workin on empty.
w/ @srvivcr
Ah, Academia Avalon... Quantas vezes, ainda na infância, ele havia desejado conhecê-la pessoalmente, graças as experiências ali vividas e retratadas pelos irmãos? Recordava-se que suas entranhas se agitavam pela cólera em todas as histórias, que era quando ele passava a se questionar porque não poderia ir para lá com eles também. Sem saber, contudo, o que o futuro lhe reservava. E, oras, finalmente ali estava ele, não é mesmo? Confessava que a sua imaginação fizera um trabalho melhor do que os deuses que arquitetaram o lugar, cujo expressava mesmo a personalidade deles: cobertos de excentricidades e exageros. Apenas algumas horas no educandário já teriam sido o suficiente para apaziguar qualquer vontade infantil que um dia tivera, pois Karl não estava mais animado em se aventurar pelos terrenos da Academia; muito pelo contrário, estava frustrado e um tanto raivoso por sempre acabar perdido entre as construções desconhecidas que se espalhavam pelo lote feito um labirinto eterno.
Apesar disso, sua rotina não tinha mudado em absolutamente nada desde que chegara em Avalon. Karl ainda levantava com o sol, corria 20 km todas as manhãs e tomava um café da manhã reforçado antes das atividades da tarde que, ao invés de exercícios físicos, agora estavam mescladas em trabalhar tando o seu corpo quanto sua mente. O lado bom é que tinha mais tempo para ler coisas que lhe interessavam, e podia deixar o uniforme militar no armário e usar roupas normais — se bem que ele preferia o conforto das calças camufladas, que deixavam suas coisas muito mais a vontade. Além disso, conseguiu ignorar o pai por um tempo record, juntando suas cartas intocadas em um canto do quarto e deixando suas mensagens sem visualização; até que, no dia anterior, ele ficou irritado pela bagunça, e se viu pegando um dos telegramas por pura curiosidade. Arrependera-se de imediato por ter quebrado o gelo que estava dando no velho, pois agora estavam obrigando-o a frequentar a psicóloga local numa tentativa de melhor adaptá-lo a vida civil. — Verdammter Bastard! ¹ — vociferou amassando o papel entre os dedos e atirando-o em seguida pela janela aberta, desejando que tivesse acertado algum transeunte infeliz.
Por tais razões, Karl tinha passado os últimos minutos tentando chegar ao consultório da psicóloga de Avalon. Não se incomodava, contudo, por estar atrasado quando se localizou, afinal nem queria mesmo estar ali, preferindo gastar seu tempo precioso com coisas úteis. Então, quando foi autorizado pela secretária, Karl adentrou na sala da médica sem nem sequer bater na porta; alguém como ele não gastava energia com trivialidades assim para seres inferiores. O alemão se jogou desleixadamente sobre a poltrona vazia, depositando os braços sobre os apoios, e, enquanto Heike se empoleirava no topo do encosto, ele mirou Bernadette com seus olhos frios. Sabia o que era necessário saber a respeito dela: segunda filha da família real inglesa. Típico! Perdia a conta de todos os membros da realeza que seguiam o mantra de “sou apenas uma pessoa comum que nasceu com privilégios e preciso mostrar que não me importo com eles para que o mundo me ame como eu o amo. Namastê!” Teve vontade de rir, mas se conteve. Haveria tempo o suficiente para se divertir durante a sessão. — E então, por onde vamos começar? Quer que eu faça um desenho que mostre onde meu pai me tocava quando eu era pequeno? — ironizou.
















