𑣲conteúdo: fluff&sugestivo da gabz, menção a gravidez (mas a pp não tá grávida!), relacionamento estabelecido, 0.7k palavrinhas e acho que é só isso!!
𑣲notinha da sun: virei a cadelinha da @c-linw, ela pede e eu faço abanando o rabo, é só isso mesmo que tenho a dizer KKKKKK um beijo, amo vocês e espero que gostem dessa!! 💋
[obs: não revisei, tô com sono 😝]
vocês dois tinham os olhos fechados, sentados no tapete da sala de mingyu, compartilhavam até a mesma posição de pernas cruzadas, geralmente seu namorado dava o braço a torcer para todos os seus caprichos simplesmente por ser seu namorado, homens não tinham que ter poder de escolha, eles tinham que viver na coleirinha e mingyu gostava da dele, contanto que o date terminasse na sua casa ou na dele embolados no sofá porque nunca conseguiam esperar tanto tempo, ou na cama, ou naquele puff terrível seu que fodeu as costas de ambos, literalmente, estava tudo bem.
mas mingyu não dava o braço ou qualquer outra parte do corpo lindo, a torcer quando o assunto era comida. toda sexta era assim, quando a demanda do dia finalmente chegava ao fim e você podia vestir uma meia ridícula e uma camiseta mais ridícula ainda de uma banda que você nem escutava mais, vocês dois tinham que entrar em consenso sobre o banquete da noite, e você queria, gostaria bastante de poder viver de água e pau, mas se mingyu ganhasse novamente naquela semana, viveria só de água pelo restante do mês.
era mentira, é claro.
— gyu, você sabe que eu tô querendo comer aquele taco desde a inauguração. será que você não pode abrir uma exceção só hoje? — você questionou, ainda de olhos fechados, a internet do prédio de mingyu estava uma merda e o site de sorteio demorava mais que o normal pra emitir o som de vitória de alguma das partes.
— não, quero franguinho.
arrombado do caralho.
— eu ouvi isso, princesa — mesmo com os olhos fechados, e você esperava que ele não estivesse roubando, mingyu apertou sua coxa, parecia até que estava te consolando por mais uma derrota na sua coleção de fracassos de banquetes de sexta.
— porra, sim! — toda felicidade que já não existia na sua expressão se esvaiu de uma vez do seu rosto quando olhou pra tela do celular, o “franguinho do gyu” era o vencedor como sempre nas últimas seis semanas, nem devia mais nutrir esperanças, aparentemente o mundo era mesmo dos homens, com “h” minúsculo. você fez menção de se levantar, mas mingyu te interrompeu, te abrigando no colo dele como se você fosse um bebê pronto pra hora de ninar.
— mô, vou te deixar escolher qualquer coisa — ele disse, deixando um beijinho barulhento na sua boca, você olhou pra ele, fez aquela carinha típica que dizia “adivinha” e mingyu prontamente pensou um pouco, como se não te conhecesse melhor do que você mesma — vou pedir aqueles molhinhos que você curte, pink lemonade e aquela sobremesa de brownie.
— hm, melhorou — você fez beicinho, esperando mais um beijo de consolo, mingyu atendeu ao pedido, a mão subindo pela lateral do seu corpo, fazendo cócegas e provocando arrepios pela diferença de temperatura entre as peles. você se sentou, ainda no colo dele, abraçando-o tal qual um coala enquanto ele fazia o pedido no aplicativo, ficava puta da vida quando não ganhava uma coisa, no entanto o que gostava mesmo era de ficar quietinha, no colo do seu namorado gostoso, acomodada tão confortável que podia ouvir as batidas cadenciadas do coração que era só seu.
— você vai se fuder quando eu ficar grávida.
você percebeu quando o corpo de mingyu retesou, se tinham evocado o assunto “filhos” umas 5 vezes no decorrer do namoro era muito, você não era exatamente a pessoa mais maternal do mundo, bebês eram lindos, a gravidez nem tanto, tinha medo de muitas coisas, mas até ai o medo não tinha te impedido de perder a virgindade, né?
— o que você vai fazer quando eu tiver desejo de comer algo que você não quer?
— o meu filho jamais me trairia desse jeito.
você riu, espremendo as bochechas dele pra boca formar o biquinho de peixinho, o selinho se transformou num beijo, o beijo levou vocês dois para o sofá e de repente mingyu tirava as suas meias coloridas como se fizessem parte de uma cinta-liga.
— ele vai tá na minha barriga, não na sua, seu otário — mingyu apoiou sua perna no ombro, beijando a pele macia, sentindo o cheirinho do creme que você passou depois do banho, completamente alheio ao pedido que ele ainda não tinha completado no aplicativo. o mundo poderia até ser dos homens, mas quem tinha o poder definitivamente eram as mulheres e suas bucetas de mel.
[fala gabz]: sla gnt, eu só queria escrever com ele por algum motivo KKKKKK n foi revisado pq preciso ir dormir mds!!!
────────choi san dificilmente ficava obcecado por uma mulher quanto estava por você, nem iria sair de casa naquela sexta-feira, mas hongjoong disse que você estaria naquela festa fantasia do pessoal da faculdade e ele teve que improvisar uma fantasia.
clark kent foi a opção mais óbvia, foi a primeira ideia que teve quando olhou pra mesinha de cabeceira e encontrou os óculos de descanso, teria que servir.
já você aprendeu com meninas malvadas que festas fantasias davam passe livre pra se vestir como uma piriguete, então nada mais apropriado do que ser uma integrante das the pussycat dolls, seu sonho desde a adolescência, vestir shortinho curtinho e blusinha curta.
você, uma aprendiz da nicole scherzinger, e san, na sua releitura do superman, se esbarraram no meio da casa do anfitrião, diante a música alta e um mar de estudantes meio embriagados.
