Mammy - (40) - Consequences And Storm
– Por céus Lauren, o que você fez para essa mulher? – Chris murmurava horrorizado enquanto passava uma bolsa de gelo no rosto inchado de sua esposa.
Lauren choramingou ao sentir o lado esquerdo de latejando em dor, Sinuhe havia a acertado no mesmo lado do rosto. A mesma entrou só veio a seu encontro para lhe dar umas bofetadas por ter “batido”, em Sofia.
“Eu só empurrei a garota, imagina se eu tivesse batido de verdade na garota, aquela mulher iria me quebrar no meio. Não foi minha culpa sua filha ter batido a cabeça e ter abrido um corte em sua testa”, Lauren respondeu em seu pensamento, pois estava com dor demais para abrir a boca. Mas era óbvio que ela não iria dar detalhes daquele desentendimento para seu marido.
– Ela é louca... Autch... – choramingou mais uma vez, mal podia mexer seu maxilar sem sentir dor. “Aquela mulher tem mão pesada”, pensou e riu, mas logo sentiu outra pontada de dor.
– Ah, então uma louca e desconhecida entrou em nossa casa do nada e te encheu de tapa? – o loiro foi totalmente irônico, fazendo Lauren revirar os olhos.
Não queria brigar. Estava fartar disso.
– É complicado, outro dia te explico, agora quero deitar um pouco, estou com dor de cabeça... – empurrou Chris de leve que estava agachado entre suas pernas, enquanto a mesma estava sentada no sofá recebendo os tratamentos de seu marido. – Colo, por favor – fez manha e Chris sorriu, levantou-se e abriu os braços fazendo Lauren o abraçar e dar um leve pulo para ser acolhida pelos braços fortes.
Ambos seguiram para o quarto. Trocaram de roupa e seguiram para cama.
Horas depois Lauren acordou com seu celular tocando.
– Atende essa merda amor... – o loiro resmungou e liberou a mesma de seus braços e virou para o outro lado, tentando dormir novamente.
A morena suspirou e fez uma careta por sentir um leve dor em sua bochecha do lado esquerdo, se espreguiçou e apanhou seu celular, esse que parou de tocar antes que Lauren pudesse atender a ligação.
Lauren entrou em pânico ao ver o nome de “Normani” piscando na tela. O celular voltar a tocar e vibrar, fazendo a mesma se assustar.
– Céus... – colocou a mão no peito, suspirou fundo e atendeu. – Oi.
– Lauren? Porra, até que enfim... – notou a voz de Normani tremula – Eu preciso de ti amiga, eu acho que vou surtar... – e começou a chorar.
A morena fechou os olhos, Allyson não demorou mesmo em dar o ultimato a sua amiga. Pensava que demoraria mais.
– Eu... Eu... Não posso... – se levantou e foi para o banheiro, não queria que Christopher ouvisse. – Chris está mal, estou no hospital com ele. – murmurou baixo, sentindo seu coração se apertar por ter que mentir para Normani, mais uma vez.
– Oh, o que aconteceu? – com esforço, Normani engoliu o choro, mesmo que a sua voz entregasse que choraria mais ainda.
– Não sei, ele acordou mal e vomitando... Corremos para o hospital, agora ele ta no soro.
A verdade é que ela não iria conseguir encarar Normani tão cedo e vê-la sofrer por Dinah.
– Melhoras... – tossiu um pouco e voltou a falar – Quando pode me ver? Preciso muito de seus conselhos, meu emprego está ameaçado, você estava certa Lauren... Eles descobriram e agora eu tenho que terminar com Dinah, caso contrário eles informaram o pai de Dinah e... E... – não se aguentou e começou a chorar novamente. – Eu não quero deixar ela... Não consigo...
O arrependimento bateu em Lauren com força, sentiu-se nauseada, a qualquer momento poderia perder sua amiga e o pior, ia ter que servir de consolo para a mesma, sendo que é a culpada por ela estar daquele jeito.
Mas o arrependimento não basta, agora iria ter que sofrer com as consequências e isso só era o começo.
– E-eu não sei o que dizer, Mani... E-eu sinto muito... Eu... – sentiu vontade de chorar, se encontrou desesperada, a inveja havia lhe deixado cega, como pode ser tão baixa, se sentia a pior pessoa do mundo. – Só... Seja forte... No fim vai dar tudo certo.
