Há tempos as novelas são importantes elementos da nossa cultura, mas sempre foram tratadas como culturalmente pouco relevantes. Uma injustiça.
Quase que diariamente ela está na sua casa. Quando a trama do dia acaba ela continua nas propagandas de xampu, carros e palha de aço. Quando você sai ela te acompanha nas bancas de revista, nas conversas perdidas pela rua. Consegue chegar em lugares em que só se chega de barco, helicóptero ou caminhando. Essa sua onipresença já seria um motivo merecedor de um lugar na calçada da fama na cultura popular, mas ela ainda tem que sofrer. Como a mocinha da história que sofre nas mãos da irmã má até sua redenção no último capítulo. Mas será que a novela terá enfim seu dia?
Se depender de Sabor Brasilis esse dia está perto. Esse é o nome da HQ e da sua personagem. Tratar a novela como peça central na qual giram bons personagens mostra que é possível desenvolver uma boa trama em cima do tema. E a história acerta a mão ao dosar os personagens apenas no núcleo de roteiristas. As possibilidades são fartas. Se quisessem os autores poderiam escrever uma HQ nova contado as intrigas entre os atores de Sabor Brasilis. Ou outra sobre como a população se dividiu entre os suspeitos da morte da Olívia.
Já juntar dois desenhistas de traços diferentes numa mesma obra é arriscado, mas nesse caso ficou animal. Tem horas que o traço mais fluido dá dinâmica ao texto, enquanto outras horas o traço mais pesado prende mais o tempo da HQ, casou certinho.
Vale o preço, boa pedida. E como toda boa história policial você só vai descobrir o assassino no final. Ou não?