— desculpa.
— não foi nada — san respondeu, te olhando, tentando esconder que por dentro estava surtando, era a primeira vez que vocês trocavam palavras, mas ele não tinha te passado despercebido, clark kent nunca passava despercebido, nem como apenas um jornalista qualquer.
não faziam os mesmos cursos, no entanto conhecia-o de longe, lembrava de dizer pra sua amiga o quanto ele era um gatinho reservado. porque com um rostinho daqueles, já deveriam existir boatos circulando pelo campus.
— você deveria ter aparecido antes, superman. pra impedir que derramassem vodka em mim — você apontou pra própria roupa de propósito porque gostaria que ele te examinasse como fazia agora, san não fazia ideia de qual era sua fantasia, mas porra, amava a combinação da roupa curtinha e do salto fino, você se esforçou tanto que até calçou aquele instrumento de tortura, mas pelo menos tinha os olhos e a atenção completa daquele homem gostosinho sobre si.
— me desculpa, será que eu posso te compensar por isso? — san se aproximou um pouquinho mais, te dando a certeza de que ele não estava pra brincadeira, o flerte ficava evidente nos olhos por trás dos óculos, você sorriu, tomando liberdade pra segurar a mão dele e conduzi-lo até o andar superior da casa, foram até o final do corredor, até a última porta que levava a um quarto com cama de casal.
— posso? — san questionou e você assentiu instantes antes da boca dele cobrir a sua, no início foi devagar, san tentava acalmar a si mesmo, mas ficava difícil porque todo lugar que ele te tocava, sentia sua pele macia por causa do raio de retalhos de tecido que você usava.
— espera, deixa eu tirar isso — você sorriu, apesar de san ter toda aquela estatura, parecia uma criança nas suas mãos e você não podia negar o quanto adorava, tirou os óculos dele, que caíram no chão porque ele era impaciente demais pra esperar mais um segundo sem seus lábios beijando-o, deu um sorrisinho quando te pressionou contra porta, a língua acariciando a sua, as mãos firmes na sua cintura, encaixando no lugar certo e apertando de um jeito gostoso, como o beijo que se desenrolava.
— é estranho dizer que penso em você há um tempão? — você sorriu com a escolha de palavras dele, negando com a cabeça.
— é fofo.
— e você gosta de caras fofos? — ele questionou, mas a boca tinha invadido seu pescoço, deixando alguns beijinhos por ali.
— gosto. principalmente dos que parecem cachorrinhos.
choi san te observou com um brilho nos olhos, deu um sorriso lindo, deslumbrante, daqueles espontâneos que você expõe sem perceber. enquanto isso suas mãos se escondiam no quentinho que estava por debaixo da camisa dele, sentindo os músculos das costas se contraindo toda vez que ele avançava com a boca pra algum centímetro da sua pele.
— Toma açaí comigo — você começou, balançando Haechan de um lado pro outro. Ele continuava mexendo no celular, completamente tranquilo, como se você não estivesse perturbando — o que era irônico, já que ele fazia o mesmo com você o tempo todo.
— Tô sem grana.
— Ai, que saco… só tenho amigo duro.
— Sou teu amigo por acaso? — ele questionou, finalmente largando o celular pra te encarar.
Você revirou os olhos, segurou o rostinho dele e beijou seus lábios, que automaticamente fizeram um biquinho, como se já esperassem por aquilo.
— Namorado. Só tenho um namorado. E ele é duro.
— Vou te mostrar o que é duro.
Você riu — e riu ainda mais quando ele começou a cutucar suas costelas, fazendo cosquinhas enquanto te deitava no sofá do apê dele. Haechan só parou quando lágrimas se acumularam no cantinho dos seus olhos de tanto rir.
— Quer que eu peça pelo iFood ou cê quer sair?
— Quero sair. Quero te expor pra todo mundo, mostrar que você é meu namoradinho — você fez um beicinho.
Dessa vez, foi ele quem te beijou, a franja roçando de leve na sua testa.
— Tem certeza? Aqui em casa a gente pode tomar açaí e depois… cê sabe.
Você deu um tapinha nele, sorrindo.
— Safado.
— Só com você. E, só pra avisar… tem leite condensado aqui em casa.
A mão dele deslizou pela sua coxa, te puxando pra mais perto, ajeitando seus corpos até você envolver a cintura dele com as pernas.
— É? Combina com açaí, né? — você murmurou, mordendo o lábio inferior, o olhar cheio de intenção.
Haechan deixou um beijinho na pontinha do seu nariz arrebitado.
𑣲conteúdo: shortfic, fluff, sugestivo, menção a integrantes do nct (por enquanto só o haechan), e acho que é só isso!!
𑣲recadinho da gabz: eu sou horrível escrevendo shortfic porque eu NUNCA termino KKKKKK no entanto, eu acredito que vocês vão gostar dessa, então tô animada!! eu tomei a liberdade de escrever o cheollie um pouquinho diferente do usual, com “usual” eu me refiro às fics que já li dele, porque meus homens sempre são baba ovo de mulher KKKKKK mas vocês vão ver que é algo sutil!! enfim, me digam se vocês gostaram e um beijo!! 💋
𑣲taglist: @itsneoxys @c-linw @lubila @velourdolly @winter-wings @meumin9yu @marsplath @cheolsky @helomaby (em construção!! se você quiser seu @ aqui para ficar a par das atualizações dessa série, basta deixar um comentário neste post!!)
