Don't ever leave again. Why didn't you write me?
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Don't ever leave again. Why didn't you write me?
At the end of the day all we have is who we are.
Ryan Calhoun (Who We Are)
C4SS Feed 44 presents Ryan Calhoun‘s “Weed Legalization as Privatization, Disempowerment” read and edited by Nick Ford.
Marijuana’s legalization seems much more like neoliberal privatization of markets than true liberation of them. While I do not question the decency of these first major marijuana retailers, there are legitimate concerns. Those most victimized by the state’s rabid oppression of marijuana markets will find themselves very often out of luck, as extensive background checks are required by law, and any drug felony charge is enough to exclude individuals from operating as vendors. TakePart magazine notes in an article that even as weed is legalized, those in prison for the crime of possessing or selling marijuana will remain there. While new businesses boom with customers, those who formerly tried to compete in this market remain locked up in cages.
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End our prison-centric culture where it starts. Free all children now.
Ryan Calhoun, End Youth Imprisonment Now
Libertários e a Contracultura dos Anos 60
Ryan Calhoun
Houve dois movimentos radicais e anti-autoritários da década de 1960 que se desenvolveram de maneiras muito diferentes, mas que se complementam de formas que permanecem desvalorizadas. Um deles é o movimento libertário recém-formado, encabeçado por nomes como Murray Rothbard e Leonard Read, ambos especialistas em economia que passaram boa parte de suas vidas no quadro-negro ou no teclado, teorizando sobre a sociedade de mercado voluntária ideal. O outro é o que é comumente conhecido como movimento Hippie, que é referido de maneira mais precisa como a contracultura dos Estados Unidos dos anos 1960. Este foi um movimento inspirado por ideias políticas de esquerda e ética de vida relaxada. Não foi um movimento formado principalmente por intelectuais, mas por artistas ou pessoas que seriam chamadas anteriormente de beatniks.
Minha intenção é mostrar que essas duas culturas, ainda que tenham evoluído de maneira diferente em vários aspectos, têm muito a oferecer uma à outra e não podem ter surgido ao mesmo tempo por mero acidente histórico. Ambas abraçavam valores políticos semelhantes, se opunham às mesmas coisas, dialogavam com as mesmas pessoas e defendiam sociedades similares. A diferença é muito mais cultural, e nesse sentido eu diria que ambas se beneficiariam bastante uma com a outra. Também pretendo apontar como uma contracultura libertária hoje não é apenas uma possibilidade, mas um processo que já está ocorrendo, e que todos os libertários deveriam incentivar, se não participar.
O que a maior parte da historiografia que trata da esquerda e do libertarianismo na década de 1960 se concentra é na interação entre os rothbardianos e a Nova Esquerda, especificamente focada em acadêmicos como Gabriel Kolko. O que marxistas e libertários da época tinham em comum era a denúncia do progressismo corporativo e do complexo militar-industrial.
Esta abordagem da Nova Esquerda teve seu ápice na vida e na obra de Karl Hess. Hess, igualmente bom amigo de comunistas e rothbardianos, defendia o simples viver que viria a definir o modo de vida da contracultura nos anos 60. Hess representava o lado da esquerda diferente do de Kolko, um jovem historiador profissional. Esta divisão viria a definir a história da esquerda durante os anos 60. O libertarianismo muitas vezes não é tão dividido, mas acredito que haja muita interação entre estilo de vida e crenças de hippies e libertários.
Rothbard acabaria mencionando uma infestação da contracultura no mainstream libertário como uma das causas para sua mudança para uma estratégia paleoconservadora nos anos 80 e 90. Desde então, tem havido um renascimento da esquerda libertária, mas não de uma conexão com os valores que alimentaram os radicais dos anos 60. Os libertários revolucionaram tais idéias e valores, e podem aprender muito com eles hoje. O que segue é um breve histórico de algumas das principais figuras envolvidas na esquerda anti-política e sua relação com o libertarianismo.
Kerry Thornley é conhecido principalmente como o co-fundador do discordianismo e como uma figura nos arquivos da conspiração do assassinato Kennedy. Thornley também foi uma figura importante na nascente contracultura dos anos 60 e um desvio dos Beatniks dos anos 50. Ele trouxe um senso de naturismo e de volta-à-terra para a cena hippie em desenvolvimento. Thornley, juntamente com muitos outros discordianos e aqueles influenciados pelo discordianismo, também foi libertário em atitude. Thornley mesmo criou um zine da esquerda libertária inicial conhecido como The Innovator. Nele, Thornley publicou teorias radicais sobre amor livre, seasteading e simpatias anarco-comunistas com libertários americanos modernos.
