu não queria que ele se preocupasse com isso. Ele estava voltando a treinar, e eu podia ver sua força e perseverança crescer cada vez mais. Meu campeão estava voltando.
– O vestido.
– Conheço a pessoa perfeita.
Penn disse e pegou o telefone fazendo ligações. Em menos de meia hora Kaden estacionava o carro na frente de uma loja em Beverlly Hills.
Era a loja de Eli Saab. Eu já tinha visto várias famosas usando vestidos do estilista e com certeza eles deveriam custar uma fortuna. O preço não era o problema, mas eu não conseguia me ver em algo tão extravagante assim.
– Garotas, eu não...
Elas não me deixaram falar e me carregaram para dentro. A loja estava vazia. Assim que adentramos uma vendedora veio nos atender.
– Boa tarde, sou Mari-
– Mariah, pode deixar que essas são minhas. – a voz de alguém soou é de trás da vendedora surgiu Fynn.
– Não acredito!
Ele sorriu e se aproximou, dispensei qualquer educação e o abracei apertado. Fazia anos desde a última vez que eu tinha o visto, mas ele continuava o mesmo. Claro que muito mais bonito e elegante.
– Se não é a Mackscote.
O soltei e ele me girou – Você está incrível. Isso é um Louis Vuitton?
Ele questionou sobre meus saltos – Sim.
– Graças a Deus que o tempo passou. Você era um pouco sem graça na faculdade, mas vejo que evoluímos.
Balancei a cabeça sorrindo e as duas riram atrás de mim. Fynn era designer e trabalhava na alta costura de Eli Saab. Eles tinham vestidos incríveis ali, mas nenhum que combinasse comigo.
– Tantos vestidos lindos e você não gostou de nenhum. Por Deus, Mackenzie.
– Isso tudo não combina comigo. Não quero um vestido extravagante, eu quero algo que seja a minha cara.
– Você quis dizer "sem graça".
Lexi acrescentou e rolei os olhos. – Acho que tenho o vestido perfeito. Só um minuto.
Fynn nos deixou no provador enorme e quando voltou, ele trazia o vestido mais fantástico do mundo nas mãos. Definitivamente, era o vestido dos meus sonhos.
Arranjamos os vestidos das madrinhas e eles também eram fantásticos. Com o passar dos dias tudo ia ficando pronto. Buffet. Luzes. Dj. Decoração. Definitivamente tudo, o meu nervosismo era crescente. A grande hora se aproximava cada vez mais.
Justin Bieber
– Preciso falar com vocês duas.
Penn e Lexi estavam na sala de jantar com mais um catálogo.
– Acho a Itália um lugar fantástico.
– Não, Europa nessa época é frio. Que tal às praias brasileiras?
– Não me importa o que vocês fizeram até agora, mas a lua de mel é minha.
As duas me fitaram debochadas e eu ri – Já planejamos tudo. Mas estamos em dúvida.
– Minha lua de mel. Minhas escolhas. Eu que estou pagando tudo isso.
– Você não sabe ser romântico.
– Ah, não? Quem foi que alugou um helicóptero pra dar a ela a melhor vista de Las Vegas, quem alugou um cinema inteiro pra pedir a mão dela em casamento? Eu não sei ser romântico?
As duas se entreolharam e bufaram. – Isso tem que ser perfeito, Justin.
– E você acha que eu não sei? Vou dar a ela uma vida perfeita.
Semanas Depois
O grande dia tinha chegado. Eu não estava certa sobre nada ao meu redor, havia correria, maquiadores pra lá e pra cá. As madrinhas me falado milhares de coisas, mas eu não conseguia pensar em nada além de mim.
Justin tinha me enviado mensagens ao longo do dia como se quisesse me lembrar a cada hora o quão importante eu era pra sua vida é como aquele momento era nosso. Eu sorria a cada uma.
– Posso ficar sozinha? Preciso de cinco minutos. Apenas isso.
Todos me olharam incrédulos. Afinal, como no meio da correria da cerimônia eu podia querer me isolar de tudo?
– Caiam fora. Ela precisa desse momento. – Penn gritou enxotando todos do quarto. Ela sabia o que eu sentia.
Eles saíram e quase me perdi no silêncio do quarto.
Observei meu reflexo, analisando a figura ali refletida. Eu tinha mudado tanto desde a faculdade, mas de alguma forma, ainda era a mesma garota apaixonada pelo badboy. Eu ainda era a "garota sem graça" do campus que tinha uma vida equilibrada e certinha. Então Justin surgiu e virou meu mundo de ponta cabeça me dando uma nova perspectiva de como a vida pode ser linda, ainda que do avesso. Ele mudou meus conceitos e me ensinou a amar incondicionalmente. Ele me fez ver coisas que jamais pensei em olhar, me deu experiências únicas e eu era grata por cada uma delas.
Daquela garota de 19 anos, me tornei o que refletia no espelho gigante. Uma mulher de vinte e cinco anos, feliz, realizada, mais forte. Amada. Menos dramática. Sonhadora. Menos iludida. Mais viva, menos cuidadosa. Mais ousada e determinada.
Eu estava feliz com o que tinha me tornado. Todas as lágrimas tinham se tornado sorrisos, todos os momentos tristes, tinham sido recompensados com alegria. Meu coração tinha sido partido, mas concertado. O passado ficava pra trás, não porque tinha sido de todo ruim, mas porque eu escrevia um novo livro. Uma nova história.
Aquele certamente era o momento da minha vida. Aquele último capítulo do livro onde encerramos a história com um final feliz e flores. Era o meu final feliz e eu sabia que era merecedora daquele momento.
Na escrivaninha havia a carta que Justin tinha me escrito e uma caixa. Eu sentia medo, aquele frio deliciosa na barriga tinha me acompanhado por todo o dia e eu estava feliz por ele. Feliz pelo motivo daquilo e feliz por saber que ali dentro, dentro de mim havia algo crescendo comigo.
Respirei fundo e abri o envelope. Havia duas folhas, uma mais gasta e antiga e outra nova.
“Se você está lendo isso agora é porque tive coragem pra escrever uma carta de despedida. Neste momento não tenho certeza se algum dia irei enviá-la a você. Eu te amo o suficiente pra ter te deixado ir, mas o suficiente pra continuar te desejando e amando mesmo assim. Sonho com você todas as noites, seu sorriso me resgata da insanidade. Seus olhos são o que me impede de enlouquecer nesse lugar. Passo a maior parte do dia dormindo, porque você invade os meus sonhos e diz que me ama. Na minha cabeça ainda estamos juntos e você ainda é minha.
Eu queria poder olhar nos seus olhos agora e te dizer tudo isso, queria poder sentir seu cheiro, te beijar e pegar você. Essa é a minha motivação pra continuar. Porque eu sei, que em algum momento você vai ser minha. Que vou te reencontrar novamente e te dar todo o meu amor. Eu sei que esse momento vai chegar algum dia. E é nisso que penso quando quero desistir. É você que me da forças pra lutar porque o nosso pra sempre não foi em vão.
Pra Sempre.”
Abri a carta mais recente e a li:
“Escrevi essa carta quando estava preso. Alguns meses depois que te mandei embora da minha vida. Nunca tive coragem de te mandar porque eu estava te dando uma chance de ser feliz.
Minha cabeça queria que você tivesse encontrado um cara legal, que te fizesse feliz. Mas ao mesmo tempo meu coração egoísta desejava que você sentisse minha falta.
Pode parecer besteira, mas desde o dia em que me declarei pra você eu sabia que seria o homem que estaria te esperado no altar. Eu sabia que algum dia te faria a Senhora Bieber é esse seria o melhor dia das nossas vidas. Eu estava errado. Todos os dias da minha vida em que estive ao seu lado foram e são os melhores. Você me faz o homem mais feliz do mundo. Quando te vejo, sinto que encontrei o meu propósito. A minha função nessa vida é te fazer feliz.
Agora, faltando algumas horas pro nosso casamento eu só quero que você saiba que não me arrependo de nenhum momento da nossa história. Você fez cada segundo valer a pena.
Eu te amo, Lucky.
Espero que você aceite a eternidade ao meu lado. – Pra sempre?
xx, garotão.”
Não me importei em estar manchando a maquiagem com as minhas lágrimas. Por aquilo era válido.
Sorri entre lágrimas, me sentindo a pessoa mais amada e realizada do mundo. Eu tinha lutado por aquele momento. Por aquela vida. Lutado por aquele amor.
Abri a caixa e encontrei o meu "Algo velho", as plaquetas que Justin tinha feito no meu aniversário na faculdade. Endless&Tourjours.
Sorri apertando as plaquetas contra o meu peito. O "Algo Azul" era um solitário delicado que logo deslizei pelo meu dedo; e o "Algo Novo" era um pequeno pingente em forma de trevo da sorte. Delicado e significativo.
Fiquei na frente do espelho novamente e coloquei o pingente no pescoço. A peça ornou perfeitamente com meu vestido. Eu estava pronta para o melhor momento da minha vida e pra tudo que o destino me guardava.
•
Justin Bieber
– Você não vai querer estar morto quando ela entrar. Então por favor, pare e respire. Consigo sentir sua tensão daqui.
Mandy disse atrás de mim. Ela estava ao lado das madrinhas e todos na igreja estavam à espera da mulher da minha vida. Eu não conseguia evitar. Ela era o meu ar e aquele era o maior passo da minha vida.
Porra eu sentia medo. Quem poderia me garantir que ela não iria embora ao perceber que eu era uma bagunça?
Minhas mãos soavam e eu sentia que meu coração poderia parar a qualquer momento.
Quando Marry Me começou a tocar anunciando sua entrada todos os convidados que estavam paralelos ao corredor saíram da minha vista. Ao fundo, Mackenzie surgiu de braços dados a Joseph e Pete, ambos lado a lado trazendo a mulher da minha vida para os meus braços. Ela sorria docemente. Deus, tão linda.
Coloquem Marry Me do Train pra tocar!
“Para sempre nuca será tempo suficiente pra mim. Sinto que já tive tempo suficiente com você, mas não foi o bastante. Esqueça o mundo agora é vamos deixá-los assistir isso. Mas há uma coisa a fazer...”
O vestido, a maquiagem e toda a superficialidade que envolvia noivas não foi o que me impressionou. Ela estava ali. Sua presença tirou meu fôlego e meu coração acelerou. Seus olhos ficaram fixos nos meus e era como se ela não pudesse ver nada além de mim.
“O amor certamente mudou meu caminho. Case comigo. Hoje e todos os dias.”
A cada segundo ela ia se aproximando, não com a velocidade que eu gostaria, mas a cada passo ela estava mais perto de se entregar mim.
Train cantava suavemente no palco com a banda. Todos ao meu redor estavam emocionados, mas meu olhar estava fixo nela. No meu tesouro. Na minha vida. Aquele era p nosso momento.
“Juntos nunca estaremos perto o bastante pra mim. Sinto que estou perto de você. Você usa branco hoje e usarei as palavras: eu te amo e você é linda.”
Seus olhos estavam brilhando, em lágrimas e seu brilho natural. Aquela mulher me hipnotizava. Ela poderia me pedir qualquer coisa e eu faria. Era como se ela fosse meu coração, minha força vital estava dentro daqueles olhos e expressa naquele sorriso inocente e doce.
“Agora que a espera acabou, e finalmente nosso amor venceu as barreiras, case comigo. Hoje e todos os dias.”
Faltavam apenas alguns passos e ela finalmente estaria comigo. Pete e Joseph pararam à frente do altar e me entregaram a mão dela. Sorri e tomei-a para mim. Eu não pude me conter e seguir toda a porra do esquema, segurei seu rosto e beijei seus lábios. Eu precisava daquilo. De uma prova de que aquilo era real.
“Prometa-me que você sempre será feliz comigo e eu prometo cantar pra você quando todas as musicas morrerem.”
Não foi nada obsceno, foi apenas um "beijo de amigo". Ela sorriu e me afastei vendo seu sorriso magnífico. Pete e Joseph me repreenderam com o olhar, mas dei de ombros – Sinto muito. – Você está perfeita.
– Eu lhe diria o quão especial ela é, mas você já sabe disso. Apenas, ame-a com todas as suas forças todos os dias. Ela vale essa luta, campeão.
Eu já sabia disso, mas apertei sua mão e movi meu olhar novamente para a minha futura esposa.
– Se você pensar em machucá-la algum dia, espero que consiga correr bastante porque vou acabar com você – todos riram com aquilo – Faça-a feliz.
– Ele já faz. – Mack respondeu por mim e porra, eu amava aquela garota!
Tomei sua mão e nos prostramos diante do reverendo. Ela entrelaçou nossas mãos e então a cerimônia começou.
“Case comigo. Hoje e todos os dias.”
•
Mackenzie
– Pode beijar a noiva.
Justin não se conteve neste momento. Ele me agarrou e me beijou como se não houvesse mais ninguém no lugar. Todos começaram a bater palmas e a gritar comemorações para nós. Assobios, gritos... Tudo isso banhou o momento em que ele oficializou a nossa aliança.
Eu poderia dizer mil coisas, mas nada descreveria a felicidade que enchia meu corpo.
Era real. A minha realidade dentro de uma história conturbada.
Então percebi que cada mínimo detalhe, cada lágrima, cada situação difícil pela qual tive que passar teve seu propósito. A vida podia me quebrar, mas eu conseguia me fortalecer cada dia mais. Justin era a minha força. Nós dois éramos a dupla perfeita. O conjunto ideal, por mais errantes que fôssemos. Tudo na vida tem um propósito, a lágrima de hoje é o sorriso de amanhã e não se pode desistir. É preciso lutar e atravessar a dor e as dificuldades com punhos erguidos. Ele tinha me ensinado a lutar. Ganhei batalhas que nunca imaginei disputar.
Tudo dá errado na hora certa. O destino sabe o que faz.
Eu tinha acabado de me tornar a Sra. Bieber. Acho que posso dividir minha vida em dois momentos, antes e depois de conhecer Justin Drew Bieber. Também conhecido como o amor da minha vida é minha eternidade.
– No que está pensando?
Virei o rosto e sorri pra ele. – Você consegue acreditar que isso tudo acabou?
Meus olhos encheram-se de lágrimas só de pensar no fim. Este era o nosso final feliz – Não. – ele sorriu e tomou meu rosto nas mãos – Só está começando, meu amor. Eu e você. Lucky e garotão. Pra sempre, lembra?
Fechei meus olhos e as lágrimas escorreram solitárias. Sorri e ele beijou minhas lágrimas – Pra sempre. Eu e você.
– Figh hard. Love harder.
Seu sussurro me arrepiou e o abracei apertado. Justin me tomou nos braços e nossos corações bateram como um só.
Nossa festa de casamento acontecia ao nosso redor, mas não importava. Só havia nós dois contra o mundo. Justin Bieber e agora, Mackenzie Bieber.
Eu não poderia ter imaginado uma festa melhor. Tudo, definitivamente tudo, estava perfeito. E eu não digo sobre a decoração ou a comida. Eram as pessoas, o clima. A felicidade que preenchia cada metro quadrado daquela sala. Era como se todos tivessem encontrado seu final feliz ali.
Brian e Mandy definitivamente estavam tendo algo. Eles se beijavam quando achavam que ninguém estava vendo. Penn, Taylor e a pequena Lily eram a família perfeita e eu não poderia desejar nada além de felicidade pra eles. Pete e Zoey estavam apenas começando a vida, mas já nutriam um amor lindo um pelo outro. Os Biebers pareciam estar tomando jeito também. Jason e Lexi estiveram muito grudados nos últimos dias e eu ficaria feliz se eles ficassem juntos. Zeff tinha arranjado uma namorada linda, assim como Gabe. Jaxon ainda era o cara de várias mulheres, mas ele estava satisfeito com isso. Hailey e Dylan finalmente tinham ficado noivos e eles eram perfeitos.
E Brooke... Ela estava com Scott e os dois estavam em meio a algo. Eu podia ver nos olhos dela que ela gostava dele. Por mais que Justin quisesse manter distância de sua família materna, ele tinha aceitado Scott. Ele não sabia do parentesco e era melhor que assim fosse.
Todos estavam felizes. Todos eram merecedores daquele final.
– É a hora de irmos.
Justin avisou e franzi o cenho – Pra onde?
– Nossa noite de núpcias, Lucky. Não vai me dizer que se esqueceu da melhor parte.
Ri e balancei a cabeça. Me levantei da mesa e ele entrelaçou nossas mãos.
Nos despedimos dos convidados que continuariam com a festa até que o noite acabasse. Eu queria ficar, mas eu sabia que Justin me guardava mais surpresas.
Ele me manteve ocupada por todo o caminho durante o trajeto. Seus lábios não se desgrudaram do meu em nenhum segundo. Ele estava prestes a rasgar meu vestido quando o motorista avisou que tínhamos chegado. Ele suspirou frustrado e me ajudou a descer. O vestido não era realmente cheio, mas era longo. Minha barriga de quatro meses começava a aparecer, mas nada muito evidente. Quando notei onde estamos, parei.
– Hey, qual o problema?
– Esse...
Ele sorriu e assentiu – Você não viu a melhor parte.
Justin me levou pra dentro da casa na praia e eu tinha tantos momentos bons naquele lugar que era impossível não chorar com as lembranças.
Ao entrar notei a nítida mudança de decoração, estava muito melhor. Justin nos levou através da sala ao invés de subir para o quarto. Passamos pela piscina e pela varanda. Antes de descemos as escadas para a praia ele parou.
– É melhor tirar os saltos.
– Mas...
Ele tinha tornado isso uma mania. Toda vez que eu o rebatia ele me beijava.
Ele tirou meus sapatos e os seus. Jogou o blazer e o colete no chão e ficou descalço.
Nós descemos para a praia e avistei a cabana iluminada por tochas sob a luz do luar.
– Bem vinda a nossa suíte nupcial.
Assim que vi tudo com detalhes, parei. Nenhuma suíte presidencial de algum hotel cinco estrelas poderia competir com aquilo. Ele tinha pensando em tudo.
Não esperei e nem disse nada. Eu não sabia o que dizer. Abracei Justin e lhe ofereci meus lábios.
Não era apenas o melhor dia da minha vida. Era a melhor vida que eu poderia esperar ter. E eu queria tudo.
Pra sempre.
•••
2 Meses Depois - NYC
Justin Bieber
– Lucky, vamos logo! Já estamos atrasados!
– Só um minuto! Eu preciso achar minha bolsa!
Olhei no relógio vendo que nós já estávamos atrasados. Alexia já tinha me enviado uma dezena de mensagens perguntando nosso paradeiro, eu não iria responder mais. Mack apareceu deslumbrante em um vestido solto que ia até metade das coxas, mas não era curto ou vulgar e sim elegante e sensual. Havia algo sobre sua barriga de seis meses que estava tornando-a linda em proporções fodidas. Ela carregava meu filho ali, eu não podia me sentir um babaca maior por conta disso.
O meu garoto estava crescendo dentro dela e eu não poderia explicar minha felicidade por isso. Teríamos um campeão, mas com certeza treinaríamos bastante para ter uma princesa também.
O cabelo dela estava solto, preso de um lado e com ondas do outro. Ela não gostava de maquiagem pesada, nem eu. Sua beleza natural precisava ser evidenciada. Fiquei sem fala por alguns minutos analisando aquela mulher. Eu era o filho da puta mais sortudo desse planeta.
– E então...
– Acho que você precisa correr antes que eu te jogue nesse sofá e te foda até um de nós não aguentar mais. – ela corou, mas mordeu o lábio apreciando a ideia. Merda, eu já estava ficando duro.
Ela riu e se aproximou puxando minha mão.
•
– Desde quando você se interessa tanto por arte? – ela questionou assim que o motorista abriu a porta e juntei nossas mãos saindo do carro. Tentei esconder o sorriso sacana e dei-lhe uma resposta qualquer, entreguei os convites na entrada e de cara avistei Lexi. Trocamos olhares e ela sorriu. Mack entrou e o lugar estava bem cheio. Eu não tinha ideia de que ela chamaria tantas pessoas.
– Uau, esse cara deve ser muito bom. Lotar a Gallerist não é fácil.
Seu comentário veio na hora certa. Ela olhou ao redor para os rostos famosos enchendo o ambiente e sua euforia estava me deixando ainda mais ansioso. – Ai, meu Deus. Justin é o Mark Kidman!
– Quem é esse? – perguntei enquanto ela apontava para o homem de cabelo azul sendo entrevistado perto de onde estávamos. – Um ícone da arte urbana. Ele pinta e fotógrafa as situações mais inusitadas, depois faz molduras com as fotos e os quadros. A arte dele é incrível!
Controle-se Bieber, ainda não era a hora. – Ei, quem você disse que era o artista mesmo? – ela questionou quando passamos para a área onde os quadros estavam sendo expostos. – Me diga você.
Parei à frente do maior quadro da exposição. Era um mosaico gigantesco de fotos pequenas tiradas de mim, que acabavam formando a imagem do meu rosto completo. Era incrível, definitivamente um dos meus favoritos de todas as obras de Mackenzie.
Quando seus olhos bateram na tela, ela congelou incrédula. – E... Esse quadro é meu.
Ela disse com o cenho franzido e entrei no jogo. – Seu?
Ela me soltou e se virou para as outras fotos – Isso... São as minhas obras, Justin! – ela disse incrédula e a segui. As pessoas que observavam sua arte a olharam um pouco confusos e não consegui mais esconder o sorriso.
– Como... Isso não faz sentido – ela balançou a cabeça confusa e então olhou pra mim – O que está acontecendo Justin?
– Seja bem vinda a sua exposição, Lucky.
A expressão de surpresa e horror em sua face me fez rir e ela corou em níveis adoráveis.
– Senhoras e senhores, a grande artista da exposição acaba de chegar. Uma salva de palmas para Mackenzie Manson.
Odiei a parte em que Lexi a apresentou com o nome de solteira, mas eu sabia que era importante pra Mack ter sua própria identidade e mérito no mercado de trabalho. Ela merecia aquilo e eu só tinha feito algumas ligações e planejado com Terry e Alexia a realização de mais um sonho dela. Mesmo que Mackenzie trabalhasse comigo agora, tive que lhe dar aquilo.
Todos olharam pra ela e bateram palmas gloriosas. Eu tinha a mulher mais incrível do mundo. Bati palmas com ela e as pessoas abriram caminho para que ela fosse até o palco. Ela olhou pra mim toda vermelha e cobriu o rosto com as mãos sorrindo. Mack fez seu caminho até o palco sob as palmas de todos que eram importantes no ramo. Ela tinha ganhado seu merecido reconhecimento e eu faria tudo que fosse possível pra lhe dar isso e muito mais.
Ela e Alexia se abraçaram e em seguida Terry também. Os dois deram passagem pra que ela tomasse o microfone e eu podia ver seus olhos brilhando.
– Eu não... Não sei o que dizer. Definitivamente eu não esperava por isso, mas... Tenho que agradecer a melhor amiga do mundo, Alexia eu não sei o que dizer. E Terry, muito obrigada por tudo, mas em primeiro lugar, quero agradecer a minha inspiração. Ao homem da minha vida. – ela olhou pra mim – Eu te amo e vou te matar depois por ter feito isso pelas minhas costas!
Todos riram e sorri safo. – Também te amo, meu amor!
Gritei e a sala irrompeu em risos e palmas.
•••
– Você tem certeza disso?
– Não. Mas sinto que é a hora.
Respirei fundo e balancei os braços. Zeff riu e bateu nos meus ombros – É a grande hora campeão.
Os bastidores estavam agitados. Era o retorno do implacável e eu não podia explicar tudo que se passava pela minha cabeça e corpo.
Respirei fundo e fitei minha figura no espelho. – É a hora!
Gabe me avisou e assenti.
Enquanto eu fazia meu caminho pelo corredor até o octógono, pensei em toda a minha vida até aquele momento. Foi um flashback de segundos que me deu uma visão de tudo e parei.
Passou como um flash. Num segundo eu tinha entrado no ringue e no outro o juiz erguia minha mão declarando minha a vitória.
– LUCKY ONE! LUCKY ONE!
As pessoas gritavam. Havia milhares de pessoas por todos os lados, gritos euforia, mas fixei meu olhar lá na frente. Em duas pessoas gritando e pulando pela minha vitória.
A minha Lucky e o meu maior prêmio: Lucas Jonathan Bieber.
Quando você atinge um determinado ponto na sua vida vai haver pessoas lá fora esperando pra te ver cair, mas ao invés de deixar a gravidade te levar pra baixo, você tem que pegar os problemas em suas próprias mãos e... Lutar.
Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes já tinha escutado as mesmas quatro palavras nas últimas quarenta e oito horas.
Era o que todo mundo me dizia desde o instante em que Zeff anunciou o que rapidamente se tornou a maior avalanche da minha vida.
Repetindo a ação que meu corpo já tinha decorado pra responder tal frase, sorri e assenti.
Ele ficaria bem.
Ele tinha que ficar.
Quando Ryan passou por mim, acompanhada de Samantha, tentei não vomitar com a presença de mais um membro daquela maldita família.
Fitei o amor da minha vida mais uma vez e engoli o choro. Eu não tinha mais lágrimas. Elas tinham se esgotado e eu estava fraca demais pra produzi-las.
Fechei os olhos e respirei fundo voltando pro começo de tudo.
• flashback on •
– Wreck está morto.
Levou algum tempo até que o meu cérebro tivesse processado aquela sentença.
– O quê?
Brian, como sempre, foi o primeiro a expressar sua descrença. Ele se levantou da cadeira num pulo e fitou Zeff assustado. Meus olhos voaram instantaneamente para Justin e ele congelou. Seu rosto estava pálido, seu olhar fixo, mas ao mesmo tempo tão perdido. Foi como se jogassem um balde de água fria sobre sua cabeça.
– Acabamos de receber a notícia. Ele morreu essa madrugada.
Eu podia sentir tudo voltando... Por um segundo o ar parou de entrar nos meus pulmões e o desespero começou a tomar conta do meu corpo. A imagem de Justin sendo levado pelos policias no júri, a dor do afastamento, ele me mandando embora... Tudo isso voltou com força e eu não conseguia mais respirar – Mack?
Penn me chamou e sai do meu transe. Tentei respirar fundo e fechei os olhos deixando a primeira lágrima cair. Concentrei meus pensamentos em inspirar e expirar profundamente tentando recuperar o compasso. Eu não podia ter uma crise agora.
– Mackenzie-
– Estou bem. – disse ríspida e ela me fitou surpresa. Lex e ela se olharam e me levantei, me aproximando de Justin. Mas ele recuou um passo.
– Onde está o Gabe?
Todos na mesa tinham se silenciado. Era difícil de processar.
– Ele está lidando com a imprensa. Você não pode ficar aqui. Não pode se expor até que as coisas sejam explicadas.
Justin não olhava pra ninguém. De repente ele parecia intocável. Distante como nunca. Ele não esperou e se afastou de todos, saindo do restaurante. Zeff e Brooke se entreolharam sem saber o que fazer. Não esperei e fui atrás dele.
Justin não iria me afastar de sua vida novamente. Nunca mais. O elevador estava quase se fechando quando me aproximei, corri e adentrei com ele. As lágrimas estavam ali, presas na minha garganta, mas eu não ousaria deixar nenhuma cair.
– Você não vai me afastar de você!
Alertei-o, mas ele não disse nada. Justin passou as mãos pelo cabelo e deixou a cabeça cair contra o espelho que revestia as paredes.
– Eu matei aquele homem.
O medo em sua face era nítido. Ele parecia em pânico. Pela primeira vez, vi Justin atordoado de medo.
Eu sentia suas paredes sendo erguidas entre nós, mas eu não permitiria isso. Sem aviso prévio ou qualquer coisa, abracei seu corpo com força lhe dando conforto.
Ele não retribuiu e isso só me fez aumentar a força imposta pelos meus braços ao seu redor. Meus saltos me deixavam a sua altura e puxei seu rosto para o meu pescoço. – Estou com você, garotão. – ele tremeu e então me abraçou de volta enquanto o elevador subia.
Justin respirou no meu pescoço, como se precisasse do meu cheiro. Naquele momento foi como se ele fosse uma criança perdida e eu estava disposta a ser seu caminho de volta pra casa.
Assim que o elevador chegou, descemos. Não o soltei em nenhum momento. Quando chegamos ao quarto, Gabe e mais duas pessoas estavam do seu lado. Uma mulher de aparentemente trinta anos ou menos, e um homem mais novo. Eles me eram familiares.
– Onde está Zeff?
Justin não respondeu, eu o fiz: – Ele já deve estar vindo.
Gabe me olhou sério e se virou pra mulher que os acompanhava –
Gabe explicou toda a situação. Tudo estava nas mãos da coordenadoria técnica. Eles avaliariam a luta e a morte de Wreck. As consequências podiam ser trágicas. Eu não queria pensar no pior, mas toda vez que eu fechava os olhos a imagem de Justin sendo preso voltava a minha mente e eu não suportaria perdê-lo assim novamente.
Durante toda a tarde ele, Gabe, Zeff e seus assessores ficaram presos dentro do escritório. Minha presença não era bem vinda. Penn, Lexi e Hailey tentaram me acalmar e ficar comigo, mas eu queria ficar sozinha. As horas passaram vagamente dentro daquele quarto, eu já tinha perdido a conta de quantas vezes já tinha cruzado a sala, ido e voltado do quarto, etc. Não me permiti assistir aos noticiários, eu sabia que eles estariam falando de Justin, e eu não queria ouvir.
Quando Brooke apareceu, eu senti que a coisa ficaria pior. Ela estava com a feição perfeita de quem vai noticiar coisas ruins.
– Precisamos conversar.
– Diga.
Ela rolou os olhos e cruzou os braços – Quer mesmo que tenhamos essa conversa aqui?
Ela disse olhando para as portas duplas que davam ao escritório onde eles estavam há horas.
– Não estou com paciência pros seus jogos, Brooke. Então por favor, não me tira do sério.
– É sobre ela.
Só poderia ser uma pessoa. Sem mais reclamações, segui Brooklyn até seu quarto no mesmo andar. Quando ela fechou a porta, respirei fundo, tomando o milésimo sopro de coragem daquele dia.
– Vamos nos encontrar com ela amanhã a tarde.
– Amanhã é a luta do...
Parei de falar no momento em que me dei conta de que talvez Justin não lutasse mais na noite seguinte. Talvez ele não lutasse nunca mais.
– Ele vai ficar bem.
– Eu sei. Mas estou preocupada em como ele estáagora.
Ela não esperava essa resposta. Brooke engoliu o seco e não disse mais nada. Seus olhos diziam muito sozinhos.
•
Não vi Justin pelo restante da noite. Quando voltei para o quarto, ele já tinha saído para a reunião com a coordenadoria técnica. Meu coração palpitava sem parar. Liguei a televisão à espera de qualquer notícia, mas desisti. Alguém bateu na porta e corri para atender. Era Brian.
– Hey. Eu costumava ser sua pessoa preferida no mundo.
Ele tentou fazer graça, mas sorri fraco. Dei passagem para ele entrar e fechei a porta.
– Eles ainda estão na reunião?
Balancei a cabeça em sinal positivo e ele suspirou. Brian se aproximou e sem aviso algum, me abraçou apertado. Ele sabia o que me fazia bem. Rodeei meus braços ao redor do meu grandalhão e afundei meu rosto em seu peito, desejando chorar o necessário, mas eu não conseguia.
– Estou com medo, Bry.
Ele fez carinho no meu cabelo e me apertou mais. – Eu sei, linda. Mas eu prometo que vai ficar tudo bem.
Brian ficou comigo até eu adormecer. Acordei de repente no sofá da suíte. Fitei o relógio vendo que ainda eram 23h07min. Eles ainda não tinham voltado. Isso me preocupava.
Decidi tomar um banho. Enchi a banheira e entrei nela apreciando o calor contra meus músculos. Suspirei e fechei os olhos tentando esquecer os problemas e só pensar em Justin e eu.
Não sei por quanto tempo fiquei ali de olhos fechados, mas quando senti que estava sendo observada, os abri e vi Justin recostado a parede, sorrindo pra mim. Sorri de volta e ele se aproximou.
– Está aí há quanto tempo?
– Não sei. Mas nunca é tempo demais. Te ver assim me faz bem... Me faz perceber que ainda tenho o porquê lutar.
Seu tom de voz partiu meu coração. Ele sorriu tão tristemente que se eu pudesse o guardaria dentro de mim para lhe proteger de tudo.
– Posso me juntar a você?
Sorri e assenti. Justin se despiu e observei cada peça ir embora atentamente. Seus olhos estavam fixos nos meus, ele se aproximou e me desencostei para que ele ficasse atrás de mim. Quando ele encontrou uma posição confortável para ambos, me recostei nele e respiramos fundo juntos.