Sororidade. Como uma mulher do século vinte e um, você conhecia a palavra e tentava exercer a definição em todos os ambientes: no ônibus, no metrô, no escritório, no Twitter. Recorria constantemente a um mantra pessoal que afirmava: na dúvida, culpe um homem. O que era extremamente contraditório, considerando sua orientação sexual. Infelizmente, seus olhos brilhavam diante de homens; gostava da anatomia, de quando eles tinham cílios grandes. Adorava quando a cartilagem tireoide era bem evidenciada, projetada — provocava suas glândulas salivares a produzirem ainda mais saliva, como se estivesse diante de uma travessa de um doce delicioso.
Gostava de namorar. Tinha uma foto aos 7 anos com seu primeiro namoradinho. Você gostava dele por alguns motivos, sendo eles: 1° ele tinha uma franjinha fofa e olhos claros; 2° os pais dele te levavam quase todo final de semana pra uma sorveteria chique; 3° motinho elétrica. Namorou um nerdzinho no ensino médio por dois anos. Juraram que manteriam o contato após a formatura, e atualmente ele tinha um labrador e uma filha no jardim de infância.
Você sempre teve um plano: vestibular, faculdade de contabilidade por 4 anos, seu próprio apartamento, casamento aos 25 e, se seu marido fosse irresistível ao ponto do seu útero desejar abrigar seus espermatozoides, o primeiro filho chegaria aos 28.
Só que o destino? O destino é uma vadia que não merece a sua sororidade e muito menos o seu namorado — ex-namorado —, o mesmo cara que sonhou em voz alta nos mínimos detalhes da cerimônia, que te conhecia há quase uma década e que terminara contigo porque você tinha mudado.
Haechan realmente esperava que você fosse, para sempre, aquela menina de 18 anos que ele conheceu numa aula entediante de Contabilidade Geral I?
Era sábado à noite. Não queria sair e nem tinha companhia. Deslizando o polegar pelos stories do Instagram, todas as suas amigas tinham compromisso marcado com ficante, namorado, noivo ou esposo. Poderia visitar seu sobrinho; no entanto, sua irmã nem no mesmo país que você estava. Era aniversário do seu catarrento preferido, e sua irmã e seu cunhado resolveram realizar o sonho do menino em conhecer a Legoland, na Dinamarca.
Então era só você, uma garrafa de vinho e um filme bobo de Sessão da Tarde. Isso até a campainha tocar.
— Só um minuto! — vestiu o robe da camisola carmesim. Não era exatamente o traje mais adequado para se receber alguém. No entanto, eram dez horas da noite. Esperava que fosse seu porteiro bacana, com um doce em mãos que você nem tinha pedido, mas entregaram no seu nome. Se estivesse envenenado, melhor ainda — morreria com glicose aumentada e, de quebra, Haechan ficaria com remorso. Perfeito.
— O que é? Minha irmã pediu pra você me espionar?
— Ela queria saber se você tá bem. Me falou que você não responde ela desde quinta.
Seungcheol tinha só quinze anos quando vocês se conheceram. Você tinha dez. Não era nem amigo próximo da sua irmã, mas, por coincidência, ele sempre terminava caindo nos mesmos grupos de trabalhos escolares com ela, que aconteciam religiosamente na casa dos seus pais. Por que sua mãe oferecia pãozinho caseiro e limonada no final? Por que o quarto da sua irmã era maneiro? Por que ela tinha um MacBook? Você gostava de pensar que era porque ela tinha uma irmã cinco anos mais jovem e extremamente espoleta.
— Vai me deixar entrar ou você tá escondendo o corpo do seu ex-namorado aí?
Você se afastou, deixando-o entrar. Encostou na porta, observando-o deixar uma caixinha da padaria da esquina no balcão da sua cozinha aberta. Seungcheol fazia seu tipo, o que era um perigo, porque nunca se envolvera com os amigos mais velhos da sua irmã — geralmente eles já estavam casados.
Com exceção daquele homem no meio da sua sala, lendo o rótulo do seu vinho barato por pura diversão.
— Você tá bem?
— Você tá namorando?
Perguntaram os dois juntos. Seungcheol negou com a cabeça, com um biquinho fofo. Você só assentiu. Sabia que não devia nada a ele. Afinal, ele quem decidiu trazer os seus bolinhos de chuva preferidos, e você nem precisava abrir a caixinha pra saber — o cheirinho entregava.
Mas não seria nada mal um beijinho de agradecimento. Talvez uma mão aqui e ali. Ele não queria saber se você estava bem? Ficaria com um beijinho de uma pessoa que te conhecia desde os dez anos.
— Você não precisa estar bem, mas isso não significa que você tem que beber esse vinho podre.
— Você tem covinha?
— Tô te achando estranha. Não é essa bomba que você tá ingerindo?
Você se aproximou mais, bem perto. Conseguiria o que queria se fingindo de burrinha inocente. Só um beijo. Só a boca dele contra a sua era o bastante.
— Não, fofinho. Tô flertando contigo.
O clima, de repente, mudou. Seungcheol te olhou — olhou de verdade dessa vez —, pela primeira vez como uma mulher, e não como a irmãzinha de uma colega ou a vizinha do andar inferior ao dele. Você se sentiu tímida só com ele observando o seu rosto, levemente maquiado porque quis testar um rímel novo.
— Não flerta comigo se você não quer que eu beije a tua boca.
Você engoliu em seco, acenando positivamente com a cabeça, ajeitando a postura e respirando meio ofegante quando ele pôs a mão sobre a sua bochecha quente.
E, quando Seungcheol simplesmente desceu os olhos pro decote da camisola que o robe deixava aparecer, você se livrou dele enquanto se encaravam. Parecia até que um desafiava o outro sem a necessidade de expor verbalmente.
— Foda-se.
