É o cansaço que nos altera, porém não em sua forma bruta. Falo sobre um tipo diferente de cansaço, uma variação ou até mesmo mutação se preferir. Aquele que nos atinge na fraqueza mais ordinária da natureza humana, afrontando nossas concepções superficiais e frágeis: o cansaço de se espelhar. Durante toda vida encontramos figuras exímias, que nos inspiram a cada momento que trocamos olhares ou sensações ou arrepios ou pensamentos, a mudar para aquele padrão que ela exala: a perfeição. Movemos oceanos para nos espelharmos nos outros, não em suas atitudes altruístas ou generosas, mas na sua aparência grandiosa e esbelta. E isso nos esgota. Nos corrói. Destrói a excentricidade do nosso eu e banaliza nossa existência. O singular é inovador, é fluente. E gera um cansaço suportável e até prazeroso. O usual irrita, acomoda. E gera um cansaço infeliz, que assombra a alma e a impede de crescer e de assumir sua essência própria. Fique cansado, mas que seja por pecar por ser diferente, não por plágio. Sofia R. <>; Espelho, espelho meu