– Como estão as coisas?
– Complicadas. A coordenadoria técnica diz que foi uma luta limpa e alegou minha inocência.
Suspirei, sorrindo e sentindo meu mundo voltar a girar normalmente. Ele não era culpado. Ele não seria punido por isso. Meu Deus, ele não iria a lugar nenhum.
– Mas...
Ele me olhou cheio de tristeza e fiquei com o coração na mão novamente.
– Mas o que?
– Durante a luta parte de mim queria isso. Parte de mim queira matá-lo e talvez... Eu usei toda minha força em cada golpe, Mack. Eles dizem que sou inocente, mas não consigo deixar de me sentir culpado.
– Por quê? Você não pretendia matar aquele homem, Justin. Meu amor, você é inocente.
Ele entrelaçou nossas mãos por debaixo d'Água e beijou minha nuca.
– Ele me disse uma coisa antes da luta e talvez, eu não sei, talvez isso tenha tirado minha sanidade. Perdi o controle várias vezes durante a luta. Eu pretendia feri-lo porque ele disse que tinha tocado em você.
Dei um pulo, me desencostando dele e olhando diretamente em seus olhos – Ele disse o que?
Justin fechou os olhos e os reabriu depois de uma respiração profunda.
– Ele deu a entender que tinha feito coisas com você. Ele estava com seu colar e... Não sei, porra. Só de imaginar fiquei fora de mim.
Aquilo mudava totalmente a minha percepção das coisas. Justin tinha sido atiçado, eles jogaram sujopara tirá-lo do controle. Infelizmente, as coisas tinham saído do eixo e as consequências foram extremas.
– Oh, Deus, Justin. Isso não... Eu nunca... Não sei como ele pegou meu colar e...
Eu não sabia o que dizer. Estava chocada demais com suas revelações.
– Eu sei. Confio em você. Mas na hora... – Justin tocou meu rosto com o dedo molhado e fitou meus olhos com adoração – Não consigo lidar com a hipótese de te perder, ou de alguém te ferir. Esse é o meu ponto fraco e não há nada que possa ser feito contra isso.
Sorri fraco, em resposta ao seu carinho, mas meu coração estava em pedaços. Ao mesmo tempo em que salvávamos um ao outro, também éramos nossas próprias ruínas.
– Não fica assim. – ele me puxou novamente pros seus braços. Um pouco de água caiu pra fora da banheira com a movimentação, mas não importava.
– Desculpa. Eu que deveria estar te consolando. – disse, abraçando seu corpo da forma que podia.
Ele riu baixo contra minha orelha e beijou meu pescoço – Eu te amo.
– Eu te amo.
•
Naquela noite, quando nos deitamos na cama eu sabia que havia algo errado. Por mais que as coisas estivessem se "resolvendo" e Justin fosse inocente, ele não se sentia de tal forma.
Acordei no meio da madrugada sentindo seu corpo tremer abaixo do meu. Abri os olhos e mesmo com a escuridão, notei que seu corpo estava suado. Não estava calor, Justin estava sem camisa e tremia suando frio. Seu rosto se contorceu dolorosamente e ele gemeu sôfrego.
– Justin.
O chamei me sentando na cama. Ele não respondeu. Seu corpo se encolheu na cama e ele tremeu, murmurando coisas e balançando a cabeça. Toquei seu corpo e ele estava quente.
– Justin, acorda!
De repente um soluço alto cortou o silêncio da noite e ele parou de se debater para chorar. Poderia ter sido um pesadelo que desencadeou tal situação, mas agora era a realidade.
– Garotão.
O chamei novamente sentindo as lágrimas nos meus olhos. Ele não acordou, se virou de costas pra mim e agarrou um travesseiro chorando em meio ao sono. Me deitei atrás dele novamente e o abracei com força, chorando junto.
Naquele momento por mais que tudo desse errado, eu estaria ali.
– Vai ficar tudo bem. Eu prometo – disse em meio ao choro pra ele.
Eu queria que ele soubesse que sempre poderia contar comigo. Nos melhores momentos para darmos risadas juntos. Nos piores momentos para que chorássemos um no ombro do outro. Eu sempre estaria ali, bem ali do lado dele, pra qualquer hora, momento, ou lugar.
Não voltamos a dormir. Mas fui logo depois dele.
Pela manhã ele estava melhor tenho certeza em qual momento, ou fingia estar. Eu sabia que seu sorriso era só uma mascara para esconder o fato da noite passada. Eu sentia que ele tinha consciência do nosso choro pela madrugada. Mas fugir disso era a melhor opção. Pelo menos pra ele.
Zeff apareceu cedo para treiná-lo. Tomamos café no quarto, Justin fez seus aquecimentos ali e tudo que fosse possível. Uma academia foi fechada para que ele pudesse ir treinar. A imprensa o perseguia, mas ele não queria falar a respeito. Não até que chegasse a hora. Ele teria uma coletiva pela tarde.
Brooke tinha me enviado uma mensagem avisando o horário em que encontraríamos Patrícia. Eu queria que ela fosse apenas mais um detalhe nessa mera confusão, mas não era. Ela era o maior problema.
– Você não precisa fingir estar bem perto de mim. Eu te amo de qualquer jeito. Quero que você seja sincero consigo mesmo. Sei que você está triste, meu amor. E ainda estou pensando no que eu posso fazer pra trazer aquele sorriso de volta pro seu rosto. Apenas, não finja pra mim, ok?
Esclareci assim que ele saiu do chuveiro e me lançou um sorriso forçado. Justin parou no meio do seu caminhar e suspirou.
– Sinto muito.
Virei-me pra ele e passei as mãos pelo seu rosto. – Eu sei que você sente. Eu também sinto muito por tudo isso, mas as coisas estão caminhando bem. Você só precisa ter fé.
Sorri e escorreguei minha mão do seu rosto até o meio de seu peito, tocando a Cruz.
Ele sorriu fraco e me puxou pra um abraço, me dando um beijo lento e demorado. Nós dois estavam precisando daquilo.
•
– Eu disse que nos encontraríamos num restaurante afastado do hotel.
Meu nervosismo era transmitido pelo suor em minhas mãos. Se eu dissesse que não sentia medo, estaria mentindo. Eu tinha medo do que encontraria quando olhasse para a mulher que estava prestes a destruir a vida do homem que eu amava. Brooke estava comigo, ela também estava pensativa.
Quando Kaden estacionou o carro, a coisa toda ficou mais real. Descemos e Brooke avisou Kaden para esperar do lado de fora.
– Você está pronta?
Fitei a porta giratória que dava acesso ao lugar e balancei a cabeça – Não. Mas não há mais volta. Temos que fazer isso.
Brooke não era mais tão ruim. Nos não éramos amigas agora, apenas "cúmplices" no melhor sentido da palavra. O restaurante estava praticamente vazio, então não foi difícil encontrá-la.
Patrícia estava sentada numa mesa ao fundo, quase como se quisesse se esconder. Brooke e eu nos entreolhamos e ambas assentimos, caminhando até ela. Quando Patrícia levantou o olhar e nos encontrou, ela congelou. Pude sentir de longe o seu medo.
Ela era jovem e elegante. Cabelos escuros, pele e olhos claros... Ela não se parecia com Justin. Tinha um traço ou dois de semelhança, mas nada muito nítido.
Quando nos sentamos à sua frente, acordei para a realidade ao meu redor. Estava acontecendo.
– Você disse que viria sozinha.
Ela repreendeu Brooklin.
– Eu digo muitas coisas. – ela riu debochada. – Você devia me agradecer por ter trazido Mackenzie e não o Justin.
A mulher ficou séria e fria. Seus olhos caíram sob mim em julgamento. Por um segundo, ela ficou assustada.
– Quem é você?
Ela me olhava da mesma forma que Jeremy tinha me olhado da primeira vez. – Mackenzie Manson. Sou namorada dele.
Ela levou a mão à boca e seus olhos brilharam em incredulidade. –Manson?
Engoli o seco e Brooke me fitou confusa.
– Ele...
Ela se perdeu em seus pensamentos e divagou.
– O que há de errado?
– Deve ser mesmo um karma dos Bieber se envolver com as Manson.
Engoli o seco, encolhendo os ombros.
– Não me surpreende que ele tenha escolhido ela. – ela fitou Brooke e naquele segundo me perguntei o que é que Brooke tinha dito a ela – É uma maldição que eles carregam. Você é igualzinha sua mãe. – ela sorriu sem humor algum – Mesmos olhos, cabelo... É a cópia de Tessa.
– Como você conhece a mãe dela?
Brooke questionou tentando se situar na conversa.
– Tessa Manson foi a razão da destruição do meu casamento. Jeremy me traiu com ela até que eu descobrisse... Ele me deixou com Jaxon e Jason e foi viver um romance ridículo.
Suas palavras me feriam. A imagem que ela pintava da minha mãe não era a real, mas deixei que ela continuasse sua história. – Minha mãe não sabia que ele era casado. Ela não teve culpa alguma. E nãoestamos aqui pra falar da minha mãe. Estamos aqui pra ouvir suas explicações.
Patrícia não esperava que eu fosse tão rude, nem Brooke, nem eu. Só me dei conta da objetividade das minhas palavras quando os olhos da mulher a minha frente ficaram escuros de raiva.
– Mesma pretensão da mãe...
– Pare de falar da minha mãe!
Ela rolou os olhos e fitou a xícara a sua frente.
– Por que você fingiu que estava morta? Por que abandonou sua família? Deus, você não tem juízo?
Foi à vez de Brooke atacar. Patrícia não disse nada por alguns segundos, Brooke e eu não fitamos confusas.
– Estive doente de verdade. Meu tumor foi real. Eu não era uma mulher feliz, morrer era algo que cairia bem pra mim na época. Jeremy só estava comigo por pena, minha saúde estava péssima. Entrei numa depressão grave e... Não importa. Quando conheci Fred. – ela sorriu e fitou a aliança – Ele me fez sentir viva novamente. Ele me salvou.
– Jeremy disse que você morreu por um erro médico. Justin dedicou sua vida inteira a encontrar esse médico para fazê-lo pagar pela morte de uma mãe que ele perdeu. Você tem noção do que fez?
– Forjamos alguns documentos. Eu passava mais tempo no hospital do que na minha própria casa. Convivia mais com Fred do que com Jeremy. Nós acabamos nos envolvendo. – ela deu de ombros.
Seu descaso estava me enraivecendo. Ela atribuía à paixão a causa de uma vida inteira de mentiras. Uma mulher larga sua vida, seus filhos e tudo que tinha por causa de um amor. Pelo amor de Deus!
– Você está brincando? – ela me olhou ofendida – Que tipo de mulher faz isso?
– O tipo de mulher sem esperanças, infeliz consigo mesma.
Balancei a cabeça e soltei um riso de escárnio. – Não vou sentir pena de uma mulher como você. Além de mentirosa e louca, você também é uma criminosa.
– Como pôde fazer isso com a sua família? Você não pensou na dor que eles sentiriam? Você não pensou nos seus filhos pequenos e em como eles seriam criados? Você não pensou nem nada disso, porra?
Brooke já tinha perdido a paciência.
– Jeremy não pensou em mim ou não meus filhos quando resolveu viver um amor de verão. Fiquei em casa sozinha, criando meus filhos enquanto ele e a mãe dela estavam se divertindo por aí. Nesse jogo, só devolvi o que Jeremy tinha me dado. Além só mais, ele sempre foi um pai maravilhoso. Eu sabia que ele se sairia bem. Sobre a dor... – ela suspirou – Eu também sofri com isso, mas como pode ver todos sobreviveram no final.
– Ah, você sofreu? – ri cheia de incredulidade – Que merda você sofreu?
– Se vocês continuarem assim comigo, vou embora.
– E eu vou pra policia. Não sei se você sabe, mas o que você é Frederich fizeram é um crime.
– Não há mais provas. Fizemos tudo da forma certa. Eu tinha 50% de chances de sobreviver àquela cirurgia, mas ninguém acreditava que eu suportaria. Morrer foi mais fácil do que ter de voltar pra vida que eu tinha.
Aquela mulher me enojava cada vez mais. Uma náusea forte me atingiu é respirei fundo. – Fred e eu tínhamos feito um acordo, se eu sobrevivesse, nós iríamos embora para criar uma vida juntos. Assim foi feito. O resto foi fácil. Ninguém abriu meu caixão durante o velório porque ele indicou que não era recomendável. Dentro daquela caixa de madeira só havia minha vida passada. Acompanhei tudo – nesse momento seu olhar se perdeu – Meu velório, o enterro... Jeremy e os garotos... Foi difícil, mas a vida é feita de escolhas. Eu aceitei as minhas. – ela fitou Brooke e eu – E não me arrependo.
Aquilo foi o ápice. Parte de mim queria escutar um discurso de arrependimento, eu precisava disso para poder contar a Justin. Mas aquela mulher a minha frente não se passava de uma vadia inconsequente. Uma mulher sem escrúpulos ou um pingo de decência.
– Não aguento mais. Não consigo mais escutar uma palavra sequer da boca dessa mulher, Brooke.
Levantei-me, pegando minha bolsa e respirandofundo. Eu sentia minha pressão arterial caindo e tudo começando a embaçar ao redor. Apoiei-me na cadeira e Brooke se levantou, preocupada.
– Vocês me julgam, mas eu sei que fariam a mesma coisa por ele. Vocês o amam.
Escutei ela falar, mas foi só uma voz distante. – Você está bem?
Brooke questionou, fechei os olhos e respeitei fundo. – Vamos embora. – disse e ela me ajudou a sair dali.
•
Justin Bieber
– Onde está a Mack?
– Ela já deve estar chegando. Kaden levou Brooke e ela a algum lugar. Preciso de você 100% nessa luta, campeão – Zeff dizia enquanto enfaixava minhas mãos.
Assenti ainda perdido nos meus pensamentos. Eu sabia que era capaz, mas sentia medo. Eu não queria matar outra pessoa, eu não sabia se conseguiria agir.
Mackenzie não estava aqui, novamente. Eu precisava dela, minha força estava dentro dos seus olhos e eu precisava beijá-la antes de entrar naquele lugar e encarar a multidão que atormentava os meus sonhos.
Nunca antes eu tinha me sentindo de tal forma, tão apreensivo em relação a mim mesmo. Meu coração batia com força dentro do peito. Era como se eu pudesse ouvir os batimentos. Respirei fundo e terminei o preparo que antecedia a luta. O sorteio seria feito e ela ainda não tinha aparecido. Minhas mãos suavam e pela primeira vez não era de ansiedade, era de nervosismo e medo.
– Cheguei!
Seu grito cortou o falatório das outras pessoas e me virei, vendo Mackenzie atravessar a sala até mim. Sorri, voltando a respirar com calma. Ela pulou nos meus braços e me apertou, beijando meu rosto – Desculpa o atraso.
Sorri, segurando suas pernas ao meu redor. – Eu te amo.
– Não tanto quanto eu. – ela segurou meu rosto e me beijou.
– Bieber, é a sua vez.
Alguém gritou me avisando e assenti em meio ao beijo.
– Vai lá e acaba com aquele babaca pra gente comemorar depois.
Sorri e assenti. Ela desceu dos meus braços, mas lhe dei um último beijo antes de fazer o caminho até a arena lotada.
Meu adversário era um lutador recém-chegado a categoria média. Eu não o conhecia, mas sabia que ele não seria um cara difícil de derrotar. Scott Woods. Era o cara que tinha me encarado dias antes quando estive com Ryan. Ele era novo, mas habilidoso.
Quando o sino soou, parte de mim avançou para o conflito, a outra parte entrou em choque com o medo de repetir o que tinha acontecido da última vez. Meus golpes não eram desferidos com a força necessária para ferir. Eu mais me defendi do que ataquei. Toda vez que eu fechava os olhos, eu via o sangue de Wreck em minhas mãos e os gritos eufóricos ao meu favor se transformavam em vaias.
Balancei a cabeça saindo do devaneio e voltando pra luta. Scott me deu um soco, mas me defendi e lhe devolvi o golpe por puro reflexo.
Ele conseguiu se defender e socou meu estômago duas vezes. Cambaleei, mas não cai. A pontada de dor enviou mais fúria para as minhas células e a avencei. Meus golpes agora não eram mais precisos, eles eram lançados com raiva e força. Quando ele caiu ao chão novamente montei-o,lancei meu punho para trás pronto para lhe dar um soco, mas congelei. Não consegui fazer nada. De repente era Wreck ali, e eu estava tirando sua vida novamente.
Meu choque deu a oportunidade perfeita para Scott me atingir.
– Ataque-o, Justin! Vamos lá, meu amor!
O grito de Mack chamou minha atenção e levantei o olhar encontrando-a entre gritos de incentivo perto dos meus amigos. Pisquei e então ela estava furiosa comigo.
– Assassino!
De repente todos estavam gritando isso contra mim. Scott tinha sumido. Agora só havia sangue por todo lado. As luzes se apagaram me deixando na escuridão com as vozes me atordoando.
Não era real. Não era real.
Fechei os olhos e balancei a cabeça, quando menos me dei conta eu tinha sido atingido e cambaleava para trás. A dor foi intensa. Abri os olhos contra a grade e encontro o rosto dela.
Era só um pesadelo. Um pesadelo. Eu precisa acordar. Abri e fechei os olhos, mas ela continuavalá. Balancei a cabeça tentando me recuperar. Só poderia ser um devaneio, aquele segundo de distração foi o suficiente para que Scott conseguisse se sobressair. Virei-me pra frente de Scott e ergui com os punhos posicionados sentindo meu coração bater mais rápido. Meu adversário estava em pé na minha frente, mas a única coisa que eu conseguia ver era a mulher dos olhos azuis e cabelos escuros. Eu poderia ser pequeno, mas havia fotos por todos os cantos da minha casa. Eu tinha gravado sua imagem durante anos e agora ela estava ali.
Só percebi que tinha sido atingido quando meu corpo bateu duramente contra o chão. Não tive reflexo nem pra me manter de pé. Meu corpo estava bloqueado, meus olhos estavam vidrados naquela mulher e o pavor que pintava suas íris. Ela sabia. Não sei exatamente o que estava a deixando assustada, talvez fosse a minha queda, ou somente eu.
Meu maxilar foi atingido duas vezes e não consegui reagir. Meu rosto estava virado, meu corpo caído ao chão e nem os golpes de Scott conseguiam me acordar. Nem a dor e o impacto massacrante dos punhos dele contra minha pele conseguiram me tirar daquele pesadelo.
Senti meus sistemas desligando de alguma forma. Foi como se meu cérebro tivesse desacelerado, meus pulmões se esforçaram para oxigenar cada parte machucada minha. Nico me deu um soco se aproveitando da minha distração. Não consegui evitar, revidar ou me proteger.
Simplesmente apaguei com a imagem da minha mãe diante dos meus olhos.
Mackenzie
A dor de ver Justin caído no meio do octógono foi massacrante. Gritei seu nome diversas vezes, mas ele parecia estar em outro mundo. Quando seus olhos se fecharam senti um aperto tão grande, que era como se meu coração fosse esmagado pelos punhos do outro lutador.
– JUSTIN! - meu grito ecoou pelo ginásio que estava incrédulo, tentando digerir o que tinha acabado de acontecer. Ninguém acreditava. Brian e todos que estavam na primeira fila congelaram. Todo mundo estava no mesmo estado de choque e incredulidade. Bruce, o locutor, disse algo expressando sua descrença.
Corri até Zeff que estava gritando com o juiz para tirar o brutamonte de cima dele. O juiz o fez e então Zeff, acompanhando de uma equipe médica, entrou no ringue. O rosto dele estava ensanguentado por conta dos ferimentos. Meu ar sumiu. Foi como se o chão tivesse desmanchado sob os meus pés me deixando em queda livre.
– JUSTIN!
Fui impedida de prosseguir por um homem enorme.
– Sinto muito, senhora. Mas só a equipe pode entrar.
– Ele é meu namorado! – gritei desesperada tentando derrubar o segurança gigante.
– Ela tem permissão.
Kaden surgiu de algum lugar e trocou olhares com o segurança que tentava me deter, ele me soltou e corri pra dentro do octógono onde Justin estava sendo colocado em uma maca. Ajoelhei-me no chão ao lado dele e segurei seu rosto – Meu amor, pelo amor de Deus, abre os olhos. Abre os olhos e olha pra mim, Justin! Olha pra mim! – gritei balançando o rosto dele no meu colo. Ele não respondia. Não se mexia ou acordava. Era como um corpo sem vida.
– Senhora, você precisa sair. Temos que levá-lo.
Balancei a cabeça negando. Eu não sairia de perto dele em hipótese alguma. Só notei que chorava quando minhas lágrimas começaram a cair em seu rosto se misturando com o sangue. Tentei engolir o choro, mas era demais. Zeff dizia coisas sobre Justin enquanto eles o tomavam na maca, Gabe tinha surgido altamente transtornado e chocado. A maca foi erguida e retiram Justin dali. Não tive forças pra me levantar, alguém o fez por mim. Quando me dei conta era Brian.
– Vamos.
Brian me arrastou ao longo do corredor de saída até os bastidores e o pronto médico. Passei a mão pelo rosto enxugando as lágrimas e fiquei ao lado dele quando começaram a fazer os procedimentos. Meu coração falhava toda vez que os médicos diziam ou faziam algo.
Os minutos passavam e eu não conseguia deter o desespero que se apossava do meu corpo. Penn e Lexi tentaram me acalmar e uma enfermeira me deu um calmante, mas eu não queria me acalmar. Eu queria que ele acordasse.
Quando Zeff apareceu no corredor do pronto socorro da arena, me levantei de prontidão. – Onde ele está?
– Ele está bem. Acordou, mas quer ficar sozinho.
– Preciso vê-lo.
Zeff me segurou pelos ombros e negou. – Justin precisa lidar com isso, Mack. Ele está bem. Vocês podem conversar quando ele subir para o quarto.
Balancei a cabeça e suspirei, me rendendo.
Era um pesadelo. O maior deles. Eu precisava ser forte. Forte como a garota que conseguiu atravessar a perda dos pais ainda criança, forte como a mulher que tinha aprendido a viver sozinha. Eu precisava ser forte por mim e por ele.
• momento atual •
– Trouxe um café pra você. – Taylor disse, e balancei a cabeça saindo do flashback na minha cabeça. Ele segurava uma embalagem de papel com um cookie e um copo de isopor com café. Sorri agradecida, mas eu não tinha estomago para comer.
– Obrigada, mas estou sem fome.
– Eu sei que está. Mas já faz horas que você está aqui. Você pode ir pro hotel descansar, eu fico com ele.
– Não vou descansar até que ele abra os olhos e eu possa pedir desculpas.
Tay suspirou e balançou a cabeça.
– A culpa disso tudo não é sua.
– Ele estava triste. Eu deveria estar lá.
Taylor me olhou mais uma vez com pena, ele tentava me convencer do contrário, mas eu sabia que tinha minhas parcelas de culpa no que tinha acontecido.
– Ele sabe o que faz, Mack. Sempre soube, Justin só está... Com medo. Ele nunca foi tão pressionado como está sendo agora. Ele só queria achar uma saída.
Passei a mão pelo rosto, respirando fundo e olhando pra ele. – Eu prometi que tudo ficaria bem. Eu disse a ele que estaria sempre lá... Mas dessa vez eu não estava.
– Não faça isso consigo mesma. Não se torture assim. Eu também estou triste. Porra, ele é meu irmão. Justin é a minha família, se eu o perder... – ele balançou a cabeça, excluindo tal hipótese e vi seus olhos vermelhos em lágrimas não derramadas – Nós vamos estar aqui pra ele sempre. Ele sabe disso e quando acordar... Quando aquele filho da puta levantar dessa cama, vou ser o primeiro a chutar a merda pra fora dele pra que ele aprenda a nunca mais nos dar um susto desses. Mas nós temos que ficar bem, pra poder ajudar ele a fica bem, entende?
Não disse mais nada. Quando a primeira lagrima escapou dos olhos de Taylor, abracei seu corpo com força. Os outros estavam maus com a situação, mas eu e ele... Justin era mais do que tudo para nós dois. Era irmão e amor.
Eu pensei que a pior parte tinha sido ver Justin caído num tatame. Mas aquilo tinhas sido apenas o começo.
• flashback on •
De uma hora pra outra Justin tinha se tornado o assunto do país. Ele tinha sido nocauteado. A atenção de toda a imprensa tinha sido voltada para Justin. Eu odiei a coisa toda. Eu não sabia o que dizer. Na hora da saída de Justin do quarto, ele se recusou a me receber. Ele saiu escoltado por uma série de seguranças que o levou até o quarto. As pessoas no hotel queriam saber de tudo, fotos... Eu me sentia cada vez mais distante. As barreiras estavam sendo erguidas. Zeff e Kaden tentaram me convencer de lhe dar um tempo, mas eu não o faria.
Abri a porta do quarto, sem bater. Para minha sorte estava destrancada, quando entrei no quarto Justin se virou automaticamente de costas para mim, assustado. Sua face estava machucada. Havia curativos aqui e ali, mas isso não foi a pior parte. Foi ver seus olhos cheios de raiva que me matou, ele segurava uma garrafa de uísque nas mãos.
Não dissemos nada um pro outro. Mas ele deixou sua expressão demonstrar o quão raivoso ele estava.
– O que você está fazendo aqui?
Caminhei até ele e tirei a garrafa de suas mãos.
– Cuidando de você.
Deixei a garrafa na mesa de centro e me virei pra ele. – Eu já disse e vou repetir, você não vai me afastar de novo. Então se vai começar a agir como um idiota, sugiro que se esforce bastante.
– Me deixa sozinho.
Justin me deu suas costas e caminhou para o pequeno bar. – Não. Você não está sozinho nisso.
– Quer me ajudar? Me deixa beber. Me faz esquecer toda a porra da minha vida por um segundo.
Engoli o seco e o choro. Eu tinha que ignorar sua pose durona. Ele estava ferido, não só fisicamente.
– Olha pra mim. Você não vai beber até cair. Você é melhor do que isso.
Ele sorriu maldoso e se virou gritando – Eu sou? O que diabos eu sou? Eu sou a porra de um assassino. Sou o filho da puta de um perdedor. O que você ainda quer comigo?
– Eu te amo, seu idiota. Quer gritar comigo? Vai em frente. Você não é um assassino, muito menos um perdedor!
Ele passou a mão pela cabeça e destampou a garrafa de uísque.
– Estou perdendo tudo. Perdi a luta, tô perdendo a porra da minha sanidade. Perdi tudo!
– Não! Você não está perdido. – rebati, ficando a sua frente e segurando seu rosto.
Justin deu vários goles direito da garrafa e passou a mão pelos olhos.
– O maior vencedor é aquele que sabe perder. Você perdeu a luta, está tudo bem. Você pode ganhar de novo.
– Eu não consegui... Eu vi... Tinha sangue e... – ele soluçou e me soltou dando um soco na parede atrás de mim.
Justin grunhiu e passou a mão pelo rosto, puxando o próprio cabelo. – Me deixa sozinho.
– Quanto mais você tentar me afastar, mais perto eu vou estar. Não vou deixar você nos destruir.
Ele me fitou cheio de medo e insegurança.
– Já estou destruído. O que você ainda quer de mim?
– Eu quero tudo. Quero você nos piores e nos melhores momentos. Então para com isso.
Os olhos de Justin se perderam na minha sinceridade e ele puxou meu corpo contra o seu como se quisesse nos fundir. Apertei-o como se ele fosse tudo. Ele era tudo.
– Eu fiquei com medo. Toda vez que eu tentava atacar, eu via Robert... Foi um pesadelo. E... Eu vi a minha mãe. Estou ficando louco, Mack.
Ele gaguejava tomado pelo nervosismo. Sua linguagem corporal nunca pareceu tão confusa e atordoante.
No momento em que ele citou a mãe, meu coração palpitou. Ele tinha a visto. Engoli o seco e controlei meu nervosismo. Aquela não era a melhor hora para despejar o balde de mentiras do seu passado sobre sua cabeça. Mas ao mesmo tempo ele achava que estava enlouquecendo e isso me quebrava por dentro.
– Está tudo bem. Está tudo bem, meu amor.
Ele não precisava lidar com isso agora, então eu não lhe diria.
– Me deixa sozinho.
Ele pediu novamente. Todas as minhas forças diziam que eu não deveria deixá-lo sozinho agora. Ele precisava de mim mesmo que não soubesse disso. Mas seu olhar me implorou e naquele momento eu tive que ceder.
Engoli o choro novamente e assenti, mas antes de sair, segurei seu rosto e depositei um beijo casto em seus lábios. – Eu te amo. Pra sempre.
Ele fechou os olhos e engoliu em seco. Me afastei e deixei-o no quarto.
•••
Quando saí do quarto, encontrei Taylor no corredor. – Como ele está?
– Devastado. Ele ainda se atormenta pela morte de Robert e disse que não conseguiu atacar porque toda vez via a face de Wreck ali. – expliquei e abracei meus ombros me sentindo péssima por tudo aquilo.
– Merda. Eu imaginei. – ele balançou a cabeça e suspirou – Penn voltou pra casa com Lily. Elas tinham uma consulta amanhã.
Assenti sem dizer nada. – Você sabe onde está o Brian?
– Ele estava lá embaixo com a Mandy.
– Ok. Justin quer içar sozinho, então se você estiver indo até lá... Acho melhor voltar.
Ele me fitou e balançou a cabeça confuso – Ele não pode ficar sozinho.
– Eu sei. Mas ele quer. Acho que ele precisa, pelo menos por agora.
Taylor estava num dilema entre ouvir as minhas palavras, ou seguir su instinto fraternal. Ele suspirou, mas me escutou.
Descemos para o lobby e me arrependi no mesmo segundo. As pessoas já tinham me identificado como namorado do Lucky One e isso foi terrível.
– Como ele está?
– O que você tem a dizer sobre a derrota do implacável?
Essas e milhares de outras perguntas foram jogadas sobre mim quando apareci no saguão. Não havia como evitar, a imprensa estava hospedada ali para o campeonato. Taylor tentou me proteger e naquele momento me praguejei por não estar com Kaden.
– Movam-se!
Taylor gritou para os repórteres e fotógrafos. Não eram muitos, por volta de dez, mas pareceu uma multidão. O flash incomodava minha visão e só me dei conta de que tinha sido resgatada quando abri os olhos e estava numa sala.
Brian tinha me puxado pelo braço até a sala de segurança. Os operadores nos olharam confusos e ele riu.
– Hey, pessoal. Podem voltar ao trabalho.
Eles se entreolharam, mas voltaram a trabalhar e nos ignoraram.
Respirei fundo e Brian de virou pra mim – De onde você surgiu?
Ele riu e me puxou pela cintura, como fazia quando estávamos juntos – Acho que tenho algum tipo de sensor. Sempre sei quando você está em apuros.
Ele tentou me fazer rir, mas apenas sorri fraco.
– Ei. Sei que vai ser barra pra ele, mas cadê o seu sorriso? Tenho certeza que assim como você faz meu dia melhor com seu sorriso, você causa alguma coisa no Justin quando sorri.
– Como eu vou sorrir se estou me controlando pra não chorar?
– Quer saber de uma coisa? Então chora. Eu deixo você chorar na minha camisa de quatrocentos dólares. Vai em frente e mancha ela toda com a sua maquiagem. Eu não vou me importar – ele disse de braços abertos e eu não tive como evitar o riso – Faz isso, mas se esvazia. Não quero você cheia de tristeza. Você é meu sol, Mack. Você é o Sol de todo mundo ao seu redor, mas isso não significa que você não tem direito de chorar. Vai em frente e se permita cair por um minuto, porque quando você tiver terminado, eu vou estar aqui pra te levantar.
Meus olhos se encheram de lágrimas com o carinho e a ternura nas palavras de Brian. Eu poderia estar sensível com tudo que estava acontecendo, mas escutar aquilo me enviou lágrimas inevitáveis aos olhos.
Então, pela primeira vez naquele dia, não engoli o choro. Eu o deixei sair livremente. Brian me abraçou apertado me acalentando.
•
Depois de uma hora eu decidi que já tinha deixado Justin sozinho por tempo suficiente.
O elevador estava cheio então levei algum tempo até chegar à cobertura. Meu celular vibrou com uma mensagem de Jett: ele dentro de uma banheira com três mulheres ao redor. Meu andar chegou e respondi a mensagem entre risadas.
Quando abri a porta do quarto, minha risada sumiu. O ambiente estava destruído. Completamente. Meu coração falhou em algumas batidas e a ficha caiu.
Empurrei a porta e corri para dentro. Os cacos de vidro estavam espalhados por todos os lados, a cada passo eu sentia um pedaço de mim caindo e mais lágrimas se acumulando nos meus olhos.