O primeiro beijo veio explosivo, o tipo de beijo que você espera por uma eternidade. Tamanha ansiedade, os dentes se chocaram de leve, e seu corpo aprovou o riso abafado de Seungcheol, os braços fortes te contornando, te reivindicando como se, alguma vez, você já tivesse sido dele.
Bom, naquele momento, você definitivamente era.
— Cheol, quarto — você arfou, puxando o cabelo dele.
Seungcheol sorriu, te olhando. Não sabia como, mas tinham recuado tantos passos que ele te pressionava contra uma parede, perdido e completamente rendido pelo seu cheiro — e especialmente pelo seu jeitinho autoritário.
— A gente vai brigar, linda.
— Por quê?
Você questionou com um sorriso lindo que Seungcheol fez questão de guardar num lugar especial na mente. Ele nem sabia o que fazer primeiro: queria te tocar por toda parte, te beijar inteirinha, olhar pro seu rostinho em todo ângulo existente.
Com um gesto firme, ele te virou de costas, pressionando o abdômen contra você e diminuindo qualquer espaço entre vocês dois.
O sussurro que veio a seguir reverberou por todo seu corpo.
[𖹭] conteúdo: shortfic, fluff, sugestivo, menção a integrantes do nct, e acho que é só isso!!
[𖹭] recadinho da gabz: apesar de ser escrito na terceira pessoa, eu acredito que esse capítulo tá mais na perspectiva do cheollie do que na perspectiva da protagonista. eu já fui apaixonada por 5sos e “she looks so perfect” é minha música favorita, muito provavelmente KKKKKK por isso, citei a boyband e o cheollie faz uma referência a letra da música no finalzinho do texto. eu espero que vocês gostem, um beijo!! 💋
[𖹭] taglist: @itsneoxys @c-linw @lubila @velourdolly @winter-wings @meumin9yu @marsplath @cheolsky @helomaby @ifwallscouldtalk2 @gigirassol-i (em construção!! se você quiser seu @ aqui para ficar a par das atualizações dessa série, basta deixar um comentário neste post!!)
Seungcheol sabia que te veria. Sete anos atrás, no casamento da sua irmã — e amiga dele do ensino médio —, sabia também que, naquele momento, você tinha a mesma idade que a dele quando se viram pela última vez, no último trabalho em grupo da escola. Você tinha acabado de colocar aparelho odontológico para corrigir a mordida torta, sua banda favorita era 5 Seconds of Summer e não tinha vergonha de dizer, aos 13 anos, que, com toda certeza do universo, se casaria com Calum Hood, que era apenas um ano mais jovem do que Seungcheol, na sua tão aguardada maioridade.
No entanto, ele nunca imaginou que nutriria uma paixão unilateral pela sua versão de 18 anos. Nenhuma vez sequer passou pela mente dele que poderia se sentir tão atormentado pela versão adulta daquela garotinha de 10 anos que surrupiava, com frequência, pacotinhos de Skittles que o próprio Seungcheol trazia — porque, coincidentemente, era a sua balinha favorita.
Nada — e muito menos ninguém — o preparou para te ver deslumbrante num vestido de festa, com o cabelo em um penteado bonito, algumas mechas descoloridas em evidência, e a boca tingida por um batom carmesim que também destacava os dentes alinhados.
E, quando você o abraçou como cumprimento, bem mais alta do que ele se recordava, Seungcheol fez questão de guardar o seu perfume na memória, porque, a julgar pelos seus olhares apaixonados na direção de um garoto — possivelmente seu namorado —, ele não tinha a mais remota chance.
Só que a vida era uma merda às vezes. E, mesmo que, nos últimos sete anos, ele tenha obviamente conhecido e namorado outras mulheres, de vez em quando Seungcheol se flagrava pensando naquela garota de 18 anos que ele não poderia ter. Era como se você representasse o fruto proibido.
E então, numa sexta qualquer, Seungcheol recebeu uma mensagem no chat pessoal — e não no grupo do ensino médio — da sua irmã, que sabia que vocês, por coincidência, viviam no mesmo prédio há um mês, questionando, numa formação de frase cômica, se ele poderia verificar se a irmã dela não estava se entupindo de sorvete caro.
Foi aí que ele descobriu: pela primeira vez em sete anos, você estava oficialmente solteira. E, embora se sentisse mal por estar feliz com o fato, Seungcheol não pensou duas vezes antes de tomar um banho demorado, borrifar o perfume mais caro do seu armário nos principais pontos de pulsação e ponderar a respeito do que vestir por uns dez minutos. E ele podia contar nos dedos as vezes em que se sentiu daquela forma.
— Você tá me dizendo que ela te agradeceu pelos bolinhos de chuva com uma foda? — Mingyu questionou, boquiaberto.
— Não foi só uma vez — Seungcheol respondeu, ajeitando casualmente o boné diante do espelho extenso da academia. Tentava esconder o sorrisinho satisfeito que nascia no canto da boca e se espalhava facilmente pelos lábios. No entanto, seu cérebro não conhecia essa opção e fazia questão de lembrá-lo, sempre que possível, de você — mais especificamente nua, por baixo e por cima dele.
— Tá, e depois a sua Cinderela veio com o papo de amizade colorida?
Como a vida é uma merda², no domingo de manhã, quando Seungcheol tomou a liberdade de usar seus poucos ingredientes da cozinha para fazer um café da manhã minimamente gostoso — comparado ao que fizeram juntos —, você deixou escapar a proposta enquanto um Seungcheol atento observava as marquinhas que deixara no seu pescoço e colo sem querer. Sua pele era tão deliciosa que ele simplesmente não conseguia se conter.
— Sim.
— E é isso que você quer?