Riu de suas próprias palavras. Era claro que não iria ficar nada bem.
– Eu estou tentando ser... Mas não sei de onde vou tirar coragem para olhar na cara de Dinah depois de hoje e ainda ter que terminar com ela, sendo que estava tudo tão perfeito entre nós. Eu estava tão feliz... – choramingou mais. – Me diz que eu to fazendo o certo em terminar com ela. Sei que se insistir em ficar com ela, as coisas vão ficar feia para nós duas. Então preciso ter consciência de que minhas escolhas são as certas, mesmo que isso me mate aos poucos.
Lauren arregalou os olhos e engoliu em seco, se encontrava na frente do espelho, seu reflexo era de total desespero por não saber o que responder.
– Eu não sei Mani... Eu acho que... – uma lágrima escorreu por seu rosto. – Acho que você está fazendo o certo. Só pense que está a protegendo fazendo isso.
Do outro lado da linha, uma Normani rodeada de fotos de Dinah, concordava aos prantos.
– Obrigada Lauren, eu não sei o que faria sem você... Eu te amo papelzinho.
– Idiota, eu também te amo... – respondeu entre lágrimas – E Mani? – a outra respondeu com um resmungo – Não desista dela, ok?
Finalizando a ligação Lauren desabou em um choro, sentindo as consequências lhe sufocando com força. Camila e Normani estavam quase por um tris para sair de sua vida.
Não sabendo o que fazer a respeito, Lauren apenas lavou o rosto, tentando disfarçar o choro e diminuir a quentura de seu rosto. Ao sair abrir a porta do banheiro, deu de cara com Christopher.
– JESUS! – a morena gritou e levou a mão ao peito, sentindo seu coração acelerado – Que merda Chris! – empurrou o mesmo que permaneceu calado e olhando de forma séria. – O que? – perguntou ao ver o marido a olhando de forma estranha.
– Nada. – apenas entrou para o banheiro e alguns minutos depois ele voltava, puxando as cobertas e se deitando.
Lauren esperou que ele a abraçasse, mas não sentiu o calor em sua costa. Virou-se na cama e observou o loiro encarando teto. Pensou na possibilidade dele ter escutado a conversa e sentiu medo. Mas não queria questionar naquela hora, apenas se aproximou e abraçou o mesmo, colocando a cabeça em seu peito.
Suspirou fundo antes de tentar dormir, tendo em consciência de que amanhã iria trazer Camila de volta para casa. Querendo ela ou não.
No dia seguinte Lauren acordou bem cedo, fez sua higiene matinal e foi para seu local de trabalho, pegou a pastar que reunia todas as informações da família Cabello e verificou o endereço, anotou e saiu apressada do prédio. Dirigiu até ao local do endereço.
Havia perguntado para Harry se ele sabia onde Camila estava dormindo e com um pouco de receio o mesmo respondeu que na casa de Sofia. Iria fazer uma semana que Camila estava fora de casa e isso estava corroendo Lauren. Sentia falta dela. Como sentia. Por isso decidiu por um fim em seu orgulho e ir atrás da mesma.
Estacionando o carro de qualquer jeito na rua, andou de forma apressada até a casa nobre, sem pensar duas vezes a morena começou a bater na porta.
Já impaciente, começou a esmurrar a madeira da porta. Passaram-se apenas alguns segundos até que a porta fosse aberta por um homem de barba.
– Sim? – ele perguntou sorrindo de forma gentil.
– Eu quero falar com Camila. – respondeu de forma rápida, sem devolver o sorriso.
– Com todo respeito, mas você seria...?
– Mãe... Dela. – riu amarelo e o senhor apenas murmurou um “oh” e disse que iria chama-la.
Porém, antes que ele pudesse se afastar da porta, outra pessoa apareceu atrás dele. Era Sinuhe. Lauren recuou dois passos.
– Como se atreve aparecer aqui? – a mulher rosnou e Lauren tentou se fazer de dura.
– Vim buscar minha filha... – sentia um rebuliço em seu estomago toda vez que tinha que chamar Camila de filha.
– Sua filha? – a mulher perguntou confusa.
Analisou Lauren dos pés a cabeça e a beleza disfarçava muito bem a idade da mesma e o provável fato de que já era “mãe”.
