Follow your inner moonlight; don’t hide the madness | Strike & Viv
Em um final de semana completamente tedioso, Strike tirara o dia para ler. Havia terminado suas lições, portanto não era como um aluno desesperado que ia para a biblioteca de última hora pelo trabalho importante de Transfiguração. Sempre era o que terminava as coisas pontualmente e entregava em prazo válido e excelente qualidade. Um nerd. Mas com tudo posto em peso como passatempo para quem gostaria de seguir no ramo da varinhologia. Teria colocado em dia seus estudos sobre varinhas, havia um ótimo exemplar sobre madeiras do CasteloBruxo, mas esquecera que deixara sua mala com estes livros em específico no Olivanders – em seu trabalho de veraneio. Mandara uma carta para que Anastasie os buscasse o quanto antes e logo menos os mandasse. Calculando pelo tempo que ficara sem responde-la por conta de Charlie, a mãe provavelmente demoraria duas semanas para enviar qualquer coisa até o castelo. Ou talvez mandasse tudo aos poucos, com a típica tortura de começar pelos menos interessantes até enfim chegar na coleção do CasteloBruxo que enchia os olhos de Strike de lágrimas apenas por pensar. Ganhara alguns livros antigos em seu trabalho, ousara tocar em relíquias da família do próprio Olivanders e orgulhava-se ao poder exibir aqueles exemplares por Hogwarts novamente. Se arrependia profunda e amargamente por tê-los esquecido na própria loja.
Consigo, então, só levara o que tinha desde os onze anos de idade: pocket books. Uma série de poemas que mantinha embaixo da cama, livros sobre beat generation, biografias e até alguns vinis que escutava quando inspirado dentro do próprio dormitório. Adorava seus poemas quase tanto adorava a própria varinha, por isso deixou-os guardado no dormitório de Hogwarts, não dentro de sua casa. Sabia que poderia confiar no castelo e ousara compactuar com os próprios elfos para deixá-los intactos durante os intervalos de dias onde Strike estava em casa. Feriados prolongados e férias, basicamente. Abaixou-se para pegar a versão encapada de howl o clássico de Ginsberg e o preferido de Luke. Passara a mão sobre a capa para retirar o pó acumulado dali.
Descera da torre com a bolsa de couro lateral atravessando o tronco. Dois degraus de cada vez. Chegara nas estufas em cerca de cinco minutos e fora para trás da quatro, onde sabia que podia encontrar paz e sossego por muitas horas. Deitou-se sobre o pequeno pedaço de chão que tinha antes da terra batida e apanhara de dentro da bolsa não o livro, o maço de cigarros. Acendera um entre os lábios, saboreando a fumaça enquanto ainda restava pouco de seu isqueiro. Talvez aquilo desse para o que ainda gostaria de acender. Retirou do plástico de proteção as três pontas que sobrara da festa da huffle, onde saboreara folha de mandrágora completamente sozinho.
Ginsberg, assim como qualquer outro da geração beat pedia para que lesse os livros em um alto estado de espírito. Quem era Strike para contestar?
Desenrolara as celuloses, pegando outra da bolsa para deixa-la pronta ao seu lado enquanto remexia o material na própria mão. Perdera o objeto para tal ato dentro do dormitório, ou Frances teria roubado. Experimentara tudo aquilo ainda deitado e sentou-se só quando tivera que de fato bolar o que deveria ser bolado. Três minutos para ter terminado o cigarro e colocado a celulose que envolvia mandrágora moída dentro por entre os lábios. Acendeu, tragou sozinho com os próprios pensamentos enquanto observava a lata da ansiedade ao seu lado. Estava parcialmente cheia. Buscou por seus óculos de sol, colocou-os quando se levantou com o que fumara apagado na lata.
Entrara na estranha paranoia de que se sumisse por muito tempo alguém perceberia, por este motivo fora para o meio do jardim com a bolsa e de óculos mesmo que o tempo ainda estivesse um tanto nublado pela chegada do inverno. Fora quando já havia encostado a cabeça no couro macio que abrira o livro. Howl, um clássico. Havia suas partes favoritas marcadas com post-its rosa e amarelo, algumas anotações nas bordas das folhas meio gastas, meio sujas com café ou queimadas pelos cigarros. Chegara a ler novamente uma das partes mais famosas daquele livro, mas seus olhos não se concentravam nas primeiras palavras, mesmo que pudesse citar seu final
I saw the best minds // of my generation // destroyed by madness, // starving hysterical // naked, dragging // themselves through // streets at dawn // looking for an angry fix, // angelheaded hipsters // burning for the ancient // heavenly connection // to the starry dynamo // in the machinery of night (…)
“Who passed through universities with radiant… cool eyes” começara a citar com os olhos bem fechados, já que erguera os óculos para poder ver o céu de uma maneira melhor “hallucinating Arkansas and Blake-light tragedy among the scholars of war”. Passara exatamente vinte minutos na mesma página, balançando o pé contra o vento e pensando sobre o autor e suas obras. Sempre que tentava ler mais uma linha, sua imaginação o arrastava para longe dali. Para outro mundo acompanhado de seu coração pulsante em velocidade baixa.