Thornley é bem o retrato do que o libertário não-acadêmico, de estilo de vida, dos anos 60 parecia. Ele era idiossincrático, intransigente em sua adoração da natureza e do amor livre, e odiava o governo - especialmente o dos Estados Unidos. Ele usava drogas, tinha um senso místico de vida e defendia a auto-libertação radical, tanto interiormente quanto em sua defesa da apropriação libertária baseada em ética comunitária.
Uma semelhante, mas poderia-se dizer mais bem estruturada, figura da contracultura dos anos 60, tanto para nerds libertários quanto para hippies, foi Robert Anton Wilson. Ele também contribuiu bastante em trazer o discordianismo de Thornley para o mainstream na trilogia "The Illumanatus!". Wilson estava bastante envolvido com as idéias libertárias, reagindo ao que ele via como o libertarianismo excessivamente moralista dos rothbardianos. Como Thornley, Wilson era um libertário de esquerda inicial que muitas vezes é tido como um astro. Ele manteve o egoísmo e o mutualismo de Tucker vivos entre a comunidade libertária subterrânea.
Wilson também era fã de um composto especial que alimentou grande parte da contracultura dos anos 60 - o LSD. Ele chegou a dizer em uma entrevista nos anos 1970 que
Rothbard é, como Marx e Pound, uma brilhante mente fechada: excelente para estimulação, mas qualquer um que se arraste para um dogmático transe rothbardiano deve tomar LSD e tentar olhar o mundo através de outras lentes.
Embora a história entre o LSD e a cultura libertária seja pouco explorada, eu acho que deveria ser, juntamente com pessoas como Wilson, que defendia seus efeitos libertadores. De acordo com um orador em uma convenção do Libertarian Party no Texas em 1981, houve até um libertário que defendia o uso de LSD para crianças do ensino fundamental. Infelizmente, eu não consegui desenterrar a identidade desta pessoa, mas pensamentos do tipo não eram raros entre a contracultura do libertarianismo. Concordando ou discordando de tais sentimentos radicais, eles eram uma parte do Zeitgeist libertário e inspirados pelo Dr. Timothy Leary, o rosto e a voz do movimento LSD dos anos 60 e 70.
Leary foi ele próprio um libertário, que no final dos anos 70 iniciou militância política para o LP. Mas mais importantes do que suas convicções libertárias foram as ações que ele tomou e a filosofia que ele pregava. Leary era um anti-autoritário radical que se via como uma espécie de guerreiro pelas mentes das pessoas. O LSD, ele pensava, era a melhor maneira de mudar a realidade de um indivíduo, a partir de um túnel vicioso para um em sintonia com o libertarianismo. O LSD era muito mais do que uma maneira de se divertir para os hippies, era uma maneira de fazer um ajuste de perspectivas. É claro, os hippies não estavam forçando quadrados a participarem da mania do ácido. Como libertários, os hippies enfatizavam a escolha voluntária. Não há tal coisa como alguém que é libertado sem seu próprio consentimento.
Os parentes mais distantes do movimento libertário incluem grupos como os Yippies. Eles constituíam grande parte da esquerda anti-autoritária radical. Em grande medida, os Yippies representavam uma ruptura distinta com a Nova Esquerda com quem Rothbard havia tentado se alinhar por volta da mesmo período. Os Yippies eram ferrenhamente opostos à conformidade e favoráveis à expressão individual completa. Como muitos voluntaristas modernos, os Yippies também eram radicalmente anti-políticos. Em 1968, durante a infame Convenção Democrática em Chicago, os Yippies, liderados por Abbie Hoffman, conseguiram eleger um porco chamado Pegasus para o ticket do partido político Yippie. Eles trocaram muitos golpes com a polícia durante protestos abertamente hostis.
Estes não eram os hippies pacifistas de antigamente. Estes eram hippies que foram percebendo que paz e amor não trariam as tropas que estavam massacrando e sendo massacradas no Vietnam para casa. A mensagem dos Yippies era de acabar com todo o sistema, em oposição ao gradualismo de muitos outros na Nova Esquerda. Sua estratégia era bastante aberta e pública. Era importante desprezar atos de opressão abertamente. De fato, isto não foi sempre uma boa jogada de relações públicas. Abbie Hoffman era uma figura querida da contracultura e de nenhum outro lugar, mas ele chamou a atenção e radicalizou pessoas.
