You’re my unstoppable force! 16-02-2016
Passei um tempão sem escrever aqui, eu sei. Às vezes só pensava num textão, mas acabava não conseguindo escrever.
Às vezes é assim né. E eu em especial, escrevo só quando transbordo em letras mesmo. Essa coisa do tal do escorpião, escreve quando tudo é muito intenso...
E hoje, bem, hoje foi um dia interessante. Eu passei o dia com ela, dormi com ela, mas acordamos estranhas, o clima estava opressor, pra ambas, dava pra sentir a barragem que nos oprimia contra as paredes. E não eram particularidades nossas ou do nosso relacionamento. Apenas vieram sobre nós após o almoço. Como uma tempestada escura e bastante assustadora.
Eu tentei não magoá-la e ela tentou não me magoar. Tentei orar diversas vezes, mas era difícil, o ar estava difícil de respirar e eu sabia que algo estava errado. E desculpem, acho que desde ontem algo estava cutucando pra nos fazer discutir ou brigar. Nós não discutimos, mas conversamos.
Aqui na minha casinha. Nós deitamos na minha cama e choramos, como duas crianças bobas. Choramos. Pedimos perdão por patadas e por olhares atravessados. Desterramos de nossas entranhas a semente que poderia ser amargura e podamos os bichos.
Eu a amo! Amo você senhora Panda. EU AMO VOCÊ!
Fui pra aula, que estava muito chata - o curso de História tem dias realmente entediantes se você estudar numa sala como a minha - mas o facebook estava funcionando. Ótimo! Conversei com ela um pouco. Eu sentia uma saudade danada da criatura. Mas, ainda tava com receio de colocar os pés por perto, sondando terreno.
Na volta, meu ônibus quebrou, obrigada Mr. Universo! Com isso, eu pude repensar algumas coisas. Repensar minhas atitudes e a minha história pessoal. E revi nessa história nossas primeiras conversas. Nossos primeiros encontros. A alegria que me tomava e a ansiedade em vê-la. Quando mudei pra cá, e nós tínhamos que nos separar a cada segunda-feira, eu acabei me fechando um pouco, porque a cada separação era um sofrimento doloroso pra mim. E eu sei que pra ela também. E sei também que era um tempo necessário. Necessário pra que hoje pudéssemos ver o quão importante é esse sentir todo.
Pensei em tudo que havíamos vivido e em tudo que hoje vivemos. Cada sorriso. Cada sushi. Cada aventura na cozinha. Deitar na rede. Brincar lá fora. Não fazer nada. Dar banho nos cachorros. Beijos! Caminhadas (forçadas ou não). Massagens. Músicas. Lágrimas. Orações.
Cada coisa que nos unia mais e mais. Que nos tornava família como somos hoje. Cada parceria que fizemos. Cada detalhe da nossa existência! Obrigada M.
Eu acabei de ver Breakfast with Scot. E me identifiquei tanto com o jogador de Hoquei. Como ele, eu tenho medo, mas não é medo do outro. É medo de mim no outro. Medo daquilo que eu tenho medo em mim mesma. E quando o outro me conquista... eu tomo coragem de me assumir. De ser exatamente o que sou. Sem medo da gozação, ou da torpeza. Recentemente, inclusive, experienciei isso, acho que o medo me tomou e eu não sabia como lidar. Eu nem sabia que poderia me sentir como eu me senti aquele dia.
Eu realmente não sabia. E já que estou num textão imenso, vamos contar isso também.
Na faculdade um amigx (que chamarei P., e essa não é a inicial do nome da pessoa, já que quero proteger sua identidade), me contou algo que me feriu. Feriu porque ainda aprendo constantemente a lidar com isso.
Uns meses atrás uma pessoa soltou numa roda de pessoas que eu e M. somos um casal. Sem a nossa presença lá, sem respeitar a nossa decisão de vivermos nossa Nárnia (Numa cidade pequena, viver em Nárnia infelizmente é a decisão mais óbvia que talvez possamos ser obrigadas a ter). Não sabemos se a conversa nessa roda de pessoas chegou a alguém da minha sala. Fato é que recentemente, Z. (que é da minha sala) falou no trabalho delx, para x chefe delx, que eu não era uma boa companhia para P. Porque, sou homoafetiva.
Eu me irritei, eu quis bater nx tal colega, porque é o tipo de gente que veste a máscara de politizadx, de que “aceita” lgbttqs. Enfim, uma das frases que nos disseram, e que foi a coisa mais irônica que poderíamos ouvir (de uma uma pessoa com a formação em história e debates em gênero) foi que “nós fazemos muita tempestade em querer viver em Nárnia. Às vezes as pessoas só querem aceitar”. NÃO! As pessoas não querem aceitar. Mas, elas se obrigam a aceitar.
Gostaria que se algumx pessoa que é feliz como heterossexual entendesse que: Nós não precisamos que ninguém nos aceite. Nós só pedimos respeito ao nosso espaço. Não, não passamos pulgas gays. Não! Não temos vírus que podem pegar em você. NÃO! Usar Boticário não te fará gay ou lésbica, ou trans, ou qualquer outra “perversão” que você seja incapaz de entender. Parem com isso ! Isso machuca as pessoas. Isso me feriu aquele dia, e eu levo algum tempo pra processar, pra tirar das minhas veias a dor e pra ela tomar o rumo que precisa tomar.
Breakfast with Scot me fez ver que eu sou Eric, o jogador de Hoquei. Eu tenho medo desses muitos Scots, porque eu tenho medo de sofrer send Scot. Ainda tenho medo dos garotos grandes. Tenho medo de apanhar na rua. Tenho medo de sofrer violência sexual. Tenho medo de tentarem me curar. Mas, talvez o Scot me salve desse medo. E assim como Eric foi cuidado por Sam quando se feriu jogando. Eu fui cuidada por M. quando me feri jogando “o jogo da vida”. Ela e Sam são realmente bons em cuidar das pessoas.
Eu sei que falei de muitas coisas,
Mas o texto de hoje é isso...
OBRIGADA M. Por cuidar de mim e por me amar.
EU TE AMO!
P.S.2 - O onibus foi arrumado, viemos e chegamos bem, apenas um pouco mais tarde do que o esperado. ;)