– Sim, Camila! Diga que eu estou aqui e que vim busca-la. – estufou o peito, fazendo pose de que não estava com medo da mulher mais velha.
– Você é a mãe de Camila? – Sinuhe soltou uma risada, desacreditada que aquela puta era mãe de uma garota tão maravilhosa. – Inacreditável... – balançou a cabeça. – Vá chama-la, Alejandro. – o homem meio perdido na tensão entra as mulheres apenas assentiu e sumiu para dentro da casa.
– Mama? – Sofia apareceu atrás da mãe. – O que... – paralisou ao ver Lauren e se escondeu atrás de Sinuhe, fazendo uma careta – O que ela faz aqui? O que quer? – falou com raiva.
Lauren suspirou fundo, não estava ali para brigar.
– Eu só quero levar Camila de volta!
– Para quê? Para machuca-la? Ela é mais feliz aqui! – Sofia gostava da presença de Camila, era bom ter a companhia de alguém em casa quando seus pais não estavam, fora que Camila lhe ensina algumas coisas que deveria estar aprendendo na escola, a incentiva a voltar a estudar.
Lauren sentiu-se ameaçada, estava batendo de frente com uma parte de Camila, mesmo que sem saberem de nada, pareciam cada vez mais ligadas, Sofia e Camila já tinham tinha uma linha tênue forte uma com a outra, uma ligação que só irmãs possuem. E agora que pode conhecer melhor Sinuhe e Alejandro, apostava que Camila também estava construindo uma boa relação com ambos.
– Você não sabe o que está falando garota! – começou a se alterar, o sangue fervendo em ciúme – Camila não decide nada. Eu decido. Ela é minha e eu ordeno que ela venha comigo! – falou alto, fazendo Sofia se encolher.
Sinuhe estava pronta para responder e avançar quando sentiu uma mão em sue ombro.
– Está tudo bem, eu estou aqui. – lançou um sorriso a mulher mais velha e olhou para Lauren. – Me espere no carro, mãe. – Lauren ficou toda sem jeito ao ouvir Camila a chamar assim, fazia um bom tempo que não era chamada dessa forma pela mesma. – Eu só vou me despedir deles.
Alejandro também apareceu na porta.
Vendo que não tinha opção, Lauren deu as costas e seguiu em direção ao carro.
– Bom... Eu não sei como agradece-los. Esses dias que passei com vocês foram... Tão incríveis. Nunca me senti tão acolhida. – “nunca me senti tão em família também”, queria poder dizer, mas não queria ir longe demais. – Eu prometo que manterei contato e que irei vir todo final de semana.
Sofia já chorava e Sinuhe sorria de forma boba. Seu instinto de mãe fez ela abraçar Camila com força, sentia coisas boas vindo daquela garota e pela primeira vez teve a sensação de que iria encontrar sua filha logo, logo.
– É bom voltar mesmo, hija. – abraçaram-se com força, Sinuhe deixou um beijo em sua testa e por fim se separaram apenas para Alejandro abraçar Camilla também.
Por ultimo veio Sofia. Que estava com os lábios trêmulos e lágrimas pelo rosto. Elas se abraçaram com força, suspirando ao mesmo tempo.
– Não vai me esquecer né? – Sofia perguntou contra o ombro de Camila.
– Claro que não bobinha, vou voltar sempre aqui. Vocês se tornaram minha segunda família. – beijou a bochecha rosada de Sofia e quebraram o abraço.
Camila olhou para as três pessoas com admiração e suspirou em saudade, tinha vivenciado tanta coisa boa com aquelas pessoas em tão poucos dias que realmente não sentia vontade de voltar para casa com Lauren.
Porém, não negava sentir falta da morena. Pelo contrário, estava morrendo de saudade dela. E foi por isso que não pestanejou em ir embora quando Alejandro disse que tinha uma mulher muito bonita me esperando do lado de fora.
– Obrigada por tudo mesmo. Até logo. – deu tchauzinho e virou-se para ir até ao carro.
Lauren observou tudo de longe, com suas narinas infladas obteve a certeza de que Camila já tinha uma relação muito boa com sua família biológica.
Lauren se encontrava em uma situação realmente complicada. Tudo estava indo contra seus planos. Já estavam a menos de dois meses e meio para o fim do ano. Março logo bateria em sua porta junto aos 18 anos de Camila e mais uma escolha vinha com essa data.
