Bhagavan e Thayumanavar - 3
(por Robert Butler, T.V. Venkatasubramanian e David Godman)
‘Summa iru,’ ‘Fique quieto’, ‘Fique calado’, ‘Permaneça como você É’.
Quando Thayumanavar se aproximou do seu Guru e perguntou se poderia tornar-se seu discípulo, Mauna Guru acenou com a cabeça, dando assim o seu consentimento. Thayumanavar em seguida perguntou se o poderia seguir aonde quer que ele fosse. Mauna Guru respondeu, dizendo-lhe ‘Summa iru’, que pode significar ‘Fique quieto’, ‘Fique calado’, e também ‘Permaneça como você é’. Esta frase aparentemente provocou uma grande transformação espiritual em Thayumanavar. Uns anos mais tarde, quando começou a escrever poesia em êxtase devocional, mencionou este facto com frequência, esta frase, e o efeito que teve sobre ele. Frequentemente lhe chamou ‘a palavra única’ nos seus versículos (incluindo o indicado na última citação).
Esta frase também foi usada por Bhagavan, muitas vezes com efeitos igualmente dramáticos. Muruganar escreveu em vários dos seus poemas que Bhagavan o iluminou ao proferir esta frase:
Dizendo, 'Chega de dança, agora fique quieto [summa iru],' Padam [Bhagavan] depositou em mim o estado de verdadeiro jnana (*) que existe para sempre em meu Coração como minha própria natureza.
A graça soberana de Padam concluiu a minha sadhana (*) com as palavras "Fique quieto". Isto é maravilhoso! (1)
Numa edição recente de 'The Mountain Path' (O Caminho da Montanha) (2) houve um relato de como uma versão mais curta desta frase, ‘iru’, que significa 'seja' ou 'fique', provocou uma mudança que transformou a vida de Tinnai Swami. A ‘palavra única’, summa iru, proferida por um Guru qualificado, tem um impacto imediato e libertador sobre aqueles que estão num estado altamente maduro. Para a grande maioria, porém, ouvir esta palavra dos lábios do guru não é suficiente. Bhagavan referiu isto no seguinte diálogo, que ele ilustrou com mais versículos de Thayumanavar.
Um jovem de Colombo perguntou a Bhagavan:
'J. Krishnamurti ensina o método de consciência não-selectiva e sem esforço como distinto da concentração deliberada. Bhagavan poderia ter a bondade de explicar a melhor forma de praticar a meditação e que forma deve tomar o objecto de meditação?'
Consciência não-selectiva e sem esforço é a nossa verdadeira natureza. Se a pudermos alcançar ou estar nesse estado, está tudo certo. Mas não se pode alcançá-la sem esforço, o esforço de meditação deliberada. Todas as vasanas (*) seculares levam a mente para fora e transformam-na em objectos externos. Todos esses pensamentos têm de ser abandonados e a mente voltada para dentro. Para isso, o esforço é necessário para a maioria das pessoas. Claro, os livros dizem 'Summa iru', isto é, 'Fique quieto ou em silêncio'. Mas, não é fácil. É por isso que todo esse esforço é necessário. Mesmo se encontrarmos alguém que alcançou logo mauna ou estado supremo indicado por 'Summa iru', saiba que o esforço necessário já foi realizado numa vida anterior. Então, essa consciência não-selectiva e sem esforço só é alcançada após a meditação deliberada. Essa meditação pode assumir qualquer forma que lhe agrade mais. Veja o que o ajuda a manter-se longe de todos os outros pensamentos e adopte esse método para a sua meditação.
Neste contexto Bhagavan citou os versículos 5 e 52 de 'Udal Poyyuravu' e 36 de 'Payappuli' do SantoThayumanavar. A sua essência é como se segue:
'A Bem-aventurança virá se você permanecer em quietude. Mas por mais que possa falar à sua mente sobre a verdade, a mente não vai ficar quieta. É a mente que não vai ficar quieta. É a mente que diz à mente "Fique quieta e alcançará a bem-aventurança".’
Apesar de todas as escrituras o dizerem, embora nós ouçamos isso dos sábios todos os dias, e mesmo que o nosso Guru o diga, nós nunca somos silenciosos, mas sim nos desviamos para o mundo de maya e dos objectos dos sentidos. É por isso que esforço deliberado e consciente é necessário para atingir esse estado mauna ou o estado de permanecer em silêncio. (3)
(1) Padamalai, ‘Padam’s Grace Towards Muruganar’, vv. 168, 170, p. 354.
(2) The Mountain Path, ‘Aradhana’ issue, 2004, pp. 75-83.
(3) Day by Day with Bhagavan (Diary of A. Devaraja Mudaliar), 11th January, 1946.
Fonte: http://davidgodman.org/rteach/Thayumanavar.pdf
(*) Sadhana: prática espiritual
(*) Jnana: Conhecimento
(*) Vasana: A vasana é um efeito de um samskara. As vasanas são inclinações, predisposições, tendências da mente, formadas na vida actual, a partir das impressões [samskaras], experiências de vidas passadas.