– Justin?
Minha voz quase não saiu. O rastro de destruição levava até o banheiro e quando cheguei até ele, foi como um soco no estômago. O espelho estava quebrado, os cacos espalhados no chão, havia sangue em seus punhos fechados em torno de uma seringa.
– Justin! – me joguei no chão junto a ele e segurei seu rosto sentindo o desespero extravasar.
Ele estava pálido e gélido. Ignorei as lágrimas não meus olhos e o tremor nas minhas mãos para chegar sua pulsação: estava fraca.
– Justin! – gritei despertada como se aquilo pudesse resolver alguma coisa. Mas ele não respondeu. – Pelo amor de Deus, acorda! – gritei sendo tomada pelos soluços.
Meu corpo inteiro entrou em pânico. Meus braços tremiam, minhas pernas pareciam ter congelado. Quase não consegui discar o primeiro número da minha lista. Brooke.
– O que foi?
– Ele... Justin está desacordado no quarto. Pelo amor de Deus, chama o Zeff ou uma ambulância. Ele quase não está reparando, Brooke!
– O que? – ela gritou do outro lado.
– Ele está com uma seringa e destruiu o quarto. Por favor, chama alguém.
Ela não respondeu. Apenas encerrou a chamada enquanto eu segurava Justin nos meus braços. Eu não podia perdê-lo.
Aquela sensação terrível, o aperto incomparável no peito tinha voltado. Eu só tinha me sentido perdida daquela forma uma vez. Na morte dos meus pais. Tal dor era dilacerante, perder aqueles que eu amava de forma definitiva era uma dor a maior do que eu poderia suportar, já tinha passado aquilo uma vez pra nunca mais. Eu não podia perder Justin. Não assim. Não era justo!
– Garotão, não me deixa. Por favor. – sussurrei na orelha dele, apertando seu corpo com força.
Parei ao lado de Justin apertando sua mão, enquanto ela estivesse aquecida ele estaria comigo. Enquanto ele estivesse quente, seria meu.
Não demorou até que zeff aparecesse e tudo se tornasse um caos.
Minha mente parecia ter congelado. Quando Gabe e Brooke surgiram, vendi-o no meu colo, eles também entraram em choque. Brooke levou as mãos à boca como se calasse um grito e Gabe... Ele não demonstrou nada. Pegou o celular e ligou pra emergência. Foi bom, porque nem eu e nem Brooke estávamos aptas para isso. Zeff e Taylor apareceram depois, junto com a equipe medica. Pela segunda vez naquele dia meu coração foi levado pelos médicos. Foi uma tortura. A coisa toda. Justin foi levado para o hospital os indícios de uma overdose causada pela mistura de remédios e bebida. Eu não me importava pela causa, se ele só tivesse caído e batido a cabeça seria ruim o suficiente também.
Eu não tinha forças. Era mais como se meu corpo tivesse entrado em automático. Eu conseguia andar, me manter em pé, mas eu sentia que a qualquer momento cairia.
Não me importei com as pessoas tirando fotos, com os Aqua olhares de pena quando entrei no hospital, não me importei com nada. Apenas Justin estava na minha cabeça e ele tinha que sair dali. Ele tinha que sobreviver aquilo para que eu mesma pudesse matá-lo.
A imagem dele caído ao chão continuava presa aos meus olhos. A dor era real e podia ser sentida como uma cicatriz aberta e exposta.
Já havia se passado duas horas e ninguém tinha dado notícias. Brian e Taylor estavam ao meu lado na sala de espera particular. Eles estavam tão devastados quanto eu.
Quando a porta foi aberta nós três nos pusemos de pé. A médica entrou com um semblante sério.
– Como já lhes foi informado ele não está bem, mas estamos fazendo o possível.
Algo em mim estalou naquele momento. Eu precisava gritar com alguém pra não chorar novamente.
– Não, não estão! – gritei – Se estivessem ele estaria acordado. Se vocês estivessem fazendo o possível ele nem estaria aqui!
As lágrimas me engasgaram novamente e Brian me segurou par que eu não voasse naquela médica.
– Sra, Justin injetou uma quantidade alta de calmantes diretamente nas veias, isso não é uma gripe, ou uma simples intoxicação. Ele teve uma overdose. Estamos fazendo o possível.
Ela repetiu séria e respirei fundo pra não perder o controle.
– Mack, se acalma.
– Ele está lá, Bry! Ele não está bem e eles só... – não consegui terminar de falar. As lágrimas tomaram conta de mim novamente.
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Flashback Off
A questão era que Justin já estava desacordado há dois dias e não havia sinal de melhora. Ele simplesmente estava lá, deitado dentro de um quarto de hospital sem reagir. Sem lutar. Era como se ele estivesse desistindo. Desistindo de dele e de mim. Desistindo de nós.
Taylor tinha ido ao banheiro, me deixando sozinha com meus pensamentos mais uma vez.
Eu podia lidar com tudo que as pessoas diziam sobre ele. Eu podia lidar com qualquer coisa, mas eu não podia perder Justin. Não era uma questão de escolha é sim de necessidade.
Nós já tínhamos sofrido demais um pelo outro, a vida já tinha nos dado uma lição... Mas agora. Deus, por favor, não leve-o de mim. Todos que ousei amar foram tirados de mim drasticamente. Todos que tocaram eu coração, o destruíram em seguida. Isso não era justo.
Respirei fundo e me sentei no sofá mais uma vez. Tomei os papéis na minha mão e toquei minha barriga com medo. Medo de tudo que o destino me reservaria dali em diante. Medo de não conseguir lutar sem Justin ao meu lado.
Abri os olhos sentindo tudo ao meu redor girar. Nada estava nítido e minha cabeça parecia estar pesando mil vezes mais do que o meu corpo. Eu mal conseguia me mover, porque tudo doía.
Pisquei sentindo minhas pálpebras pesadas e virei o rosto pro lado encontrando uma bandeira com várias coisas dispostas. Franzi o cenho e sentei na cama me cobrindo com o lençol. Eu estava nua por debaixo daquilo, mas me sentia muito confortável. Passei a mão pelo rosto e vi que a bandeja estava carregada de analgésicos, café, babel, flores e recados. Peguei o primeiro que estava preso a uma cartela de aspirinas e li.
“Pra sua cabeça”
A caligrafia era facilmente reconhecível. Justin. Sorri e li os outros bilhetinhos presos aos remédios. Havia um pra cada dor que eu certamente estava tendo, até mesmo band-aids pro meu joelho ralado. O último era o mais extenso.
"Bom dia, meu anjo.
Não me pergunte como consegui levantar dessa cama com você toda linda dormindo comigo. Foi a merda de um sacrifício, mas sei que vou estar com você em breve. Tive que levantar e ir embora porque tenho muitas coisas pra resolver, fiz essa viagem de última hora só pra te ver e por mais que eu tenha ficado irritado noite passada valeu a pena. Falando nisso, vamos ter um conversa séria sobre isso.
Você deve estar com uma ressaca do cacete, sei disso, eu gostaria de ficar e cuidar de você, mas o trabalho me chama.
Você é a coisa mais importante da minha vida. Eu te amo, mais do que ontem e menos do que amanhã.
Xx, garotão."
Sorrir com aquilo era uma reação natural.
Justin não era só o namorado perfeito. Ele era o homem perfeito. Aquele que todas as mulheres desejavam e mereciam ter um. Ele conseguia ser romântico de um jeito totalmente desajeitado. Conseguia ser bruto e ainda sim ser carinhoso. Ele era uma mistura do rústico com o delicado. Ele era tudo.
Fitei a bandeja com o café e comecei a comer. Além de incrivelmente feliz, eu estava faminta. Nem mesmo a dor de cabeça insuportável e o incômodo no meu joelho conseguiram atrapalhar meu dia. À contragosto me levantei, o cheiro dele estava impregnado nos meus lençóis e cogitei faltar no trabalho só pra aproveitar aquele conforto, mas levantei e fui tomar um banho decente. Tomei as aspirinas e fiz minha higiene matinal. O cheiro de Justin ainda estava em mim, nos meus lençóis e eu não queria que ele saísse de lá. Seria muito melhor dormir com o cheiro dele no meu travesseiro.
Vesti-me e optei por alpargatas, eu não conseguiria andar em saltos por um bom tempo. Quando saí do quarto e cheguei a sala, Brian acabara de entrar em suas roupas de academia. Ele deveria ter ido correr.
– Bom dia, gata.
Sorri e deixei a bandeja com o café da manhã que Justin tinha preparado na pia. Me virei pro balcão e ele retirou os fones de ouvido. Fui até a geladeira e peguei a vitamina de Brian entregando a ele. Já era rotina.
– Você até que está muito bem pra quem encheu a cara ontem.
– Devo agradecer? – ele riu e deu o primeiro gole na bebida – Justin já foi.
– Eu sei. Não me lembro do que aconteceu ontem? Quer dizer, algumas partes. Pra onde eu fui?
– Saiu com a Lex e depois foi parar no apartamento do Terry. Ele te colocou num táxi de volta pra casa. Justin quase te matou com o olhar e então você deu um showzinho como uma criança birrenta. Depois disso é só vomito e – ele fez uma careta – Você sabe, tudo isso da ressaca.
Assenti e suspirei. Minha cabeça ainda doía.
– Me lembre de nunca mais beber.
Ele riu e balançou a cabeça.. Eu sempre dizia isso quando estava de ressaca – Que seja. Vou indo pro trabalho. Te vejo mais tarde – passei por Brian e lhe dei um beijo na bochecha. Peguei as chaves do carro e diz meu caminho para mais um dia de trabalho.
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Duas Semanas Depois
Brooke
– Não. Não vou voltar à cidade em breve, Sam.
– Mas eu posso fazer uma visita, então? Meu irmão vai estar indo pra Atlanta em breve e poderíamos passar ai! Seria incrível, Brooke.
– Não. Nada de visitas, Sam.
– Mas...
– Mas nada.
Encerrei a chamada antes que ela criasse mais um argumento. Foi um erro ter dado meu número a ela. Foi um erro ter ido até ela. Tudo na minha vida ultimamente tinha se tornado um erro. Erros amontoados por uma única razão estúpida, tudo por Justin.
Suspirei e passei a mão pelo rosto. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e terminei de fazer as malas. A porta do quarto foi aberta e me virei vendo Justin entrar.
Nas últimas semanas nossa relação tinha piorado. Evitávamos qualquer tipo de contato. Eu sentia vergonha e apreensão com Justin por perto e ele me evitava por infinitos motivos. Nunca estivemos tão distantes quanto agora e eu sentia por isso. Ele era a pessoa que eu mais confiava, era o único com quem eu podia contar.
Seus olhos caíram em mim com firmeza pela primeira vez em semanas e engoli o seco.
– O que quer?
Ele poderia ser o lutador, mas a minha barreira era firme o suficiente para ser imbatível por ele. Justin não era só o campeão dentro do octógono. Fora dele, ele era apenas o cara que tinha alto potencial para me destruir.
– Precisei desses dias pra chegar a uma conclusão sobre tudo isso, Brooke.
No momento ele não parecia querer me julgar ou ferir. Ele apenas pareceu sincero.
– Falei com a Mandy e ela... – ele suspirou e andou pelo quarto – Tudo o que você me disse no carro naquele dia ainda pesa aqui dentro – ele apontou pra cabeça – Você falou como se eu nunca tivesse feito algo pra você ou por você. Mas não é verdade.
Justin fez questão de olhar nos meus olhos – Eu estive do seu lado. Eu decepcionei a mulher da minha vida por sua causa, por causa disso que eu sinto por você. Tentei te amar Brooke. Juro que tentei, mas o que eu sinto pela Mackenzie... – ele sorriu e abaixou o rosto – Se você me ama mesmo deve ter uma ideia da sensação. Mesmo que ela não esteja comigo eu a amo. Parti o coração dela pra ter uma chance com você, mas não funcionou. Você e eu vimos que nunca ia dar certo porque você e eu... – ele levantou o olhar – Somos ruins. E precisamos de alguém que possa nos salvar. Eu não posso fazer isso por você. Assim como você não pode fazer isso por mim. Você e o Ty se tornaram tudo pra mim nos últimos anos. Eu amo aquele moleque com todo o meu coração – novamente ele sorriu da forma que amolecia meu coração – E também amo você, mas amo como família. Não como um homem ama uma mulher.
As palavras dele poderiam me ferir, mas sua sinceridade ajudava na recuperação. Eu já sabia de tudo aquilo, mas ouvi-loele falando era diferente. Enviava-me uma dor maior, porque era uma sentença. Não importa o quanto eu o amasse, ele nunca sentiria o mesmo por mim.
– Eu não queria te machucar. Nunca quis. Você é importante pra mim, pra minha história. – ele ficou sério e seus olhos brilharam – Mas não posso mais fazer isso com a gente.
- O que você quer dizer?
– Vou cuidar de você. Sempre. Tenho uma dívida com você pelo resto da minha vida, Be. Mas...
Engoli o seco pra não chorar. Eu pressentia o adeus em suas palavras. Ele estava indo. – Quando o torneio acabar vou me mudar.
– O quê? Não, você não pode. Essa é a sua casa. Justin, isso é...
Ele se aproximou e parou a minha frente sorrindo. Ele queria me reconfortar. Como isso era possivelmente? Ele destruía a minha vida, minha auto-estima e depois chegava pra me abraçar? Não fazia sentido!
– Comprei um apartamento próximo daqui. Sempre vou estar por perto, mas eu preciso viver um pouco da minha vida. Não que eu esteja dando as costas pra você e pro Tyler agora. Eu sei que você precisa de mim. Mas eu preciso disso. Me afastar. É apenas complicado, você não vai entender agora, mas...
Balancei a cabeça e respirei fundo. Se ele estava partindo eu não iria chorar. Eu não queria pena, não queria ser vista com os olhos de alguém que sentia muito por mim. Eu não tinha atravessado tanta coisa pra sentir pena dos outros. Não. Eu não era isso, um pedaço de fraqueza ambulante. Eu era Brooklyn Parrish.
– Então você vai nos deixar só por que não consegue lidar comigo?
Doeu ainda mais quando dei voz aos meus pensamentos.
– Não estou deixando vocês. Nunca vou fazer isso. Mas por todo esse tempo eu dediquei minha vida pra dar o melhor pra vocês, pra ver o Tyler sentir orgulho de mim. Por todo esse tempo eu só quis ser capaz de ser um cara bom. Agora eu preciso viver um pouco por mim.
Eu quis chorar. Quis mesmo e me ressenti por não ter conseguido evitar. A primeira lágrima desceu e dei as costas para Justin. Ele não precisava me olhar daquele jeito.
– Brooke... Não faz isso.
– Eu não sei o que fazer, ok? Estraguei tudo. Me sinto perdida, Justin. Perdida nessa confusão. Não sei quem eu sou. Com você pelo menos eu sabia que alguém se importava, mas sem você... Não sei. Eu nunca vou ser o suficiente pra ninguém. Nunca.
Ele me puxou pra perto e me abraçou. Justin me apertou com força querendo tomar a minha dor e me ver bem. Mesmo partindo ele queria cuidar de mim. Chorei ainda mais por conta disso. Ele tinha razão, ele não podia me salvar.
– Você é mais do que suficiente, Brooke. Você é perfeita de um jeito totalmente único. – ele passou a mão pelo meu rosto – Qualquer cara se jogaria aos seus pés se você pedisse. Eu fiz isso, não lembra?
Ele riu na tentativa de me fazer rir também, mas eu estava triste. – Todas as suas inseguranças são desnecessárias. Eu sei quem você é. Você é Brooklyn Parrish. Você é a mulher que atravessou um inferno na Terra jovem demais. Você é a mulher que lutou pela guarda do irmão mesmo com um mundo contra você. Você me fez enxergar a vida de novo, Brooke. Porra, você é incrível. Só tem que se permitir enxergar. Olha pra você, você é linda. Meu Deus, você é perfeita Brooke.
Eu não era. Eu não conseguia me sentir bonita o bastante pra ninguém.
– Então por que você não conseguiu me amar? Eu sei que ela é mais bonita, sei que ela é fantástica, independente... Mas por que você não conseguia me olhar daquele jeito?
– Eu não sei. Mas você não pode se comparar com ela. A Mackenzie foi... Ela ainda é uma mulher única. Assim como você também é.
Meus olhos encontraram os dele. Justin sorriu pra mim e então me abraçou com firmeza novamente.
Nós dois tivemos uma história. Tempestuosa, cheia de conflitos, cheia de lutas, derrotas e vitórias. Cheia de dor e corações partidos. Cheia de tudo. Agora era a hora de esvaziar. Ele precisava sair. Eu precisava me encontrar.
Amanda era uma psicóloga ótima, ela tinha um jeito totalmente diferente de tratar seus pacientes. No início jurei ódio a ela, mas conforme as consultas iam passando ela ia me fazendo sentir melhor. Falar ajudava. Tirar um pouco de toda a dor que eu tinha acumulado ao longo da vida tornava a situação mais leve.
Perder meus pais foi o ponto de partida de todo o inferno que veio nos anos seguintes. Eu era uma adolescente na época, não tinha mais ninguém no mundo além do Tyler, que ainda era um bebê. Entrar e sair de lares adotivos foi o que mais fiz. Eu nunca durava, eles nunca gostavam de mim de verdade. Eu nunca era suficiente. Na escola os garotos não me olhavam. Ninguém gostava de mim, eu era órfã, sozinha, solitária. Passar uma adolescência sendo excluída dos grupos e rejeitada foi o suficiente para que eu desenvolvesse alguns transtornos.
Eu tinha dezesseis anos e quilos demais pro padrão das garotas bonitas da escola. O capitão do time nunca me chamou pra sair, nunca fui ao baile de primavera porque eles me achavam estranha. Então comecei acreditar que eu realmente era.
Comer foi se tornando cada vez menos frequente e quando acontecia eu ia parar no banheiro. Até que no último ano da escola eu tinha passado por três lares adotivos apenas no primeiro semestre. A maioria das famílias não aceitava uma adolescente rebelde e mal educada. Não importava, dali a alguns meses eu estaria livre, com a minha maioridade e faria o que fosse necessário pra tomar a guarda de Tyler e viver a vida com a única pessoa que ainda me restava.
Entrei na faculdade com o fundo fiduciário dos meus pais. Nunca fomos ricos, mas o seguro me deu uma boa quantia de dinheiro pra me formar e mais um pouco pra que eu conseguisse um lugar pra morar quando Tyler estivesse comigo. No entanto, as coisas nunca deram certo pra mim. Eu tinha um péssimo histórico ao longo dos lares e nenhum juiz em sã consciência me daria a guarda de Ty.
Eu já tinha quase desistido de tudo quando finalmente encontrei uma luz no fim do túnel. Ou talvez ele tenha me encontrado. Eu estava prestes a dar um fim àquilo que eu chamava de vida quando os faróis de uma moto me encontraram na escuridão da noite. Aquela ponte costumava ser deserta naquele horário então ninguém me encontraria.
O ronco do motor foi se aproximando e o piloto parou. Pisquei algumas vezes e engoli o seco – Ei, gata. O que está fazendo aqui? Você é gostosa demais pra estar sozinha. – por traz da viseira transparente do capacete encontrei seus olhos castanhos. Eles estavam avermelhados pela bebida ou talvez até pelas drogas, já que ele não me parecia são.
– Eu-eu... Quem é você?
– Justin, mas pode me chamar de sua diversão essa noite.
Ele sorriu.
Aquele sorriso mudou toda a minha trajetória de vida depois daquela noite.
Justin nunca se lembrou daquela noite. Nós ficamos pela primeira vez até que Debby surgiu e me fez um monte de ameaças vazias. Ela sentia que tinha certa autoridade sobre ele. No início fiquei assustada, mas depois... Justin se tornou algo a mais pra mim.
Todo dia eu o via no campus. Ele passava por mim sem me notar, ele era o maioral e sabia disso. Aos poucos fui começando a frenquentar os lugares que ele ia. Os rachas, as lutas. Eu queria estar onde ele estava porque de alguma forma estar com ele fazia com que eu me sentisse mais viva.
Então, meses depois ele estava chapado. Eu já sabia que ele usava metanfetamina, mas no momento em que ele me puxou e me levou pra um dos quartos da Sigma eu não me importava mais. Eu só queria me sentir desejada e ele faria isso.
Todo esse tempo eu só quis buscar atenção dele. Porque Justin me fazia sentir viva, porque eu sentia que só ele sendo ruim da forma como era, podia me entender e me amar da forma necessária. Eu só queria ser amada. Queria poder viver a sensação de ver alguém se importando, queria ter alguém pra me abraçar e dizer que as coisas ficariam bem. Mas nunca tive. Eu só tinha a mim mesma e nem eu conseguia me amar. Com o distanciamento de Justin foi novamente me encontrando perdida e insuficiente. Meus transtornos voltaram e acabei perdida entre aquilo que eu era, e o que queria ser. Se eu não podia tê-lo pelo coração, o conquistaria pela beleza. Eu queria ser perfeita, mas o reflexo no espelho não concordava comigo. Eu não era boa.
Quando Justin encontrou todos os frascos de remédios e embalagens com drogas no armário do meu banheiro ele surtou. Eu nunca tinha visto-o tão decepcionado, não por minha causa. Aquilo só me mostrou o quão fraca eu era. E então o perdi.
Perdê-lo significava perder-me também, mas era hora de aceitar que nós dois juntos, nunca daríamos certo. Ele se importava comigo, mas eu o amava. Eu precisava acordar, me dar uma chance. Dar uma chance ao que eu poderia ser sem ele.
Era hora de acordar.
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Justin Bieber
–Não sei mais quanto tempo vou aguentar sem ver você.
– Já faz duas semanas. – ela me lembrou.
Fazia apenas duas semanas desde que eu tinha visto ela pela última vez. Duas malditas semanas, quatorze tortuosos dias que mais pareciam anos. Cada dia sem ela ao meu lado era uma eternidade.
– Acho que estou morrendo.
Ela riu e eu daria tudo pra escutar aquela risada pessoalmente – Você é tão dramático.
Mack estava em Londres há duas semanas, o que era pra ser um trabalho pequeno tinha se tornado algo maior resultando no nosso afastamento. Perdi a conta de quantas vezes comprei uma passagem escondida de Gabe pra ir vê-la, mas ele descobria na última hora e me impedia de vê-la. O campeonato começava amanhã e nas últimas semanas eu tinha treinado pesado para estar pronto. Um trabalho físico e psicológico. Mandy praticamente tinha morado conosco nas últimas semanas. Ela cuidava de mim e de Brooke, consequentemente de Tyler também. Ele já tinha percebido a mudança dentro de casa e eu ainda nem tinha contado sobre a mudança.
Começar uma vida sem as coisas do meu passado soava estranho pra mim. Viver em um lugar só meu me parecia solitário, mas era a opção certa. Sempre estive cercado, alguém sempre estava ali pra me dar apoio, mas agora era a hora de eu me erguer sozinho. Eu tinha amadurecido muito nos últimos anos, mas não tinha crescido realmente.
– Me diz que você está arrumando as malas pra vir me ver. Diz que já comprou a passagem pra Atlanta e que vai estar lá assim que eu chegar. Diz, Lucky.
Ugh. Talvez eu ainda fosse um pouco infantil em alguns aspectos. Ela riu novamente e suspirou – Sobre isso... Minhas malas já estão prontas, mas... Minha passagem é pra Chicago.
– Chicago? O que você vai fazer em Chicago? Mack...
– Acho melhor você comprar uma também. Tenho planos e preciso de você no meu apartamento esta noite.
Sorri largo sentindo a ansiedade despertar minhas células – Hoje à noite?
– Exatamente.
– Terceiro encontro?
– Terceiro encontro – ela repetiu cheia de convicção.
Puta merda, eu amava aquela mulher.
Não esperei muita coisa e comprei uma passagem pra Chicago. Separei uma mochila com uma muda de roupas e deixei as outras malas pra serem levadas com a equipe. Eu me sentia melhor por ter resolvido as coisas com a Brooke. Quando desci as escadas ela, Zeff e Tyler estavam na sala dançando no vídeo game. Zeff era uma bagunça fazendo isso.
– Hey, família.
Eles me olharam e Brooke perdeu o sorriso ao ver a minha mochila. – Não estou indo ainda. Quer dizer, sim. Mas é uma coisa rápida. O Gabe está por aí?
– Viagem de última hora de você? – Zeff balançou a cabeça – Você sabe, durma oito horas e nada de beber esta noite. Quero você sóbrio amanhã.
Assenti e Gabe apareceu na sala.
- Pra onde você pensa que vai?
– Juro que volto antes que você perceba. É importante. Amanhã pego o primeiro vôo pra Geórgia.
– Acho bom porque senão estiver lá no primeiro horário, nem precisa mais ir.
Rolei os olhos é assenti.
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Mack
– Sim, Penn. Estarei lá. Você sabe, a Lexi ganhou entradas. Nós e Jett vamos ver as lutas.
Avaliei a estante de vinhos enquanto escolhia um para a ocasião.
– Ela vai? Você precisa rever seu quadro de amizades.
Ri, ela e Lexi nunca se dariam bem o bastante para não se matarem quando uma tivesse a chance.
– Não seja maldosa. Como está Lily?
– Linda como a mãe. Ela cresceu tanto... Taylor está quase falindo por se recusar a ir trabalhar pra ficar com ela.
Ri e coloquei a escolha no carrinho de compras. Eu tinha acabado de chegar à cidade. Minhas malas ainda estavam no taxi que me esperava do lado de fora, mas eu precisava ter tudo para fazer o jantar perfeito. Seria o tão aguardado terceiro encontro com Justin. Eu queria fazer isso especial.
Penn e eu conversamos enquanto eu fazia as compras. O taxista me ajudou a colocar tudo dentro do carro enquanto cheguei em casa, não era mais como se fosse a minha casa. Já fazia meses desde a última vez que eu tinha pisado ali. Mas era o meu cantinho. O meu espaço e eu adorava ter aquilo pra chamar de meu.
Eu tinha ligado pro porteiro providenciar uma diarista então estava tudo limpo e organizado. Tomei um banho e comecei a preparar o prato principal. Justin era um atleta então quis prepara algo saudável. Minhas habilidades culinárias tinham sido aprimoradas nos últimos meses. Eu sabia fazer muito mais do que água quente e gelo.
O relógio já marcava seis horas quando terminei tudo. Fui me arrumar e desfazer minhas malas.
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Justin Bieber
Quando parei na porta de Mackenzie eu estava nervoso. Fazia tanto tempo desde a última vez. Levei algum tempo até bater na porta e quando o fiz, ela abriu imediatamente, como se estivesse me esperando.
Sorri e fitei a mulher mais linda que meus olhos já tinham visto. Mack usava um vestido curto, justo de mangas compridas. Era azul, e eu poderia dizer que depois daquilo azul tinha se tornado minha cor favorita. O cabelo estava solto, um pouco mais claro, quase loiro. Ela estava sexy como o inferno, mas sorriu tímida ainda sim. – Hm, acho que bati na porta errada.
Ela riu e me puxou pra dentro e me empurrou contra a porta já fechada. Mack tomou meus lábios e deixei minha mochila cair no chão, segurando-a pela cintura com as duas mãos. Quando Mack precisou de ar, ela partiu o beijo e descansou o rosto contra o meu, ofegante.
– Senti sua falta – ela murmurou.
– Eu já estava enlouquecendo sem você. Tem ideia disso? Porra, Lucky. Não consigo viver sem você.
– Gosto de saber disso – ela sussurrou contra os meus lábios e eu sorri tomando a boca dela novamente. Nos separamos e ela me puxou pela mão me levando pra sala e cozinha. O ambiente estava iluminado por velas, a mesa posta para dois. A olhei surpreso, Mack não tinha fortes culinários muito aguçados.
– Você que fez o jantar?
Ela notou a desconfiança na minha voz e me empurrou.
– Sim! Você vai comer e vai gostar. Senão, não vai ter a sobremesa mais tarde.
Ela me olhou sugestiva e a puxei, abraçando seu corpo por trás. Mordi seu pescoço e ela gritou rindo. Eu precisava escutar mais daquilo. Comecei a fazer cócegas nela e Mack começou a gritar rindo e se curvando desesperada.
– Justin!
A risada dela fazia meu coração bater mais forte. Vê-la sorrindo me fazia ver que eu era o cara mais sortudo do mundo. Caímos no sofá, mas não parei. Continuei a fazer cócegas em sua barriga acompanhando sua risada. Ela se encolheu e me empurrou. Deixei meu corpo cair por cima do dela e beijei seu pescoço.
Ela riu por mais algum tempo e então abraçou meu pescoço – Você está linda.
– Devo estar horrível. Você estragou todo o romance.
Ri e levantei o rosto olhando pra ela. Toquei seu rosto com os dedos delicadamente, ela era um tesouro. Rara como um trevo da sorte.
– Com você é sempre romance. Até mesmo na hora da sacanagem. Não consigo agir de outra forma quando estou com você. É ridículo como você consegue me transformar nesse babaca apaixonado.
Ela sorriu e beijou minha bochecha. – Fique sabendo que eu amo esse babaca mais do que qualquer outra coisa.
Ela me beijou e antes que pulássemos todas as partes e ir diretamente pra cama, Mack se levantou e ajeitou a roupa. O batom estava borrado em sua boca e não posso evitar dizer que adorei vê-la daquela forma por minha causa.
– Vem, tenho tudo planejado pra essa noite.
Levantei-me também e ela me deixou em frente ao balcão que separava a cozinha da sala.
– Pensei que fôssemos jantar fora. Até pesquisei na internet alguns lugares legais pra te levar. Mas admito que gosto da ideia de poder agarrar você enquanto comemos.
Ela sorriu e pegou uma travessa de porcelana. Era uma salada caesar.
– Como eu sei que você é um atleta e tem algumas restrições alimentares, preparei uma jantar saudável pra nós dois. – ela me entregou a vasilha com salada para que eu colocasse na mesa e então apareceu com outras duas. Uma tábua com salmão cru e outra com alguns grãos.
Eu já estava acostumado a comer tudo isso, mas fiquei surpreso por ela se preocupar a esse ponto. Mack colocou as coisas na mesa enquanto eu estava absorto a realidade apenas observando-a concentrada. Ela nem precisava tentar ser fantástica, ela apenas agia naturalmente e ultrapassava todas as minhas expectativas de mulher certa.
– Hey, o que foi? – ela corou quando notou que eu a observava.
– Nada. Só estou pensando em como eu sou sortudo por ter seu amor.
Ela riu e se virou pra pegar uma garrafa de vinho.
– Você pode beber?
– Na verdade não. Mas faço qualquer coisa por você. – ela corou novamente. E porra, como ela era adorável.
Aproximei-me e abri a garrafa, servi nossas taças com meus olhos ainda sobre ela. Mack foi até o home theater e ligou deixando uma maioria suave soar.
Mackenzie
Era estranho, mas eu me sentia vulnerável com tudo aquilo. Não que fosse algo ruim, Justin sabia que tinha poder maior sobre mim, mas eu me sentia pequena diante dele, diante do que eu sentia por ele. Diante da nossa história. Havia um resquício de medo em entrar naquela embarcação que era a nossa história, mas eu sabia que valia a pena. Por Justin, eu colocaria o pé mesmo senão houvesse chão. Por ele eu pularia mesmo sem saber o que me esperava lá embaixo. Tudo isso porque ele me passava confiança. Ele me fazia ter fé no melhor de nós dois pra dar certo.
Tomei o primeiro gole da minha taça com os olhos dele em mim. Não pude evitar corar. Ele me deixava assim, com esse frio delicioso na barriga, com esse ar de leveza e paz.
– Para de me olhar assim. – pedi me sentando e ele fez o mesmo.
– Não consigo. Meus olhos são viciados em você.
Abri um sorriso gigante e ele sorriu também.
O terceiro encontro significava muito por si só. Mas pra mim, por conta de toda a nossa travessia através dos anos, era um simbolismo de que não importava os caminhos que tomássemos um sempre voltaria pro outro. Eu pertencia a ele. Justin me tinha mais do que eu mesma e eu gostava.
Nós comemos e ele foi realmente sincero quando elogiou minha comida. Eu também estava apreensiva por isso, mas fiquei aliviada quando ele provou e gostou. Nós conversamos sobre a minha viagem, ele me pediu cada detalhe e contei todos. Não era como um monólogo onde eu falava e ele fingia ouvir, Justin estava interessado nas minhas palavras.
Quando terminamos o CD já tinha acabado, mas me levantei atrevida e selecionei outra música. Uma música que significava muito pra nós dois. Quando me virei a voz suave de Ed Sheeran começava a soar. Justin deixou a taça na mesa e sorriu pra mim. Ele não sorria só com a boca, toda sua expressão demonstrava sua felicidade.