— Não… Sim. Porra, eu não sei. Quero transar com ela de novo, mas não só isso. Quero levar ela pra jantar, cinema às sextas, escovar os dentes juntos, rotina de skincare toda noite. Quero tudo isso — Seungcheol sorriu, totalmente sem jeito —, mas, se ela quiser me usar como brinquedinho sexual, eu sinceramente não me importo.
— Você é maluco — Mingyu afirmou.
E Seungcheol não podia refutar, porque era a mais pura verdade. Dessa forma, só ergueu a garrafa de água até os lábios, numa outra tentativa — sem sucesso — de omitir o sorriso sem-vergonha.
No fundo, Seungcheol esperava ser capaz de te convencer de que poderiam, sim, ser um casal. Para isso, ele faria uso das duas cabeças.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ[...]
“Vou acabar com teu mundo agora, linda.”
“Fala logo, Cheol!”
“A American Apparel nem existe mais.”
“COMO ASSIM???”
“Mesmo diante dessa tragédia, eu gostei da sua Calvin Klein.”
“Especialmente quando eu tirei ela, né?”
Você sorriu para o próprio celular, digitando a resposta na ponta da língua:
“Especialmente quando você tava sem ela.”
— O Mark do marketing… ai, caralho, por que ele tinha que ser do marketing, hein? — Celine, sua amiga e principal colega de trabalho, te ofereceu um copinho descartável de café da copa.
Dessa vez, a pergunta não era porque o nome de Mark Lee combinava com o nome do departamento em que ele trabalhava com excelência, mas sim porque Haechan fazia parte da equipe e, toda vez que Celine descia um andar para pagar de espiã — e, de quebra, flertar com o Mark do marketing —, se deparava com o rosto lindo de Haechan, o seu ex-namorado.
— Ele me contou que o Hansol não vai ser o novo chefe do departamento.
Você compartilhou da mesma expressão de confusão de Celine, deixando o próprio celular com a tela para baixo, de encontro à mesa, com medo de cair na tentação de responder Seungcheol novamente. Simultaneamente, de forma genuína, não se importaria se Seungcheol te enviasse um áudio de muitos minutos.
Sentia falta do peso do corpo dele pressionando o seu.
— Por que você tá com essa carinha de quem foi bem comida? Achei que você tava arrasada, não vai me dizer que…
— Não! — você interrompeu sua amiga antes que ela pudesse tirar conclusões precipitadas — Celine, eu tenho que te contar uma coisa…
— Ai, meu Deus, o Mark não me contou que o novo big boss do departamento é uma delícia. Esse cara fez mesmo contabilidade?
— Puta merda.
E, porque a vida é uma merda³, é claro que o seu novo chefe de departamento tinha que ser o cara que você conhecia desde os 10 anos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ[fala gabz!]: eu só tenho elogios para esse homem. ele é lindo, charmoso, talentoso e acima de tudo ele é um ursinho! ele tem carinha daquele tipo de namorado que cuida de tudo, sabe? é extremamente responsável e às vezes te irrita porque não te deixa mexer um dedo KKKKKKKK pra mim, ele exala essa energia 🙈
﹌﹌﹌﹌﹌ — Oi, amor! — Você olhou para trás do sofá, sorrindo de lábios fechados enquanto Jongho tirava os sapatos e os deixava na sapateira ao lado da porta. — Nem me contou como foi a consulta. Comprei aquele bolo que você gosta.
— Jongho... — Você estreitou os olhos. Marcou aquela consulta de check-up completo porque ficou desolada na última semana ao descobrir que sua saia preferida não estava servindo mais, mesmo se empenhando para estabelecer uma alimentação saudável e começando a adotar hábitos como praticar pilates — embora sua última ida tenha sido há duas semanas. Isso porque descobrira uma nova escritora de romances e estava completamente obcecada por uma trilogia.
— O que foi? Eu pedi para diminuírem o açúcar. — Você riu, como se aquilo fizesse algum sentido. Jongho se ajoelhou diante de você. Toda noite que ele te encontrava encolhidinha no sofá, com um livro aberto no peito porque pegou no sono enquanto lia, ele fazia aquilo: ficava te observando por alguns segundos. Dizia que você ficava linda dormindo, mas você suspeitava que Jongho te acharia bonita até adormecida numa posição desconfortável, roncando baixinho, de tanto que ele te amava.
— Eu acho que não é assim que funciona.
— Você tá brilhante. Nunca vou entender como você pode ser tão dura consigo mesma. — Jongho afastou uma mechinha do seu cabelo para trás da sua orelha. Você se inclinou um pouco. Tinha deixado o livro de lado; não conseguia ler na presença dele. Não sabia se aquilo era porque namoravam há pouco tempo ou simplesmente porque o amava com todo pedacinho do seu ser, mas toda vez que ele estava por perto, não conseguia se concentrar em nada. Queria aproveitar cada segundo ao lado do seu namorado. Ele sentia o mesmo: dizia que faria uma coisinha rápida do trabalho no notebook, mas quando o pegava e se sentava na cama, com óculos que o deixavam irresistível, Jongho não demorava nem cinco minutos para fechar o notebook e te abraçar por trás enquanto você testava algum produtinho novo no rosto.
— Eu tô bem. Felizmente. A ansiedade dos últimos dias me fez engordar um pouquinho. — Você o beijou de levinho. Jongho assentiu, te olhando como se você representasse o mundo inteirinho dele — e meio que era isso mesmo.
— Eu compro outra saia para você.
— Isso é bom.
— E posso pensar em uns jeitos bem ansiolíticos de te deixar bem tranquila. — Você sorriu enquanto ele ia te deitando no sofá, ficando por cima, deixando um beijinho na sua têmpora, depois na sua bochecha, um caminho carinhoso até alcançar seus lábios.
— Que não envolvam bolo?
