O PAVÃO MISTERIOSO E O CARNAVAL CARIOCA EM 2012 – UM VOO DE LONDRES A ANGOLA, COM ESCALAS NA BAHIA , NO RIO, SÃO LUÍS DO MARANHÃO E NAS TERRAS DO REI DO SERTÃO
Eu era menino e hoje recordo as estórias que vovô contava. O pavão misterioso foi Evangelista quem mandou construir. Este ano, Renato Lage, o carnavalesco projetista, conquistou mais que a filha do conde, encantando a Sapucaí com uma fantástica alegoria. A bordo de seu pavão, observemos o carnaval que passou.
Hora da decolagem. Ao sairmos do solo, ainda sob o esforço de lentas pedaladas, observamos uma pálida homenagem a um artista que parece ter esquecido o Brasil. Logo, porém, alçamos voo alto e avistamos uma poderosa águia dourada, que nos guiou até a Bahia para com ela subirmos em festa o Pelô. E a festa estava animada, embora a decoração deixasse um pouco a desejar. É que um maldoso rato havia comido o dinheiro e tudo acabou ficando por conta da animação e do som dos tambores. Ainda na Bahia, encontramos uma confusa imperatriz, que nos ofereceu acarajé temperado no axé e dendê. Uma pena ter faltado a pimenta!
Mas já era hora de sobrevoarmos todo o Brasil. Descendo o mapa, chegamos ao estado de São Paulo, terra de Portinari. Nossos motores agora estavam a pleno vapor, pois precisávamos alcançar o firmamento para entender a magia de um artista abençoado. Um belo momento de nossa viagem!
Lá do alto, ainda admirados com o Brasil visto em telas, enxergamos um tímido tigre acompanhado de uma mãe loba, mas nosso pavão estava com pressa e precisava alcançar São Luís do Maranhão.
O pouso em São Luís não foi dos mais tranqüilos. Fomos recebidos por terríveis monstros, que nada tinham a ver com a alegria do lugar. Felizmente, a longa viagem que estava por vir nos traria cores mais alegres e momentos mais felizes. Chegamos a Angola cansados, mas fomos recebidos por um maravilhoso séquito de animais e por uma brava gente que, enfeitada sob estampas multicoloridas, cantava e sambava ao amanhecer do dia. Queríamos continuar festejando, afinal aquele era o melhor momento de nossa jornada, mas precisávamos desligar os motores e sonhar...
Horas mais tarde, já estávamos voando mundo afora novamente. Dessa vez, viajamos na magia de uma grande e bonita aventura musical. Puxa, Aqui Paris! Foi o maior barato! E entre lendas, mitos e magias, seguimos rumo a Londres. A bordo, prometeram servir feijoada com molho inglês, mas, lamentavelmente, só conseguimos tomar um saboroso Chá das Cinco.
Tal como o coelho de Alice, estávamos atrasados e tínhamos hora marcada para o nosso pouso, pois nosso pavão precisava juntar-se aos seus amigos para a grande festança do cordel branco e encarnado. A Onça Caetana estava nervosa à nossa espera e o Boi Mandingueiro chegou a bufar em nossa direção, mas, felizmente, tudo deu certo e nossa passagem pela pista foi um sucesso!
Mais uma vez voando alto, vimos sambistas passando, o nobre rezando e o povo a cantar. Com um nó na garganta, choramos de emoção.
Lá no céu, encontramos Luiz Gonzaga viajando em outro pavão. Esse pavão, outrora tradicional e agora pop, era comandado por um piloto um tanto vaidoso, que para fazer graça colocou o nosso rei do baião na classe econômica, enquanto outros reis menos importantes nos acenavam saltitantes da primeira classe. Pode?
Superando turbulências geradas por ideias de muito mau gosto, pousamos em terra firme. Era o fim de mais um Carnaval...