– Parece clichê, mas... Você se lembra? Daquela nossa última noite no seu apartamento? Você preparou o jantar pra mim e nós dançamos essa música juntos.
Seu sorriso deixou claro que ele se lembrava. Justin empurrou a cadeira para trás e veio até mim me pegando pela cintura para dançarmos juntos.
– Tenho guardado na memória cada segundo que tive com você, Lucky. Nunca vou me esquecer dos momentos que passamos juntos. Os bons, os ruins. Eles fazem parte da nossa história. Fazem parte do nosso amor.
Passando os braços ao redor do pescoço dele, me desloquei para aquela mesma noite. Nossa única preocupação era a minha partida no dia seguinte, mas estávamos destinados a não deixar nada nos separar. É claro que não aconteceu. Depois daquele noite a minha vida com Justin tomou diversos rumos e talvez se eu tivesse ficado as coisas poderiam ter sido diferentes.
Levantei o rosto encontrando o olhar dele. – Você se arrepende de alguma coisa em relação a nós?
Ele pensou por alguns segundos e suspirou enquanto dançamos juntos suavemente pela sala.
– Não. Se eu pudesse voltar no passado teria aproveitado mais meu tempo com você. Mas acho que nossos erros e desencontros nos trouxeram pra cá. Pra este momento. Se nada daquilo tivesse acontecido eu não estaria com você aqui, agora.
Ele tinha razão. Se eu pudesse voltar no tempo e mudar fatos da nossa história eu não mudaria nada. Ele era meu amor, meu erro, meu acerto. Meu maior problema e minha irrevogável solução.
– Então acho que sou grata pelos nossos desencontros e erros. – ele sorriu e me beijou no exato segundo em que Ed cantou "Kiss me like you wanna be loved".
Justin sorriu notando esse fato e então me beijou com delicadeza. Abracei seu pescoço com mais firmeza sentindo meu mundo flutuar. Era como se eu pudesse voar, e algo dentro de mim dizia que quando eu estava com ele, eu podia.
•
Ele me ajudou a arrumar a cozinha. Nós partiríamos cedo no dia seguinte para Atlanta e eu não queria deixar minha casa bagunçada. Justin me provocou. Sua boca praticamente não saiu do meu pescoço e da minha nuca. Suas mãos subiam e desciam pelas minhas costas nuas. Tive que me concentrar muito pra não quebrar toda a louça. Quando terminamos, ele não esperou e me empurrou contra o balcão me beijando.
Justin ergueu minha perna enrolando no seu quadril. Seus beijos eram vorazes, mas carinhosos.
– Posso ter minha sobremesa agora? – ele sussurrou na minha orelha. Ri e segurei seu rosto com as mãos.
– Ainda não.
Ele franziu o cenho e me pus de pé. – Quero te mostrar uma coisa antes.
Entrelacei nossas mãos e puxei Justin pelo corredor. Ele nunca tinha entrado ali, pra falar a verdade só eu tinha entrado ali. – Amor, seu quarto não era no...
Quando ele se deu conta de onde estava ele parou de falar e olhou ao redor. Meu estúdio esteve inativo por muito tempo, mas estava organizado. Bati no interruptor e acionei a luz vermelha baixa. Justin olhou ao redor para os varais rente às paredes com fotos penduradas, avaliou minha mesa cheia de coisas para a revelação e sorriu. – Eu adoro esse lugar. Por mais que eu não venha aqui há meses.
– Pensei que a revelação de fotos fosse uma coisa antiquada para os fotógrafos de hoje em dia.
– Pra maioria é... Mas eu gosto de manter as lembranças em algo físico. Imprimir no computador não é a mesma coisa. Gosto do papel de revelação, de todo esse vintage. – sorri e me aproximei da parede perto da já ela coberta por uma cortina. – Lembra que você disse uma vez que queria marcar cada pedaço daqui pra que quando não estivesse eu tivesse algo manter suas lembranças aqui?
Ele se virou e assentiu sorrindo com a lembrança do sexo no meu sofá. – Claro que sim.
– Bom, você sempre esteve aqui. Quer dizer, eu nunca poderia me esquecer de você. Mas fiz... Agora soa patético, mas na época era fofo.
– Mack, diga logo.
Mordi o canto do lábio, nervosa e puxei a cortina revelando a colagem que eu tinha feito de Justin. Fotos que eu tinha tirado há anos, na faculdade. O quadro tinha as proporções da parede, era gigante. O objetivo foi de quando ele estivesse pronto eu colocaria na parede do meu quarto, mas então tudo começou a dar errado e fui embora...
Os olhos de Justin ficaram inexpressivos, assim como sua face. Ele se aproximou do quadro e avaliou cada mínima foto. Todas estavam em preto e branco, impressas no papel de fotografia. Levei dias fazendo aquilo, mas nem me dei conta. Foi tão incrível reviver os momentos do passado que eu poderia viver só pra fazê-lo. A seriedade de Justin me deixou nervosa.
Abaixei o olhar e deixei que ele avaliasse tudo.
– Hmm... Você pode ser sincero se não gostar.
– Isso é incrível.
– Tem certeza de que não me acha maluca, nem nada? – perguntei tímida e ele respondeu com um sorriso. – Eu acho que você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida, definitivamente.
Ele sorriu. Um sorriso orgulhoso e encantado, um sorriso tão sincero quanto suas palavras doces.
– Eu te amo.
– Eu te amo e quando digo isso não quero dizer só que te amo. Amo tudo sobre você. Tudo que você faz, como faz... Eu te amo. – ele disse.
Não esperei nem mais um segundo, eu não conseguiria. Abracei o pescoço de Justin e tomei seus lábios como meus. Ele me agarrou devolvendo o beijo com intensidade. Fizemos isso saindo do estúdio e indo para o meu quarto. Em nenhum momento Justin ousou me soltar, eu não tinha certeza se conseguiria ficar em pé se ele o fizesse.
Caímos na cama e ele acendeu a lâmpada de cabeceira, iluminando o quarto com um brilho suave. Olhei ao redor como se eu realmente me importasse naquele momento, mas o único foco em minha mente era o quão rápido eu poderia despi-lo. Justin leu o desejo e a malícia no meu olhar e sorriu, me beijando novamente.
Quando o beijo se partiu, ele lentamente foi deixando seu peso fazer uma pressão gostosa contra meu corpo, seu peso me apertou ainda mais para o edredom macio e eu estava cercada pela a sensação e o cheiro dele. Deslizei minhas pernas de suas costas e ele descansou no meio das minhas coxas, pressionando-me. Mordi o lábio para não gemer ao sentir sua ereção contra mim.
– Devagar. Tem que ir mais devagar – ele murmurou para si mesmo enquanto seus olhos passaram pelo meu corpo. Suas mãos escorregaram tirando meus saltos e ele foi subindo apertando minhas coxas. Ele apertava minha cintura enquanto sua boca capturava a minha outra vez, me inebriando. Seu cabelo se enroscou como seda entre meus dedos.
Justin se separou da minha boca, deslizando seus lábios no meu pescoço. Calafrios dançaram ao longo de minha coluna e eu arqueei, dando-lhe um melhor acesso quando meus dedos apertaram seu couro cabeludo.
– Justin – gemi quando ele traçou o caminho sensível em direção a minha clavícula.
– Tão doce – ele sussurrou contra a minha pele.
Ele deslizou contra o meu corpo com uma deliciosa fricção, passando a língua ao longo da minha barriga quando levantou lentamente a barra do meu vestido, que era mais curto do que os que eu geralmente usava. Seus olhos caíram na minha lingerie branca, que eu tinha comprado para a ocasião. Ele mordeu o lábio e beijou meu quadril. Seus olhos subiram até meu rosto e ele sorriu vindo me beijar.
Levantei o tronco para encontrar seus lábios no meu do caminho e ele aproveitou para deslizar as mangas do meu vestido pelo braço. Deixei meus braços livres para que ele comandasse tudo. Por mais desejo que eu sentisse, eu queria ir com calma. Justin estava tomando meu corpo pela primeira vez, ele estava me possuindo novamente e eu deixaria que ele fizesse do seu jeito.
Ele baixou a parte superior até o quadril e partiu o beijo para me olhar. Era como se eu fosse sua obra de arte, ele me moldava, embalava e organizava da forma que quisesse. Deitei-me na cama deixando que ele tivesse ampla visão do meu corpo. Justin puxou o vestido pelos meus pés e então a única peça que me cobria era a calcinha. Não vesti sutiã já que o vestido deixava minhas costas nuas.
– Perfeita.
Seus lábios estavam de volta no meu estômago, provocando, traçando as cavidades e planos de meu abdômen. Ele me fazia sentir bonita, desejada.
– Eu nunca vi uma mulher mais perfeita. Você consegue entender?
Eu estava tão excitada que suas palavras foram como gasolina sobre um incêndio. Rapidamente me sentei quando ele se ajoelhou entre as minhas coxas, segurou sua camisa na cintura e puxou-a sobre sua cabeça. O corpo dele era ainda melhor do que eu me lembrava. Corri meus dedos sobre os músculos firmes do seu abdômen e pelas linhas que emolduravam seu tanquinho e se arrastavam para seus jeans escuros. Não consegui evitar, afundei meus dedos em sua cintura e beijei seu abdome da mesma forma faminta a qual ele tinha saboreado minha pele antes.
Não havia um grama de gordura sobre ele, não tinha, sem suavidade. Eu venerava os desenhos esculpidos do seu abdômen com a minha língua e rapidamente me tornei viciada no gosto dele. Justin prendeu a respiração por entre os dentes e quando levantei meus olhos para encontrar os dele, estavam focados em mim.
Suas mãos mergulharam em meu cabelo, me segurando levemente para ele, mas abrindo e fechando os punhos como se ele fosse incapaz de controlar seus próprios movimentos. Eu fiz isso com ele, o fiz perder o controle e amei cada pedacinho disso. Em questão de segundos eu tinha desabotoado a calça jeans e deslizava da sua bunda perfeitamente redonda para reunir em seus joelhos.
– Mack – ele rosnou em advertência.
Homens com uma bunda como a dele não deveria ser permitido perto da população feminina. Minhas mãos roçaram sobre o elástico de sua boxer, mas parei por um segundo para olhá-lo. A intensidade que irradiava do seu olhar enviou uma onda através do meu estômago, e eu sabia que, sem qualquer outra preliminar, eu estava pronta para ele. Eu nunca quis tanto algo na minha vida. Minhas mãos exploraram suas coxas, mal tocando por baixo das pernas de sua boxer. Eu venerava a textura de sua pele. Do lado direito do abdome havia uma Tatuagem com a grafia Forgive. Parei por um segundo e avaliei aquilo.
– Perdão? Qual a razão dessa?
Não era o momento certo para perguntar, mas eu não consegui evitar isso. Sua mão quente acariciou meu cabelo e deslizou para a frente, se moldando ao meu rosto quando eu mergulhei dentro daqueles olhos.
– Foi a coisa que eu mais desejei depois que sai da cadeia naquele tempo. Queria que você me perdoasse, que meu pai e meus irmãos me perdoassem. Eu queria ser perdoado e tentar perdoar quem fez aquilo com a minha mãe. Consegui o perdão de todos aqueles que são importantes pra mim, isso já conta.
Sorri – Gosto dela.
– Não é nada comparada a essa aqui – ele abriu o braço mostrando meu nome gravado em seu bíceps.
Eu me apaixonei ainda mais, se fosse possível, me inclinei para a frente e beijei a marca. Então alcancei sua parte de trás e agarrei com firmeza a sua bela bunda.
– Lucky, você tem que parar ou vou explodir. Estou tentando ir devagar com você – ele rosnou, recuando. Reunindo cada grama de coragem que eu poderia, tirei sua mão do meu rosto, virei a palma da mão para a minha pele e puxei-a para baixo, através do vale entre os meus seios, por cima do meu estômago e dentro da minha calcinha. Ele prendeu a respiração e eu segurei a minha enquanto eu o levava para minha calcinha para sentir as dobras quentes e molhadas por baixo. Ele acariciou meu clitóris uma vez e meus quadris empurraram.
– Acho que você pode explodir. Estou queimando por você. Eu não preciso que você vá devagar; eu preciso sentir você dentro de mim.
Em um movimento, ele descartou sua calça jeans. A ansiedade entre as minhas coxas intensificou a tortura quando ele olhou para mim como um buffet.
– Perfeita pra caralho. Cada centímetro seu. Antes que eu pudesse responder, sua cabeça estava entre as minhas coxas, respirando em mim e apertando minhas coxas. Eu não conseguia nem ter vergonha de que ela estava encharcada por ele, eu estava muito presa ao meu desespero por ele. Meus quadris se levantaram a sua boca por vontade própria. Meu corpo sabia onde ela pertencia.
– Justin...
Ele respirou contra mim de novo, enviando uma onda de necessidade direta para o meu interior. – O que você precisa, Lucky?
– Você – meus quadris empurraram contra a sua boca.
– Eu? – ele riu sedutoramente. Ah, sim, ele sabia exatamente como torcer uma garota em nós, mas eu estava esperando tempo demais por aquilo para brincar. Fiquei apoiada nos meus cotovelos.
– Justin Drew Bieber, se você não colocar suas malditas mãos em mim em dois segundos, vou sair por aquela porta – Eu não estava aturando sua provocação. Ele deveria estar tão perdido quanto eu. Antes que eu pudesse contar até dois, ele arrastou os dentes pela minha pele para baixo... E eu gemi com a visão. Não demorou muito e ele estava de novo em cima de mim, acariciando a minha pele, reaprendendo cada curva.
– Merda, eu mal posso me controlar perto de você, Mackenzie. Você é tão fodidamente... — sua voz flutuou quando as mãos cobriram meus seios, puxando levemente meus mamilos e rolando-os até que eu me debatia embaixo dele.
– Tão quê? – consegui soltar. Onde eu esperava ver aquele sorriso lento e sexy, apareceu um brilho feroz intenso. Se eu não o conhecesse tão bem, teria ficado com medo.
– Minha – ele grunhiu com suas mãos acariciando até moldar meu rosto. – Você é minha.
Ele pegou meus lábios em um beijo intenso e foi como se eu tivesse ouvido um estalo, e soube que seu controle tinha ido embora. Eu apertei seus quadris como um torno enquanto ele se movia em cima de mim, sua ereção deslizando o suficiente para me deixar no limite, mas não o suficiente para me libertar. Eu só conseguia gemer e aceitar o que ele me dava enquanto me controlava, acariciando minha boca com sua língua na mesma velocidade que ele estava empurrando contra mim. Mas eu queria mais, ansiosa para sentir sua pele contra a minha, sem barreira.
O desespero me fez fazer a única coisa que faltava para que ele me possuísse: abaixei sua boxer. Ele gemeu contra minha boca e com sua mão livre tirou a boxer. Eu me inclinei contra ele, sabendo que se ele se movesse a menor fração de um centímetro, ele estaria dentro de mim. Deus, eu precisava dele lá. Eu precisava dele para parar a ânsia, para acabar com a queimadura. – Justin... – Revirei os quadris contra ele – Por favor...
Sua respiração era irregular, ele tirou rapidamente sua boca da minha e me fitou com os olhos enegrecidos de desejo. Ele também estava no limite, ele também precisava daquela sensação.
Em seguida, sua boca estava no meu seio e seus dedos acariciavam minha intimidade, deixando o fogo virar um inferno furioso. Ele sabia exatamente onde tocar, o que dar, e exatamente onde tirar. Quando ele lambeu e chupou meus mamilos, minha cabeça se debateu, meu corpo alcançando seus dedos enquanto ele os deslizava lentamente dentro de mim. Tudo em mim girava tenso, arrastando-o para dentro até que a pressão se tornou insuportável.
– Justin! – gritei quando gozei com minhas costas arqueando para fora da cama. Quando cai na cama, ele inclinou sobre mim, apoiando seu peso em seus braços. – Linda, Mack. Eu poderia fazer você gozar a cada hora de cada dia só para ver seu rosto. Hmm, você fica tão linda louca de prazer.
Estendi meus braços acima da minha cabeça, a sensação aquecendo como um motor ronronando. Corri meus dedos descendo pela expansão suave dos seus músculo e pele das suas costas, até que eu agarrei sua bunda e a puxei contra mim. Sua respiração saiu em um jorro e sua ereção me acariciou, mas ele ainda não se movia, apenas continuou olhando nos meus olhos como se ele estivesse esperando que eu recuasse, que colocasse um fim a isso.
– Peça. – ele soprou através de um gemido sôfrego.
– Justin... – girei meus quadris até que ele empurrou em minha entrada. Cada músculo de seu corpo estava rígido com o esforço que levou para manter seu controle, mas ele ainda não se mexeu. Eu deslizei meu corpo, levando-o para dentro de mim nem mesmo um centímetro. Ele fechou os olhos por um instante e, quando os abriu, eles eram tão escuros que eu não conseguia diferenciar a íris da pupila – Você é minha.
Eu estava ofegante, desesperada para tirar isso de dentro de mim, mas naquele momento eu soube que ele se referia a tudo. Ele estava sentenciando uma situação uma vez que eu estive com outros homens na cama. Mas eu era dele, completamente dele.
– Sim – eu prometi. Seu maxilar se apertou e ele olhou no fundo dos meus olhos.
– Me diz que quer isso, que não vai se arrepender amanhã ou daqui uns meses. Me diz que vai ficar e lutar por mim quando for preciso. Me diz que é de verdade dessa vez, Mack. Preciso que você seja minha.
– Sim, Justin. Eu sou sua. Eu fui sua desde que me viu pela primeira vez no campus. Eu quero isso, quero você, não vou me arrepender. Nunca. Eu te amo – puxei seu pescoço, trazendo-o para mim e enfiei a língua em sua boca, ao mesmo tempo, ele trouxe seu corpo ao meu. Então, engoliu o meu suspiro. Ele colocou sua testa contra a minha, um fino brilho de suor cobrindo sua pele, fazendo-o brilhar. Qualquer ardência que senti se dissolveu após alguns segundos e eu mexi meus quadris. – Não. Se. Mova. Porra, Mack. Você é tão apertada, perfeita.
Eu mordi suavemente seu lábio inferior – Porque você foi feito para mim.
– Eu te amo – ele sussurrou como se a confissão tivesse sido roubada dele. Obrigada, Deus. Tudo no meu mundo ficou em um maravilhoso alinhamento novamente – E eu te amo – respondi.
Algo nele se soltou e com um som primitivo, ele começou a mover-se, deslizando seu corpo no meu com impulsos medidos, dobrando meus quadris apenas para deixá-lo alinhado, assim ele empurrou dentro de mim exatamente onde eu precisava. Isso. Era. Incrível. Prazer irradiava em mim quando eu levei meus quadris contra ele por instinto, encontrando-o enquanto ele deslizava para dentro de mim de novo e de novo. Já fazia tanto tempo é era como se tivesse ficado melhor. Nossos corpos se encaixavam perfeitamente. Naquele momento descobri que toda espera tinha valido a pena. Não poderia ser melhor.
Ele me beijava enquanto empurrava, reivindicando a minha boca do mesmo jeito que estava reivindicando o meu corpo: total e completamente, nem um centímetro a mais nem a menos. Não havia uma parte minha que não lhe pertencia. Eu vagamente me perguntei se ele sempre me possuiu assim. Ele estendeu a mão entre nossos corpos e me acariciou até a insanidade. Alguns momentos depois e eu estava fora de controle.
– Mais! Sim! – exigi com uma voz que não reconheci como minha.
Ele agarrou meus quadris com as mãos e empurrou mais profundo, mais forte, batendo em mim, sem controle e eu me alegrava com isso. Meu orgasmo me atingiu, me fragmentando em pequenos pedaços apenas para rasgar-me mais longe e me juntar novamente em um momento glorioso de liberação. Gritei seu nome e abri meus olhos para ver seu rosto se contorcer quando ele chegou ao clímax. – Lucky – ele sussurrou em um grito estrangulado.
Em seguida, caiu em cima de mim, seu peso deliciosamente opressivo. Eu mal podia respirar e não queria precisar disso. Ele levantou a cabeça e me beijou com ternura. – Você está bem? – suas sobrancelhas franziram quando ele se deu conta de violência e força de seus movimentos frenéticos e fantásticos – Eu não queria me perder assim.
– Você é implacável.
Então ele sorriu e meu coração virou no meu peito – Somos implacáveis juntos.
Alisei as linhas de sua testa com o polegar e o provoquei – Hmm, acho que você vai ter que provar isso na segunda rodada.
Um sorriso travesso se espalhou no meu rosto. Ele ergueu as sobrancelhas para mim antes de reivindicar a minha boca em um beijo – Espertinha! Segundo round é o que há! – meu riso não durou com sua boca arrastando para baixo meu estômago. Perfeito.
Eu tinha encontrado minha paz novamente, meu lugar no mundo. Era ali. Eu e ele, onde quer que fosse, eu só precisava estar com ele.
•
Depois da segunda, terceira e quarta rodada, Justin e eu caímos no sono por volta das quatro da manhã. Definitivamente, esperar tinha valido a pena. Acordamos poucas horas depois com o celular dele gritando pelo quarto.
– Merda... – ele murmurou estendendo o braço pra pegar a calça no chão do quarto. Recusei-me a sair de cima dele, estava bom demais e eu estava cansada demais.
– Amor... Deixa pra lá.
– Sinto muito, é o Gabe.
Justin atendeu e teve uma conversa rápida com seu empresário. Não prestei atenção, eu estava cansada demais pra qualquer coisa. Quando ele desligou abraçou minha cintura e me puxou pra perto – Sinto muito por isso, mas temos que ir.
Murmurei de olhos fechados e afundei meu rosto no pescoço dele.
– Pra onde?
– Atlanta, Lucky. Ele já preparou o jato pra vir nos buscar – Justin disse e se remexeu beijando meu pescoço. Dei-lhe as costas e me deitei de bruços no conforto da minha cama. O ambiente cheirava a sexo e eu adorava isso. Justin traçou minha coluna com os dedos apaixonado o lençol pelo caminho. Senti os lábios dele na base da minha coluna e subindo. Um calafrio atravessou meu corpo e mordi os lábios pra não gemer.
– Hmm, não quero levantar. Nem consigo me mexer.
Ele riu e tirou meu cabelo do pescoço dando um beijo na região. Eu já estava cheia de marcas, uma a mais ou uma a menos não faria diferença alguma.
– Tem certeza? Porque eu ia falar pra gente dar uma rapidinha no chuveiro antes de sair... O que acha? – suas palavras saíram arrastadas e altamente eróticas contra minha pele. Não esperei dois segundos pra me virar e agarrá-lo.
Justin riu e me beijou. Eu não queria me levantar, mas ele tinha os argumentos certos.
Fomos pro chuveiro juntos, mas não tivemos tempo pra uma rapidinha, que acabaria se tornado algo muito maior. Meu corpo estava dolorido demais também. Vesti qualquer coisa e fiz outra mala com as últimas roupas limpas que eu tinha. Justin se trocou ficando impecável em um segundo. Eu estava no banheiro secando o cabelo quando ele apareceu pra deixar a toalha.
– Gostei do seu cabelo. Ficou linda. – ele elogiou e eu sorri mordendo o lábio.
– Obrigada.
Ele ficou me olhando secar o cabelo e tentei não ficar sorrindo toda vez que o via pelo espelho. Ugh, ele era tão lindo.
Meu celular começou a tocar e ele foi até o quarto pegando o aparelho – É a Hailey.
Desliguei o secador e atendi – Mack? Onde diabos você está? Dylan e eu já estamos no hotel, você disse que estaria aqui pela manhã.
Nós tínhamos combinado de se encontrar no hotel em Atlanta, Hailey e Dylan estavam mais juntos do que nunca. Todo mundo só estava esperando o pedido oficial de Dylan para que eles se casassem. Mordi a língua ao me lembrar disso, eu tinha esquecido completamente.
– Hmm, sinto muito Hay. Tive que vir até Chicago, mas já estou indo pro aeroporto. Sinto muito – eu odiava mentir, pra Hailey principalmente.
– Tudo bem. Brian já está aqui também e estranhamente está sorridente. Que seja, venha logo!
– Tudo bem.
Encerrei a chamada e Justin me olhou com a sobrancelha arqueada, quando viu minha expressão incomodada – O que foi?
– Como a gente fica agora?
– Juntos?!
Ele pareceu ofendido com a pergunta e ri fraco. – Quero dizer em relação a assumir ou não.
As rugas de preocupação formadas em sua testa se dissiparam e ele suspirou. – Não sei. Quero mostrar pro mundo inteiro que você é minha, mas você está de acordo? Digo, vai haver paparazzi, matérias em sites de fofocas... Você consegue lidar com isso?
Justin se aproximou e envolveu minha cintura com os braços. Abracei seu pescoço e ele sorriu – Consigo lidar com qualquer coisa se for por você.
Ele abaixou o rosto até o meu com um sorriso nos lábios – Pra sempre?
Provoquei seus lábios com os meus e sussurrei – Pra sempre.
•
– É o Lucky One!
– Justin!
De repente nós estávamos sendo cercados por dezenas de pessoas. Justin sorriu e me apertou para me proteger. Confesso que me senti um pouco invadida com todo aquele tumulto. Estávamos caminhando para a zona de embarque de vôos privados quando fomos pegos. Justin parecia estar acostumado e soube lidar muito bem com a situação.
– Hey, pessoal.
Eram todas mulheres, jovens e atrevidas demais pro meu gosto. Tentei me afastar para que ele pudesse dar atenção a todas, mas Justin apertou minha mão com firmeza me mantendo ao seu lado.
– Você pode tirar uma foto comigo?
– Ele é tão lindo!
– Você é mais gostoso pessoalmente.
Elas iam lançando elogios e pedidos ao mesmo tempo. Não senti ciúmes, talvez só um pouco, mas eu entendi. Os seguranças do aeroporto ao verem o tumulto se aproximaram para conter a confusão. – Está tudo bem, vou tirar fotos com elas.
Os seguranças se entreolharam e assentiram, mas permaneceram por perto. Puxei minha mão da dele e me afastei. Ele virou o rosto assustado e lhe dei um sorriso apaziguador.
Justin não gostou da distância que impus entre nós, mas atendeu aos fãs. Isso era tão estranho, agora ele tinha fãs. Ou melhor: fãs, fotógrafos, fofocas... E eu estava disposta a tudo isso pra ficar com ele. Eu queria o pacote completo.
Depois de quinze minutos conseguimos embarcar. Algumas das garotas estavam embarcando para o campeonato também e de acordo com o que pude ouvir elas tinham se auto-intitulado de “Luckys”.
Oh, não. Isso eu não podia aceitar.
– Quem as nomeou assim? Não gostei! – avisei enciumada, me sentando em uma das poltronas da aeronave.
Ele riu e se sentou a minha frente – Não sei quem criou o nome, mas pegou... Não se preocupa, você é a minha única Lucky.
Rolei os olhos, mas acabei sorrindo. Deus, eu não podia evitar. Ele me fazia feliz.
•
– Provavelmente vai haver fotógrafos na saída. Eles vão ser rudes, então fique atrás de mim ok?
Balancei a cabeça assentindo ainda sonolenta. Eu tinha dormido por todo o vôo e desejava dormir mais, minhas necessidades noturnas não tinham sido totalmente supridas. A duas horas de vôo não tinham sido o bastante. – Tudo bem.
Cocei os olhos e ele sorriu me puxando pra um abraço. Saímos do avião juntos, eu me recusava a soltá-lo assim como ele também.
Combinamos de assumir tudo isso depois da primeira luta dele. Todos estariam lá e seria um bom momento. Como Justin havia me dito, havia sim fotógrafos na área de desembarque, mas a segurança no aeroporto de Atlanta nos ajudou. Passamos pela área restrita até o estacionamento onde havia um carro à espera dele.
Quando chegamos ao hotel convenci Justin a me deixar ir atrás de Hailey e Dylan. Ele não gostou da ideia, mas sai de toda aquela concentração encima do “astro das lutas” já no estacionamento do hotel. Havia uma série de seguranças e pessoas o recepcionando. Ri fraco e acenei de longe, ele não estava gostando daquilo, mas era seu trabalho.
Entrei no hotel como uma pessoa normal e fiz o check-in. Liguei pra Hailey e eles estavam na área de interação do hotel, deixei minhas malas no quarto e desci para encontrá-los. Brian me abraçou assim que viu e aproveitou para zombar das marcas no meu pescoço, Hailey e Dylan não entenderam, apenas me cumprimentaram e eu sorri. Tinha sentido falta deles.
•
Justin Bieber
Eu não tinha mais visto Mack desde o momento em que ela foi fazer o check-in sozinha. Isso me irritava. Quando Gabe me achou a coisa ficou pior, eu tinha entrevistas pra dar, pessoas pra falar. Fotos... Eu queria ficar com a minha mulher, ou fazer tudo isso com ela ao meu lado. Nós trocamos mensagem por todo o tempo e ela estava se divertindo por aí com Brian, Dylan e Hailey.
Taylor tinha me ligado avisando que eles já estavam embarcando e Jason também. Jaxon não viria dessa vez, ele estava com trabalho na oficina de personalização de carros e motos. Era o sonho do cara e, quando tive grana o suficiente, tive que dar isso a ele. Jeremy e Angel só viriam pra minha grande luta dali a dois dias.
Zeff estava por aí dando entrevistas para revistas de sports. Ele tinha se tornado um treinador requisitado no ramo, então quando Ryan me encontrou ele resolveu que faríamos um aquecimento colocando o papo em dia. Pegamos um dos ginásios de treinamento que estavam vazios e entramos em um mano a mano. Só pra esquentar.
Ele tentou me dar um gancho, mas recuei saindo da zona de perigo. Ele riu e se virou pra mim – Velocidade, gostei. Como está a Brooke?
Não respondi de início, lancei meu punho direito contra seu rosto atingindo a máscara protetora.
– Agora ela está bem. Mas tivemos alguns problemas.
Ele cambaleou e sorriu maldoso vindo pra cima. Nós começamos um combate no chão, ele era bom nisso e me prendeu duas vezes, mas consegui sair do golpe.
– Puta merda! É Justin Bieber! – uma voz histérica soou pelo ginásio vazio e levantei o rosto vendo uma garota perto da entrada com um homem ao seu lado. Ela parecia ser o tipo de groupie que eu costumava levar pra sair nos tempos antigos.
Ryan saiu debaixo de mim e nos levantamos. O espaço estava fechado pro meu treino.
– O que estão fazendo aqui? A área é restrita. – avisei.
Ela me olhou como se eu fosse uma miragem e sorriu. O homem ao seu lado estava de braços cruzados, firme. Ele não me era estranho, mas eu tinha visto muita gente pelos corredores da arena nas últimas horas. Pelo jeito que ele me olhava parecia me conhecer. Ou o cara poderia ser de alguma escuderia, ou um lutador de uma categoria inferior.
– Ryan Butler! Oh, my God! A Kayla vai enlouquecer quando eu contar. Posso tirar uma foto?
Ryan olhou pra mim e riu dando de ombros, retirando o equipamento de proteção.
– Nunca negue nada aos fãs, cara.
Ele passou pelas cordas do ringue e pulou no chão, o segui olhando os dois ainda contrariado – Você pode autografar meu peito?
Ryan ergueu a sobrancelha e riu pegando a caneta. Ele adorava as groupies, era um sinal de sexo fácil e diversão – Qual seu nome, baby?
– Sam.
– "Para deliciosa Sam com muito prazer, do Break Butler". Gostou? – ele recitou a assinatura e ela sorriu animada. Ela e o cara eram muito semelhantes – E você, dude? Vai querer um autografo no corpo também?
Permanecendo imóvel, ele apenas lançou um olhar rude a Ryan.
– Sou um lutador, babaca.
– Lutador? Do quê? Da categoria infantil?
Ryan riu de sua própria piada, mas percebi a tensão. – Ry...
– Qual é, o MMA está perdendo sua essência. Desde quando temos pirralhos nas lutas? A menos que você seja um sparling.
– Ei. Ele tem dezenove – Sam o defendeu.
– E você. Quinze? – ele respondeu tocando o queixo dela. A garota rolou os olhos, contrariada e retirou o rosto do toque dele. – Vão embora, crianças. Temos trabalho a fazer.
Ryan sinalizou pra que eles saíssem. O cara não parou de me olhar.
– Vamos, Scott.
Sam o puxou pelo braço e eles sumiram por onde tinham entrado. – Sabe quem é ele, Ry?
– Não. Não sei o nome nem dos meus seguranças, você acha que vou saber de um lutador qualquer? Fala sério – ele pegou as luvas novamente se preparando para subir.
