"O autor do meu livro não sou eu."
Chico Buarque, "Budapeste"; pintura de Cornelis van Haarlem.
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"O autor do meu livro não sou eu."
Chico Buarque, "Budapeste"; pintura de Cornelis van Haarlem.
O segredo
“Naquele instante oco, com uma voz que não era a minha, lhe comuniquei: o autor do livro sou eu.”
Chico Buarque, "Budapeste"; estudo de Pablo Picasso.
“Descobri naquele instante que em meus sonhos eu falava húngaro.”
Chico Buarque, “Budapeste”; pintura de Joseph Ducreux.
Comecemos
"Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira."
Chico Buarque, "Budapeste"
Aviso
Os imprevistos acontecem e a comunidade de leitores vai ter de reunir a 21 de abril e não no dia 23 que era a data prevista. Esperamos que possam vir à mesma.
Livro de abril
Vamos ler "Budapeste", terceiro romance do escritor, publicado em 2004. Agradou à crítica e ao público e recebeu o Prémio Jabuti de melhor livro de ficção desse ano.
Escritor de abril
Este mês lemos Chico Buarque, cantor, compositor, letrista (genial!), dramaturgo e escritor. Em 2029 recebeu o Prémio Camões, o maior prémio literário da língua portuguesa.
Abandonado pelo Espirito
"A Virgem esperava na sombra, calma e imarcescível. Possuía a suserania, a força, mas aos poucos eu sentia que perdia o contacto com ela, que ela se afastava no espaço e nos séculos enquanto eu me enterrava no banco, encolhido, restringido. Ao fim de meia hora levantei-me, definitivamente abandonado pelo Espírito, reduzido ao meu corpo deteriorado, perecível, e desci tristemente os degraus em direção ao parque de estacionamento."
Michel Houellebec, "Submissão"; a virgem de Rocamadour, fotógrafo não identificado.
Huysmans
"Do mesmo modo, gostar de um livro é antes de mais gostar do seu autor, desejar estar com ele, ter vontade de passar os dias na sua companhia. E durante os sete anos que durou a redação da minha tese, eu vivi na compnhia de Huysmans, na sua presença quase permanente."
Michel Houellebecq, "Submissão"; retrato de Huysmans por Jean-Louis Forain.
Comecemos
"Durante todos os anos da minha triste juventude, Huysmans permaneceu um companheiro para mim, um amigo fiel; nunca tive dúvidas, nunca me senti tentado a abandoná-lo ou a dedicar-me a outro tema; depois, numa tarde de junho de 2007, após ter esperad muito, após ter hesitado tanto ou mais do que seria admissível, defendi, perante o júri da Universidade de Paris IV - Sorbonne, a minha tese de doutoramento: Joris-Karl Huysmans, ou a saída do túnel."
Michel Houellebecq, "Submissão"
Livro de março
Vamos ler "Submissão", publicado em 2015 e sexto romance do autor. Foi o primeiro livro francês a ser pirateado (já se descarregava no torrent antes de chegar às livrarias). Foi também um gigantesco sucesso de vendas e gerou uma enorme controvérsia.
Escritor de março
O escritor deste mês é Michel Houellebecq, um dos mais conhecidos e reconhecidos escritores franceses da atualidade. Fez ontem 70 anos e dado o seu pessimismo e gosto pela polémica considero altamente improvável que o Nobel lhe venha a cair no regaço.
"A pureza é masculina, e o pecado é feminino. Só as mulheres podem trair, os homens são livres, Rami"
Paulina Chiziane, "Niketche: uma História de poligamia"
Gémeas
"Tremo de piedade, de tristeza e de vergonha. todas as mulheres são gémeas, solitárias, sem auroras nem primaveras."
Paulina Chiziane, "Niketche: uma história de poligamia"; pintura de Amy Sherald.
Sòzinha
"Na minha rua a maior parte das mulheres ficou só, os maridos decidiram abalar quase ao mesmo tempo. Eu sou a única que ainda vê rosto de homem de vez em quando - só par vir comer e mudar de roupa.
Paulina Chiziane, "Niketche: uma história de poligamia": pintura de Kerry James Marshall.
Comecemos
"Um estrondo ouve-se do lado de lá. Uma bomba. Mina antipessoal. Deve ser a guerra a regressar outra vez."
Paulina Chiziane, "Niketche: uma história de poligamia"
Escritora de fevereiro
Vamos ler pela primeira vez Paulina Chiziane. É moçambicana, nasceu em 1955 e foi a primeira mulher do seu país a publicar um romance.