— Pode envolver chantilly? — Jongho perguntou, malicioso, e você assentiu, mexendo nos botõezinhos da camisa preta dele. Ele beijou de levinho seu pescoço, mexendo com a sua respiração, com a sua frequência cardíaca, uma das pernas entre as suas — perigoso.
— É interessante.
Jongho mordeu o lábio de levinho, te observando, um sorrisinho nos lábios molhadinhos.
.✦ ݁˖content: fluff, slice of life, sugestivo, seungcheol bobinho na muié, e ela mais ainda nele, e acho que é só isso!! ≈ 0.5k
.✦ ݁˖{fala gabz!} eu tô morrendo, (de cólica, odeio esse exército de contrações uterinas!!) e eu sei que ninguém pediu, but eu tinha que escrever uma coisinha hoje. tá curtinho, porque ao mesmo tempo que quero escrever com esse homem, eu fico toda envergonhada KKKKK espero que vocês gostem!! um beijo!! 💋
— E aí, aquele idiota falou olhando nos meus olhos… ah, seta é enfeite, né? Palhaço! — você molhou o lábio superior com a língua, como se o gesto pudesse, de alguma forma, te apaziguar dos eventos da semana. Porém, até o trânsito do fim de semana perturbava seus nervos. Tinha a sensação de que era a única ótima motorista da cidade, enquanto todos os outros eram amadores. Parte desse sentimento vinha do fato de você já estar com fome, segurando o volante com força desnecessária. — Amor, falta muito? Eu não acredito que escolhi um restaurante na puta que pariu.
— Falta uns cinco minutos… mas a gente pode ficar por aqui mesmo — você parou o carro no semáforo vermelho e observou seu namorado. Não admitia, mas fazia de propósito. Disse que dirigiria naquele dia, mas era só pra agir feito uma gostosona pra Seungcheol. E você tinha certeza de que ele gamava toda vez que você ajeitava o espelhinho só pra espalhar gloss nos lábios ou arrumar o final do delineado borrado com o cantinho da unha. Era extremamente fácil pra você — porque não mentia: era gostosa 24 horas por dia, sete dias por semana.
— Você sabe o que tá fazendo, né? — Seungcheol questionou.
Você sorriu, travessa, dando de ombros como quem pergunta “eu?”. Ficou até feliz quando finalmente avistou o restaurante, mas parou a uma certa distância do estacionamento.
— Ué, cê não tava morrendo de fome?
Você abanou a cabeça negativamente. De repente, seu apetite tinha ido embora — pelo menos o fisiológico. Bom, o apetite fisiológico menos importante. Seungcheol tentava conter o sorriso mordendo o lábio, mas ficava impossível quando sua garota deliciosa e meio desastrada batia a cabeça enquanto tentava sentar no colo dele, meio espremida. Não que ele se importasse de ter seus seios na altura dos olhos enquanto você se ajeitava melhor.
— Mudei teu foco? Só porque fiquei te olhando feito a delícia que você é?
Ele sabia exatamente o que dizer pra te deixar naquele estado: bobinha. As bochechas chegavam a doer de tanto sorrir; você perdia até a fala, o fôlego… mas a fome por Seungcheol jamais — essa nunca passaria, era vitalícia. Você tomou o rostinho bonito nas mãos, selando as bocas num beijinho inocente, só pressionando. Ele correspondeu, devolvendo cada um dos seus selinhos, até começarem a se transformar em algo a mais — cadenciado como antes, mas mais intenso, à medida que você o arranhava de levinho e ele te apertava pela cintura. O gostinho do chiclete que haviam mascado antes se intensificava na sua boca.
— Não tá mais brava, né, oncinha?
Você riu, acertando-o com um tapinha fraco no peitoral firme. Seungcheol pegou sua mão, pressionando-a contra a própria bochecha, pedindo carinho discretamente com um biquinho irresistível que acabava contigo.
— Não tô, não — você aproveitou o biquinho pra desmanchá-lo com um beijinho sutil. — Minha presa tá bem aqui.
ᥫ᭡.conteúdo: shortfic, fluff, sugestivo, menção a integrantes do nct (especialmente haechan), bff!celine e acho que é só isso!!
ᥫ᭡.recadinho da gabz: gente, demorei, mas voltei!! seguinte, o final desse é triste, já avisando de antemão KKKKKK e esse é o único capítulo com um pouco mais que 2k. eu não sei se vocês gostam de capítulos longos, mas eu não gosto, então i'm sorry!! eu acho que é só isso!! um beijo!! 💋
ᥫ᭡.taglist: @itsneoxys @c-linw @lubila @vlurdolly @winter-wings @meumin9yu @marsplath @cheolsky @helomaby @ifwallscouldtalk2 @gigirassol-i @whtmstng @sailouu @frambosc (ainda em construção!! mas essa fic tá na reta final, então se eu fosse você já comentava nesse post...)
Finalmente, o final de semana tinha chegado. Não que você estivesse cansada da “monotonia” da semana usual, pelo contrário, estava adorando dormir agarradinha com Seungcheol, especialmente porque a última semana tinha sido de friaca. Você até programou o despertador pra tocar mais cedo, pra vocês poderem ficar mais uns minutinhos embrulhados no edredom. Às vezes, você precisava afastar o rosto do peitoral farto de Seungcheol e sussurrar que ele estava quase te asfixiando. Se em algum momento esteve na pior, você definitivamente não se recordava disso.
A empolgação pro final de semana enfim chegar era porque você finalmente veria seu sobrinho, com o adendo de que teria que passar praticamente um dia inteiro com Haechan, mas, antes de ser seu namorado, ele era seu amigo, não?
“Te vejo à noite naquela casa de shows? A banda do Vernon vai tocar lá hoje.”