Balancei a cabeça deixando o assunto pra lá e voltei pro ringue.
•
Mackenzie
"Quarto 10342, quero você aqui agora."
– Hm, gente. Acabei de ver um fotógrafo que conheci em Londres e... Vou dar um oi, ok?
Eles assentiram e voltaram a conversar. Andei apressada até os elevadores e o fluxo de pessoas estava tão grande que levei quase cinco minutos até chegar ao andar de Justin. Toda hora alguém descia num andar.
Quando o meu chegou desci rapidamente e bati na porta diversas vezes. Justin abriu e me puxou pra dentro. Seus lábios encontraram os meus antes que eu pudesse ver.
– Hey, o que é isso?
Questionei rindo quando partimos o beijo. Ele não disse nada e beijou minha bochecha.
– Saudade. Isso é saudade. – Justin desferiu uma série de beijos ao redor do meu rosto e então notei que ele estava apenas de toalha, recém saído do banho.
– Estamos sozinhos? – questionei.
Ele olhou pra mim cheio de luxúria e riu. – Sim, mas tenho que me arrumar pra uma coletiva antes da abertura. Te chamei pra você me ajudar a escolher o que vestir.
Cruzei os braços e fitei seu físico coberto apenas pela toalha branca.
–Esse olhar de novo? Quer acabar comigo, meu amor?
Ri alto e balancei a cabeça. Ajudei Justin a escolher uma roupa e no final eu tinha ficado incrédula com tamanho charme daquele homem. Como ele conseguia ficar tão sexy dentro roupas sociais?
Justin digitou algo no celular enquanto eu andava pelo seu quarto enorme. Ele terminou de arrumar seu cabelo e se virou pra mim com uma expressão desconfiada.
– Tem algo que eu quero te falar...
Pelo tom de voz dele pressenti que não era nada bom.
– O quê?
– Você sabe que me importo com você, certo?
Arqueei a sobrancelha e assenti. – Vá direto ao ponto.
– Zelo pela sua segurança. E vou estar muito ocupado por aqui... Não quero você sozinha.
– Não estou sozinha. Brian está o tempo todo do meu lado.
Ele suspirou e me puxou pela cintura – Vou deixar um segurança com você.
– Segurança? Tipo aqueles homens que cercam você? – Ri alto – Nem pensar!
– Mack...
– Não preciso de um segurança. Sei me cuidar sozinha.
– Eu sei que você sabe, mas... Apenas aceite, ok? Eu cuido de quem amo. E eu amo você em proporções catastróficas.
Tive de sorrir com isso. Não importava, ele sempre vencia de qualquer maneira. Eu estava feliz, merda eu estava muito feliz.
•
Penn
Sai do quarto apressada, Taylor podia ser um ótimo pai, mas eu não confiava muito nele quando Dylan estava por perto. Peguei a fralda e corri de volta pro elevador, mas ele tinha acabado de fechar.
– Droga.
Bufei e apertei o botão repetidas vezes, como se isso o fizesse chegar mais rápido.
– Penn? – olhei pro lado assustada vendo Brian caminhar na minha direção. Ele pareceu surpreso e levou algum tempo até finalmente sorrir. Respondi com um gesto comedido e dei um passo pra trás nervosa.
Eu tinha disfarçado bem ao longo dos anos, mas não era como se eu tivesse esquecido totalmente daquela noite. Mas eu não tinha. A memória ainda era bem vivida na minha cabeça assim como a culpa.
– Oi, Bry.
Ele se inclinou e me deu um beijo na bochecha. Não era como se ele ficasse a vontade também, ao menos quando estava bêbado. Eu sabia que ele sabia do acontecido, mas ele não tinha a mínima idéia da vivacidade das lembranças na minha mente. Eu nunca tinha me perdoado por tal, nem sei se o faria. Em uma única noite eu tinha traído o homem que eu amava. Taylor era tudo pra mim, a maior das minhas certezas, ele era a melhor coisa que tinha acontecido na minha vida. Eu o amava, tanto, que chegava a doer.
A noite em que Brian e eu nos relacionamos despertou algo em mim, eu sempre notei seus olhares em mim, mas nunca imaginei algo daquela forma. Simplesmente deixei acontecer, me deixei levar pela bebida para experimentar algo e matar a curiosidade. O meu maior erro.
Ele não estava lá de qualquer forma quando acordei, ele tinha saído. Brian tinha me deixado e talvez pra ele só tivesse sido uma mera diversão. Não importava, ambos decidimos esquecer aquela maldita noite e seguir nossas vidas da melhor maneira possível. Eu tentei, pelo menos.
– Você está linda... Quero dizer, está ótima pra quem teve uma filha...
Ele sorriu sem graça e enfiou as mãos no bolso. –Obrigada.
O silencio pairou e nunca foi tão incomodo estar perto dele.
Quando o elevador chegou andei apressada para dentro e acabei esbarrando no rapaz que saia, ele não se preocupou em me segurar. Brian o fez nos carregando para dentro. Eu estava em seus braços, seus olhos verdes brilhando tão intensamente que me hipnotizaram, nossos lábios a milímetros de distância e foi como voltar aquela noite.
•
Mackenzie
No final eu tinha cedido ao pedido de Justin, deixei que um segurança ficasse por perto. Claro que não quando eu estivesse com meus amigos. Isso seria suspeito demais. Andando pelos corredores dos bastidores, já que Jett tinha me dado credenciais de passe livre, aproveitei para fotografar algumas cenas que me chamaram atenção, apenas pra complementar meu trabalho. Avistei Brooke de longe conversando com algumas pessoas e engoli o seco. Eu precisava deixar as coisas claras com ela, antes que ela tivesse a chance de atrapalhar meu relacionamento novamente. Por sorte seu numero de celular ainda era o mesmo, lhe enviei uma mensagem para que ela me encontrasse em uma das salas.
– Kaden? – chamei meu guarda costas que estava de prontidão sempre atrás de mim como se alguém fosse me atacar em algum momento.
– Sim?
– Você pode ir pegar algo pra eu beber? Estou com sede e não há nada aqui. Não quero abusar, mas... Por favor? – pedi com um sorriso e ele riu fraco assentindo.
– Tudo bem.
Sorri agradecida me sentindo um pouco mau por enganá-lo. Caminhei apressada até a sala que eu tinha dito a Brooke e deixei minha bolsa no canto. Eu estava nervosa, mas decidida acima de tudo. Justin e eu não deixaríamos mais nada entre nós. Era a nossa vez de ser feliz.
Quando Brooke abriu a porta não esperou me encontrar. Seus olhos se encheram de raiva e ela bufou.
– O que você quer?
– Resolver isso.
Arqueando a sobrancelha, ela fechou a porta e deu um passo a frente.
– Isso o quê?
Respirei fundo, pronta para começar a resolver o que estava sendo meu maior problema há um tempo.
– Eu, Justin e você. – ela já sabia do que se tratava, é claro que sim. Só não esperou tanta objetividade da minha parte. Brooke conhecia Justin, mas não a mim.
– Antes que você comece com aquele papinho de sempre "eu estava lá", "você deixou ele" e blá blá blá, quero que saiba que eu não dou a mínima pra isso. Ok? E dai, que você estava lá? Você só estava porque eu não estava. Você não foi o suporte dele, Brooklyn, você foi o estepe. Ele não tinha quem queria, então arranjou alguém. É claro que você ajudou o Justin. Isso é nítido e não tenho nenhum problema com isso, meu problema é com você achando que tem alguma autoridade pra cima dele. – de repente ela tinha ficado ainda mais pálida e tentei continuar com a mesma compostura – Você o ama. Eu sei que ama, e não estou interessada se ele tirou sua virgindade, foi seu primeiro beijo ou seu amor da infância. Ele não te ama assim. Você sabe disso. – ela engoliu o seco com o meu discurso regado a tudo que ela já sabia, mas fingia não ver. – Você vê isso. A essa altura você já deve saber que ele e eu estamos juntos de novo. Começando do zero e tomando cuidado pra não cometer os mesmos erros. Você foi um erro, mas não estou disposta a fazer ele escolher entre você e eu. Sei que ele sofreria com a escolha porque você é importante, Tyler é. Dessa vez, não vou deixar nada atrapalhar o nosso relacionamento. Nem você, nem ninguém. Então eu espero de verdade, que você apenas caia na real e veja que você já o perdeu. – sorri – Ou melhor, ele nunca foi seu de verdade.
Brooke não disse nada. Sua face deixava clara que ela ainda absorvia cada palavra. Eu podia imaginar o quão duro pra ela seria entender isso, mas não sentia a mínima pena. Suspirei e dei de ombros – Só queria deixar isso claro. Adeus.
Passei por ela, mas ela segurou meu braço.
– Você nunca vai amá-lo como eu.
Ri fraco balançando a cabeça. – Jurar? Só porque você tem algum tipo de amor platônico pelo Justin acha que seu sentimento vale mais?
– Você o deixou. Você só ficou nos momentos bons. Eu fiquei lá. Sempre estive com ele mesmo ele amando você. Você acha que foi fácil ver o homem que eu amo ficando comigo só pra suprir a necessidade de outra?
– Não consigo sentir pena de você.
– Você acha que eu quero pena? – ela suspirou – Não vou mais me meter entre vocês. Eu mereço ser amada por alguém de verdade. Justin só sabe... Ele é fissurado em você.
– Ainda bem que você sabe disso. Acho que entramos em um consenso.
Forcei um sorriso e passei por ela abrindo e fechando a porta de volta para aquele corredor movimentado. Eu não conseguiria descrever com palavras o quão leve e feliz eu estava me sentindo, dessa vez era de verdade. Estava mesmo acontecendo.
Andei apressada para onde Justin estava com alguns patrocinadores e mandei uma mensagem a ele, de longe vi quando ele puxou o celular do bolso e sorriu. Ele pediu licença para o grupo e veio me encontrar em uma das salas de equipamentos.
Assim que ele fechou a porta, pulei em seus braços tomando seus lábios. Ele me segurou surpreso, mas sorriu e me segurou com firmeza. Nossas bocas se encaixavam perfeitamente, seus braços foram feitos para me segurar, claro que pra bater em um bando de idiotas também. Não importa o quão clichê soe, nós fomos feitos um para o outro.
– Hmm, que delicia.
Ri fraco e ele me deu mais um beijo estalado. – Posso saber o que eu fiz pra ganhar isso?
– Essa é a sua recompensa apenas por me amar. – sorri e ele sorriu largo com um brilho encantador nos olhos.
– Eu te amo demais pra ganhar só um beijo.
– Que tal passar o resto da sua vida comigo? Com beijos a toda hora, você e eu tendo uma vida inteira pra chamar de nossa. Quem sabe filhos, um cachorro chamado Spike...
Justin afrouxou o aperto e sorriu um tanto descrente do simbolismo por traz das minhas palavras.
– Você está me pedindo em casamento?
Ri alto – Eu poderia... Mas vou deixar isso por sua conta quando achar que é a hora. Estou mais do que certa de que nada mais vai acabar com a gente. Não vou deixar ninguém destruir nosso amor. Nem que eu tenha que nocautear alguém, e olha que eu faria isso, viu?
Ele riu e me puxou de novo. – Puta merda, os caras vão acabar comigo.
– Por quê?
– Porque depois dessa sou obrigado a beijar o chão que você pisa.
Ri jogando a cabeça pra trás e ele me acompanhou.
– Acho que posso te dar uma coisa melhor pra beijar. – murmurei encostando meu nariz no seu. Ele sorriu e fechou os olhos mordendo o canto do lábio. Justin me beijou. Não como costumávamos nos beijar. Havia uma dose inigualável de amor e reivindicação. Foi como o nosso primeiro beijo, ele tentando me convencer de que era ele que eu queria. E ele sempre esteve certo.
– Hmm, tô me apaixonando por você de novo.
– De novo?
– Me apaixono por você a todo momento. Mais e mais sempre.
Sorri e puxei seus lábios em um beijo carinhoso.
– Eu te amo, garotão.
Ele suspirou como se ouvir aquilo trouxesse uma paz pra si.
– Eu te amo, Lucky. Pra sempre.
O celular dele começou a tocar estragando todo o momento e ele xingou. – Pode atender. Você tem um trabalho a fazer e eu... Bem, vou ficar te admirando de longe. Pode ser?
Ele gemeu e apertou minha nuca me beijando de novo. – Para de falar assim. Você acaba comigo desse jeito – ele murmurou e beijou meu pescoço me abraçando.
– Atende!
O soltei e ele atendeu, era só Kaden, um dos seguranças que ele tinha contratado pra me proteger enquanto estivéssemos ali.
– Ela está aqui. Tudo bem. – ele encerrou a chamada e olhou pra mim.
– Ele disse que você o enganou. Não quero você sozinha por aqui. É sério, amor.
Suspirei e assenti. – É incomodo ficar com alguém no seu pé. E eu sei me cuidar sozinha. Sem contar que... – me aproximei e passei as mãos pelos ombros dele novamente – Eu tenho você.
Ele sorriu e me beijou. Sai antes que fôssemos pegos em algo muito mais intenso.
Fiz meu caminho para a sala onde eu tinha esquecido minha bolsa, Brooke já deveria ter saído de lá a essa altura. A porta estava entreaberta e quando toquei a maçaneta a voz exaltada dela e Zeff lá dentro me impediu de entrar.
– Eles estão aqui, Zeff. Eles estão aqui!
A mulher parecia desesperada em níveis catastróficos. – Você precisa se acalmar. Não vai acontecer nada. Scott e Justin são de categorias diferentes. Eles não vão cruzar o mesmo caminho.
Quem era Scott?
– Você não tem como saber. Eu não tenho como saber! Zeff, isso vai acabar mau. Isso vai acabar muito mau! – escutei um soluço e segurei ainda mais firme a porta. –Ele estava confiando em mim de novo e... Ai meu, Deus.
– Olha pra mim, se acalma. Está tudo sob controle, você não precisa se preocupar agora.
– E se... Oh, Deus. E se ela estiver aqui? Justin vai reconhecê-la. Ele vai ver que sua mãe está viva!
Um choque atravessou meu corpo com a revelação e só me dei conta do que tinha feito quando me ouvi:
Balancei a cabeça fitando o prato com meu café e forcei um sorriso cordial.
– Sim. Eu só estou... Nervosa. Hoje é o grande dia dela.
– Entendo. Nunca imaginei que estaria aqui pra viver e organizar tudo isso. Penn sempre foi tão... Dura consigo mesma e agora teve uma filha e vai se casar. É uma parte do meu sonho se tornando realidade.
Mamãe abriu um sorriso orgulhoso e balançou a cabeça.
– Parte?
Ela levantou o olhar e sorriu pra mim. – Ainda falta você e o Peter, mas do jeito que ele anda... – ela rolou os olhos e rimos. – Você e o Brian...
– Não, mãe. Brian e eu somos amigos.
– Vocês se gostam, filha. Da pra ver no jeito que se olham.
– É claro que sim, mãe. Mas não é um romance. Ok? Nós gostamos um do outro, mas amamos outras pessoas.
Deixei o prato de lado perdendo a fome. Pam se sentou a minha frente e se endireitou na cadeira. – É ele, não é? – ela disse baixo como se alguém pudesse ouvir.
Eu me perguntava se era tão notável assim. Em minha visão eu não agia de forma diferente perto de Justin ou fazia qualquer coisa que pudesse me denunciar, mas ela era minha mãe. Elas devem ter algum tipo de sensor em relação a isso.
– Não sei. – mordi o lábio – É apenas confuso!
Pam riu pela minha confusão e eu bufei. – O amor é confuso, querida. Você acha que com John e eu foi fácil? Algumas coisas vão dar errado, outras vão dar certo e entre esses momentos você vai pensar que não nasceu pra isso, vai até parar de acreditar que o "felizes pra sempre" existe, mas vai passar. – seu jeito doce de me dizer tudo aquilo estava me levando a adolescência quando tive meu coração partido pela primeira vez, naquela época foi o fim do mundo. Mas hoje eu vejo que não foi nada, apenas uma desilusão de muitas.
– Isso me assusta. Meu coração e minha cabeça não concordam e eu acho que estou enlouquecendo.
Ela riu e apertou minha mão por cima da mesa.
– É ai que você percebe que está amando. – Pam se levantou sorrindo e me deixando sozinha na cozinha.
Era pior agora. Minha cabeça já tinha desistido de tentar entender o que estava acontecendo com o meu coração e na noite passada. Eu não queria pensar em como era errado o que Justin me fazia sentir e no que tínhamos feito. Eu queria Brian, as coisas eram muito mais simples quando ele estava ao redor.
Me levantei tirando meu prato da mesa e deixando na pia. A casa estava um caos, pessoas corriam pra lá e pra cá e eu não queria estar no lugar deles. Os rapazes tinham saído, Taylor não podia ficar em casa por enquanto. Penn estava tendo seu tratamento de beleza e eu apenas fiquei no jardim observando tudo.
– Mack.
Sua voz estava carregada de problemas. Nós éramos um problema juntos.
Contrariando minha cabeça me virei e o encarei. Justin estava parado com as mãos enterrados no bolso da calça jeans, ele vestia uma camiseta branca e tênis, seus óculos escuros cobriam suas íris.
– Não me olhe assim.
– Você quer que eu te olhe como? – cruzei meus braços tentando parecer mais firme e dura.
– O que aconteceu ontem a noite...
– Foi um erro.
– Não foi um erro. Você me beijou de volta! – ele rebateu sorrindo sarcástico.
– E estou profundamente arrependida por causa disso. – respirei fundo e desviei o olhar das lentes – Eu disse que não fazia sentido tentarmos uma amizade.
Ele suspirou e balançou a cabeça – Você não quer ser minha amiga porque tem medo de se envolver. E as nossas regras?
– Aquelas que você quebrou ontem? – o lembrei e ele abriu um sorriso.
– Você adora fazer isso. Fingir que não está sentindo nada e colocar a culpa em mim, porque geralmente eu sou o errado sempre. Eu sou a razão dos seus problemas, eu sou o cara que você não consegue se controlar quando está perto. Eu-
– Você é... – ele me interrompeu puxando minha cintura contra ele com força.
– O amor da sua vida.
Justin aproximou sua face da minha e segurou minha nuca provocando minha boca. Minha cabeça dizia não, mas meu corpo gritava sim. Meu coração bateu acelerado, minha pulsação acelerou e todo o ar sumiu dos meus pulmões. O cheiro dele, seu aroma natural me capturou novamente e apertei seus ombros desejando partir aqueles milímetros de distancia e sentir seus lábios contra os meus novamente.
– Mack? Mamãe está te chamando. – Pete me chamou despertando-me desse pesadelo.
Automaticamente empurrei o corpo de Justin tomando uma distancia racional novamente. De novo não, eu estava quase me jogando aos pés dele novamente.
Me virei pra Pete que nos olhava em um misto de confusão e irritação. Ele estava de braços cruzados e com a postura dura, seus enormes olhos azuis me julgavam, mas não fiquei ali pra escutar seu discurso. Apressei o passo passando pelos dois entrando em casa. Eu precisava respirar longe dele, longe de mim mesma.
•
O vestido das madrinhas era azul. Zoey, Hailey e eu estávamos todas com vestidos em um azul turquesa profundo, mas de modelos diferentes. Penn estava fantástica, seu vestido era um tomara que caia com um decote elegante, era justo até a cintura e onde um fino e delicado laço azul separava o corpete da saia de tule rodada e cheia. Seu vestido inicial era incrível, mas esse... A deixava sexy e delicada ao mesmo tempo. Seus fios claros estavam soltos e enrolados presos a lateral esquerda com um acessório elegante. O "algo velho" era o pingente em forma de gota de família. O "algo novo" eram o par de Loubies que Taylor havia comprado, eles eram exclusivos; o "algo azul" era o solitário dos Sweet Sixteen que eu e ela havíamos recebido em nossa festa. A tradição tinha sido cumprida com êxito e ela estava deslumbrante. A maquiagem acentuava seus traços únicos, e como a cerimônia era diurna não havia necessidade de algo pesado.
– O buquê!
A correria no quarto era grande, mas Penn estava calada e pensativa sentada na penteadeira. Zoey tratou de encontrar o buquê e eu me aproximei dela.
– Você está linda. – elogiei apertando seus ombros. Ela sorriu e respirou fundo.
– Não consigo acreditar que está mesmo acontecendo. É tão... – ela mordeu o lábio nervosa. – Eu sei. – concordei e ela cobriu minha mão.
– É a hora do seu "e eles foram felizes para sempre". – sorri e ela rolou os olhos.
– Isso me assusta. O Tay é um idiota e... Porra, eu acabei de ter uma filha dele. Nós vamos nos casar e... Eu o amo tanto, Mack – ela disse começando a ficar com a voz embargada.
Me sentei ao lado dela e a abracei.
– E ele te ama muito mais. Ok? Ele beijaria o chão que você pisa se você pedisse.
Ela riu e soltou o abraço. – Esse é o nosso sonho de criança, não é? É o seu conto de fadas e vamos tornar isso real. – disse respirando fundo e engolindo o choro.
– Tudo bem. Droga, estou quase borrando a maquiagem. – ela disse rolando os olhos e engolindo o choro.
Nós rimos e logo Maggie entrou apressando a todos, Pam estava com Lily e tudo já estava pronto. Do lado de fora o sol raiava em uma tarde brilhante, de céu azulado. Tudo estava convergindo a favor daquela união.
Abracei Penn pela ultima vez e fiz meu caminho para baixo. Meu celular apitou em uma mensagem de Brian avisando que já tinha chegado e eu sorri aliviada. Eu não tinha visto Justin desde o quase incidente no jardim e preferia que fosse assim. Teríamos de ficar lado a lado durante toda a cerimônia e isso já era ruim o bastante.
Os convidados já estavam sentados nas centenas cadeiras dispostas no jardim. O arco de flores cruzava a entrada e havia uma trilha de rosas brancas que levavam até o altar montado, Taylor estava lá vestindo um smoking perfeito, ele estava lindo e extremamente nervoso. Justin estava ao seu lado, Dylan e Brian que acabara de se juntar a eles. Ele sorriu pra mim da forma mais doce do mundo e com aquele seu jeito atrapalhado de ser. Todos eles estavam perfeitamente trajados em smoking e eu não podia dizer o quão lindo todos estavam.
A música começou ao fundo vinda da banda contratada e Zoey era a primeira da fila começou a caminhar, Hailey e Sara foram atrás, todas segurando uma rosa branca. Era a minha vez, mas eu estava estática com o olhar de Brian e Justin em mim. Eu não sabia pra qual eu deveria olhar ou não olhar, ambos me fitavam com sorrisos.
Dei o primeiro passo e fiz meu caminho para o altar. Penn entrou de braços dados com Pete e Joseph. Fiz meu lugar no altar ao lado de Brian e ele me abraçou discretamente. – Acho que fiquei hipnotizado com você. – ele sussurrou na minha orelha e eu sorri abaixando a cabeça. – Linda não consegue descrever como você está agora.
Brian apertou minha cintura levemente e me senti horrível por conta disso. Ergui minha cabeça determinada a prestar atenção na entrada de Penn e me arrepiei ao ver ela entrando tão graciosa e firme. Ela era incrível e entrou sorrindo como se o mundo inteiro pertencesse a ela, mas ao mesmo tempo seu olhar era calmo, apaixonado e sincero. Taylor não conseguia parar de sorrir, nem desviar o olhar de sua futura esposa, ninguém conseguia. Pam me entregou Lily que vestia um vestidinho branco delicado com alguns detalhes azuis como o das madrinhas. Penn quase chorou ao vê-la não meus braços quando chegou ao altar. Ela dormia graciosamente nos meus braços.
A cerimônia correu conforme todo o planejado. Havia sido perfeita, a menos pela parte do beijo, Taylor e Penn simplesmente esqueceram que estavam em público e se beijaram intensamente. Assim que pôde Penn tirou a filha dos meus braços e os dois se beijaram novamente com o fruto de seu amor entre eles.
Não foi necessário dizer que chorei, todas as mulheres choraram.
– Eu vos declaro, marido e mulher.
Uma salva de palmas correu o ambiente e os recém casados fizeram seu caminho pela trilha de pétalas. O felizes para sempre deles começava agora.
Assim que a platéia desviou a atenção do altar, Brian me virou e me abraçou apertado.
– Cacete, eu estava me controlando pra não agarrar você. – ele disse dando beijos pelo meu rosto carinhosamente. Sorri envolvendo seu pescoço com os meus braços e ele tomou meus lábios sem pensar duas vezes. Senti o olhar de alguém queimando sobre minhas costas, mas não dei atenção a isso. Era Justin ali, ele precisava saber que aquilo tinha sido um blefe, ele tinha de ver que eu estava bem com outra pessoa e aquela era a hora.
Quando o ar se fez necessário, parti o beijo e Brian mordiscou meu lábio inferior em provocação.
– Senti sua falta.
– Duvido que tenha sentido mais do que eu. – ele rebateu e Justin passou como um raio ao nosso lado.
Brian o olhou por cima do meu ombro e ficou sério.
– Devo me preocupar?
Mordi o interior da bochecha e engoli o seco. Eu não conseguia mentir nem se quisesse pra ele. – Vamos falar disso depois.
Brian aceitou meu pedido silencioso para acabar o assunto e logo a festa começou. O amplo jardim serviu perfeitamente para as mesas, banda, bares e buffet. A piscina estava com flores assim como toda a decoração baseada em rosas. Tudo estava perfeito, a música que tocava era suave e ambiente, os convidados começavam a conversar entre si e iam para suas mesas.
Dylan e Hailey vieram conversar comigo e Brian. Ele não me soltou por nenhum minuto e eu podia dizer que sentia segura com sua proximidade e possessão. Não éramos um casal de verdade, mas eu amava ser vista com ele. Fazíamos bem um pro outro.
– Parabéns aos noivos! – Bry saudou-os quando eles se aproximaram. Lily já tinha voltado pros braços da mãe de Taylor, e Pam e ela estavam em uma pequena guerra por conta disso.
– Obrigado, cara. Pensei que você não ia chegar a tempo. – Taylor comentou abraçando o amigo. Penn sorriu pra mim e nos abraçamos pela milionésima vez naquele dia. Trocamos e foi a minha vez de abraçar Taylor. – Parabéns, Tay. Cuida bem das minhas garotas ou eu mato você!
– Não dá pra negar que eles são da mesma família. – ele murmurou e eu ri.
Percebi Brian levando um bom tempo no abraço com Penn e ele discretamente cheirando ela. Ele parecia tocado e me senti mau por isso. Quando eles se soltaram, Brian lançou um sorriso triste a ela e só quem sabia do seu amor por aquela mulher podia notar seu olhar sobre ela. Taylor nem ao menos percebeu, duvido que Penn tenha notado também. Mas eu sabia e eu entendia.
Me enganchei em seu braço e o abracei de lado sorrindo pra ele.
– Com licença, temos que falar com um monte de gente ainda.
Assentimos e eles saíram.
– Preciso de uma bebida. – ele disse depois de um suspiro e segurei seu rosto.
– Brian...
– Ela tá linda pra caralho e olha o sorriso dela, Mack. Puta merda, eu não devia ter vindo. – ele balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto.
Ver sua agonia me deixava triste. Não havia dúvidas do amor dele por ela e eu não tinha ideia do que fazer pra fazê-lo se sentir melhor. Eu nem sabia se havia alguma forma disso.
– Sinto muito.
Ele sorriu da forma mais destruidora do mundo e o abracei com força. – Eu também.
Ele me envolveu com os braços e me apertou. Afundei meu rosto em seu pescoço respirando fundo. Brian era o meu melhor amigo e eu sabia que podia dizer tudo a ele, talvez não fosse o melhor momento, mas eu poderia mudar o rumo de seus pensamentos.
– Beijei ele, Bry. – admiti e fechei os olhos o apertando mais. Brian afrouxou o aperto e segurou a respiração.
– Você o quê?
– Sinto muito, me desculpa. Eu não... Sou uma idiota! – disse nervosa recebendo seu olhar incrédulo.
Não por conta da "infidelidade", nós não tínhamos um compromisso fixo um com o outro e eu nunca ficava chateada quando Brian ficava com outras mulheres, eu sabia que essa era a válvula de escape dele. Era uma necessidade de seu corpo para ignorar a dor em seu coração.
– Mack...
– Eu sei! Me desculpa!
Ele tocou meu rosto e sorriu fraco – Não precisa pedir desculpa pra mim, mas... Porra, ele é um idiota.
– Eu sei. Estou arrependida. - mordi o lábio brava comigo mesma.
– Me diz que ficou só no beijo.
Assenti sem pensar sem duas vezes. Eu não conseguiria encara-lo se tivéssemos transado.
– Fico aliviado.
Um garçom passou com uma bandeja de champanhe e pegamos duas.
– Por amar a pessoa errada. – ele ergueu para um brinde e fiz uma careta.
– Isso é uma péssima razão pra brindar.
Ele riu, ergui minha taça e brindamos aquele motivo horrível. – Quer saber? Não importa, você é minha amiga colorida, mas também é a minha garota, então vou tirar proveito disso. – ele disse depois de beber todo o conteúdo da taça. Brian deixou a taça em uma mesa perto de nós e abraçou minha cintura. – Aproveita que ele tá olhando pra gente e me beija que nem você faz quando está com tesão. – me engasguei com o ultimo gole e tossi fraco me recuperando. – Brian! – o repreendi e ele riu.
– Estou falando sério. – ele murmurou encarando Justin atrás de mim e balancei a cabeça envergonhada. Abracei seu pescoço e tomei seus lábios com leveza, mas intensidade.
Brian e eu tínhamos uma boa química, meu corpo reagia a seus estímulos, mas não era como se meu coração palpitasse e o mundo derretesse ao nosso redor quando seus lábios encontravam os meus. Era horrível comparar, mas não era como se fosse Justin ali.
Quando nos separamos e abri os olhos, encontrei seus lábios vermelhos por conta do meu batom e inchados por conta da intensidade.
– Uau, você levou isso a sério. Está com tesão, Manson?
Ri balançando a cabeça com a provocação dele. – Cala a boca, Stephens.
Ele riu e me apertou contra si.
Por mais que eu tentasse evitar meus olhos caçavam Justin por aqui e por ali. Eu temia encontrá-lo, mas queria ter ele no meu campo de visão. Havia uma série de mulheres na equipe do buffet e eu podia apostar que ele estava se engraçando com alguma. Mas eu não me importava de verdade, pelo menos era isso que eu queria acreditar.
•••
Justin Bieber
– Não. Isso não está sendo como eu pensei que fosse.
– Cara, ela está com o Brian. Aceite. – Jaxon disse tirando uma comigo.
– Quem disse que ela é o problema?
– Está escrito na sua testa que você está se remoendo. Nunca vai superar essa mulher, não?
– O que é superar pra você? – peguei minha bebida e ele rolou os olhos – Você nunca amou alguém, por isso não sabe do que estou falando.
– Você não sabe de nada. – ele deu de ombros e sorriu – Há tanta mulher disponível no mercado, não preciso ter só uma.
Era ridículo como meu pensamento antigo tinha nascido na cabeça dele. Eu era assim, eu podia ser o mais novo dos três, mas agora eu era mais maduro do que Jaxon em níveis inimagináveis. Ele era um idiota. Jason estava por ai com Susan, sua nova namorada. Jeremy e Angeline estavam conversando com os pais de Taylor e mimando Lily. Jaxon e eu éramos os únicos sozinhos da família.
– Foda-se.
– Cadê a Brooke? – ele lembrou.
Eu não tinha falado com ela desde a manhã passada, ela disse que me ligaria quando tivesse alguma informação sobre Frederich, mas ainda não tinha dado sinal. Puxei meu celular do bolso e chequei a caixa de mensagens que também estava vazia.
– Ela está em Ohio. A trabalho. – inventei uma desculpa qualquer e ele assentiu.
– Quando começa as lutas do Sparta?
Ter um lutador na família fez com que todos se ligassem no esporte. Jaxon sempre dava um jeito de ir assistir minhas disputas importantes, Jeremy preferia assistir de casa. Ele dizia que não iria se controlar se me visse apanhando ao vivo. Jason não tinha tempo pra ver, ele não me tratava como se eu fosse um astro e eu gostava disso. Ele teve um papel importante no meu amadurecimento nos últimos meses. Ter alguém pra conversar, alguém que me desse realmente bons conselhos além de Amanda foi primordial. Minha psicóloga podia entender o que se passava na minha cabeça, mas no meu coração era diferente.
– No próximo mês. Se Zeff soubesse que estou bebendo iria chutar minha bunda – comentei terminando meu drinque. Jaxon riu e alguém bateu no meu ombro.
