Resende, Barrô, Pelourinho
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Resende, Barrô, Pelourinho
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Jorge Vieira. Praça do Centenário (Resende). Centenario (Centenary) square (Resende).
Жорже Виейра. Площадь Сентенарио (Столетия) (Резенде).
Francisco José Resende, Camponesa de Ílhavo (1867)
Puris
Os primeiros habitantes das proximidades de Resende,os índios chamavam esta vasta área territorial de “Timburibá”, em alusão a uma frondosa árvore nativa do local que lhes servia de abrigo em suas costumeiras andanças levando inclusive crianças. A freguesia de São Vicente Férrer, depois distrito de Fumaça, era o principal ponto de aglutinação daqueles grupos indígenas, antes da chegada do homem branco, eram de baixa estatura, mas fortes e troncudos. Segundo Taunay Puri significava, em português, gente tímida e mansa. Seus cabelos eram lisos, as orelhas pequenas, o nariz largo, os olhos puxados. Eram nômades, vivendo da caça, pesca e uma agricultura primária. Tinham como costume limpar o terreno para o plantio através de queimadas, o que prejudicava a fertilidade do solo e os obrigavam a migrar de tempos em tempos, em busca de áreas virgens. A mandioca era muito utilizada pelos índios que descascavam e ralavam sua raiz com instrumentos feitos de espinhos e dentes de animais. De acordo co o folclore nacional, a lenda da mandioca era comum a várias tribos. Segundo a lenda, Mani tinha sido a índia mais bonita que já existiu, branca como o lírio. Os índios a respeitavam como um ser sobrenatural, acreditando ser um presente de Tupã. Um dia Mani ficou doente e morreu, sendo enterrada no jardim. De seu túmulo nasceu um arbusto e, a seguir, apareceu a raiz da mandioca que, segundo os índios, parecia o corpo de Mani. passaram a comer a raiz acreditando que isto lhes daria mais força para a luta, e passaram a chamar este alimento de mandioca, que significa pão da terra ou carne de Mani. Os Puris viviam em constantes guerras com os Botocudos, que os expulsaram da Serra da Mantiqueira para o Vale do Paraíba, tendo se estabelecido num lugar denominado Minhocal, cerca de 30 Km de Campo Alegre. Como começassem a incomodar os primeiros moradores chegados com a bandeira de Simão da Cunha Gago, foi enviado o Sargento-Mor Joaquim Xavier Curado para resolver o problema. Houve cruentas lutas em que foram dizimados vários índios. Só um grupo, chefiado pelo cacique Mariquita, decidiu ficar no Minhocal, onde o Sargento-Mor ordenou que lhe fossem doadas terras. Criada a aldeia dos Puris em São Luiz Beltrão, depois São Vicente Férrer (atual Fumaça), esta prosperou entre 1778 e 1820, enquanto o padre Francisco Xavier de Toledo, grande protetor dos índios, dedicou-se à sua catequese. Com a sua morte os Puris ficaram desprotegidos e foram sendo aprisionados para trabalharem como escravos nas fazendas. As crianças eram batizadas com a observação: apanhadas no mato. Os Puris foram alvo de impiedoso e intencional extermínio, com o propósito de sua redução. Para tanto os conquistadores chegaram a disseminar entre eles, a varíola, co efeitos terríveis. Existiam aldeados em 1857, 133 índios entre mestiços e puros. O último descendente dos Puris, Victorino Santará faleceu em 1864.
Ponte Dr. Nilo Peçanha: A travessia Certamente foram os índios Puris (nômades, primitivos habitantes desta região) os primeiros a atravessarem o rio Paraíba do Sul. Historicamente cabe lembrar que os índios chamavam este local de Timburibá, árvore frondosa nativa no local, que lhes servia de abrigo em suas constantes andanças. Antes de 1822, a travessia era feita a nado, ou em rústicas canoas, criando dificuldades aos moradores do atual bairro Campos Elíseos, na época pouco habitado.
Existe muita polêmica a respeito do processo de desaparecimento dessa gente em nossa região. No entanto com base no ocorrido em outras partes do Brasil, podemos deduzir que os Puris foram dizimados pela desenfreada cobiça do homem branco, para ficar com suas terras.
“Orgulho e Rejeição”
Quem sabe não nos beneficiaríamos adaptando ao nosso cotidiano as práticas de vida dos Puris, por exemplo: na preservação ambiental e medicina caseira. O saber indígena pode nos ajudar a suprir as carências que o modernismo causou ou ainda não supriu. Mesmo assim, algumas pessoas não vê sentido em se buscar informações sobre os Puris, que aliás chegam a ser rejeitados por outros. “A nosso pedido, um vereador sugeriu na Câmara Municipal que uma das ruas de um novo bairro da cidade se chama-se Índios Puris. Parte dos moradores não aceitaram e o logradouro recebeu o nome de um artista francês”.
Referências: ROSA, Claudionor - Folhetim Travessia - 100 Anos,Resende, Abril 2005.Gravura: Familia de índios Puri na mata. In: Wied-Neuwied, 1822. Foto Angelo José da Silva; Biblioteca Municipal e no Arquivo Histórico Municipal; Livro: Crônica dos Duzentos Anos – RESENDE 1801 –2001. ARDHIS Academia Resendense de História.
Lugares: a Torre
“a Torre, a antiquíssima Torre, quadrada e negra sobre os limoeiros do pomar que em redor crescera, com uma pouca de hera no cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de junho, robusta sobrevivência do Paço acastelado, da falada Honra de Santa Ireneia, solar dos Mendes Ramires desde os meados do século X.”
Eça de Queiroz, “A Ilustre Casa de Ramires”; a Torre da Lagariça em S. Cipriano, Resende, inspiração para a Torre de D. Ramires, fotografia de autor desconhecido.
Haikai da Mantiqueira
Aos pés da montanha observo o vagar das nuvens
silêncio das eras
— Ewertão
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