Dar ou não a carta para Camila?
Um mês havia se passado desde o fadigo dia em que Normani teve que escolher entre sua profissão e a garota da sua vida, amedrontada ela fez a escolha mais sensata, disse a Diretora que iria terminar com aquele namoro o mais rápido possível. Porém já havia se passado semanas desde que disse isso.
O relógio corria, Allyson não a deixava mais em paz querendo a confirmação de que a professora realmente havia acabado com seu namoro. O tempo estava fechando para Normani e ela não sabia o que fazer em relação a Dinah, não sabia como terminar com a pessoa que lhe trouxe tantas emoções e sensações em um período tão curto, mas que já não se via sem. Dinah tinha se tornado tudo na vida de Normani e a mesma estava tão confiante de que tudo iria dar certo para ambas, sua namorada iria se formar, elas se assumiriam e o resto seria somente resto, elas dariam um jeito.
Porém, ela não havia tomado cuidado o suficiente e alguém deveria ter visto as duas juntas e foi correndo contar para a Diretora, era tudo sua culpa, deveria ter aquietado o facho desde o primeiro garoto que dormiu do colégio. Já era uma mulher formada, um pouco vivida, mas ainda agia como uma adolescente cheia de hormônios. Admitia para si mesma que poderia fazer as mesmas coisas com quem ela quiser, mas dentro de sua área de trabalho. Foi uma idiota.
Agora estava apaixonada por uma aluna e não podia seguir em frente com a sua felicidade, tudo porque foi inconsequente.
Perguntava-se como diabos Allyson descobriu, pois o jeito que a diretora foi dura consigo só lhe provava que ela sabia demais. Não foi somente uma fofoca que chegou aos seus ouvidos e sim quase a história inteira.
O fato era que ela mal falou direito com Dinah durante esse período em que tentava buscar uma forma de terminar sem machucar a garota, mesmo sendo impossível, Dinah a amava e Normani... Normani finalmente se via sem chão, com o coração apertado, entrando em desespero a todo momento que pensava no problema em que se encontrava.
Ela sempre estar apaixonada, nunca respondia os “eu te amo” da mais nova e parece que não seria tão cedo que iria responder com toda a convicção de que a amava também. Além de burra e idiota, também era covarde. Normani era uma covarde.
– Professora? – Normani se espantou e olhou para uma de suas alunas.
– Sim...? – olhou ao redor e percebeu que havia entrado na sala, sentado em sua cadeira, sem dar bom dia ou entrar com aquele ar confiante de sempre, estava sabe lá por quantos minutos sentada ali e olhando para o nada. Enquanto os alunos viravam o bicho na sala.
– Ta tudo bem? O pessoal esta quase colocando fogo na sala e a senhora não ta gritando com a gente. – a loira, Ashley, perguntou.
– Oh sim querida, só estou um pouco distraída, me desculpe... – sorriu fraco e suspirou, não sabia o que fazer, mas sabia que Dinah estava surtando com seu gelo. Provavelmente não passaria de hoje para a garota lhe confrontar sobre o que está acontecendo.
E Normani provavelmente explodiria em lágrimas e desespero. Mas não podia abrir a boca e dizer que precisavam terminar porque era contra as regras da escola e que sua profissão como professora estava por um fio.
Teria que ser forte e fazer Dinah ter repulsa dela a ponta de a garota não querer mais nada com ela. Conhecia sua namorada, provavelmente não aceitaria qualquer desculpa boba para o término do namoro. Teria que inventar uma mentira convincente. E já sabia como fazer aquilo.
Olhando para um dos garotos que já havia dormido, levantou-se e começou a dar sua aula, tendo em mente de que o amor da sua vida nunca mais olharia para sua cara depois do que iria dizer-lhe hoje.
– Cara, eu não sei o que está acontecendo com Normani, ela não fala comigo, só me responde em mensagens e ainda por cima é só com sim e não. Eu estou enlouquecendo. – Dinah fala enquanto come uma bolacha salgada.
– Já faz muito tempo que vocês estão assim? – Camila pergunta enquanto bebe um pouco de suco. Eles estavam no intervalo.
– Acho que quase um mês... – Dinah suspira em tristeza, estava com um pressentimento ruim sobre esse gelo vindo de sua namorada. – Eu não sei o que fiz.