– Tarde demais, Bieber. – a voz dele soou nas minhas costas e balancei a cabeça rindo fraco.
– Timing desgraçado. – murmurei me virando e olhando meu treinador em um terno. Era estranho vê-lo assim. Até mesmo quando eu ia assinar contratos importantes ele vestia jeans e uma camisa qualquer.
– Fala, Zeff. – murmurei o cumprimentando e ele riu.
– Duas horas a mais na esteira. – ele anunciou como minha punição.
Só havia uma coisa que eu odiava mais do que ver o Brian tocando a mulher da minha vida como se fosse sua, e era a esteira. Zeff sabia disso é sempre que eu estava perto de sair dos trilhos ele usava disso para me punir. Eu me sentia como um rato de laboratório correndo naquela merda.
– Qual é, Zeff?
– Tudo bem, Jax? - ele me cortou falando com meu irmão. Rolei os olhos e pedi mais um. Se eu teria de pagar por isso depois eu iria pelo menos fazer valer a pena.
– O Gabe veio?
– Não, ele teve que ir a Vegas resolver umas coisas com a Powerage.
Assenti e peguei minha bebida me levantando do bar e indo pra qualquer lugar longe o suficiente pra que meus olhos não precisassem aguentar Brian e Mackenzie se pegando. Eu queria poder ir até ele e separar cada membro de seu corpo, mas eu simplesmente não podia porque ela não me pertencia mais. Mackenzie não era minha propriedade, eu não tinha mais direitos sobre ela e isso batia o orgulho pra fora de mim.
A porra da música que os percurcionistas de merda tocavam era deprimente me proporcionando o clima ideal para a embriagues. Eu me sentia solitário. A solidão nunca tinha sido um problema de verdade para mim porque eu nunca estava sozinho, principalmente nos últimos anos. Sempre havia alguém gritando perto de mim, dando ordens ou pedindo autógrafos. Eu não tinha tempo pra pensar em como eu tinha tudo, mas não tinha nada. Eu tinha grana, fama, mulheres querendo transar comigo, pessoas me adorando, tinha uma família que adquiri com o tempo, mas não tinha o que eu mais queria. Eu não tinha algo realmente meu. E Mackenzie era isso, era o que faltava, era o que eu queria, meu maior obstáculo e objetivo. Porra, como aquela mulher podia ser meu tudo?
Era triste, deprimente. Eu podia ser um campeão nos octógonos, mas eu era um perdedor no amor.
Balancei a cabeça tentando manter meus pensamentos em ordem. Era difícil depois da forma como ela tinha retribuído ao meu beijo na noite passada e a forma como quase tinha se entregado pela manhã. Seu corpo lançava sinais claros de que ela me desejava, mas Mack trabalhava arduamente para me manter longe.
Era confuso.
Peguei meu celular e chamei Amanda.
– Me diga que é algo realmente importante do contrario vou enviar um convite pra você ir se foder. – sua voz irônica cheia de sarcasmo soou do outro lado. Ela me adorava.
– Me dê uma boa razão pra eu não me embebedar e fazer uma merda agora.
Ela suspirou – Espere um minuto – escutei gemidos e murmúrios do outro lado e franzi o cenho tentando esquecer as imagens que passaram na minha cabeça do que ela poderia estar fazendo.
– Pronto.
– Você estava transando?
– Interessante saber que você se interessa pela minha vida sexual. Mas não, querido. Eu estava na yoga. Agora diga qual seu problema. Só lembrando que isso é hora extra.
Bufei e bebi o restante do Martini. – "M" está aqui e ela está beijando o cara que eu chamava de amigo. Nos beijamos noite passada e eu podia jurar que ela ainda sentia o mesmo, mas hoje de manhã ela... Porra, ela está me tratando com frieza e nem olha na minha direção, Mandy. Isso é uma merda e eu realmente quero ficar bêbado e fazer uma cena, quem sabe ela sente pena de mim e me consola?
– Seria incrível ver você se degradando a tal ponto por causa da "M", mas querido, não faça isso. Primeiro, porque eu não vou estar ai para gravar e vender pra alguma revista e segundo, porque você se manteve firme por todo esse tempo. Negação é o primeiro passo de quem sente algo. Ela está te evitando e sendo fria? Ela ainda te ama!
Me recostei a coluna cansado sentindo meu cérebro latejar.
– Então ela está fugindo de mim porque me ama? Como diabos isso faz sentido?
– Alcoólatras fogem do álcool porque precisam se curar dele, mas o amor entre eles nunca vai acabar. É como o viciado e o vício. Há a necessidade de afastamento para recuperação, mas a vontade, o desejo sempre vai existir. "M" esteve durante meses trabalhando na recuperação e então você chega e ela cai em tentação, o vício acende novamente e ela volta ao estágio um do tratamento, ou seja o afastamento.
Era confuso, mas fazia sentido. Mesmo quando eu me recusava a concordar, Mandy sempre tinha razão, era por isso que ela era minha terapeuta e conselheira.
– Ela é o meu vício também, mas eu não estou tentando me afastar. Pelo contrario, eu quero ela cada vez mais.
Ela riu do outro lado – Isso é porque as mulheres são superiores aos homens, querido. Nós somos fortes e determinadas, sabemos dizer sim e não e escolher o que e quem é melhor pra nós. Você simplesmente é um viciado que não tem mais jeito. Nem se esforça pra entrar no estágio um.
Além de uma ótima conselheira, Amanda também era uma vadia feminista ácida.
– O que eu faço, Mandy? – perguntei de uma vez.
– Como amiga eu diria: tranque-a em um quarto e transe até ficar inconsciente, mas como terapeuta: pense nas suas escolhas e em quais vão ser as consequências. Trabalhamos nisso por um longo tempo, Justin. Você sabe que toda ação tem uma reação, e que as reações nem sempre são como esperamos.
Passei a não pelo meu rosto e suspirei cansado de tudo.
– Como você está me pagando por isso, escolha meu conselho de terapeuta. Mas como você a ama, escolha a versão da amiga.
– Porra, mulher. Você está aqui pra deixar as coisas mais claras e não pra me enlouquecer.
Sua risada maldosa soou do outro lado da linha. Era realmente semelhante a de alguma vilã dos desenhos animados.
– Tudo bem. Vou pensar em algo. Te ligo depois.
– Não faça isso, querido. Estou de folga e não vou te atender. Beijinhos e adeus. – ela desligou na minha cara e rolei os olhos rindo. Ela era uma filha da puta.
Me virei pra festa novamente e criei coragem de procurar o que meus olhos brilhavam ao ver. Mackenzie ria de algo abraçada a Brian, ele também sorria em direção a ela. Eu nunca fui um cara invejoso, mas naquele momento foi mais do que inveja que senti dele.
Foi ciúme. Ciúme do que ela sentia por ele, ciúme porque ela era tão doce com ele, ciúme porque ela o abraçava com firmeza. Ciúme porque pelo visto ele sabia fazer ela feliz.
Balancei a cabeça e fui abordado por um grupo de amigos da faculdade, eu me lembrava deles vagamente, mas eles pareciam me conhecer e muito. Conversamos por um tempo até Maggie a cerimonialista me arrastar para fazer as honras ao casal. Eu faria um breve discurso dizendo o porque eles eram perfeitos um pro outro e em seguida viria alguém. Além de padrinho eu era o melhor amigo do noivo.
As pessoas se sentaram em suas mesas e voltaram os olhares pro palco montado onde a banda tocava. Subi e ela me deu uma espécie de discurso ,é claro que eu não diria nenhuma daquelas bobagens. Olhei pra frente e o sol começava a se por no horizonte.
– Então eu estou aqui pra dizer como Penélope é sortuda por se casar com meu melhor amigo. – comecei do meu jeito, enfiei a mão livre no bolso na calça e ri fraco – Tenho uma coisa a dizer sobre isso: pessoas comerem erros, e Penn o seu foi se casar com esse idiota. – as pessoas riram e Maggie me olhou furiosa, apenas ignorei o olhar dela e olhei pra Penn e Taylor sentados na mesa especial.
– Apenas brincando. Pra falar a verdade, acho que o ponto alto da sua vida foi ter dado uma chance pro idiota insistente que te perseguia pelo campus querendo sair com você. – eles sorriram com a memória e o público também. Era ridiculamente nostálgico falar disso. – Quando Taylor chegou em casa falando que tinha encontrado a mulher da vida dele eu nem dei ouvidos, ele era um idiota romântico. – dei de ombros – Ele falava sobre como os olhos dela eram claros e como ele ficava hipnotizado com sua beleza. Até hoje eu não consigo aceitar que tudo isso era apenas a Penn Maldosa das Ciências Contábeis.
– Bieber, faz um favor? Vai se... – ela gritou de longe, mas Taylor a beijou de forma sutil impedindo que ela continuasse.
– É sobre isso que eu estou falando, pessoal. – apontei e eles riram.
– Penélope e Taylor são um casal realmente fora do comum, mas, isso é que os torna tão... Apaixonados. Aprendi a amar vendo Taylor recusar uma cerveja pra estar consciente na hora de levar Penn pra casa. Entendi o que era estar ridiculamente apaixonado vendo ele economizar na gasolina pra levar ela pra jantar em algum lugar chique na cidade. Aprendi o que era essa sensação de gostar de alguém a tal ponto vendo os dois brigarem um dia e se amarem no próximo, simplesmente porque a distancia era dolorosa demais. Aprendi a me apaixonar vendo eles dois e... – a coisa tinha acabado de se tornar pessoal demais e eu não tinha uma escapatória. Os olhos de Penn juntamente com seu sorriso diziam que ela sabia do que eu estava falando.
– Desejo felicidade a eles, não só porque ele é meu melhor amigo, mas porque ele é o cara que me colocou nos trilhos muitas vezes. E Penn... – olhei pra ela – Você continua sendo um pé no saco, mas vou ter que te engolir, não é?
As pessoas riram novamente e ela ergueu o dedo do meio pra mim – Isso tudo é amor, pessoal. Bem, é isso. Eu sei que vocês vão ser felizes pra sempre e merda isso vai ser chato. Mas sempre que precisar fugir dela, a porta da minha casa vai estar aberta e o meu bar sempre abastecido. – falei pro Taylor e ele riu balançando a cabeça. – Obrigado por vocês me ensinarem que não tem hora pra amar, acontece e se entregar é a escolha. – olhei Mack do outro lado abraçada com Brian. Os dois me olhavam, eles sabiam e entendiam o que estava acontecendo.
– Agora vamos ver o vídeo preparado pelos pais do casal. – Maggie disse tomando o microfone de mim. Eu não consegui desviar o olhar de Mack, mas me movi para que as pessoas tivessem visão do telão atras de mim. Ela sustentou nossos olhar por mais alguns segundos, até que a música começou a soar e as imagens de Taylor e Penn ainda crianças começou a passar.
A maioria das fotos de Taylor era comigo, nós dois éramos amigos de infância, antes mesmo que tivéssemos consciência já havia amizade. Crescemos juntos, aprendemos a levar a vida juntos e não seria diferente nunca. O mesmo acontecia com Penélope e Mackenzie. Na infância elas eram especialmente parecidas. Mack era linda, ela não chegou a ter uma fase feia da infância até a vida adulta. Ela sempre foi linda. Conforme as fotos iam passando com o temo, algumas capturas da faculdade começaram a passar. Havia uma conta de fotos onde eu e Mack, Taylor e Penn estávamos juntos. No bar, parque, em casa. As memórias voltavam com força a minha cabeça. Uma em especial nos chamou a atenção.
Eu abraçava Mack por trás apoiando meu rosto no queixo dela, Penn estava nas costas de Taylor, todos sorriam na foto. A felicidade podia ser notada no olhar de todos ali. Porra, eu sentia falta daquele época.
A seqüência continuou e mais fotos vieram a seguir, a formatura deles... E tudo que eu tinha perdido enquanto estava preso.
Balancei a cabeça e desci do palco indo pro bar.
•••
– Você nem tenta. – me virei assustado olhando Brian atrás de mim.
– O quê?
Ele bufou e cruzou os braços – Você nem ao menos quer se afastar dela.
– Não vou falar sobre a Mackenzie com você.
– Vai sim.
Ri sarcástico e rolei os olhos – Me faz um favor? Vai se foder.
– É o que vou fazer hoje a noite com ela, mas preciso te falar uma coisa antes.
Ele estava me provocando. Jogando sujo e cruzando a linha dos limites.
– Stephens.
– Justin. Porra, eu sei que pisei na bola com você. Sei que ficar com ela não foi nem de longe e coisa mais inteligente que eu já fiz, mas você precisa saber o porque.
– Duvido que eu queira.
– Você ama a Mackenzie. Eu amo a amiga que ela é. Não quis roubar sua mulher e nem fiz isso, eu e ela ficamos juntos, mas não é como se houvesse alguma paixão. Você não vai entender, é uma amizade colorida.
– Ah, ótimo. Então vocês transam! – bati o copo no balcão e ele deu de ombros.
– Sim. E ela é ótima nisso. – ele sorriu, mas ao ver meu olhar furioso mudou de assunto – Ela me contou que você a beijou.
– Ela me beijou de volta.
– É, eu sei. – ele suspirou dando de ombros – E ela ficou atordoada por conta disso. Ela ama você. Eu sei que é loucura, porra, nem eu consigo entender vocês. Anos, meses e isso simplesmente não acaba. Eu queria me apaixonar pela Mack e poder dar a ela todo o amor que ela merece, mas amo outra pessoa.
Brian nunca tinha me dito isso. Nós nunca paramos pra conversar sobre amor e eu nunca tinha o visto com ninguém de forma fixa. Ele gostava de sexo sem compromisso e isso parecia ser o suficiente pra ele.
– Outra pessoa? – juntei as sobrancelhas, confuso.
Ele ficou sério e suspirou fitando o chão. – E ela se casou hoje.
Minha cabeça deu um estalo caindo na consciência e o olhei incrédulo. Ele só podia estar me gozando. Brian amava Penn? Que porra é essa?
– Você inventou toda essa história pra eu te perdoar como amigo ou o quê?
– Não fico surpreso por você não acreditar. – ele riu – Ninguém acredita. Mas não deixa de ser verdade por isso. – Brian suspirou e eu engoli o seco tentando voltar a realidade.
– O que você quer, Brian?
– Você ama a Mack o suficiente pra não fazer ela sofrer?
– Isso não é da sua conta, Brian.
– A partir do momento que ela fica desolada e você faz a minha amiga sofrer, é da minha conta. Então responde! – ele tomou um tom sério e duro. Aquilo era mesmo importante pra ele.
– Tentei fugir disso. Tentei esquecer ela todos os dias dos últimos meses. Porra, eu tentei! Mas não dá, eu amo aquela mulher! Amo tanto que esqueço de ter um pingo de amor próprio por causa dela. Eu me ajoelharia e pediria perdão mil vezes, mas ela também precisa tentar. Eu fodi com tudo várias vezes, Brian. Mas as reações dela... Ela sempre fugia quando tinha a oportunidade, ela sempre arranjava uma forma de me machucar quando eu fazia algo errado. Ficar com Jason, com você... Ela não tem ideia de como isso me atingiu! – soltei de uma vez as palavras que me sufocavam.
– Ela estava se vingando, Justin. Você disse coisas a Brooke, você sentiu coisas por ela que não deveria. Como acha que ela se sentiu vendo o filho da puta que ela amava desejando outra mulher? Isso fez um estrago enorme na autoestima dela. Ela não se achava boa o suficiente, ela fechou o próprio coração e entregou o corpo pra mim. Ela queria esquecer, Justin.
Imaginar Brian tocando nela me dava náuseas, balancei a cabeça e apertei os olhos querendo outra dose de algo forte o suficiente pra embaçar as idéias na minha cabeça.
– Não foi fácil pra mim. Não consegui deixar de amá-la. Todo dia havia alguma coisa pra me lembrar dela, de nós enquanto... Ela estava com você.
– Ela precisou de um refúgio.
Ri sarcástico – Engraçado porque ela não entendeu quando eu disse que Brooke era o meu refúgio.
– Quer mesmo comparar? Naquela época quando você foi preso ela teve que se reerguer sozinha. Ela não tinha um refúgio. Mack sempre esteve sozinha! Você nunca deu alguma segurança a ela. Mas dessa vez ela tinha a mim. Não seja egoísta a esse ponto, Justin. Você preferia que ela ficasse sofrendo a ver ela feliz comigo?
Brian estava perdendo a paciência também. Ele fechou a expressão e ver tudo aquilo da parte dele em relação a Mack me deixou inseguro. Talvez ele tivesse mentido pra mim e não amasse Penn, a forma que ele falava de Mack era protetora e carinhosa demais.
– Eu... Porra! Eu não sei! É só como se ela não tivesse sentido a minha falta. É como se ela não sentisse mais nada por mim e isso dói.
Duas mulheres passaram por nós sorrindo, mas não demos atenção. – Ela é uma mulher agora. Não é mais a Lucky da faculdade, nem aquela garota que você reencontrou em Vegas. Mackenzie cresceu a partir da dor em seu coração. Não vou deixar você chegar perto o suficiente pra machucar ela de novo. Então me diz se vai fazer do jeito certo agora e eu saio do caminho.
Tal honestidade da parte de Brian era desconhecida. Eu nunca tinha o visto de tal forma séria. Eu conhecia o cara irmão que protegia todos aos seu redor, mas eu não conhecia esse Brian determinado e maduro.
– Não sou mais um moleque. Eu sei o que quero e sei que amo ela o suficiente pra fazer tudo do jeito certo.
Um sorriso começou a surgir nos olhos dele e em seguida se espalhou pelo seu rosto. Brian balançou a cabeça e tirou o celular do bolso.
– Isso é o bastante. – ele sorriu e levou o celular a orelha. – Hey, linda.
Ignorei a irritação que passou pelo meu corpo por ele chamá-la daquele jeito. – Uma das garotas do buffet caiu na minha e subi pros quartos com ela, só que não tinha nenhum aberto então subimos pro porão, mas a filha da puta me trancou aqui. – ele disse e ela deve ter dito algo pois ele riu e imaginei a feição dela do outro lado da linha – Você pode vir me resgatar? – ele disse e franzi o cenho confuso. – Tudo bem, linda. Tchau. – ele desligou a chamada e sorriu. – Você tem cinco minutos pra chegar no porão antes dela. É a sua chance de mudar as coisas.
Sorri sentindo a euforia e adrenalina começaram a correr nas minhas veias. – Eu sei que você deflorou ela lá. – ele fez uma careta – Vai logo, babaca.
Não pensei duas vezes e sai por entre os convidados apressado fazendo meu caminho para dentro. Eu não queria nem saber como Brian sabia de detalhes tão íntimos meu e dela. A casa estava vazia, apenas uma ou duas pessoas da equipe transitava por ali. Subi as escadas de dois em dois degraus e corei pelo corredor chegando até oporão em tempo recorde. Meu coração batia acelerado, eu sentia meu corpo incendiando de dentro pra fora e eu queria explodir. Era um misto de felicidade, nervosismo, e um parte de pânico pela rejeição. Eu não sabia bem.
Mackenzie
– Ei, pra onde você vai? – Hailey perguntou.
– Resgatar o Brian. – bufei. – Já volto.
Ela riu, mas assentiu. Segurei a barra do vestido e fiz meu caminho para dentro de casa. As tochas localizadas em pontos estratégicos pela residência iluminavam a noite e quando entrei em casa acendi as luzes da sala por conta da escuridão. Subi as escadas e caminhei pelo corredor até o final. Abri a porta que não estava trancada e balancei a cabeça tentando imaginar o que Brian iria aprontar agora. Havia uma série de opções viajando na minha cabeça e confesso que a maioria dele sem roupa me agradava.
– Brian, a porta não estava trancada. O que você está planejando? – perguntei rindo e subindo as escadas segurando o vestido.
Cheguei ao sótão e encontrei o ambiente vazio. Olhei ao redor e quando me virei, Justin estava escorado na parede.
– Bem, agora está. – ele disse sorrindo pra mim e guardando a chave no bolso.
– O que você está fazendo aqui?
Foi automático recuar um passo.
– Nenhum de nós vai sair daqui antes da gente se acertar.
– Não tem o que acertar, Justin. Me dê as chaves. – estendi a mão a espera que o bom senso e o lado maduro dele falassem mais alto e ele me deixasse sair. Pelo visto seu lado possessivo e egoísta falou mais alto.
– Não estou com paciência, então por favor, não me faça te odiar mais.
Meu estado de auto preservação tinha sido acionado, eu precisava ferir para não ser ferida uma vez que sentia Justin tentando penetrar minha redoma. Seu olhar estava me intimidando, eles estavam cheios de amor.
– Então pra fingir que não me ama, você decidiu que me odeia agora?
Sorri maldosa e bufei – Não preciso fingir que te odeio, o sentimento está bem vívido aqui dentro. – Não era controlável. Meu corpo tinha aprendido com o tempo a reagir o que fazia mau a mim. Justin era uma dessas coisas. – As chaves, Bieber.
– Não.
Grunhi e bati o pé no chão. – Pensei que você tivesse amadurecido.
– E eu o fiz. Mas você desperta esse lado ridículo em mim. A culpa é toda sua.
– Você é um moleque! Não devia estar transando com alguma convidada por ai ao invés de importunar minha vida? – cruzei os braços irritada.
– É isso que eu pretendo fazer, mas com a madrinha. – ele devolveu a resposta sorrindo da forma mais sacana possível.
Eu odiava aquele sorriso e a aceleração dos meus batimentos cardíacos, eu queria poder evitar, mas não dava. Meu corpo era meu pior inimigo. Respirei fundo e engoli o seco lhe dando as costas.
Justin Bieber
– Me dar as costas não vai adiantar. Como eu disse, amadureci, Mack. Agora eu não vou desistir do que que quero e eu quero você.
– Engraçado porque eu tenho algo bem fresco na minha mente sobre você dizer isso pra Brooke. – ela lançou cheia de fúria voltando a me olhar com os olhos marejados e a pose firme. – Suas palavras não significam nada se são ditas a todas.
– Não importa o que eu disse, ou o que eu fiz. Estou aqui e estou dizendo isso pra você agora. – me impus. Por mais que ela tivesse meu coração nas mãos, eu ainda conseguia me manter firme. Eu precisava daquela mulher e não sairia dali até convencê-la de que ela também precisava de mim.
Ela balançou a cabeça e cobriu o rosto com as mãos, um soluço baixinho ecoou pelo ambiente vazio e silencioso atingindo meu coração com força. Eu queria fazer ela feliz, queria fazer ela sorrir e chorar apenas de felicidade. Mackenzie não era só uma mulher pra mim, porra não. Ela tinha colocado o amor dentro de mim, foi com ela que eu descobri o que era amar alguém de uma forma indescritível. Ela que me mostrou o verdadeiro significado de felicidade, porque eu só conseguia ser feliz ao lado dela. Não tinha como fugir, eu não podia, nem queria. Ela também deveria ver isso.
Nosso amor já tinha passado por tudo. Brigas, erros, mentiras, problemas, dramas, tragédias, especulações... E ele ainda existia, eu ainda sentia meu coração pulsar só de ver ela sorrir.
– Por que você continua com isso?
– Porque não consigo parar de amar você. – admiti me sentindo sufocado pela feição de agonia dela. – Esquece todo o drama, esquece tudo, Mack, porra, é a hora da gente ser feliz junto, não acha? – disse alto dando um passo a frente.
Ela fechou os olhos e respirou fundo. Eu estava conseguindo.
– Você é tudo pra mim. Sempre foi e sempre vai ser. Juro que tentei tirar você da minha cabeça – dei mais um passo em sua direção – Tentei te odiar e desejar que você se arrependesse de tudo que fez contra mim, mas logo depois eu te amava mais. Cada porção de ódio que eu queria sentir por você, vinha carregada com uma de amor ainda maior. Porra, não dá! – admiti ficando a um passo de distância dela. Mack deixava as lágrimas escorrerem por seus olhos fechados e tentava parecer firme, mas eu sabia que ela sentia as minhas palavras. Ela conseguia me entender.
– Eu odeio você! – ela murmurou e eu sorri fraco.
– Você odeia o que eu faço você sentir. – levantei minha não para tocá-la, mas ainda não era a hora certa então abaixei-a novamente. Ela abriu os olhos e eles estavam cheios. De tudo. Mack avançou em mim e bateu no meu peito com socos, que deveriam estar levando boa parte de sua força, mas que não surtiam efeito nenhum em mim. A cada golpe eu sentia que ela estava tentando me atingir, não fisicamente, mas emocionalmente. Ela queria me machucar achando que eu não tinha sofrido com tudo isso.
– Você sempre faz a coisa errada! – ela gritou querendo se esvaziar – Eu odeio amar você! – por mais estranho que parecesse aquelas palavras acalmaram meu coração – Eu odeio você!
Mack gritou tudo que quis me dizer nós últimos meses e eu não poderia ter ficado mais feliz com isso. Ela estava encarando o problema, ela escolheu lutar.
– Você me ama! – gritei em resposta.
– Você é ridículo! Você mentiu! Você nunca me amou! – ela gritou em meio ao choro e aquela sua afirmação me machucou.
– Eu sempre te amei! Porra, eu sempre deixei claro que você é tudo pra mim!
Ela balançou a cabeça e começou a me bater com mais força.
“O que eu faria sem sua boca esperta? Estou me arrastando e você me está me dispensando. Estou com a cabeça a mil, sem brincadeira. Não posso te forçar a nada, o que está se passando nessa bela cabeça? Estou passando pelo seu mistério mágico e estou tão confuso que não sei o que me atingiu, mas vou ficar bem.”
Quando seus punhos pararam de atingir meu peito segurei seus braços e a puxei pra mim com força. – Você pode me bater, me odiar, me mandar pro inferno. Mas eu sempre vou voltar pra você. – minhas palavras atingiram seus ouvidos com a mesma intensidade no nosso olhar fixo.
“Minha cabeça está embaixo da água, mas estou respirando bem. Você é louca e eu estou fora de controle.”
Mackenzie era minha. Suas palavras podiam dizer o contrario, suas atitudes podiam ser contrárias, ela podia fazer de tudo pra provar que eu não tinha mais poder nenhum sobre seu corpo, mas eu tinha.
– Olha pra mim e diz que você me quer. – ela forçou seus braços para que eu a soltasse. Mas não o fiz e os levei até meus ombros. Abracei a cintura dela mantendo nossos corpos juntos, por cima do blazer ela apertou meus braços, e suspirou fechando os olhos como se eu a desconcentrasse.
– Diz que você precisa de mim assim como preciso de você. – ordenei em um tom baixo a milímetros de distancia da boca dela.
Mackenzie
Meu corpo todo se arrepiou com suas palavras, não era só uma leve sensação. Meu corpo todo parecia estar caindo, desabando como as torres gêmeas diante dos toques e das palavras de Justin. Eu queria odiá-lo, eu queria poder jurar a ele que eu não sentia mais nada e que minha vida estava melhor sem ele. Mas eu não conseguia, era como ele tinha dito: eu odiava a sensação que ele me dava. Eu odiava ficar tão solta quando ele me tocava ou dizia qualquer outra coisa e odiava tudo isso porque meu amor era intenso demais, forte demais, era implacável.
Era como se a velha Mackenzie, a Lucky tomasse conta do meu corpo e aquela Mack gostava de ser comandada por Justin. Ela confiava no seu garotão a ponto de se entregar totalmente a ele e deixar tudo em suas mãos.
Eu podia confiar? Eu queria confiar? Minha cabeça e meu coração estavam entrando em colapso, meu corpo não obedecia mais aos meus comandos.
"Recuar, Mackenzie. Recuar"
No fundo da minha mente minha própria voz me alertava, eu tinha que partir antes que fosse tarde demais.
– Olha pra mim e diz que me ama. – ele sentenciou com os lábios no meu ouvido, minhas mãos apertavam seus ombros com força, eu estava perto de desabar ali mesmo. Ele novamente tirava meu chão e me fazia flutuar, dessa vez eu não sabia se era bom ou ruim.
– Estou caindo, Justin. – murmurei sentindo a fraqueza nas minhas pernas se espalharem por todos meus membros. Ele me segurou com mais força e beijou meu pescoço. – Não vou deixar. Eu pego você. Sempre vou estar aqui. Com você. – ele sussurrou pausadamente, mas com uma firmeza em sua voz que me abalou ainda mais.
E então ele atravessou todas as barreiras que eu tinha construído ao meu redor. Ele me venceu novamente. Levantei o rosto abrindo os olhos e fitando seu rosto que me olhava com adoração, Justin conseguia tudo com seu olhar. Mas era diferente, ele não queria passar por cima de mim, ele queria que eu me entregasse. Ele ansiava o meu desejo em resposta ao seu e não havia nada melhor e maior do que isso.
Porque a primeira vez que você se apaixona vai te mudar pra sempre e não importa o quão duro você tente, o sentimento nunca vai embora e Justin ainda era o meu primeiro amor. Foi com ele que eu encontrei meu lugar no mundo, era ele nos meus planos de ter uma família. Sempre foi ele e sempre seria.
Ele tocou meu rosto com os dedos como se pudesse me ferir de algum modo, ele queria me amar e estava pedindo permissão para isso. O amor podia ser ruim, mas a falta dele era pior.
– Você vai me machucar. – sussurrei ainda me sentindo tonta.
– Já estamos feridos demais. Essa batalha nunca vai ter um vencedor, você me machuca eu te machuco de volta. Isso nunca vai dar certo se continuar. Com distancia, não funciona, Mack. Então se renda por mim, porque eu me rendi por você.
Engolir meu orgulho parecia certo, parecia ser o que nos tornaria Garotão e Lucky novamente, parecia ser o que nós seriamos pra sempre. Mas eu não sabia se estava preparada para isso. Pra fugir de mim só pra encontrar ele de novo, só pra viver o que meu coração queria.
– Eu te amo.
Todo o meu lapso temporário de consciência foi interrompido por aquelas três palavras e sete letras. Aquilo foi o suficiente. Eu não conseguia mais suportar. Eu o amava. Meu peito pulsava quando ele estava por perto e pra que negar? Eu era dele, sempre seria.
Levei minha mão até sua nuca e puxei seu rosto contra o meu quebrando os últimos centímetros que nos separavam. Quando nossos lábios se encontraram um choque intenso percorreu minha espinha e eu perdi o ar por um segundo.
O beijo roubado da noite anterior tinha sido incrível, mas esse... Era como se não nos beijássemos há anos. Um desejo antigo que finalmente foi realizado. Justin me apertou mais e aprofundei o beijo. Ele podia ser o comandante do meu coração, mas eu também exercia algum poder ali. Eu não estava me entregando simplesmente, eu queria aquilo tanto quanto ele, nós dois possuíamos um ao outro. Nós nos escolhíamos.
Justin me beijou de volta com fome, eu era tudo o que ele precisava e seu corpo dizia isso com gestos.
Justin Bieber
E então ela me beijou. Me beijou como se dissesse "sim" no altar. Me beijou como se seu ar estivesse dentro de mim e ela precisasse disso. Mackenzie me beijou me tomando para si novamente. Ela estava me possuindo, me marcando. Dessa vez era ela que me escolhia.
“Porque tudo de mim ama tudo em você. Ama suas curvas e todos os seus limites; todas as suas perfeitas imperfeições. Dê tudo de você para mim e eu te darei meu tudo. Você é o meu fim e meu começo. Mesmo quando perco estou ganhando porque te dou tudo de mim e você me dá tudo de você.”
Sem pensar duas vezes Mack empurrou meu blazer pra fora e abaixei as mãos para deixar a peça cair. O carinho e o romantismo eram bons, mas precisávamos da força, do sentimento vivido e cru de dominar um ao outro.
Partindo beijo, sorri sentindo minha pulsação acelerar. Segurei o rosto dela e ela sorriu pra mim de volta. – Eu te amo.
Sussurrei olhando no fundo de seus olhos. Ela apertou os olhos e mordeu o lábio inchado e vermelho. – Eu também te amo. Mas...
Não esperei ela inventar alguma merda de problema e a beijei de novo. Eu nunca me cansaria do gosto dela. Puxei-a mais pra perto e ela envolveu meu pescoço com os braços. Desci minhas mãos pelo seu corpo apertando cada pedaço pelo caminho. Dei impulso apertando a parte de trás de suas coxas e ela enrolou as pernas ao meu redor. Ela sorriu entre o beijo e levei-a até a mesa de sinuca onde eu tinha começado.
– Ainda odeio você. – ela murmurou na minha orelha mordendo o lóbulo e ri puxando o vestido dela pra cima, mas era longo demais, fui mais rápido e rasguei o tecido delicado. Ela me mordeu com força ao escutar o tecido rasgando e eu ri apreciando a visão das pernas dela.
Mackenzie era linda, e tão minha.
