Os dois feiticeiros haviam acabado de chegar no esconderijo em Briar que haviam escolhido justamente para aquela ocasião, e nenhum deles conseguia parar de sorrir. Rasputin não parava de tagarelar sobre como havia sido incrível invadir o banco central do reino, como conseguiram executar o plano quase perfeitamente se não fosse o imprevisto de um dos guardas saindo do efeito da hipnose mais cedo que deveria, como até chegou a duvidar se iriam mesmo conseguir sair com as joias mágicas, e sobre como eles formavam um bom time, no final das contas! ❛❛ —- Eu não me lembro a última vez que eu senti tanta adrenalina. ❜❜ o mais novo admitiu, enquanto olhava um dos rubis contra a luz da lamparina. Estava tão absorto na pedra preciosa que nem notou quando Grigori caminhou até seu lado para que ele pudesse fazer o mesmo, aproximando o rosto do outro feiticeiro para enxergar o brilho refletido da mesma forma. ❛❛ —- Tem razão, Grigori. ❜❜ ainda sorridente, e com os olhos brilhando, ele pontuou, baixando o rubi para deixá-lo contra a mesa de centro. ❛❛ —- Nós formamos um ótimo time. ❜❜ qual foi a sua surpresa quando virou-se na direção de onde anteriormente havia visto a voz para notar que não apenas o outro estava muito mais perto de si do que antes lembrava, mas também ele havia estendido a mão para pegar o rubi dos seus dedos para continuar o observando contra a luz. O toque junto da proximidade fez com que Jafar travasse os dedos ao redor do objeto e prendesse a respiração, chamando a atenção de Grigori. Ele ficava muito mais atraente que o normal quando as coisas davam certo e ele obedecia os seus planos. E à meia-luz também. Rasputin franziu o cenho pela reação súbita, imaginando que Jafar havia encontrado alguma coisa para reclamar (ele sempre encontrava) sendo que estavam tão bem até milissegundos atrás. Chegou a se inclinar na direção do mais baixo, preparado para perguntar o que diabos havia de errado sendo que ele só queria admirar o roubo um pouco mais, quando impulsivamente Jafar colou a mão livre na lateral do rosto do outro feiticeiro para puxá-lo para um beijo. Intenso, mas rápido. Se afastou com a mesma expressão surpresa do cúmplice, esperando que suas orelhas não estivessem tão vermelhas quanto a terrível sensação de formigamento indicava. -- Uhh, Jafar? -- Grigori o chamou em confirmação para o que tinha acabado de acontecer, sorrindo incrédulo. Jafar revirou os olhos, segurando o tecido da camisa na altura do coração. Adrenalina, ele havia dito antes. Nunca havia sentido nada igual até aquele roubo arriscado, e não queria que parasse. Escorregou a mão livre de volta para os próprios cabelos, pigarreando e entregando o rubi para o outro. ❛❛ —- Perdão. Eu não sei no que eu estava pensando. ❜❜ admitiu, afastando-se para poder ir até a porta do lugar e checar mais uma vez se não haviam sido seguidos até ali, se o domo de invisibilidade erguido pelos dois mais cedo ainda estava intacto (é claro que estava, aquilo foi executado quase que perfeitamente). Estava sentindo o sangue correr tão rápido pelo corpo que nem notou quando Rasputin deixou o prêmio sobre a mesa e se aproximou para detrás de si, puxando a maçaneta da porta para fechá-la outra vez e pressionando o corpo de Jafar contra a superfície de madeira, já grudando os lábios contra o ouvido dele. -- Relaxa. Não fiquei chateado não. -- a mão livre subiu pelo braço alheio, leve e ágil, como quem sabia o que estava fazendo, até passar rápido pelo ombro e encaixar-se contra a garganta do feiticeiro de areia, os dedos fazendo pressão ali e conseguindo arrancar o primeiro do que seriam muitos suspiros naquela noite. -- Deu tudo certo, não deu? Vem cá, deixa eu te dar um prêmio. -- seguiu uma trilha de beijos pela lateral do rosto alheio, retirando a mão da maçaneta para deslizá-la pelo tronco do outro enquanto ainda mantinha os dedos seguros contra o pescoço. Normalmente, Jafar falaria para que ele parasse com aquilo imediatamente. Não tinham tempo para aquelas gracinhas, tinham de dormir logo e ficarem espertos para a fuga no dia seguinte. Porém... Ele queria, sim, um pouco mais de aventura. Esforçou-se para girar o corpo no próprio eixo e ficar de frente para Grigori outra vez, o puxando com as mãos para outro beijo partilhado agora sem surpresas, e apenas desejo. Só por mais algumas horas, ele concordou com a própria mente como se não fosse se arrepender daquilo no dia seguinte. Apenas para manter a adrenalina correndo.