– Será que ela ta buchuda? – Veronica comenta e recebe uma tapa na cabeça de sua namorada. – Aí, o que foi? – pergunta ao receber fuziladas de olhares de seus amigos.
Dinah arregala os olhos e quase se entala com a bolacha, porém é salva por vários goles de Pepsi.
Naquela altura do campeonato todos já sabiam sobre o relacionamento de Dinah e Normani. Camila acabou soltando umas indiretas para Dinah enquanto estavam num cineminha na casa de Demi e as indiretas foram bem pegas por Harry, esse que fez implicar com a mesma até que ela admitisse, na frente de todos. Foram semanas de “o piu piu finalmente achou uma casinha para morar” e “agora já sei porque as vezes a professora chega andando de forma estranha na sala”, a garota só faltava explodir de tanta vermelhidão.
– Ela toma remédio, então acho que não... – Dinah tentou não entrar em pânico com aquela possibilidade. Seu pai a mataria.
– Quem garante que ela se lembre de todos os horários? Vai que ela se esqueceu uma vez né... – Veronica continua falando.
– VERONICA! – todos berram quando veem Dinah paralisada.
– Só sai bosta dessa sua boca Veronica, pelo amor, só a Lucy mesmo pra aguentar – Harry diz enquanto passa a mão pela costa de Dinah, tentando consola-la – Relaxa Dinah, Veronica não sabe do que ela ta falando, ela não entende de pênis. Normani não é boba, ela deve se cuidar bem. Relaxa, não deve ser isso, vai ver é TPM.
– Eu espero... – murmurou triste.
Seu celular vibrou, era uma mensagem de Normani.
Amor [09:46Am]: Preciso falar com você. Venha ao meu apartamento à noite.
Formou-se uma tenta em cima de Dinah e todos leram a mensagem.
– Falei, vai se resolver tudo numa reconciliação gostosa. – Harry comemora.
– Não acho que seja, ela foi tão... Séria nessa mensagem. Geralmente ela manda muitos emojis. – comentou Dinah, ainda encarando a tela do celular.
O horário do intervalo bate e os alunos começam a reclamar.
– Boa sorte aí bebê. – Selena por fim se pronuncia e beija o rosto de Dinah.
Camila se levanta e estende a mão para Dinah, essa que sorri triste e pega a mão de sua melhor amiga. Ambas vão andando para a sala de mãos dadas. [N.A: to muito triste L].
Depois que o último horário bateu, todos seguiram para casa de Dinah, iriam almoçar e passar a tarde assistindo filme. Uma desculpa para descontrair Dinah e faze-la ficar mais calma até a noite.
Em meio a brincadeiras enquanto iam no carro de Harry, Camila se esqueceu de mandar mensagem para Lauren de que não iria almoçar em casa e chegaria só pela noite.
O tarde correu mais rápido do que o costume, o fato era que toda vez que você faz alto bom e divertido o tempo passa num piscar de olhos, mas vai estudar ou fazer algo que você odeia para ver como o tempo se arrasta como uma lesma.
Já a noite, por volta das 7:30PM Dinah estaciona na frente da casa de Camila. Ambas se encaram e suspiram.
Mal sabem o que o destino lhes preparava. [N.A: cof cof a autora cof cof].
– Tente não surta Chee, vai ver não é nada demais.
– Eu sei que alguma coisa aconteceu Mila, ela parou de falar comigo no nada e nas ultimas vezes que tivemos contato direto ela só vivia com raiva e me dando patada. Eu realmente estou com medo, não quero perde-la. – Dinah começou a sentir lágrimas se formarem, mas logo passou a mão em seu rosto, afastando o choro.
– O que acontecer hoje, saiba que eu vou estar aqui, ok? Me liga, ou sei lá, vem aqui e eu vou estar de braços abertos e com uma camisa cheirosinha para você molhar o quanto quiser. – brincou fazendo Dinah sorrir em meio a lágrimas. Elas se abraçaram e se despiram.
Ventos ruins chegaram e a tempestade estava para acontecer.
Dinah estava parada a mais de 5 minutos em frente a porta de Normani, estava se preparando psicologicamente para o que ouviria ali.
Antes que pudesse erguer a mão direita para bater na porta, Normani abre a mesma assustando Dinah.
– O-oi... – Dinah diz um tanto tremula.
