Nossos cinco sentidos são responsáveis por nos dar uma maior sensação de mundo e nos proporcionar as mais diversas sensações e emoções. É muito comum lembrarmos o cheiro de algum lugar que íamos quando éramos mais novos, o cheiro da comida da vó ou o clássico cheiro de terra molhada que a chuva proporciona… Músicas que despertam sentimentos, pensamentos e às vezes até sensações mais físicas... Quando vestimos uma roupa quentinha em um dia frio ou quando deitamos em uma cama fofa… Aquele momento incrível quando comemos nossa comida favorita, ou quando experimentamos pela primeira vez alguma bebida/comida que, a partir daquele momento, será nossa favorita também… E até mesmo quando vemos alguma obra de arte ou qualquer outra grandeza que nos faça olhar e refletir sobre como ainda há beleza e coisas a serem vistas no mundo.
Todas as coisas citadas são transmitidas e sentidas por nós através dos nossos cinco sentidos. Então, por que o design não pode ser capaz de transmitir outras sensações e explorar novos caminhos além do campo visual? Sei que a comunicação visual é inerente ao design por muitos motivos, incluindo a estética e a mensagem que queremos passar, mas sei também que a estética por si só (o que sinto que é o foco da maioria das pessoas, independente do produto/serviço ser relevante) não é design. Ou ao menos, não é como EU vejo o design… Mas isso é discussão para outra hora. Aqui vamos explorar o design para os cinco sentidos.
Obviamente não fomos os primeiros a pensar nessa relação já que nada é tão vasto quanto o campo do design (exagerei mas é uma semi verdade), porém, se você procurar “Design e os cinco sentidos” ou algo similar no Google, um dos primeiros (se não, o primeiro) resultado será um TED Talk do Jinsop Lee sobre “Design para os 5 sentidos”, que é muito bom e já nos traz novas maneiras de pensar sobre o que estamos criando. Basicamente, ele nos conta sobre como quanto mais utilizamos os cinco sentidos, melhores, mais intensas e inesquecíveis as experiências podem ser e fala sobre como, nós, designers aproveitamos mal os outros sentidos e focados sempre mais na visão, e algumas vezes, no tato.
Procurando um pouco mais sobre o assunto e tentando pensar se alguma área que trabalha perto do design faz também esse tipo de estudo, caí em alguns links sobre “marketing sinestésico” e a ideia de base é a mesma: explorar os cinco sentidos da melhor maneira possível para conseguir vender mais um produto ou uma experiência… Descobri também que isso é muito comum em hotéis ou lugares que as pessoas se hospedam num geral como uma forma de tornar a experiência mais completa e, consequentemente, inesquecível. Isso vai de coisas simples como uma boa comida, excelentes lençóis até a escolha de uma playlist bem específica que fica tocando no fundo do hotel… A gente pode até pensar que essas coisas passam despercebidas por serem “pequenas” ou “simples” mas após sair de um local como esse, é mais comum que a gente se lembra de um prato específico, uma cama que quase nos abraça ou que música que a gente ouviu sem querer ou sem muito cuidado e atenção toque no rádio e nos leve de volta àquele lugar….
O fato é que os cinco sentidos nos ajudam a ter experiências mais completas, e quanto mais completas, mais inesquecíveis. Aqui só citei exemplos bons e que acontecem com todo mundo mas é uma nova forma de pensar e quem sabe fazer um gráfico, igual o Jinsop Lee fez para comprovar a teoria dos cinco sentidos e a certeza de que as melhores e mais inesquecíveis experiências da vida são aquelas que exploram cada vez mais os sentidos.