Outro grupo famoso, conhecido por suas artimanhas de rua e sua celebração da libertação pessoal foram os Diggers. Os Diggers encorajavam a liberdade sexual e um mundo livre da ética do trabalho, onde as pessoas pudessem se reunir em divertimento e prazer mútuos. Eles encorajavam empresários em Nova York a abandonar seu trabalho e se juntar ao estilo de vida abertamente hedonista dos Diggers.
Os anos 60 foram cheios de grupos como este, dedicados a formas a-e-anti-políticas de mudança cultural. Eles não viam necessidade de apontar armas para as pessoas a fim de passar a ideia de que seus valores eram desejáveis. Eles só precisavam expressar seus valores em plena vista do público. Liberdade era o suficiente.
A ética geral dos hippies era imediatista, mas em muitos aspectos era mais cínica do que se acredita. Muitos libertários não eram seu típico festeiro paz e amor - pelo menos não sempre. Os hippies procuravam liberdade no agora, porque não viam nenhuma possibilidade de qualquer outra coisa. Eles estavam muito ocupados para fazer planos para o futuro. Muito frequentemente eles não se precupavam com o intelectual.
Hunter S. Thompson ecoou estes sentimentos em um de seus artigos,
A maioria dos hippies são viciados demais para sentir qualquer senso de urgência para além do momento. Seu slogan é "agora", e isso significa instantaneamente. Ao contrário de ativistas políticos de qualquer estirpe, hippies não têm visão coerente do futuro que pode ou não existir. Os hippies são afligidos por uma espécie de fatalismo enervante que é, de fato, lamentável. E os críticos da Nova Esquerda são heróicos, em sua maneira, por criticá-los. Mas a terrível possibilidade de que os hippies podem estar certos existe, de que o próprio futuro é deplorável e então porque não viver pelo agora? Por que não rejeitar todo o tecido da sociedade americana, com todas as suas obrigações, e fazer uma paz em separado?
Isso descreve a diferença central entre a cultura libertária e a contracultura da época. É melhor lutar por uma sociedade livre ou viver no seu mais livre agora? Felizmente, outro pensador libertário de esquerda, Samuel Edward Konkin III, também conhecido como SEK3, delineou a idéia de contraeconomia, uma estratégia alimentada pelo autointeresse econômico dos envolvidos, em vez da noção puritana da desistência de suas posses terrenas.
Essa idéia de uma paz em separado, embora aparentemente niilista para muitos libertários moralistas, continua sendo uma força atraente para ação agorista. A ética hippie de viver em comunas foi iniciada por libertários como Thornley, que viam não como um dever comunista participar de um território independente, mas como uma questão de libertação de um sistema estatista. Os think tanks de seasteading da idade moderna podem rastrear seus ideais visionários de volta para Thornley e os hippies.
Eu vejo uma divisão semelhante crescendo entre os libertários de hoje. Há os jovens profissionais no Students For Liberty (Estudantes Pela Liberdade) e os libertários de estilo de vida que se mudaram para New Hampshire para fumar maconha nus em parques públicos. Penso que seja incontroverso dizer que ambos são necessários e vão continuar por aqui, mas acho que o benefício de uma contracultura libertária radical é subestimado. Mais do que de um movimento político, libertários precisam de um movimento cultural. Um que enfatize a diferença entre valores sociais vigentes e valores sociais alternativos.
Os verdadeiros astros libertários underground de hoje existem em artistas como Doug Stanhope, que travam uma guerra não apenas contra as normas políticas, mas também contra crenças do que se define como comportamento social normal. Ativistas do Free State Project são abertos em relação ao uso de drogas e muitos free staters decidem até mesmo andar nus. Enquanto outros se fantasiam e dão uma de Robin Hood contra meter maids. Como os Yippies, eles preferem a teatralidade para passar sua mensagem, em vez do compromisso sério. Ativistas como Adam Kokesh fazem carreira lançando luzes sobre si mesmos. Muitos questionam as motivações de tais pessoas. Elas são caluniados como attention whores. E diabos, pode ser verdade, mas chamam a atenção para questões libertárias.
Grande parte da ética de "volta-à-terra" dos hippies tem sido traduzida como fundo-na-internet (deep-into-the-internet) para ativistas libertários do século XXI que fazem comércio com cripto-moedas como Bitcoin. E, assim como com os hippies dos anos 60, o principal efeito da contracultura libertária tem sido a propagação do uso de drogas psicodélicas. Bitcoin alimentou a Silk Road, e a ideologia agorista inspirou seu suposto fundador agora preso, Ross Ulbricht.