Normani suspirou seu cheiro, sentindo vontade chorar quando a viu vestindo um conjunto de moletom rosa e preto. Estava demais adorável, parecia quase um pecado ter que machucar aquela garota.
Tinha uma alma pequena para um corpo tão grande, quem a olhasse jamais a imaginaria que ela era extremamente tímida. Porém, Normani a conhecia, de dentro para fora. Tinha tido o prazer de conhecê-la por inteira. Agora teria o desprazer de fazê-la chorar e quebrar seu coração.
– Entra! – se fez de séria, dando espaço para Dinah entrar em seu apartamento, quando o fez, Normani fecha a porta vê sua namorada se inclinar para beija-la, mas ela vira o rosto.
Dinah se afasta confusa, tendo certeza de que nada bom iria acontecer hoje.
– O que aconteceu, Mani? Por que está agindo assim comigo? O-o que eu fiz?
– Nada Dinah, eu... – não queria beija-la para não tornar as coisas mais difíceis do que já estavam – Eu não posso continuar com isso Dinah.
– O-o que? O quer dizer com isso? – Dinah entra em desespero – Por favor, não faça isso Mani, por favor!
Normani sente sua garganta doer de tanto impedir o choro, havia treinado várias vezes o que iria dizer a Dinah e em todas acabava chorando. Mas era necessário. Se elas continuassem com aquilo, ela iria perder o emprego, não teria como manter o apartamento e teria que voltar para casa de seus pais. E se ela não pudesse ficar com Dinah, pelo menos ela poderia vê-la às escondidas, mesmo que de longe. Era o suficiente para manter seu coração batendo.
– Eu te traí Dinah, sinto muito. – soltou as palavras que sabia que fariam Dinah desistir dela.
Dinah sentiu seu mundo desabar, o que mais temia aconteceu, Normani havia cansado dela. Os garotos que a atormentavam na sala dizendo que ela só era mais um brinquedinho da professora de biologia, estavam certos. Mesmo que Normani provasse o contrário toda vez que estavam juntas, dessa vez a mesma havia dito com todas as palavras que havia a traído.
– Por quê? – sentiu-se estupida por perguntar isso.
– Porque é o que eu faço... – maneou a cabeça – Vocês são meus entretenimento Dinah, eu gosto de sexo, achei que você já soubesse disso.
Dinah sentiu uma faca entrando em seu coração, perfurando lentamente, estraçalhando-a, sentia-se nauseada, com raiva, mas tudo que fazia era chorar. Chorar como uma garotinha estupidamente apaixonada por sua professora de biologia.
(---) [N.A: pulei mermo pq ñ aguento escrever cena triste de Norminah].
De volta à casa de Camila, a mesma tinha acabado de sair do banho e descia para assistir algo. Estava com o bucho para estourar de tanta besteira que tinha comida na casa de Dinah.
– Hey... – disse ao ver Lauren no sofá, segurando controle e passando os canais – Chegou cedo... – disse estranhando.
O tempo que se passou foi o suficiente para fazer as coisas ficarem calmas novamente entre as duas, elas haviam conversado e meio que se acertado. Meio porque Camila gosta de Lauren e disse isso a ela na conversa que tiveram quando voltaram da casa de Sofia.
– Ei, com calma mocinha! – Lauren correu até Camila, que já estava pronta para subir as escadas e a puxou pelo braço – Vamos conversar.
– Por favor Lauren, não quero brigar... – Camila disse cansada. De fato, se fosse para Lauren começar a gritar consigo, era melhor nem começar.
– Não, juro, só quero acertar as coisas entre nós. Não podemos viver assim. Eu senti muito sua falta, sinto falta do que éramos antes... Digo, antes de começarmos a nos envolver. Eu sei que é impossível voltarmos a ser o que éramos antes, mas pelo menos poderíamos ser amigas, sinto falta dos seus abraços ou de quando dormíamos de conchinha no calor uma da outra. Sinto falta das nossas noites de filmes de terror, dos jogos de play que você sempre me deixava ganhar. – Camila sorriu em recordação, realmente, eram bons tempos. – Por favor, vamos tentar pelo menos, não aguento mais viver assim. Ok? É difícil ter que arranjar desculpas para Chris toda vez que ele pergunta o que está acontecendo entre nós ou porque nós não nos falávamos mais. Eu estou cansada disso Camila. – Lauren despejou todo seu desespero.
