Carta de Suicidio
Você sempre veio na minha porta.
Você sempre quis ficar perto.
Você sempre sentiu tudo, coisas boas e ruins, e nunca escondeu de ninguém.
Você quem fez o “eu e você” existir.
Eu deixei você entrar, e nunca tinha feito isso.
Eu sempre fui calmo e reservado.
Eu nunca escondi o fato de eu estar completamente apaixonado por você.
Eu nunca tinha gostado de ninguém assim.
E você conseguiu o que queria, eu, e ai as coisas mudaram. O vir na minha porta, que parecia surtos de amor, se mostrou ser só um tipo de perseguição. O querer ficar perto, que parecia uma espécie de prazer em ficar junto de mim, se mostrou ser na verdade uma espécie de necessidade parasitaria. O sentir tudo, que parecia fofo e apaixonante, se mostrou um desequilíbrio emocional inimaginável, que te fazia falar tudo que pensava e sentia, e como você pensava, pensava e criava suas próprias historias e paranoias, e depois despejava todo rancor e magoa dessas histórias, que só eram frutos da sua cabeça, em mim.
E eu deixei você entrar, e você me bagunçou tanto. Eu que era calmo, passei a ter crises de ansiedade monstruosas, eu quer era frio, passei a desabar após todas as discussões, inclusive aquelas que só existiam por coisas da sua cabeça, e eu, que sem fui reservado, me senti exposto por contar tudo a você, e depois te ver usando isso contra mim. O fato de eu estar completamente apaixonado por você, me fez aguentar suas historias, seu passado, suas crises, seus xingamentos e suas humilhações.
Mas, você foi se mostrando, a dona da razão, nunca erra, sempre esta certa. Se mostrando a dona “eu sou assim”, que não pede desculpas nunca, no máximo usa essa frase. Mas, eu cansei, afinal, quem não cansaria de estar sempre errado, de sempre pedir desculpas por tudo, de sempre aguentar suas humilhações e mesmo nessas horas, sentar e te explicar que aquilo existia só na sua cabeça, e depois esquecer, ou fingir esquecer, por que coisas como “você é um lixo”, “ nem sua família gosta de você”, “eu tenho pena de você”, “você é um covarde”, bem, essas coisas te marcam sabe, principalmente quando a pessoa que lhe disse isso, foi a pessoa que você mais gostou e confiou na vida.
E por fim, eu que nunca tinha gostado tanto de alguém me vi refém de um relacionamento que estava me sufocando, deixando ansioso e mal. E você que sempre me amou de boca, esqueceu de me amar em atitudes, e foram essas atitudes que assinaram a carta de suicídio do “eu e você” que você criou.














