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Enedina Alves Marques, filha de um casal de negros provenientes do êxodo rural após a abolição da escravatura, em 1888, a família chegou em Curitiba em busca de melhores condições de vida, nascida em 1913, filha de pai lavrador e mãe empregada doméstica, durante sua infância, ajudava sua mãe nas tarefas domésticas na casa do militar e intelectual republicano Domingos Nascimento em troca de instrução educacional.
Alfabetizada aos 12, ingressou no Instituto de Educação do Paraná em 1926, sempre trabalhando como doméstica e babá em casas da elite curitibana para custear seus estudos, Seis anos depois, recebeu seu diploma de professora e aos 32 anos, em 1945, conseguiu se formar em engenharia pela Universidade do Paraná (atual UFPR).
Única mulher de sua turma, Enedina viveu uma sociedade pós-abolição, que não instituiu políticas públicas e nem ofertou oportunidades educacionais e profissionais com expectativas de ascensão social à à população negra, escravizada durante séculos. Diante desta realidade, enfrentou também preconceito pela sua cor, vivendo em uma região cuja população apresenta descendência europeia e é majoritariamente branca.
Foi a primeira mulher a obter um curso superior no Paraná e a primeira negra a ser engenheira no Brasil. Em 1946, foi exonerada da Escola da Linha de Tiro e tornou-se auxiliar de engenharia tornou-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas do Paraná. No ano seguinte foi deslocada para trabalhar no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica, após ser descoberta pelo então governador Moisés Lupion.
Como engenheira, participou de diversas obras importantes Estado, como a construção do Colégio Estadual do Paraná e a Casa do Estudante Universitário de Curitiba. Coordenadora do plano de Recursos Hidrelétricos do Paraná e mentora do projeto da Usina Capivari Cachoeira (atual Usina Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, maior central hidrelétrica subterrânea do sul do país).
Enedina não se casou e não teve filhos. Foi encontrada morta, vítima de infarto em agosto de 1981, aos 68 anos no Edifício Lido, onde morava no centro de Curitiba. Por não ter família imediata, seu corpo demorou a ser encontrado. Seu túmulo é um dos mais visitados no cemitério municipal de Curitiba.
Em 2024, pela sua importância e representatividade, a Prefeitura de Curitiba, a Uninter e a agência OpusMúltipla criaram uma escultura em sua homenagem, que foi instalada na rua XV de Novembro, entre a praça Osório e o Edifício Garcez, em Curitiba.
merry crims :))
Santa Cruz do Sul, Brasil, 6 Fevereiro 2025