Camila a encarava sem saber como reagir a toda aquela informação. Também sentia falta da relação que tinham antes, mas não pode negar que quer mais de Lauren. Algo que ela nunca irá corresponder.
– Eu também sinto falta Lauren, mas eu também gosto do que tínhamos antes de toda essa merda de briga acontecer entre nós. Eu sei que você se arrepende de trair Chris, mas eu não me arrependo de ter cedido ao meu desejo. E é errado, sim, mas aconteceu e não tem como apagar isso. Muito menos deixar de gostar de você. Eu estou apaixonada Lauren, como espera que eu volte a agir como antes quando tudo que eu quero agora é te beijar?
Lauren arfou. Não esperava por aquela resposta.
– Camila, não... – negou com a boca, mas seu corpo gritava sim.
– Não o que? Fala Lauren, me deixa saber o que você sente. Eu sei que você sente algo por mim, talvez não na mesma intensidade, mas sente. – a mais nova estava desesperada.
Já havia sofrido demais pela mulher de olhos verdes, sabia que a mesma poderia nunca corresponder e que um sentimento assim não acaba de uma hora para outra, mas se aquela mulher lhe dissesse que não sentia nada por ela, Camila iria superar, mesmo que vê-la feliz com outra pessoa lhe torturasse como nunca, ela iria tentar seguir em frente com todas suas forças e um dia, ela iria superar Lauren.
Mas enquanto Lauren não dissesse com todas as letras que não sentia nada, ela não iria desistir. Poderia não insistir como antes, porém, não iria desistir de um sentimento como aquele enquanto ainda houvesse esperanças dela corresponder.
– Eu... Eu não posso Camila. Isso afetará nossas vidas, como ficaria Chris nessa história? Como nossos amigos reagiriam? A sociedade, iriamos fazer o que? Simplesmente assumir que gostamos de transar uma com a outra, esquecendo que tem outra pessoa envolvida e que ela também faz um papel importante em nossas vidas? Eu não acho que isso possa dar certo. Christopher me da segurança, estabilidade, o que você me daria?
– Amor... – respondeu sem pensar.
– Amor não é suficiente... – Lauren tentou ignorar o que foi dito, mas as palavras de Camila ficavam se repetindo em sua mente, como um mantra. – A sociedade é cruel e eu já sofri demais para enfrentar outra turbulência na minha vida.
– Sabe o que eu acho Lauren? Você fala como se soubesse de tudo, como se pudesse prever o que as pessoas achariam de nós, age como se você se importasse, mas na real eu acho que só o que você tem é medo. Você não luta por amor, você morre de medo dele. E tudo que você fez desde que perdeu seus pais morreram foi fugir. Você criou essa barreira ilusória de que eu sou seu porto seguro e Chris é estabilidade que você sempre quis, mas tudo é só uma desculpa. Uma desculpa para você não explorar o que sente, exatamente pelo medo de não ser o que você esperava. – Lauren a olhava com admiração e surpresa – Eu sei que é difícil seguir os sentimentos, temos tendências de seguir mais a razão que o coração, mas eu estou me permitindo seguir meu coração. Eu quero me arriscar e me machucar, porque uma hora ou outra eu vou aprender e vou me erguer de verdade, não vou só... Fingir.
– Camila... – Lauren tentou falar.
– Já entendi Lauren. Podemos tentar, mas eu vou continuar gostando de você e vou esperar até que você ceda. Vou esperar a ação partir de você. Porque quando vier, será a decisão final.
Desde aí, as coisas ficaram neutras entre elas. Na primeira semana foi difícil, um dia se falavam, outro não. Porém, já não gritavam uma com a outra. Camila lhe dava a satisfação de dizer com que iria sair ou se iria voltar para casa. Também não houve mais farpas ou provocação. Camila respeitou e aceitou o que Lauren tinha proposto. Tentaram voltar a recuperar o que foi perdido com todo o envolvimento de ambas. E de acordo com os dias passando as coisas ficaram mais fáceis, já sorriam, já brincavam, já dormiam sem segundas intenções.
Era quase como se tudo tivesse voltado ao que era antes.
– Ah, eu quis sair mais cedo hoje, assistir um filmezinho com você. – sorriu e apontou para a pipoca pronta e os copos de refri.
De repente Camila sentiu fome. [N.A: eu quando to buchuda de comida, mas aí chega mais comida].