Agoristas, como os hippies, querem liberdade agora e em seus próprios termos. Eles não aceitam que a liberdade é impossível. Eles a criam. Muitos vêem isso como insustentável a longo prazo, e a tragédia de grande parte da contracultura dos anos 60 é que eles não tinham resposta a esta alegação. O agorismo oferece essa resposta.
Tradução de Vinícius Freire
O plano canadense para regular os refugiados gays
Ryan Calhoun | Support this author on Patreon | December 10th, 2015
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por Ryan Calhoun.
O Canadá recentemente anunciou planos para abrigar 25 mil refugiados sírios o quanto antes. Contudo, nem todos os refugiados serão considerados. Homens adultos sem famílias serão excluídos. O Canadá acrescentou uma estipulação permitindo aos refugiados homens entrar no Canadá se forem gays. Homens gays e todas as outras minorias sexuais e de gênero enfrentam grandes riscos dentro do Oriente Médio, então a prioridade a elas faz sentido. Contudo, longe de ser um gesto de caridade e humanidade desta democracia ocidental, o plano ameaça os refugiados gays e submete suas identidades sexuais às vontades de uma burocracia. Os avaliadores dos refugiados estão bastante cientes desses fatos.
De acordo com um artigo publicado no National Post, os encarregados de avaliar os pedidos de asilo afirmaram que não temem declarações falsas. Mas mesmo as declarações são perigosas — pedir asilo como refugiado como homossexual pode assinar sua sentença de morte. Residindo em campos de refugiados “lotados, onde circula muita informação boca a boca”, os refugiados gays se expõem aos abusos e à violência tradicionalmente praticados por seus compatriotas.
Para serem reconhecidos como homens homossexuais pelos burocratas, é necessário atingir os critérios de um documento de 17 páginas das Nações Unidas emitido em 2012. Um refugiado deve divulgar informações aos interrogadores como quando ele descobriu que era gay, quais foram suas tentativas de se esconder e o abuso que sofreu. O primeiro problema é que isso pode forçar pessoas traumatizadas a reviver seus passados de tortura. Há grande vergonha e muitas cicatrizes emocionais entre as minorias sexuais oprimidas.
Contudo, um problema ainda mais pernicioso e sutil sublinha esse sistema de regulação sexual. Não apenas ele é cruel é desumano, mas ele também regula o que se define como experiência homossexual. Vemos nos padrões desses documentos um apego à vitimização como definidora da identidade sexual. Não ter as cicatrizes da opressão significa ser excluído da homossexualidade. Isso não é tão novidade. Estar fora das fronteiras dos papéis de gênero e sexo convencionais sempre foi visto como sinal de fraqueza e vulnerabilidade. O que vemos aqui é uma caracterização imposta implementada oficialmente como regulação do status do homossexual.
O Canadá agora parece ser o salvador progressista de um povo violentamente oprimido. Esse é o espírito destilado do humanitarismo. Ele prega uma mensagem de universalismo e neutralidade, mas está longe de sê-lo. Os governantes que têm autoridade para estabelecer as regras do jogo, monitorar, inspecionar, escrutinizar e processar as declarações de “sofrimento” sempre acabam impedindo aquilo que afirmam ser seu objetivo. Acabam impondo um sofrimento ainda maior. A democracia ocidental sempre aparece montada num cavalo branco pregando igualdade, desde que você se comporte. O resultado é um reforço dos velhos preconceitos, que são incorporados aos manuais humanitários atuais.
O pretenso ato de benevolência do governo canadense é uma demonstração brutal do poder do estado ocidental. As portas do Canadá e de outros países ocidentais se abrem, mas apenas temporariamente, para uma pequena minoria, e apenas se responderem adequadamente. É hora de acabar com esse legado de imperialismo humanitário que levou a Síria à presente crise. A única forma de deixar de agir como os selecionadores de quem tem direito à paz e à democracia é derrubando os portões, queimando os livros regulatórios e começando a aceitar um mundo em que todos tenham direito de se movimentar como desejarem. Aqueles que não se encaixam nos padrões convencionais de sexualidade no Oriente Médio encaram grandes perigos, mas não devemos submetê-los aos nossos padrões antes que permitamos sua entrada em nossas comunidades. Todos devem poder explorar e se assentar onde desejarem. Ou os governos acabam com sua burocracia ou eles devem passar a nos poupar de suas declarações vazias de humanitarismo.
And I won't move, Till I tell you all the things, You all the things you need to know, And I want you to know that I'm not letting go, Not letting go of anything Of anything
Right About Now by Ryan Calhoun
There is no pipeline out of schools and into prisons, because schools and prisons in this country are not conceptually separable.
Ryan Calhoun, There is No Pipeline. Schools are Prisons.