O corpo dela era perfeito. Não havia nem de longe qualquer defeito.
Encontrei o rosto dela e seus olhos brilhavam tanto, mesmo com os rastros das lágrimas que tinham escorrido por ali antes ela estava perfeita.
“Quantas vezes tenho que te dizer que mesmo quando você está chorando você continua linda. O mundo está te massacrando, mas estou por perto a todo o momento. Você é minha ruína, você é minha musa. Minha pior distração, meu ritmo e tristeza. Não consigo parar de cantar. Está tocando uma música em minha cabeça para você.
Toquei sei rosto e ela sorriu. Toda a merda que eu passei sofrendo por ela foi válida apenas por conta daquele sorriso. Eu não conseguia explicar o poder que ela e seus mais simples gestos tinham sobre mim, era apenas impossível de controlar. E esse sorriso, ela estava sorrindo pra mim, por mim e estava ali comigo. Era como se isso fosse bom demais pra estar acontecendo.
“Minha cabeça está embaixo da água. Mas estou respirando bem. Você é louca e eu estou fora de controle. Porque tudo de mim ama tudo em você. Ama suas curvas e todos os seus limites. Todas as suas perfeitas imperfeições. Dê tudo de você para mim. Eu te darei meu tudo. Você é o meu fim e meu começo. Mesmo quando perco estou ganhando. Porque te dou tudo de mim. E você me dá tudo de você.”
Fechei os olhos um tanto atordoado e com medo de que quando eu os abrisse aquilo fosse um devaneio. Mack percebeu meu temor e cobriu minha mão que repousava em seu rosto com a sua. – Justin, o que foi?
– Você está aqui.
As palavras quase não saíram. Eu me senti um medroso do caralho naquele momento porque senão fosse real, eu não saberia mais o que fazer.
– É claro que estou aqui. A menos que você me mande embora de novo. – ela disse e eu poderia apostar que ela estava sorrindo. Seu dedos sobre os meus me apertaram e meu coração batia rápido, a adrenalina que pulsava dentro do meu corpo estava chutando a minha bunda medrosa temendo perder aquela mulher. Ela era minha ruína e minha glória.
– Diz. – pedi sabendo que ela entenderia o meu pedido.
– Abre os olhos – relutei, mas abri encarando o rosto dela a milímetros do meu – Eu quero você, Justin. – ela sorriu e seus dedos correram pelo meu rosto em um carinho – Preciso de você tanto quando você de mim. Eu te amo, garotão. – ela poderia ser capaz de escutar os meus batimentos aquela altura.
– Porra, eu te amo. – ela sorriu e puxou meu pescoço me beijando.
Eu precisava dela, do seu corpo contra o meu, de entrar nela e sentir a única coisa que me trazia um pouco de paz. Mandy estava certa, ela era meu vício, mas eu não queria largar. Eu nem ao menos tentava.
Enquanto Mack me beijava suas mãos começaram a desabotoar a minha camisa, apertei sua nuca controlando o beijo sentindo meu pau pulsar dentro da calca. Impaciente, quando ela chegou na metade dos botões puxou o tecido estourando o restante deles e jogando no chão. – Era Dolce Gabbana, amor. – avisei e ela sorriu dando de ombros e fechando as pernas ao meu redor, puxei ela pra borda para que ela sentisse como ela me deixava. Mack gemeu quando esfreguei minha ereção contra o meio dela. Ela apertou meus braços arranhando com suas unhas aonde ela queria.
Minhas mãos apertaram sua coxa enquanto nossas línguas se enroscavam. Aquilo era a melhor coisa na porra do mundo inteiro.
Ela agarrou minhas costas e me arranhou dos ombros a base da coluna trazendo arrepios.
Eu podia ser um cara romântico as vezes, mas agora, eu precisava de sexo. De sexo com a mulher da minha vida, forte e duro, nós tínhamos que marcar um ao outro.
– Você é linda, Mack – disse baixo, intercalando minha atenção em cada detalhe de seu rosto. – Tão linda... – ela sorriu de uma forma doce e sexy ao mesmo. Aquilo deveria ser algum castigo contra mim.
Tomei seus lábios para mim novamente e tateei suas costas, procurando pelo feixe do vestido. Ao ver que eu não o encontrava, Mack riu contra minha boca, me fazendo rir também. Guiou uma de minhas mãos para a lateral do seu corpo e voltou a me beijar.
Empurrei Mackenzie pra trás deitando-a na mesa e puxei o vestido pelos pés. Ela estava linda nele, mas seu corpo nu era seu melhor traje. Ela usava um sutiã tomara que caia rendado, como se soubesse que teria uma boa noite de sexo e uma calcinha combinando. Meus olhos queimaram cada pedaço de pele exposta e a observei por alguns segundos deitada ali a espera dos meus toques sobre sua pele.
Ela sorriu e apoiou os pés na borda da mesa se apoiando sob seus cotovelos. – Vai ficar me olhando?
Sorri e me inclinei sobre ela apoiando as palmas no carpete verde da mesa.
– A pressa é inimiga da perfeição. – ela provocou.
– Foda-se, preciso de você.
Ela sorriu e me puxou pela nuca beijando minha boca.
Deixei meus antebraços apiadas ama mesa deixando meu torso se encontrar com o dela. Nossos corpos estavam quentes, um queimando o outro. Quando os lábios dela raptaram os meus ela foi com calma, seu sorriso não sumia e eu não conseguia evitar. Ela fazia minha pulsação acelerar, ela fazia meu corpo flutuar, ela era tudo de mim. Tudo de mim.
Desci os beijos para o pescoço e clavícula, Mack enterrou os dedos no meu cabelo e arfou em resposta aos meus beijos. Desferi beijos e mordidas ao redor do pescoço até o peito. Levantei o olhar e ela sorria pra mim, seu cabelo já tinha se soltado do penteado e ele estava levemente bagunçado, da forma mais sexy do mundo.
– Você é linda. – murmurei contra sua pele. Ele mordeu o lábio e sorriu com os olhos fechados deixando o corpo relaxar. As palavras a seguir fizeram todo o meu sistema entrar em colapso, uma revelação que eu nunca esperei que saísse da boca dela.
– E eu sou sua. – sorri bobo ao ver seus lábios se movimentarem em um fio de voz.
Ainda podia ouvir a música e os burburinhos da festa lá fora, mas nada importava mais. Ela tinha voltado pra mim, e dessa vez, eu não iria deixá-la ir. Nunca mais.
Meu corpo entrou em choque e fiquei alguns segundos paralisado tentando processar o que ela tinha dito. Todos os meus sentidos tinham sido acionados, meus músculos tremiam e eu não conseguia me controlar, era como entrar em uma crise raivosa, mas sem a parte da raiva. Minha pulsação estava acelerada, minha respiração forte e meu corpo rígido.
Tomei os lábios dela com firmeza. Eu não podia me segurar, meu corpo não agüentava mais.
– Você consegue entender? – questionei puxando seu corpo pra cima a deixando sentada novamente. – Você tem ideia do que faz comigo, Manson? Não consigo me controlar.
– Não se controle. – ela sussurrou no meu ouvido e suas mãos caíram no meu cinto. Ela desabotoou a calca e desceu o zíper lentamente com os olhos grudados nos meus. Meu pau estava duro e firme dentro das boxers, mas se fosse humanamente possível eu tinha acabado de ficar mais rígido. Eu poderia gozar só com aquele olhar da parte dela. Mack empurrou minha calça pra baixo e a ajudei retirando os sapatos e chutando a peça. Seus dedos provocaram a barra da boxer e trinquei os dentes desejando as mãos dela ao meu redor.
Mack enfiou a mão dentro da minha cueca e apertou meu pau com força e leveza me fazendo gritar de prazer e surpresa
Mackenzie
Justin grunhiu um palavrão e apertou meu pulso como reflexo. Ele deixou a cabeça cair pra trás e sugou uma respiração. Seus olhos estavam fechados, mas sua expressão denunciava o prazer que ele sentia. Comecei a massagear a extensão dele com leveza, mas força. Ele soltou o aperto no meu pulso e me deixou livre pra lhe dar prazer. Ele era quente e firme, sua pele macia deslizava com facilidade por entre os meus dedos e a cada arfada que ele dava eu sentia minha calcinha ficar cada vez mais molhada. Justin era o prazer em si, seu corpo era seu templo e não havia nada mais bonito para se olhar. Ele era firme e bruto, mas ao mesmo tempo sua beleza era bem traçada e perfeita. Era como se ele tivesse sido desenhado, esculpido. Com a outra mão abaixei o restante da boxer e o puxei pelo quadril. Justin abriu os olhos enevoados de desejo e apertou minha nuca me beijando enquanto eu apertava seu pau. Sua lado estava firme na minha nuca por entre os meus fios de cabelo solto, ele parecia irritado e decidido, a beira de sensações extravagantes.
Saber que eu fazia isso com ele era a melhor parte. Outras poderiam ter o tocado, mas eu sabia que os olhos dele só brilhavam assim pra mim.
Me concentrei em masturbar Justin para deixá-lo a um centímetro da insanidade. Aumentei os movimentos e a força, ele começou a inspirar com força e deixou a cabeça cair no meu ombro mordendo minha pele.
– Mack, porra.
Sorri e o apertei mais desejando sentindo seus dentes me arranharem mais.
Ele gemeu no meu ouvido em segurou minhas mãos parando meus movimentos. – Ainda não. Quero fazer isso dentro de você.
Engoli o seco sentindo meu corpo esquentar ainda mais. Ele me puxou pelas coxas e beijou meu pescoço e meu peito enquanto apertava o outro. Minha cabeça tombou pra trás sentindo ele sugar cada pedacinho de mim enquanto ia me deitando na mesa novamente. Justin puxou minha calcinha com agilidade pelas pernas e empurrou meus joelhos. Eu me sentia exposta, mas eu anisava por isso. Eu ansiava por ele.
Seus olhos encontraram os meus enquanto ele se abaixava a altura do meu quadril. Suas mãos percorriam minha pele nua apertando com desejo cada centímetro. Eu sentia saudade disso, de tudo em relação a ele.
Justin Bieber
Ela me olhava ansiosa pelos meus movimentos. Sorri descendo e beijando seu pescoço, sobre seus seios, chupando, mordendo. Movi mais para baixo de seu corpo e suas coxas tremeram quando as empurrei, soprando um fluxo suave de ar através de sua carne aquecida.
Ela apoiou-se nos cotovelos novamente, e dei-lhe mais um sorriso antes de mergulhar a cabeça e abrir minha boca deslizando sobre sua pele. Meus olhos fecharam com o calor dela, e gemi chupando suavemente.
Com um grito instável, sua cabeça caiu para trás, arqueando os quadris da mesa. – Oh, Justin!
Sorri para ela, lambendo de um lado para outro antes de cobrir seu clitóris com minha língua, circulando mais e mais e mais.
– Não pare. – seu sussurro saiu baixo e cheio de vontade.
Eu não faria isso. Não podia. Acrescentei meus dedos, deslizando-os mais para baixo até onde ela estava mais molhada, e de quebra enfiei dois dedos dentro dela que a fez cair para trás, alcançando cegamente a outra parte da mesa. Enquanto eu olhava, ela virou a cabeça, puxando o lábio entre os dentes, mordendo. Minúsculos sons de suplicante miséria e prazer escaparam de seus lábios e fiz tudo que pude para não diminuir a intensidade. Ela estava lá, pairando no limite. Fodendo-a com dois dedos, empurrei-os profundamente, chupando com tanta força que minhas bochechas ficaram ocas, olhando por todo seu corpo e a porra dos seus seios perfeitos e pescoço longo. Com um giro do meu pulso, ela se arqueou para fora da mesa perdendo o comando do seu próprio corpo, empurrando mais contra minha boca. Mack deixou escapar um grito novamente e de novo enquanto contraía em torno dos meus dedos.
Quase gozei só de vê-la se contrair e gemer se perdendo por minha causa. Não era possível descrever o quão linda ela era e como ela ficava melhor em meio a seu bel-prazer. Seus olhos estavam fechados, os lábios secos e a boca entreaberta respirando com força, seu peito descia e subia e ela tinha fincado as unhas no tecido da mesa.
Afastei minha boca de sua intimidade úmida deixando ela recuperar o ar, quando Mack abriu os olhos movi meus dedos novamente e ela arfou em um gemido longo e tenso.
O sexo nunca teve tanto sentido em foder como aconteceu com essa mulher, e me entreguei a isso, selvagem deixando o desejo atravessar limites sãos.
Com um grito ela gozou de novo com as mãos puxando com tanta força meu couro cabeludo, pensei que poderia gozar junto com ela. Não conseguia piscar, não poderia por um segundo desviar da vista dela ali comigo. Eu estava completamente perdido na sensação dela.
– Justin, por favor. – Mack suspirou com as pernas tremendo e os olhos tão escuros e pesados como nunca tinha visto. Ela se levantou sobre um cotovelo, deixando a outra mão puxando meu cabelo. – Preciso de você. – ela declarou com os olhos cheios de necessidade. Não havia mais limite, controle, nem nenhuma merda me prendendo. Eu tinha ela.
Empurrei minha cueca para baixo e enrolei ela contra o meu corpo tirando-a da mesa e caindo sobre o sofá antigo no canto da sala. Ela tinha se entregado pra mim naquele lugar pela primeira vez e agora eu estava tomando-a de volta. Deitei-a no colchão e ela gemeu em protesto quando me levantei.
Admirei seu rosto corado e sua pele suada enquanto deslizava para cima de seu corpo, saboreando, lambendo a cavidade do seu umbigo, a elevação dos seus seios, os seus mamilos firmes.
Mais uma vez me peguei descrente de que aquilo era mesmo real. Era apenas tudo o que eu tinha desejado se tornando realidade. Era meu maldito sonho acontecendo.
Ela abriu as pernas para me receber e abraçou meu quadril com elas. Apoiei meu peso em minhas mãos no sofá e ela sorriu pra mim. Respirei fundo levando meu pau até seu meio e entrei aos poucos, Mack fechou os olhos e apertou meus bíceps contraídos. A sensação de estar dentro dela era boa demais, seu inferior era quente e molhado, pronto pra mim. Seu aperto ao meu redor era firme e fodidamente prazeroso. Era como mergulhar em uma banheira de água quente, enquanto minha pele relaxava o calor me queimava.
Quando empurrei todo o meu pau dentro dela uma pontada de dor passou por seu rosto e ela gemeu me apertando mais.
– Se abre pra mim, Mack. Mexa-se comigo.
Ela relaxou, levantando as pernas na minha cintura, então deslizei mais fundo, e nós dois soltamos um gemido agudo. Ela remexeu os quadris, puxando-me totalmente para dentro, e a sensação de suas coxas quentes pressionando meu quadril me fez soltar um grunhido alto. Ela enlaçou suas mãos no meu pescoço e eu ainda estava parado dentro dela, para que ela se acostumasse e eu também precisava desse tempo pra me controlar.
– Não consigo acreditar que estamos fazendo isso. – sussurrei.
– Eu sei. – ela disse relaxando abaixo de mim e em seguida deixando beijos na minha mandíbula, bochecha, e o canto dos meus lábios.
Ela balançou a cabeça, empurrando inconscientemente, me dizendo com seu corpo que ela precisava que eu me movesse. Eu me afastei, iniciando um ritmo calmo, perdido na sensação do seu calor. Peguei meu ritmo, chupando violentamente em seu pescoço, aumentando conforme nossos corpos pediam.
Era estranho, ela era tudo. Isso era tudo. Estar com ela era tudo.
Tudo de mim. Tudo pra mim. Tudo que nós dois precisamos. Tudo que éramos.
Ela levantou o rosto entre gemidos e arfadas e capturou meus lábios tomando os meus sons. Ela me beijou profundamente, como se mais do que somente seu corpo precisasse disso, sua alma também. Suas mãos desceram pelas minhas costas me apertando conforme eu aumentava a velocidade dos movimentos. Entrar e sair. Ritmicamente. Duro e firme. Era um misto entre as necessidades carnais e os desejos emocionais. Um se entregava pro outro. E aquela era a vez de dar certo. Eu não podia é nem iria errar novamente, eu queria ser melhor pra tê-la comigo. Minha vida simplesmente não ficava completa sem aquela mulher e eu renunciaria tudo, até mesmo minha própria vida por ela. Só pra ver ela sorrir e ter a certeza de que ela seria feliz.
Queria construir a necessidade nela, fazê-la explodir como uma bomba quando finalmente gozasse comigo dentro dela assim. Ela começava a tremer quando acelerava, mas resmungava em frustração quando desacelerava novamente. Mas eu sabia que ela confiava em mim, e queria lhe mostrar o quão bom poderia ser se não houvesse pressa, sem necessidade de fazer nada, além disso por horas e horas. Eu queria mostrar a ela que somente eu podia lhe dar o que ela precisava, somente comigo era bom daquele jeito.
Beijei-a, chupei sua língua, roubei cada um de seus sons em minha boca, engolindo-os com a necessidade de cada mínima sensação dela. Amava os seus sons roucos, quantas vezes ela disse por favor, o quanto me deixava guiar o que estávamos fazendo. A realidade dela, suada e flexível debaixo de mim, corroeu minha calma e mudei de preguiçoso para golpes rápidos, famintos. Ela respondeu com movimentos espelhados de seus quadris, arqueando-se contra mim, e sabia que desta vez ela estava perto e eu não conseguiria parar ou diminuir.
– Está sentindo? – murmurei embriagado de prazer – A sensação é boa? – grunhi, pressionando meu rosto em seu pescoço.
Ela assentiu com a cabeça, incapaz de responder, com as mãos segurando minha bunda e as unhas cavando fortemente em minha carne. Puxei sua perna para cima, empurrando seu joelho para seu peito e avançando, transando com ela o mais rápido e duro e perto de seu corpo que pude.
– Você fica tão linda debaixo de mim.
Eu sentia o corpo dela ficando duro e tenso construindo o orgasmo dentro de si. Eu não estava muito longe disso também, mas eu precisava dar a ela tudo.
– Justin...
– Do que você precisa, lucky? - murmurei sentindo todo meu corpo entrar em colapso junto com ela, diminui a velocidade e ela me arranhou com força gemendo em protesto.
– Por favor!
– Diz. – firmei arrastando os dentes pelo pescoço dela.
– De você. Só de você. Preciso de você, Justin. – ela disse desesperada e aumentei a velocidade batendo com força dentro e fora. O som dos nossos corpos se encontrando e seus gemidos tornavam tudo melhor.
Mackenzie se contorceu abaixo de mim e gritou gozando. Ela me apertou e eu não tive outra saída a não ser ir com ela. Meu corpo ficou tenso e meus músculos se contraírem enquanto eu me desmanchava dentro dela.
Meu corpo caiu sobre o seu e afundei meu rosto em seu pescoço suado. Nossos corpos estavam ambos molhados de suor, a sensação não podia ser melhor.
Mackenzie
Minha respiração estava descompassada, Justin estava encima de mim suado e cansado, minha mente ainda estava aérea. Eu não conseguia pensar direito, mas a felicidade no meu peito já dizia muito por si só. Eu estava feliz, feliz da forma que eu só ficava quando estava com ele. Feliz como uma criança que ganha o tal aguardado presente na manha de natal. Feliz da forma mais pura e simples.
Ele tinha entrado em mim novamente, na minha mente, no meu coração e no meu corpo. Eu amava a sensação de ser possuída, mas eu também amava possui-lo e era isso que tínhamos feito.
Me recusei a pensar nos problemas e em tudo que teríamos de passar, abracei seu corpo sorrindo enquanto ele ainda se recuperava do orgasmo. Afundei meus dedos em seu cabelo, sentindo sua raiz úmida e beijei seu ombro. Ele suspirou e ergueu o rosto me fitando sem palavras.
– Eu te amo.
Eu sabia disso. Toquei seus rosto delineando cada traço até chegar em seus lábios e ele sorriu, olhei em seus olhos e disse tudo em apenas duas palavras que carregavam significados maiores do que um "eu te amo também".
Seus olhos claros brilharam em desapontamento e surpresa quando me afastei. Eu queria jogá-la naquela mesa e fazer tudo o que nossos corpos estavam implorando. Mas ainda sim, eu tinha que ir devagar, controlar meus pensamentos e manter meu pau dentro da calça e não foder com tudo como da primeira vez.
– Eu... Eu... – ela estava sem fala. E eu quis rir, suas bochechas ruborizadas me davam uma vontade enorme de mordê-las. Eu queria beijar aquela mulher.
– Vou pro meu quarto. – ela se apressou pra pegar o roupão no chão e se vestiu querendo distancia de mim.
– Mack...
A chamei enquanto ela andava apressada até a porta. Seu andar cessou, mas ela não se virou pra mim.
– Não quero que... – comecei, mas ela se virou pra mim me interrompendo.
– Não! Eu já entendi. Eu só... Hmm, somos amigos. Amigos. É, eu posso entender isso.
Vê-la sem graça era uma das minhas maiores diversões, seu sorriso constrangido e seu olhar envergonhado me faziam desejá-la mais a cada dia. Tudo nela era atraente, pelo menos pra mim.
– Não precisa ficar com vergonha. Eu queria mesmo te beijar.
– Sim, queria. Eu... Está tudo bem, ok? Eu só... Bebemos muito e já é de manhã. Nós provavelmente deveríamos estar dormindo.
Ela apertava as mãos dentro do bolso do roupão e falava rápido querendo acabar com aquela cena. Ri fraco balançando a cabeça e passei a mão pelo meu cabelo – Tudo bem. – assenti e cruzei os braços. Ela examinou meus braços e desceu o olhar pelo meu corpo hipnotizada. – Mack!
Ela se assustou e balançou a cabeça corando ainda mais. – Nós dois sabemos que você se perde no meu corpo, mas controle seus hormônios, assim como estou controlando os meus. Você tem razão, há muita vontade de transar entre nós dois e...
– Eu disse que havia tensão sexual.
Dei de ombros e me aproximei. – É a mesma coisa. Mas...
– As regras, eu sei! Eu sei! – ela murmurou irritada. – E eu não me perco no seu corpo. E não fale dos meus hormônios! – pelo visto eu tinha tocado em uma ferida.
– Você vai me dar um quarto pra dormir ou...
– Há um sofá ali. – ela cruzou os braços e me desafiou com o olhar. Olhei por cima do ombro vendo o estofado coberto por um lençol. – Eu estava pensando em algo como a sua cama.
– Minha cama?
– Algum problema?
– Você é tão confuso! – ela murmurou e bateu o pé no chão como uma criança, eu ri e ela bufou.
– Disse que quero dormir na sua cama, Lucky. Não pedi pra transar com você. A malícia está na sua cabeça. – disse e sorri piscando o olho esquerdo pra ela.
Ela me fitou com a boca entreaberta e os olhos estreitos me fazendo sorrir. – Tudo bem, você pode dormir na minha cama.
– Então você está me convidando pra dormir na sua cama? O que o seu namorado acharia disso?
Deixá-la confusa era impagável. Eu estava começando a ficar cansado, mas eu poderia passar horas jogando aquilo com ela. Nós dois éramos veteranos nisso. Ela me olhou pensativa e um sorriso maldoso surgiu no canto de seus lábios. – Ou você passa por aquela porta nos próximos dez segundos ou vai dormir no chão. E se eu escutar mais alguma gracinha você vai dormir com os cachorros. – ela sorriu maldosa. Uau, eu gostava dela assim.
Levantei as mãos rendido e passei por ela indo pra porta e descendo as escadas com ela atrás de mim. O quarto dela tinha mudado, não era mais como se fosse o quarto de uma adolescente fã dos Backstreet Boys. O papel que cobria as paredes era uma réplica do mapa mundo. E haviam taxas em alguns pontos. Se eu não estivesse tão cansado perguntaria pra ela, mas assim que ela fechou a porta cai na cama grande e macia.
– Você pode ao menos tirar os sapatos?
Abracei seu travesseiro já de olhos fechados e retirei os tênis de qualquer jeito deixando cair no chão.
– Você vai mesmo dormir de jeans?
– Você pode vir e tirar se quiser, Mack. – murmurei contra o travesseiro dela. Porra eu teria de arranjar um jeito de colocar um deles na minha mala, o cheiro dela era incrível.
Eu não estava vendo, mas podia apostar que ela estava rolando os olhos. Escutei alguns sons pelo quarto e esperei ela se deitar ao meu lado. Os minutos se passaram mas isso não aconteceu. Abri um olho procurando ela pelo ambiente e encontrei-a deitada no sofá me avaliando.
– Que foi?
– Nada.
Me mexi e abri os dois olhos vendo ela. – Mack, sinceridade, lembra?
– Isso não é justo com o Brian.
Somente ela poderia querer discutir algo ás cinco da manhã. Respirei fundo e me sentei na cama a contragosto.
– Isso o quê? E o que não é justo?
– Eu e você. Ele é... – ela mordeu o lábio – Esquece.
– Você resolveu pensar nele justamente agora? Quase implorou pra eu te beijar lá encima e agora você está pensando nele? Lucky, não me leve a mau, mas estamos cansados pra caralho e precisamos dormir. Se você quiser discutir o que é ou não é justo com o seu namorado, fazemos isso amanhã, mas agora vem dormir.
– Não posso dormir na mesma cama que você.
Ela estava começando a me irritar.
– Você pretende me beijar durante o sono?
– Claro que não!
– Você quer transar comigo?
Ela ficou dividida com a resposta e eu ri. – Mack...
– Tudo bem, eu durmo no chão e você fica na cama. Sem problemas. – me levantei pegando seu travesseiro e ela se levantou confusa indo pra cama. Me deitei no sofá que ela tinha no canto do quarto e era pequeno, mas eu só esperaria ela dormir e então voltaria pra lá.
– Obrigado.
Assenti e fechei os olhos. Eu realmente estava cansado, meus olhos ficaram pesados, mas não me permiti dormir até que ela já estivesse inconsciente, o que não levou muito tempo, dez minutos depois ela já respirava fundo em seu sono e me levantei deitando ao seu lado e abraçando seu corpo. Deixei que a nostalgia da sensação batesse contra a minha memória e aproveitei o momento.
Mackenzie
Acordei sentindo não somente o peso da minha cabeça latejar, mas alguém batendo ferozmente contra a droga da porta.
– Mack! Mackenzie! – eu não podia identificar a voz, era só alguém me chamando de longe. Murmurei alguma coisa ainda com sono e não me movi.
A cama se mexeu e escutei passos indo em direção a porta.
– Justin? O que você está fazendo aqui? Puta que pariu, você transou com ela?
– Quê? Taylor...
– Porra que se foda! A Penn entrou em trabalho de parto!
Despertei ao escutar as últimas três palavras. Trabalho de parto.
– O quê? – me sentei na cama de súbito e os dois homens parados na porta me olharam.
– A bolsa dela estourou! – Taylor gritou aterrorizado.
Isso não era bom. Isso não era nada bom!
– Mas não está na hora ainda!
Dei um pulo da cama e fui atrás dele até o quarto dela, Pam estava ao seu lado passando a mãe na cabeça dela enquanto ela xingava a Deus e o mundo.
– Me levem pro hospital agora! – seu grito feriu meus tímpanos e eu fiquei perplexa.
– John já foi tirar o carro, querida. Respire fundo. – minha mãe podia entender, ela já tinha passado por aquilo duas vezes, mas Penn era a rainha do desespero, então calma era tudo o que ela não teria naquele momento.
– Amor, eu-
– Amor é o cacete! Some da minha frente! Você que fez isso comigo, filho da puta!
- O quê? – Taylor questionou atordoado.
E ela gritou de dor. – Você que teve a ideia do final de semana do sexo! Quando essa coisa sair de dentro de mim eu vou matar você!
Pelo protocolo raiva, irritação e descontrole eram um dos sinais normais durante a dor da dilatação. Pam balançou a cabeça não querendo ouvir aquilo e Taylor começou a gaguejar. Eu ainda estava perdida em meu sono, mas era a única que sabia lidar com ela.
– Cala a boca, Penn! – gritei e me aproximei dela ajudando-a a levantar.
– Sai da minha frente, Mackenzie.
– Querida, ela... – mamãe começou, mas não terminou.
– O carro está pronto.
John e Taylor levaram ela pra baixo e mamãe foi pegando sua bolsa e a mala de Lily. Justin continuava parado no corredor confuso. – Vou com Justin e encontro vocês, lá!
Pam assentiu e saiu pela porta entrando no carro. John correu dali enquanto as equipes de decoração chegavam novamente.Voltei pra casa e corri pro meu quarto, Justin não estava ali. Me apressei em pegar uma roupa e ir pro banheiro, mas quando abri a porta encontrei ele dentro do boxer e o vapor tomando conta do ambiente. Ele estava de costas tirando o xampu do cabelo sem notar a minha presença.
Não era justo. Não era nada justo, ele era lindo e tão sexy. Os músculos em suas costas se moviam conforme o movimento de seus braços, xinguei mentalmente o decorador da casa por ter colocado um box que era fosco da metade pra baixo o que me deixava sem a visão do quadril de Justin.
– Mackenzie? – sua voz me despertou e eu era péssima em ser discreta. Olhei pra Justin e ele sorriu balançando a cabeça.
– O que você está fazendo no meu banheiro? – disse tentando parecer irritada.
– Tomando banho.
– Quem deixou?
– Não sei de você ficou sabendo, mas sua irmã acabou de ir pro hospital ter a Lily. E eu realmente não quero pegar a minha sobrinha fedendo a champanhe e chantili. – ele rebateu sorrindo com os olhos cheios de malícia enquanto ensaboava o peito. Desgraçado!
Fechei a porta com tudo e fui pro quarto de hóspedes tomar banho. Isso realmente não ia dar certo.
•
– Paciente Penélope Manson, por favor!
– Obstetria, quinto andar.
Corri pro elevador e Justin veio atrás de mim. Os segundos pareciam ser eternos e o elevador não chegava nunca. Respirei fundo e corri pra fora quando paramos, minhas mãos tremiam levemente e eu não precisava negar que estava desesperada. Não estava na hora ainda, Lily poderia... Penn poderia... Coisas ruins poderiam acontecer com elas e só o pensamento já levava lagrimas aos meus olhos.
Encontramos o corredor da ala e antes que eu corresse Justin me segurou e me puxou contra seu corpo em um abraço inesperado.
– Ei, fica calma. Vai ficar tudo bem. – sua voz saiu baixa, porém firme enquanto seus braços aconchegavam meu corpo.
Meu coração já batia rápido, mas naquele momento foi por outro motivo. O cheiro dele estava me inebriando novamente. Suas mãos firmes estavam contra mim e eu me senti segura.
Era estranho porque ao passar dos anos, mesmo eu conhecendo outros homens, apreciando novos abraços, provando outros lábios, eu continuava desejando apenas um. Não importava o quão bom os outros fossem, não eram dele, não eram ele. E me vi colocando Justin no mais alto nível do meu padrão de qualidade. Ele era o auge e por mais que qualquer outro conseguisse ser bom, não era ele.
Seus abraços, seus olhos, seus beijo e tudo em relação a ele é que me faziam perder o ar, chorar de felicidade, trazer o meu lado mais insano e me fazer desejar ver o lado mais selvagem da vida. Justin fazia tudo isso comigo e nenhum outro, nem com todos os anos, nem com toda a distancia, conseguiu me fazer do mesmo jeito. Era ele. Era eu e ele.
Abracei seu corpo de volta suspirando em seu pescoço e senti ele sorrir contra mim. – Agora vamos lá ver se a Penn já matou meu melhor amigo. – Levou alguém segundos, mas o soltei e sorri pra ele. Justin entrelaçou nossas mãos e caminhou comigo até o corredor. Meus pais estavam ali com Pete e quando os vi soltei a mão de Justin.
– E então?
– Eles ainda estão na sala de parto. – Pete avisou e assenti.
Os minutos se passaram como se fossem horas e eu queria notícias. No final do corredor uma porta foi aberta e Taylor saiu de lá chorando e sorrindo. Justin foi o primeiro a correr até ele e em seguida eu fui. Os dois se abraçaram e Taylor chorou nos braços do amigo. Eu já chorava também.
– Ela é linda. Ela é... Minha filha, Justin. A minha filha nasceu! – os soluços de felicidade não deixavam as palavras saírem normalmente de sua boca.
– Parabéns, cara.
A cena foi toda dramática, não era pra menos. Taylor e Penn não foram nem de longe um casal convencional, mas eles conseguiram acima de tudo encontrar a felicidade no fim do túnel. Penn era difícil de lidar, pavio curto e passava a maior parte do tempo gritando com o mundo. Taylor era paciente, calmo e compreensivo. Eles eram versões invertidas de Justin e eu.
