Aprendemos na escola no “Systema Naturae” que a natureza se divide em três reinos, animal, vegetal e mineral, que se subdividem em classes, ordens, famílias, espécies. No comecinho do primário, aprendemos a classificar o mundo entre coisas “vivas” e “não-vivas”. Uma árvore? Vivo! Um rio? Não-vivo. Não-vivo?! Mesmo se refletíssemos, “poxa, o rio pode ser vivo”, a professora logo explicaria que “o rio faz parte do grupo dos não-vivos, pois um rio não nasce, cresce, se reproduz e morre”. Será? Na cosmologia indígena dos povos que já moravam aqui em Pindorama antes da invasão européia e sua cultura, a visão de mundo sempre foi outra. Para eles, a água no rio, a água no mar, as montanhas, o planeta, tudo isso é vivo.
O post de hoje é dedicado aos índios do Brasil e aqui lá vai um trecho do livro com o xamã Davi Kopenawa Yanomami, escrito por um antropólogo francês que viveu com eles por 30 anos: “Os brancos não pensam muito adiante no futuro. Sempre estão preocupados demais com as coisas do momento. É por isso que eu gostaria que eles ouvissem minhas palavras e após tê-las compreendido, dissessem a si mesmos: "Os Yanomami são gente diferente de nós e, no entanto, suas palavras são retas e claras. Agora entendemos o que eles pensam. São palavras verdadeiras! A floresta deles é bela e silenciosa. Eles ali foram criados e vivem sem preocupação desde o primeiro tempo. O pensamento deles segue caminhos outros que o da mercadoria. Eles querem viver como lhes apraz. Seu costume é diferente. Querem defender sua terra porque desejam continuar vivendo nela como antigamente. Assim seja! Se eles não a protegerem, seus filhos não terão lugar para viver felizes. Vão pensar que a seus pais de fato faltava inteligência, já que só terão deixado para eles uma terra nua e queimada. Impregnada de fumaças de epidemia e cortada por rios de águas sujas!”
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