Revolução dos Tiranos Digníssimos
Loucos andam livres pelas ruas da cidade
Sem noção de noção, corrupção ou maldade
Porcos voam pelos estádios em construção
Causando calamidades, sem noção ou condição
A escória do mundo em um prédio que mais e mais afunda
Tão escancarado e fétido é o chorume escorrendo
Pelas paredes e teto a infiltração tão profunda
O chão tão desagradável e os pés descalços morrendo
Ídolos que só viram ídolos por morrerem de overdose
Pois não querem um herói que tenha tido osteoporose
A visão de herói é construída após uma depressão
Eles querem um que sofra e se mate de solidão
Uma cidade nos braços de um gigante gangster
Um mafioso italiano sem vontade de morrer
E seus capangas carregam espingardas Winchester
Os tiros ricocheteiam no ferro ao reviver
Ninguém vê num careta a visão para o sucesso
O que já é manjado é o que se tem expresso
Nas capas do jornal se critica o que se faz pensar
E nas empresas sem pensamento só se pensa em transar
Servos se arrastam presos numa cortina de ferro
De um lado eles estavam perdidos e do outro, ferrados
Um trem que não diz pra amada um sequer "pra sempre te espero"
Apenas parte com os malditos, todos estão acabados
A revolução que temos hoje em dia é de um novo mundo melhor
Que na verdade, se pararmos pra pensar, é uma dominação pior
Apenas uma alternância de tiranos para tiraníssimos
Tudo o que muda é termos que chamar os santos de santíssimos
O que vem de baixo é o que o jovem mais paquera e seduz
O que vem de baixo pode até estar escrito na Bíblia Sagrada
Tudo depende do livre arbítrio e do corrompido que traduz
Tudo o que não tem tradução e, então, tudo vira luta armada
Beijos sem nenhum gosto, apenas a sucção de almas vazias
Que complementam o jantar que só trazem mais e mais azias
Enquanto na Ásia a ascensão de um novo mundo se torna essencial
Pra compensar a falta de amor, menos amor ainda é fundamental
14 de Setembro de 2015
Psicodeluka