– Como ela é? – perguntei deixando as lágrimas caírem. Justin o soltou e Taylor me abraçou. – Perfeita, ela é perfeita. – ela sorriu abobalhado e sorri deixando a felicidade transbordar.
Pam e John também estavam emocionados e quando a enfermeira surgiu avisando que poderíamos ver o bebê através do berçário todos se apressaram. Taylor era o único que podia entrar e tocar nela. Todos sorriram ao ver o pequeno ser vivo embalado em uma manta cor de rosa nos braços de Taylor.
Ela era linda. De uma forma totalmente surreal, ela era linda. A maioria dos recém nascidos não têm uma fisionomia definida, mas Lily era perfeita. Os olhos estavam abertos diferentemente do restante dos bebês e eles eram claros iguais os do pai. Um azul escuro pelo que pude ver, os ralos fios de cabelo que cobriam a cabeça dela eram claros e ela era pequena, muito pequena.
Pam chorou e John abraçou-a sorrindo, a primeira neta. Aquilo ficaria marcado na vida de todos.
– Puta que pariu, ela é linda. Pra falar a verdade eu não estou muito surpreso, olhe só como o tio dela é lindo? Não era para se esperar outra coisa. – Pete brincou e eu ri i empurrando. Justin também riu e olhei pra ele.
Seus olhos castanhos estavam hipnotizados com a pequena criatura que acabada de vir ao mundo. Ele sorria, um sorriso tão sincero e apaixonante, um sorriso tímido e surpreso. Ele me pegou o fitando e sorriu com as mãos no bolso.
– Vocês podem ir ver a paciente, vamos levar o bebê daqui a pouco pra primeira amamentação.
Assentimos e meus pais foram na frente com Pete. Eu não conseguia tirar os olhos de Taylor com a pequena, até uma enfermeira o avisar que teria de levá-la.
– Não é incrível?
Justin questionou enquanto fazíamos nosso caminho pro quarto de Penn.
– O quê?
– Tudo isso. Eles tiveram um bebê. Eu não... Estou pensando se algum dia vou viver isso. Ficar sorrindo feito um louco que nem o Taylor estava sorrindo pra Lily.
– É claro que você vai sentir isso. Você não quer ter filhos? – questionei limpando meu rosto.
– Quero. – ele assentiu e respirou fundo parando na frente do quarto – Mas a única mulher com quem eu quero ter filhos é minha amiga agora. – ele sorriu tenso e fiquei sem palavras. As palavras sumiram e o rubor cobriu minhas bochechas.
– Não precisa ficar assim. – ele sorriu e tocou minha bochecha. – Vamos, Lily nos espera.
Abrimos a porta e encontrei Pam abraçando Penn.
Ela parecia outra pessoa, definitivamente. Seus olhos brilhavam mais. Penn estava estranhamente diferente, mas pra melhor. Era como se ela tivesse voltado de um spa, eu não sabia explicar, mas havia algo em torno dela que a deixava incrivelmente bonita. Não esperei muito e ignorando todos os "cuidado" abracei ela com força e ela correspondeu na mesma intensidade. As lágrimas que eu tinha enxugado voltaram e nós duas começamos a chorar de felicidade juntas.
– Eu sou mãe. – ela disse baixo e eu a apertei mais.
– E eu sou tia. Isso é loucura!
Ela me soltou e nós rimos.
– Você a viu? Ela é tão pequena, Mack. Eu não... Não consigo acreditar que ela é mesmo minha.
– Eu também não!
Justin Bieber
Mackenzie e Penélope se abraçaram e choraram como duas loucas. Apenas observei a cena de longe. Eu também estava emocionado com isso. Quando a enfermeira entrou empurrando uma espécie de berço com rodinhas, os olhares no quarto de concentraram na pequena Lily que dormia ali.
Era assustador e encantador. Ela era tão linda que se eu fosse Taylor a guardaria em algum lugar pra ninguém tocar, mas ao mesmo tempo era como se fosse um prêmio que eu queria expor pro mundo. Eu nem era o pai e já me sentia possessivo em relação a ela.
Balancei a cabeça e ri fraco observando Penn pegar a bebê e depois cada um da sala também tocar nela. Eu queria pegar, mas ela era pequena demais e eu era desajeitado.
– Justin? – Penn me chamou e a olhei. – Não quer segurar ela?
Lily estava no colo de Mack no momento e ela sorria pra bebê radiante.
– Mmm... Não estou certo se sei como fazer isso, quero dizer. Ela é pequena. – cocei a nuca.
– Então o cara que está acostumado a pegar mulheres não sabe segurar um bebê? Isso é novidade. – ela zombou e rolei os olhos. Taylor riu e Pete também.
– Não precisa se preocupar, Justin. Apenas segure por baixo como eu estou fazendo, viu? – Mack se aproximou e engoli em seco nervoso.
– E se eu deixar ela cair? Não acho uma boa ideia, Mack...
– Se você deixar ela cair, quem vai deixar você cair vai ser eu, só que pela janela desse quarto.
– Ha-ha, Penn. Muito engraçado.
– Ela não vai te morder, Justin.
– Tudo bem, eu pego. – dei de ombros e segui as orientações de Mack, Lily estava enrolada com tantas mantas foi difícil segurar o corpo dela em si.
Lily era tão pequena e... Linda. Não me lembro de ter me sentido tão estranho assim.
– Ela é uma das fortes, nem todos os bebês de 38 semanas ficam tão fortes.
– É que você não conhece a mãe dela, doutora. – Taylor disse e todos riram.
– Lily tem um bom peso e tamanho, não vejo razão para mantê-las aqui. Vocês podem ir pra casa hoje a noite, ou amanhã de manhã no máximo.
– Ótimo! Tenho um casamento pra fazer! – Penn disse e todo mundo olhou pra ela. – Penn..
– O quê? Vocês não estavam achando que eu cancelaria tudo? Por favor, não enlouqueci nos últimos meses em vão! Vou me casar.
A ideia era maluca, mas cabia exatamente a Penélope que eu conhecia.
– Você não está...
– Estou ótima, mas preciso de um vestido novo!
Podia ser loucura, mas tudo entre nós era dessa forma. Inesperado.
•
Mackenzie
Tivemos que sair do quarto para que o restante pudesse entrar. Dylan e Hailey juntamente com a família de Taylor encheram o quarto e mesmo com a Lily dormindo todos queriam vê-la.
– Te pago um café. – Justin ofereceu e o olhei.
– E donuts. – ele sorriu e balançou a cabeça.
Fomos até a cafeteria do hospital e quando me sentei na mesa percebi o quão cansada eu estava. Tinha dormido no máximo três horas e meu corpo implorava por descanso. Justin voltou a mesa com os cafés e um prato com donuts.
– Obrigada.
Tomei goles intensos do café injetando cafeína nas minhas veias obrigando meu corpo a permanecer ligado.
– Você pode ir e ter mais um se quiser. – ele riu indicando a cafeteria novamente.
– Por quanto tempo dormimos, huh? Vinte minutos? – disse e apoiei minha cabeça nas mãos – Preciso de um analgésico e toda cafeína que a cidade tiver. – murmurei e ele riu fraco.
– Vai sobreviver.
– Espero que sim.
Massagiei minhas têmporas e levantei o rosto vendo Justin comer os donuts e mexer o celular. Ele estava distraído com o que lia e digitava com habilidade usando apenas uma mão. Sua feição séria e concentrada me chamou a atenção, eu poderia tirar uma foto daquela cena. Balancei a cabeça organizando minha mente.
– Como você foi parar na minha cama?
Justin parou de mastigar e levantou os olhos pra mim. Ele engoliu o donut e lambeu os dedos açucarados. – Estou começando a ficar preocupado com você, Mack. Não se lembra que noite passada você me convidou pra dormir na sua cama.
– Regra número dois: sem gracinhas!
Ele riu e ergueu as mãos rendido.
– Tô falando sério. Você me convidou, eu só te obedeci.
– Quando fui deitar você estava no meu sofá. – argumentei e ele tomou o café enquanto eu comi um donut.
– Estava, mas é pequeno e... – ele se espreguiçou - Não é nada confortável, você devia trocar. Pra falar a verdade sua cama também não é tão boa, a do seu apartamento era bem melhor.
– Agora você está reclamando das minhas acomodações?
– Só estou dizendo que se você quer ter um cara na sua cama, precisa dar algum conforto a ele.
Seus olhos estavam cheios de malícia e brincadeira. Mordi o interior da minha bochecha o olhando estreito e entrei no jogo.
– Geralmente não me preocupo com a qualidade do colchão quando estou com um cara porque nós realmente não dormimos. Principalmente com o Brian e você sabe - sorri sacana – quando acaba, costumo dormir no peito dele.
Justin assumiu uma expressão séria. Eu estava decidindo se era algo mais como chocado ou furioso, um pouco dos dois. Sorri me recostando na cadeira e chupei meu dedão açucarado. Seu maxilar ficou travado e ele respirou fundo sorrindo irritado.
– Então ele é bom no que faz?
– Pode acreditar. Brian sabe como manter uma mulher acordada por horas. – deixei claro e ele balançou a cabeça apertando o copo de isopor do café.
– Melhor do que eu?
Ele desafiou com um sorriso malandro nos lábios. Eu podia mentir verbalmente, mas ele me conhecia bem demais. Minha ausência de palavras foi a resposta perfeita e seu olhar desafiou o meu. Seu celular partiu nossa batalha ocular e ele atendeu sem pensar duas vezes.
– Ei.
Ele olhou pra mim um tanto incomodado e se ajeitou na cadeira.
– Conseguiu algo
Brooke
– Não exatamente. Descobri que ele freqüenta o clube de golfe e que a mulher o acompanha pra todo lugar, ela parece ser o braço direito dele agora. Mas não tenho nada sobre ela ainda.
Tomei mais um gole da cerveja a minha frente observando o casal do outro lado da calçada comprando flores. Eles estavam fazendo seu caminho para o clube e não era surpresa, a final era manhã de sábado.
– Onde você está?
– No hospital.
– Merda, Justin! O que você fez dessa vez?
– Não, não é comigo. A filha do Taylor nasceu essa manhã. – ele avisou ainda sim com um tom estranho.
– Uh, dê meus parabéns a eles.
– Ok. Você vai falar com eles?
Me levantei quando vi os dois andando pro carro, e fui sinalizei para o taxi mais próximo.
– Ajnda não. Estou apenas observando.
– Você não é uma detetive.
– Eu sei, sou sua melhor amiga. Ligo pra você quando tiver alguma noticia.
Justin estava pronto pra rebater, mas desliguei antes.
– Pra onde, senhorita?
– Siga aquele carro, por favor. – disse apontando para o utilitário mais a frente.
O senhor me olhou desconfiado e relutante. – Te pago o dobro da corrida, agora vai!
Ele não precisou pensar duas vezes e ligou o táxi indo atrás deles.
Espionagem não era coisa pra mim, eu era sutil demais pra tudo isso. Gostava de ação e esclarecer logo as coisas, mas não podia ser tão simples dessa vez. Ele foram até o clube como eu já previa, desceram e cumprimentaram o valet. Um deles veio abrir o taxi pra mim e ele me fitou de cima a baixo por conta das minhas roupas. Shorts jeans rasgado, regata e botas não era o outfit perfeito pros freqüentadores dali. Paguei o taxista e fiz meu caminho pra recepção.
– Em que posso ajudá-la?
– Vim me tornar sócia. – sorri tentando ser simpática e a recepcionista me mediu.
– Hmm, sinto muito, mas não é exatamente assim que funciona. A senhorita precisa de alguma indicação.
– Indicação? Oh, Woods disse que eu não precisava de nada nisso.
– Woods?
– Sim, você sabe. O Dr. Woods. – joguei e ela caiu em sua consciência.
– Você é conhecida de Frederich Woods?
Seu tom de incredulidade me ofendeu, mas nada daquilo era realmente verdade.
– Exatamente.
– Oh, Samantha tinha deixado avisado que uma amiga dela viria se juntar a eles. Você é Blaire, certo? – a outra recepcionista perguntou.
– Exatamente! Sou a Blaire! – fisguei.
O destino deveria estar a meu favor.
– Preciso da sua ID.
– Hm, sinto muito mais deixei meu documentos no outro carro. – lamentei encenando da melhor forma.
– Outro carro? – a recepcionista número um era insuportável.
– Sim, você sabe, nada demais. – dei de ombros e tive a ideia perfeita. – Uh, meu celular!
Peguei o aparelho encenando uma chamada. – Sam! Querida, estou na recepção. É, você sabe, essas funcionárias não querem me deixar entrar. – rolei os olhos e as duas atras do balcão se entreolharam. – Você já está me esperando? É uma pena, mas diga ao seu pai que...
– Tudo bem! Você pode ir. – a primeira delas disse vencida me entregando um cartão para atravessar as catracas que guardavam o clube.
– Já estou entrando. – peguei o cartão e sorri forçado as duas andando pra dentro.
Era ridículo como enquanto milhares de pessoas ao redor do mundo morriam de fome e sede e em clubes como estes as pessoas tomavam champanhe de mil dólares e gastavam milhares em apostas sem fundamento algum. Era vergonhoso. O clube estava cheio, keds andavam pra lá e pra cá com malas de golfe nas costas. O uniforme deles era branco e eles se destacavam na imensidão verde do gramado perfeito.
De um lado uma área com piscina e restaurante no Deck, do outro os campos de golfe. Eu não sabia por onde começar, mas pela piscina me pareceu uma boa ideia. Pra ser mais exata pelo bar. Alguns dólares e os garçons poderiam me dizer muito.
– Uma água com gás por favor. – pedi me sentando no banco alto.
– Aqui está. Qual o número do seu cartão. Por favor? – ele pediu e franzino cenho. Peguei o cartão que elas tinham me dado na entrada e lhe entreguei.
– Obrigado.
– Por nada. Você poderia me dar uma informação?
Ele parecia estar acostumado com aquele tipo de coisa e negou de prontidão.
– Sinto muito, senhorita, mas...
Tirei uma nota de cem do bolso e ele olhou tentado.
– Apenas me dizer quem é uma pessoa.
Ele olhou pro dinheiro e pra mim, respirou fundo e assentiu guardando a nota no bolso.
– Samatha Woods.
– A Srta. Woods? – ele sorriu.
– Hey, Tom! Já estava sentindo minha falta? – uma mulher perguntou com um sorriso parando no bar.
A garota vestia um biquíni coberto por um vestido solto e curto. Ela sorriu pra ele que devolveu o gesto e depois olhou pra mim. Ela era loira, com olhos incrivelmente brilhantes e aparentava ser apenas alguns anos mais jovem do que eu. Foi instintivo recuar um passo com sua aparência. Ela era linda, do tipo de beleza que se vê na capa de revistas de moda.
– Você está me procurando. Posso ajudá-la?
Eu poderia estar delirando, ou aquilo tudo podia ser incrivelmente verdade.
•
Mackenzie
– Não é justo ela ser tão linda! - comentei balançando Lily nos meus braços, ela dormia, mas isso não me impedia de querer pegá-la a todo momento.
– Você ainda está com uma barriguinha e...
– Acho bom você calar a sua boca agora antes que a minha mão voe na sua cara. Você está aqui para fazer ajustes e não pra me chamar de gorda! – ela disparou com seu veneno contra o estilista metido a Britney Spears e ele falou a boca voltando ao trabalho,
– Brian vai estar aqui amanhã, certo?
Suspirei e assenti.
– O que foi esse suspiro? Por favor, não me diga que eu vou ter de matar o Bieber porque você não resistiu e foi abrir as pernas pra ele?
– Penn! – a repreendi e ela deu de ombros.
– Somente a verdade. Eu sei que suas fantasias sexuais mais pervertidas são com ele. E pra falar a verdade ele está ótimo, com ótimo eu quero dizer gostoso pra cacete. Mas isso você já sabe.
Deixei Lily no berço que minha marinha preparado no quarto de Penn e ela suspirou em seu sono.
– Ele é sexy, mas não "abri as pernas pra ele". Estou com o Brian.
– Eu sei! E ele é incrível. Brian certamente é o cara certo pra você, então mantenha seu coração e suas pernas longe do Bieber.
– Nós estamos tentando ser amigos. Vai funcionar.
– Ex tentando ser amigo? Pelo amor de Deus, isso é como acreditar em Papai Noel ou na Paz Mundial. Não seja inocente.
– Só porque você não acredita, não quer dizer que não seja possível.
Penélope era tão prática que sua falta de fé era irritante. Pra ela ou as coisas eram assim, ou simplesmente não eram nada.
– Seja sincera. Nós duas sabemos que seu coração bate mais rápido perto dele. E isso é patético porque você já deveria ter aprendido a se controlar.
Rolei os olhos cruzando os braços. – Penn...
– "Penn", o quê? Você sabe que é verdade, Mack.
– Eu gosto dele, mas isso não quer dizer que eu me transformo em uma romântica incurável quando estou perto dele. Sou madura o suficiente pra manter as coisas claras.
•
– Você é ridículo!
– Às vezes é assim, gata. Alguém tem que perder pra alguém ganhar e dessa vez, você foi a perdedora. – Justin disse se achando o rei do mundo e joguei as cartas na mesa.
– Foi justo, Mack. – Taylor disse com um sorriso. Lily estava nos braços dele. Ele não estava jogando, Pete é que ocupava seu lugar.
– Justo? Ele escondeu cartas na calça! – argumentei.
Eu não tinha problema nenhum em perder, de forma honesta. Mas Justin estava burlando as regras do jogo e roubando. Ele se levantou rindo e levantou a camiseta deixando seu abdômen amostra e a cueca boxer preta aparecendo por conta das calcas baixas.
– Vem checar, então! – desafiou e o olhei irritada.
– Idiota!
– Eu jogo limpo, Lucky. – ele piscou e comeu mais um salgadinho.
– Tão limpo quanto seu histórico de mulheres!
Rolei os olhos. – Agora ela está com ciúmes! – ele gargalhou e o restante da mesa riu também.
Hailey, Dylan, Penn, Pete eu e Justin tínhamos decido aproveitar a ultima noite de solteiro dos nossos amigos jogando pôquer onde ao invés das fichas e do dinheiro eram nachos e salgadinhos, tomávamos cerveja comendo salgadinhos.
– Ciúmes? De você? Isso é patético! Você não sabe jogar limpo, Justin. É da sua natureza trapacear.
– Minha natureza? - ele riu balançando a cabeça.
– Mack, foi só um jogo. – Dylan lembrou juntando as cartas novamente.
– Que seja.
– E só lembrando, você faz parte do meu histórico. Então não cospe no prato que você comeu. – ele rebateu e piscou pra mim.
– Fui a única mulher de verdade que você teve.
– Eles estão mesmo fazendo isso? – Pete perguntou baixo a Penn e ela deu de ombros.
– Duas pessoas lavando roupa suja pode sair muita sujeira, mas uma hora as coisas ficam claras.
Ele me olhou surpreso e riu. O restante da mesa parecia estar gostando daquele show.
– Não se super valorize, Mack. Você não sabe quais foram as outras depois de você.
– E isso importa? Fui a melhor, você e eu sabemos disso. – disse firme sorrindo da mesma forma que ele.
– Da mesma forma que eu fui a melhor transa da sua vida. Nesse jogo estamos quites.
– Ok. Vamos resolver isso de uma forma madura.
Justin podia saber tocar violão, mas eu era a rainha do Guitar Hero.
– Vocês não disseram que iam resolver isso de uma forma madura?
– Isso não é um jogo, Peter. E Guitar Hero é o melhor jogo da história. Não menospreze-o assim. – disse empurrando a mesa de centro pro canto.
– Isso vai ser divertido. – Dylan disse empurrando o sofá com Taylor.
Penn tinha ido se deitar com Lily.
– Você quer jogar Guitar Hero comigo? O cara que aprendeu a tocar violão sozinho e tem uma coordenação motora invejável? – Justin disse com seu sorriso presunçoso idiota. – Essa não foi sua melhor ideia, Lucky.
– Por que você não cala a boca e tira a poltrona do caminho? – perguntei ácida e ele riu balanço a cabeça e indo tirar o ultimo móvel do caminho.
Peguei as guitarras e liguei o vídeo-game. Hailey balançou a cabeça rindo e se sentou ao lado de Dylan. A verdadeira emoção estava apenas começando.
– Quem tiver a melhor pontuação leva tudo. – propus e ele me olhou rindo.
– Tem certeza? Não quero que te ver chorando quando eu acabar com você.
Ele era um idiota! O maior deles. Como eu podia amar esse cara?
Eu não era apenas boa no jogo, eu era a melhor. Justin podia saber tocar violão como ninguém e até poderia ter uma boa coordenação motora, mas eu era a campeã nesse jogo. Ele era o melhor nos ringues, mas não aqui. Ao som de Born To Be Wild cheguei a pontuação máxima. Não era apenas um jogo, era uma competição entre nós dois e eu iria ganhar.
Meus dedos apertavam as teclas na guitarra seqüencialmente, eu já tinha criado certa habilidade nisso. A música soava no home theater e Justin me assistia talvez impressionado ou chocado. Ele não tinha me dado algum crédito. Sorri nas últimas notas vendo a pontuação nunca parar de subir.
Quando o letreiro "YOU KILLED IT" apareceu na tela depois que finalizei a música sorri largo pra Justin que tentava inutilmente não parecer tão chocado. Me virei pra platéia e Hailey me aplaudiu pulando do colo de Dylan vindo me abraçar.
– Como ela fez isso? – Dylan perguntou chocado e sorrindo.
– É isso ai, garota! Você arrasou! – ela disse me abraçando.
– Nada pessoal, mas eu sou incrível. – provoquei Justin. Dylan riu alto e Peter também.
– Como diabos você fez isso, Mack?
Dei de ombros não me gabando tanto.
– Sou uma caixinha de mistérios. – sorri pra ele e tirei a guitarra eletrônica entregando a Justin – Sua vez.
Ele me olhou com aqueles olhos cheios de malícia e provocação. Mesmo sabendo que ele não era um cara que costuma perder eu seria sua exceção. Pra falar a verdade, eu já era. Justin era o cara que não sabia amar, mas ele tinha me amado. Ele era o cara que não dormia com a mesma garota duas vezes e dormiu comigo todas as noites por um mês. Ele era o badboy, mas eu era sua parte certa.
Ele vestiu a guitarra e selecionou a música. Antes de começar ele virou pra mim e sorriu.
Nada de provocação, ou malícia. Um sorriso sincero e carinhoso. Toda sua expressão me fez corar de felicidade. Seus olhos não estavam mais me desafiando, ele apenas me olhou e sorriu e isso foi tão intenso que fiquei perdida no espaço por alguns segundos. Me senti de volta na faculdade quando ele estava na mesa da fraternidade e se virava pra sorrir pra mim de longe.
– Vamos logo, JB! Mostra pra ela, cara! – Dylan disse nos chamando de volta pra realidade.
Sorri balançando a cabeça e prestando atenção na música. Ele era bom, mas não tão bom quanto eu. Justin não estava brincando quando disse que tinha uma boa coordenação motora, mas ainda sim ele ficou atrás de mim por alguns pontos quando a música acabou.
– Ela te deu uma surra, irmão! – Dylan disse rindo.
Ele riu fraco e retirou a jaqueta. – Não posso ganhar todas. – deu de ombros e olhou pra mim.
– Seus nachos, Bieber. – disse estendendo a mão a espera do meu prêmio.
– Vai mesmo me deixar com fome?
– Não tenho piedade com perdedores. Sinto muito. – ele riu e me passou a vasilha com nachos e Cheetos.
Dylan começou a zombar de Justin e só tinha restado nós na sala. Pete já tinha subido e Taylor também.
– Dyl, temos que voltar pro hotel. Já está tarde e amanhã o dia vai ser agitado. – Hay disse se levantando do colo do namorado.
– Tudo bem. Vejo vocês amanhã, e Bieber, exija revanche! – ele disse antes de sair pela porta e Hay o puxou. Fechei a porta com a chave e suspirei vendo a bagunça na sala. Eu estava cansada demais pra arrumar tudo aquilo agora. Caminhei até o centro e me recostei a parede, Justin estava sentado no sofá com os olhos fechados. Ele era tão lindo, de uma forma tão simples e bruta, mas ao mesmo tempo seus traços eram tão bem marcados e perfeitos.
– Você sabe que estava certa, não é?
– Sobre você ter roubado no pôquer ou sobre eu ser a melhor no Guitar Hero? – perguntei em meio a um sorriso.
– Sobre ser a mulher única mulher de verdade na minha vida.
Ele abriu os olhos e virou o rosto pra mim. Engoli o seco e todas as minhas palavras também. Não era certo meu coração pulsar da forma que fazia quando seus olhos me fitavam daquela maneira e seus lábios diziam tais coisas. Não era justo isso ser tão forte que nem o tempo não conseguia apagar. Não era justo.
Fechei os olhos e respirei fundo. – Está tarde, ok? Temos que dormir, amanhã o dia vai ser cheio e sei que você está cansado. – cortei o assunto, não querendo mais agir como a parte de mim que era apaixonada por ele.
Justin suspirou e sibilou um quase inaudível – Ok.
Ele se levantou e passou para as escadas indo pro quarto de hóspedes. Pam tinha o hospedado lá e tinha pedido as empregadas para aprontarem tudo. Ele se sentiria em casa.
Fiz meu melhor trabalho para expulsar qualquer vestígio de sua ultima frase e apaguei as luzes subindo.
Cheguei no corredor dos quartos e sorri analisando as fotos pregadas a parede. Eram fotos antigas de toda a família. Até mesmo dos meus pais e eu sorria, eles foram um casal perfeito. Tiveram uma ótima vida e algum dia eu queria poder ter ao menos metade de todo o amor que eles tiveram. Balancei a cabeça e passei até o meu quarto.
•
– Taylor me enviou algumas fotos. Ela é linda.
– Sim. Lily é a coisa mais linda que meus olhos já viram.
– Ei, mas e eu? Eu costumava ser seu príncipe encantado. – Brian disse em meio a seu riso e o acompanhei.
– Você é bom também, mas Lily é um anjo. Você é mais como o diabo com seus planos perversos.
– Você está nos meus planos.
Sorri fraco e mordi o lábio um tanto culpada.
– Quando você chega?
– Peguei o primeiro vôo de amanhã, mas ainda há uma viagem até a cidade, devo chegar pouco antes do casamento. Você acha que as pessoas no aeroporto vão estranhar se eu já for com o smoking? – ele brincou e eu ri.
– Com certeza vão pensar que você é uma versão mais jovem e sexy do James Bond.
Ele gargalhou e sua risada me contagiou.
– Você tem sorte de ser linda porque suas gracinhas são péssimas, Mack.
Rolei os olhos rindo. – Eu provavelmente já deveria estar dormindo. Aqui já é tarde e você sabe... Preciso do meu sono de beleza.
– Não, não. Você não precisa. Já é linda o suficiente. – corei mesmo de longe. – Antes de desligar, eu queria saber como... Como foi com o Justin? – seu tom mudou totalmente e mesmo longe eu poderia ver sua expressão séria.
– Hm... Nós... Quero dizer, ele está bem. Não há nada demais.
Escutei a respiração pesada de Brian do outro lado da linha e suspirei me sentindo horrível.
– Não quero que você machuque de novo. Me importo com você, linda. E com seu coração ainda mais.
Era por isso que Brian simplesmente era o Brian. Não havia ninguém no mundo mais altruísta do que ele. Era como se fosse um insisto pra ele cuidar das pessoas ao seu redor. Ele não fazia esperando alguma recompensa, ele só queria que todos estivessem bem. Brian era a melhor pessoa que eu já tinha conhecido e eu nunca queria magoa-lo de alguma forma. Ele era especial demais.
– Você poderia retirar o que disse e simplesmente me dar boa noite como um cara normal? Não é justo você ser assim... Tão... Brian. – respondi com um sorriso abraçando a almofada na minha cama.
Ele riu – Não posso, mas posso te dar um boa noite e dizer que estou sentindo falta de você roubando o lençol.
– Eu também. – a linha ficou silenciosa por alguns segundos – Boa noite, Bry.
– Boa noite, linda. – ele desligou e deixei o telefone sumir por entre os lençóis.
Minha mente voou entre os acontecimentos dos últimos meses com Brian, a cena no elevador com Justin e as últimas vinte e quatro horas. Minha cabeça estava voando.
– Então esse é o nosso fim?
Ele perguntou e fitei suas costas e seus ombros caídos.
– Não. Nosso fim já foi há muito tempo.
•
– É claro que merece. Assim como eu. E sabe o que nós dois merecemos? – ele perguntou com um sorriso malicioso colocando uma mecha solta pra trás da minha orelha.
– O quê?
– Jose Cuervo e uma ótima noite de sexo. – ele disse baixo em um tom sexy que só ele sabia fazer e que me fazia rir. Não agüentei e ri alto contra ele. – Ei, eu não estava brincando.
Seus olhos me fitaram cheios de malícia e desejo. Talvez fosse a certo. Era a hora de mudar e ter um novo começo. Era hora de experimentar novos sabores, cheirar outras flores e viver novos amores.
Meus olhos encontraram os verdes de Brian e ele desenhou meus lábios com o polegar. Ele me queria, ele me desejava e ele não iria partir meu coração. Sem pensar muito colei sua boca na minha e abracei seu pescoço obtendo todo o contato possível.
Suas mãos apertaram meu corpo e ele abraçou minhas costas me posicionando sob seu colo.
O beijo estava cheio de fome e recomeços.
Eu não queria pensar se Brian se tornaria o cara certo pra mim. Eu não queria pensar em como eu parecia ser errada pra todos e em como tudo era confuso quando o coração falava mais alto. Apenas esqueci a sanidade, os padrões, os erros e acertos e me entreguei a alguma coisa.
– Você tem certeza?
– Estágio dois. - sussurrei de volta contra seu rosto e ele sorriu me deitando no sofá. Me concentrei em alertas seus braços e tocar cada pedaço de pele exposta. Brian não levou muito tempo para tirar minha blusa, seus beijos percorreram todos os pontos sensíveis e ele sabia exatamente o que estava fazendo.
E eu deixaria o dia seguinte trazer as consequências disso.
Não demorou nada e logo Brian estava dentro de mim. A razão e a sanidade tinham sumido, o mundo exterior não existia e o que estávamos fazendo era o suficiente para ambos. Meus gemidos o instigavam a ir cada vez mais forte e fundo, minhas unhas estavam cravadas em suas costas e Brian apertava meu quadril e minha coxa com força. O prazer era mútuo, nós dois estavam envolvidos de uma maneira tão impura, mas deliciosa. Não havia sentimentos, apenas sensações.
•
– Você está linda.
Sorri – Você já disse isso.
– Não importa. Você está muito linda. – ele repetiu.
•
– Só porque a gente transou, não significa que você tem que me olhar assim.
– Não sei como olhar, Bry. Eu...
– Você se arrependeu? – suas palavras eram duras, mas seus olhos faziam todos o trabalho de intimidação.
– Não. Eu só não sei se isso vai estragar o que a gente tem ou não. Não sei o que dizer ou não dizer, o que fazer ou não fazer. É confuso!
– Sexo não é confuso, Mack. Foi sexo, um ato totalmente carnal sem ligação emocionou nenhuma. Não vamos tornar isso um problema. – ele disse deixando as sacolas com o nosso café da manhã na mesa.
Fechei os olhos e respirei fundo duas vezes. – Ok. Me desculpe por surtar.
Ele sorriu e caminhou até mim abraçando meu corpo.
– Tudo bem. Você fica linda em desespero.
Sorri rolando os olhos e o abraçando de volta.
– Não quero que você machuque de novo. Me importo com você, linda. E com seu coração ainda mais.
•
– Você sabe que estava certa, não é?
– Sobre você ter roubado no pôquer ou sobre eu ser a melhor no Guitar Hero? – perguntei em meio a um sorriso.
– Sobre ser a mulher única mulher de verdade na minha vida.
•
Voltei a realidade com duas batidas na minha porta e me levantei da cama caminhando até ela. Quando abri, Justin estava parado ali, vestindo nada mais do que uma calca de moletom azul e sua malícia habitual.
– O que você está fazendo?
Seus olhos caíram em mim e ele mordeu o lábio inferior parecendo desnorteado. – Não sei.
– Justin?
– Você quebrou a regra sobre as gracinhas e provocações. É a minha vez. – Ele me empurrou pra dentro e fechou a porta com cuidado e rapidez atras de si.
– O quê?
– Vou quebrar a regra do controle. – ele sussurrou e apertou minha cintura, sua outra mão foi parar na minha nuca e ele me beijou com firmeza.
Não havia mais um lado racional falando dentro de mim. Justin me apertou beijando-me como se fosse a maior necessidade de sua vida. E naquele momento era a minha também.