Você sorriu para o próprio celular. Seungcheol nem precisava perguntar, você jamais ficaria um dia inteirinho sem ver aquele rosto, o sorriso, as covinhas. Se tocasse nos lábios, ainda poderia sentir o beijo que ele te deu antes de ir embora.
“Claro! Lembra da descrição, tá? Vai estar todo mundo do departamento lá, incluindo a Alicia, que quase pegou a gente no flagra.”
“Será que seria tãooo ruim assim se eles descobrissem?”
Seus dedos pararam de digitar a mensagem. Você gostava do que tinham, mas, considerando algumas falas de Seungcheol nos últimos dias, ele parecia… insatisfeito, talvez? No entanto, você sempre se desviava do tópico. Não queria rotular, não queria o estresse de ter que explicar pra sua irmã mais velha que estava de rolo com um amigo de infância dela, mas, ao mesmo tempo… e aquele plano inicial de se casar aos 25? Seungcheol se casaria com você?
Bom, de certa forma, já viviam como recém-casados, e isso era um problema.
— Ele tá bonito, né? Você é linda, amiga, de verdade. Mas que buceta é essa de mel? — É claro que Celine estava contigo num parque às 11 horas da manhã, num tempinho nublado, embora o sol estivesse se esforçando pra sair. Haechan e o seu sobrinho estavam brincando mais adiante. Parecia maior ou só era impressão, já que fazia tempo que não o via com roupas além das sociais do trabalho. Ele arregaçou as mangas do moletom escuro enquanto jogava futebol com o seu sobrinho, e você respirou fundo porque amava o conjunto das mãos e dos antebraços daquele homem.
Porém, não sentia nada, era só a agitação de perceber algo bonito.
— Ele sempre foi bonito.
— Mas…? — Celine incentivou enquanto você olhava para a tela do celular. Tinha colocado uma foto sua e de Seungcheol no papel de parede do chat.
— Acho que tô gostando real do Seungcheol.
— Demorou — Celine sorriu, enquanto você deitava sobre a toalha de piquenique que estenderam na grama. Não sabia se se sentia confusa ou se sabia a resposta, porque a tinha verbalizado em voz alta. E se começassem a namorar e tudo desse errado de novo? Não conseguiria, não teria energias para conhecer mais ninguém e veria todos ao seu redor em relacionamentos duradouros, enquanto você não.
— Olha aí, seu príncipe tá te mandando mensagem.
“Pela demora, acho que você não curtiu a ideia.”
“Mas posso discretamente te puxar pra uma cabine do banheiro só pra te beijar, né?”
— Esse homem ainda me mata — você comentou, com um sorriso decorando os lábios ao visualizar a mensagem. Estava pensando o quanto Seungcheol tornava difícil dizer a palavra “não” para cada uma de suas perguntas, e, se a resposta porventura fosse negativa, ele sempre dava um jeitinho de te convencer, fosse com um biquinho quilométrico ou beijinhos em lugares estratégicos do seu pescoço.
“Você venceu, espertalhão!”
[...]
— Docinho, a gente vai maratonar Homem-Aranha no final de semana que vem, sim! — você amava o seu sobrinho com todas as forças presentes no seu corpo, no entanto, como qualquer adulto, crianças também tinham defeitos, e o defeito daquela miniatura de homem era simplesmente não gostar de Homem-Aranha, o que você considerava como um desrespeito a você mesma.
— Mas, tia, você pode comprar aquele marshmallow? — questionou, unindo as mãozinhas em prece. Sua irmã era um saco, o menino só comia doce no seu apartamento ou na casa dos avós. Você anuiu com a cabeça, bagunçando os cabelos dele enquanto entravam numa cafeteria. Ele estava com fome, e você gostaria de um frappuccino de morango. Geralmente pedia coisas com pistache, não era por modinha, conheceu pela popularidade e depois viciou, no entanto, Seungcheol te convenceu a gostar de coisas rosas, inclusive a…
— Vocês têm alguma coisa de pistache no cardápio? — foi a primeira coisa que Haechan questionou à jovem atendente quando você chegou no balcão, após deixar seu sobrinho aos cuidados de Celine. Deu uma olhadinha para os dois, seu sobrinho achava Celine divertida como todos os homens, só que de uma forma tipo “seu celular tem joguinho?”.
— Na verdade, o frappuccino de morango daqui é muito bom — você o interrompeu e, de repente, se deu conta de que talvez Haechan não estivesse pedindo pra você — quer dizer, eu presumi que você…
— É, era pra você. Tudo bem, então, eu vou querer um frappuccino de morango, essa tortinha de limão e… — Haechan ajeitou os cabelos enquanto falava. Antigamente, isso era motivo pra você puxá-lo pra um beijinho, no entanto, hoje, depois de tudo, só conseguia pensar no vestido que vestiria hoje à noite. Precisava de uma meia, de preferência térmica, Celine te emprestaria, é claro. Seungcheol gostava daquelas botas de salto que iam até o joelho, era a ocasião perfeita para colocar aquele vestidinho curto que você comprou numa liquidação com Celine.
Balançou a cabeça, tentando se recompor enquanto Haechan te olhava com cara de interrogação.
— Que foi?
— Você tá diferente.
— Ah, obrigada, Haechan, você já enfatizou isso na outra vez — fez menção de ir até a mesa do café onde Celine e o seu sobrinho estavam, mas ele te interrompeu.
— Não diferente assim, me desculpa. É um diferente bom.
Você não respondeu, o barulhinho do sininho acima da porta de entrada chamou a sua atenção. Coçou os olhos uma vez, duas vezes. Era Seungcheol? Não era surpresa, o parque e o café eram locais bem próximos de onde vocês moram, mas, mesmo assim, você não esperava vê-lo, principalmente porque não conseguia esconder sua feição de admiração nem quando tinha certeza de que o veria no trabalho, imagine fora dele.
