Sem saber
Sequer imaginava quando seria, mas ela ia morrer.
Sendo igual a muitos de seus parentes ainda vivos, tinha uma doença genética. Para o que tinha, não havia cura, e levaria um longo tempo até que houvesse.
Satisfeita com sua condição, buscava suprir a necessidade de novas paisagens no tempo que restara.
Sem saber qual a última coisa que iria ver, seus pais a levavam para viajar pelo mundo, sempre a procura pela melhor vista.
Silhuetas de montanhas, florestas verdejantes e até praias de areia reluzente. Maravilhas espalhadas por todos os cantos, cada uma podendo ser a última antes da possibilidade de se chegar até a próxima.
Sentido a vida se esvair, olhava sempre com atenção o brilho do Sol. Medindo a vida pelo número de lugares que poderia conhecer, ela aproveitava para não perder nada do que, logo menos, iria deixar de ver.
- Gabriel Tessarini















