Antes, para mim, a velhice era sinônimo de morte.
Você nascia, crescia, tornava-se criança, adolescente, adulto… e só morria quando era velho. Bem velho. Era assim que deveria ser.
Mas então eu entendi que não eram apenas as pessoas nascidas há muitos e muitos anos que morriam. Crianças também podiam morrer. Pessoas jovens também. A morte não esperava a velhice.
Aparentemente, eu estava enganada.
Morri quando tinha onze anos. Não no sentido literal da coisa, não. Não foi a morte que eu imaginava quando era mais nova. Mas, ainda assim, foi uma espécie de morte.
Quando pensei ter perdido alguém, acabei me perdendo também, mesmo sem realmente perder ela. Era a minha avó. O medo de não tê-la mais me quebrou. Eu não comia, não dormia, não bebia, não pensava. Não me levantava, não tomava banho. Para mim, aquilo era como morrer.
Este texto é sobre ela: a morte. Talvez seja por isso que ela se repita tantas vezes.
Depois de anos, ainda existe uma parte de mim que acredita estar morta. Eu como, durmo, bebo, penso, me levanto, tomo banho. Faço tudo aquilo que alguém vivo faz, mas carrego a sensação de que só o meu corpo continuou aqui.
Na minha cabeça, não sobrou nada de mim além dele. E, da forma mais dolorosa e lenta possível, vou me afogando no meu próprio mal, me esvaziando.
Todos os dias, ainda temo voltar àquele lugar: não comer, não beber, não pensar, não me levantar, não tomar banho. De novo e de novo, como se aquela morte pudesse finalmente se tornar real.
Mas talvez eu esteja errada.
Pode ser que ainda exista algo vivo, algo real, que não seja o nada. Ou talvez, eu esteja sendo enganada.
(Pensei em tudo isso enquanto trabalhava e passei três horas em agonia, com medo de esquecer o que queria escrever. Achei legal a ideia.
Sinceramente, não entendo muito bem o que escrevo. Talvez ninguém entenda. Ainda assim, continuo escrevendo. Não porque faça sentido, mas porque me sinto bem quando faço isso.)