Nova Roliúde Nordestina? Soledade e a cena de cinema na Paraíba
SOLEDADE (PB) – No Cariri, tem um município que respira cinema e não estamos falando de Cabaceiras, a Roliúde Nordestina, palco de grandes produções cinematográficas.
Trata-se de Soledade, cidade situada a 186 quilômetros da capital, João Pessoa, e que conta com mais de 15 produções cinematográficas, sendo a maior parte de curtas-metragens.
Tudo produzido com o talento de cineastas e atores locais.
Soledade também serviu de locação para produções nacionais, como a série ‘Onde Nascem os Fortes’, devido a suas belezas e paisagens bem características.
A paixão pela 7ª arte é tanta que em setembro, a cidade realizará a 2ª edição do Festival de Cinema e, nesse ano, o município se destacará ainda mais pela sua capacidade criativa.
Tudo começou no ano 2000, quando o município foi, pela primeira vez, cenário de um filme: “A Pescaria Sangrenta”, produzido pelo cineasta Ivanildo Gomes.
Pescador, de tanto ouvir histórias, Ivanildo resolveu transformá-las em produções cinematográficas, convocando conhecidos e talentos que ele percebia ao seu redor. Hoje, já soma dez filmes – entre os que dirigiu e atuou, além de contar com o apoio dos filhos e esposa, que também já participam das tramas.
“O cinema para mim é uma diversão”, conta.
Duas décadas depois de Ivanildo dar início ao que já virou tradição em Soledade, o município volta a investir em produções cinematográficas e em eventos que consolidam ainda mais o cinema como característica da cidade e impulsionador turístico local.
Agora, com o apoio da Prefeitura, o pescador e cineasta quer continuar a produzir, dirigir, contar histórias, entreter e motivar a população.
Entre os filmes que participou estão: Pescaria Sangrenta, Nove Marmanjos, O Vaqueiro, Cuidado com a Realidade, A Última Caçada, Um Fazedor de Filmes entre outros.
Neste último, foi premiado no Festival Cine Esquema Novo, no Rio Grande do Sul, como o melhor personagem real – já que o documentário, de Arthur Lins e Ely Marques, acompanha o cineasta produzindo ficções com os moradores do município.
NA ECIT
Em Soledade, a arte além de vivida, é ensinada.
O professor, Tiago Marinho, tem mostrado esse caminho para os alunos: fotografias, poesia e cinema fazem parte de sua aula, incluindo as produções de Ivanildo.
Foi em 2018 que ele resolveu fazer o primeiro curta-metragem, Emboscada, e depois disso, em 2019, conseguiu o apoio da escola e gravou três curtas-metragens com os estudantes.
No ano passado criou a disciplina na escola chamada ‘Cinema em Ação’, onde desenvolveu dois roteiros de curtas com os jovens, mas por conta da pandemia, precisou parar as gravações.
Tiago, que recebeu o apoio da Prefeitura de Soledade para a produção de um de seus livros, sabe a importância do poder público para a valorização da cultura.
“Contribui com as nossas despesas e principalmente faz com que nosso trabalho chegue a escolas, ambiente fundamental pra circulação de nossas produções. Nossas produções artísticas são fruto de desejos e sonhos, porém parte de nossa comunidade ainda é muito carente em termos de valorização da cultura local e isso acaba sendo um empecilho, e torna o apoio público fundamental para a sobrevivência da produção artística e cultural local”, ressalta.
O professor de história aprendeu a fazer da arte algo essencial para sua existência.
“Preciso da arte para dar sentido a minha vida, florir minha existência. Impossível pensar em não ler uma poesia, em deixar de pendurar quadros nas paredes, em não ouvir belas canções e discutir filmes, em não comtemplar as maravilhas da natureza”, avalia.
Apesar de ouvir muitas vezes que era melhor desistir, a atriz, Juciene, insiste na arte e continua a fazer teatro e cinema, não só em Soledade, mas também nas cidades vizinhas.
Ela comemora o investimento nas artes do município e relembra tempos antigos.
“Minha mãe fala que, no passado, ela ia ao cinema de Soledade, que ficava localizado no mercado antigo. Nossa cidade tem muitos talentos, que devem ser valorizados: ‘atores, escritores, cinegrafistas, e muitas peças teatrais que precisam ser vistas e aplaudidas pelo público’”, aponta.
Aconselhada a fazer outra coisa, Juciene é enfática.
“Não podemos desistir dos nossos sonhos. Já me falaram que em nossa Paraíba, em nossa cidade, não vai valer a pena o teatro, nem cinema, mas eu nunca desisti porque amo o que faço e sei que um dia será reconhecido aqui”, afirma.
A arte movimenta a cultura e movimenta a vida da gente.
Nada como artistas e incentivo para traçar novos caminhos e possibilidades.
É possível saber mais sobre o futuro do cinema na cidade através dos endereços abaixo:
Postagem original em: https://www.helenolima.com/soledade-quer-se-transformar-na-nova-roliude-nordestina-da-paraiba/
Outros links: https://www.folhadapb.com.br/nova-roliude-nordestina-no-cariri-paraibano-soledade-se-destaca-pela-producao-cinematografica-e-por-servir-de-cenario-para-producoes-nacionais
https://diversita.com.br/2021/04/05/e-tudo-encanto-em-um-fazedor-de-filmes-documentario-de-arthur-lins-e-ely-marques-2006/
https://www.youtube.com/watch?v=x0Iov3rfo80
Matéria para a TV BORBOREMA: https://www.youtube.com/watch?v=dKaYYLwmw3E










