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Era mais um fim de dia como todos os outros. O sol ia se escondendo na copa das árvores altas, antes de se esconder atrás das construções, sempre deixando um rastro de tons de vermelho, rosa e amarelo antes de sumir totalmente na linha do horizonte. E, quando a enorme bola de chamas ia embora por algumas horas para surgir do outro lado do mundo, deixava que céu fosse tingido por um pálido azul cinzento antes de que esse azul se tornasse um céu negro salpicado de estrelas que brilhavam mais do que a aura das fadas. Tal evento era tão comum quanto a presença da Beanshee aos que estavam sendo abraçados pela morte. Tal evento também era tão comum quanto a ausência dela aos olhos dos que a morte não espreitava. Afinal, o que é a normalidade senão Beanshee em seus trajes rasgados planando com o vento em sua forma etérea, chorando pelos que morrem e passando despercebida pelos que vivem? Não planava imitando um pássaro, apenas andava como um ser humano, a diferença era que seus pés descalços não entravam em contato com o chão. Não passava de um espectro, um arauto, uma visão semi-ilusória, então não tinha de manter padrões que imitavam a realidade humana, nem ao menos precisava mover os pés para dar a falsa impressão que caminhava. Até porque, mesmo que fosse como qualquer humano, ainda assustaria aqueles que acreditavam em sua existência. No entanto, no mundo tinha gente de todo tipo. Tinha quem tanto temia sua chegada e seu choro que a via quase todos o dias, mas não recebia suas lágrimas e nem sua atenção. Tinha quem apenas a via por algum dom especial, mas também não recebia sua atenção ou seu choro. Tinha quem acreditava nela, e assim só a via em seus últimos segundos quando os olhos de Beanshee eram um único mundo à quem partia. E claro, tinha gente que negava sua existência. O mais incrível disso tudo é que também tinha gente que não a conhecia e a via. E por mais incrível que parecesse, todos tinham reações diferentes. Uns, só a olhavam, outros, a abordavam. Outros resolviam sair correndo, pois nada é tão desagradável quanto um rosto cadavérico com pele translúcida e olheiras profundas meio escondidas debaixo de uma massa de cabelos vermelhos como o sangue coagulado tão, mas tão embraçada que dá o aspecto de jamais ter sido bem penteada. O que aquele ser novo à sua frente faria? Só a olharia? Falaria? Ou correria? Estava aí algo que ela realmente queria saber, pois reações humanas não eram previstas em sua mente. Ora essa, só lhe cabia saber sobre a hora de uma possível morte ou situação de perigo às pessoas e nada mais.