– Yaaas! – correu para o sofá, pegando a vasilha cheia de pipoca e colocando uma boa quantidade em sua boca. – Ohsuevamoasu – tentou falar de boca cheia, mas recebeu um olhar feio de Lauren. Mascou rapidamente e engoliu, tomando dois goles de coca. – O que vamos assistir?
– É um filme lésbico, se chama Below Her Mouth. – Camila encarou Lauren na mesma hora, erguendo as sobrancelhas.
– O que? Algo de errado em ser filme lésbico?
– Nop, adoro. Só vamo. – riram e se preparam para assistir o filme.
Lauren tinha visto um trailer do mesmo no insta, ficou interessada e baixou na internet.
O filme começou logo com uma cena de sexo.
– Nossa, parece pornô... – Camila comentou. Lauren mandou-a calar a boca.
O filme seguiu e tudo indicava que era uma história onde uma até então hetero - comprometida - se interessa pela caminhoneira, vulga lesba alfa. Por pura coincidência a hetero, acompanhada da amiga, fica curiosa ao ver uma boate gay e decidi entrar, onde lá encontra a mulher pela qual ficou interessada. Conversa vai e vem, elas saem pra fora, rola aquela provocação e por fim rola o beijo.
– Nossa, até o beijo é bem pornô, da pra ver até as línguas – Camila comenta um tanto surpresa, era o primeiro filme lésbico em que as cenas de pegação pareciam bem reais. [N.A: essa daí não deve ter assistido azul é a cor mais quente]. – Mar gente...
– Meu deus Camila, cala a boca! – Lauren ralha pela segunda vez.
A mais nova se cala novamente. Então o filme rola, por outra coincidência ou não, a loira (que é lésbica) trabalha como carpinteira numa casa ao lado da hetero. Essa que fica olhando enquanto a loira está toda suada, trabalhando e então, vai tomar banho e acaba se masturbando ao lembrar da cena que viu minutos antes.
– Já tentou se masturbar assim? – Camila pergunta ao ver a atriz se masturbar com o chuveirinho.
– Eu não vou te responder isso. – Lauren diz revirando os olhos e comendo um pouco de pipoca.
E então finalmente o casal se pega fortemente e a cena de sexo começa.
– Calor né... – Camila se ajeita no sofá, ficando impressionada ao ver a cena bem feita daquelas duas atrizes. – Nossa... – elas aparecem totalmente nuas e se esfregando descaradamente. O filme mostra tudo mesmo. Desde os pelos de uma das protagonistas.
O filme contem várias cenas quentes e ao final, Lauren se vê excitada, porém, finge que não sentiu nada e levanta para pegar as vasilhas sujas da mesinha de centro.
– Jurava que ela ia ficar com o marido dela... – Camila comenta ainda perplexa pelo filme – Esse filme é melhor que pornô, posso ficar com o DVD?
– NÃO! – Lauren grita da cozinha, Camila solta um muxoxo e olha para seu membro marcado na calça de moletom.
– Parece que vai ser eu e você de novo amigão... – falou com seu próprio pênis e tentou amenizar a excitação apertando o mesmo de leve, ficou massageando e nem percebeu que Lauren tinha voltado. – Opa. – riu sem graça e tirou a mão de seu colo.
Lauren riu sem graça também e tirou o CD do DVD e o guardou. Desligou a TV também.
– Eu vou indo... – Camila pega uma almofada e cobre sua excitação – Boa noite.
Estava pronta para bater uma antes de dormir, mas a voz rouca e no timbre que ela bem conhecia, a chamou.
– Camila. – a mesma virou e Lauren se aproximou, tirando a almofada que cobria seu membro. Lauren encarou descaradamente a excitação de Camila, ela mordia os lábios, se segurando para não tocá-la. – Eu...
– Você... – se aproximou e ficou cara a cara com Lauren, seus narizes se encostando.
Lauren estava pronta para ceder?
A morena apenas fechou os olhos e encostou seus lábios contra o de Camila. Um único toque de lábios. Que mudou completamente a vida de ambas.
O barulho do celular tocando despertou as duas, assustadas, se separaram. Chris encarava as duas com os olhos arregalados.
A tempestade havia chegado e iria destruir tudo pelo caminho.
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OBS: o filme below her mouth existe sim e recomendo pakas.