Celine também olhou pra porta no exato momento que você, e seu sobrinho foi imediatamente largado de escanteio com o celular cheio de purpurina de Celine, o que você amava, não podia omitir. A razão era porque seu chefe, ficante e possivelmente o amor da sua vida, não estava sozinho. A última vez que Celine vira Mingyu tinha sido no dia da mudança de Seungcheol.
— Oi — você disse pra Seungcheol, dando espaço no balcão pra que ele e o amigo pudessem fazer o pedido. Não sabia se tinha sido plano dele, mas a aproximação separou você e Haechan e possibilitou que Seungcheol pudesse piscar pra você.
— Oi — ele respondeu, com o adendo do seu nome. Cumprimentou a atendente com toda aquela elegância com que naturalmente nascera, e você quase desmaiou quando ele sutilmente pegou os seus dedinhos frios — um frappuccino de morango pra mim.
— Espera aí, ele não é seu chefe? — foi Haechan quem perguntou do outro lado, parecia que existia um oceano separando vocês, que possuíam nomes separadamente: Mingyu e Seungcheol. Podia dizer que eram muralhas também.
— É, sim — você respondeu, simplista, tentando se livrar dos dedos de Seungcheol, mas ele não deixava — ele é o novo chefe do departamento, mas essa notícia é antiga.
— A gente mora no mesmo prédio também — Seungcheol disse da forma mais costumeira possível. Haechan abriu a boca pra responder e fechou-a no mesmo instante, podia contar nos dedos as vezes que alguém o deixou sem palavras. Ele sempre tinha uma resposta na ponta da língua, mas dessa vez não, o que te deixou surpresa.
— Vocês pediram a mesma coisa?
— Coincidência — você e Seungcheol responderam em uníssono e se olharam como se aquilo não fosse usual, como se não jogassem “pedra, papel e tesoura” depois do cinema de sexta só pra decidirem o que comer na praça de alimentação do shopping. Vez ou outra as respostas batiam, embora ele fosse um verdadeiro cavalheiro e sempre cedesse quando você queria comer outra coisa.
— Haechan, você pediu a tortinha de limão? — Celine chegou de repente, se infiltrando entre as muralhas, vulgo Seungcheol e Mingyu. Tinha perguntado pra Haechan, no entanto, o olhar estava em Mingyu; você sabia exatamente o que se passava na cabeça daquela safada.
Seungcheol aproveitou a distração para apertar seus dedos e sussurrar pra você, antes de você retornar à mesa pra fazer companhia para o seu sobrinho.
— Não vejo a hora de te beijar.
Felizmente, você também não.
[...]
— Ele tá tão grande — você sorriu, se lembrava como se fosse ontem do seu sobrinho recém-nascido, e desde então tinham acontecido tantas coisas.
— Ele tá, minha irmã e meu cunhado são altos, deve ser por isso — Haechan parou em frente à porta do seu apartamento e olhou pra você, as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Acho que a gente se despede aqui — você assentiu, buscando pela chave no bolso do moletom junto com o celular. Colocou-a na maçaneta, mas Haechan te interrompeu, a mão sobre a sua.
— Sinto sua falta. Tem sido bem difícil jogar sozinho sem você me dando palpite.
— Você odiava meus palpites.
— Eu fingia que odiava, você sabe disso.
— Haechan, dorme que passa — você sorriu sem graça, girando a chave na maçaneta. Se aproximou pra um beijo na bochecha, mas o caminho que Haechan fez não foi exatamente esse. Sinceramente? Tinha algum medo de sentir alguma coisa ainda se ele te beijasse de novo, no entanto, não aconteceu nada.
Nada. Nem uma faísca.
E foi só quando você finalmente entendeu.
— Ai, porra — se virou na mesma hora, porque conhecia aquela voz e mentalmente esperava que estivesse enganada. Seungcheol tinha uma expressão que você não conhecia emoldurando o rosto bonito dele — me desculpa, o meu apartamento é no próximo andar, eu me confundi. Desculpa se eu atrapalhei… se eu atrapalhei vocês.
— Não… não foi nada—onde você vai? — Haechan questionou pra você quando Seungcheol retornou a subir extremamente rápido as escadas. Ai, que caralho de prédio antigo que não tinha elevador.
— Haechan… eu não quero mais. E eu sei que você é um cara legal que vai entender isso, então… então só vai embora.
— Você tá tendo um caso com seu chefe?
— Tecnicamente, ele não era meu chefe quando a gente começou a se ver — explicou. Haechan poderia se recordar dele como amigo da sua irmã, no entanto, aparentemente, ele não se lembrava.
— Você ficou com ele enquanto a gente dava um tempo? — você riu, riu de nervosismo mesmo. Queria alcançar Seungcheol, mas Haechan ficava te segurando e te angustiando ainda mais do que na vez que terminou tudo entre vocês.
Haechan se aproximou, dava pra ver que ele segurava o choro, enquanto você não se dava ao trabalho e as lágrimas desciam pelas suas bochechas, molhando o moletom cinza. Segurou a sua mão direita, e as lágrimas embaçaram tanto o seu campo de visão que se surpreendeu por conseguir enxergar a aliança no seu dedo.
— Isso é seu de toda forma — Haechan sabia dos seus planos, de cada um deles. Sabia que gostaria de se casar aos 25, sabia que gostaria de engravidar aos 28, ele sabia de todas as coisas, mas como ele podia? Como podia te dar uma aliança naquele momento? Como podia sequer segurar a sua mão e fazer aquilo com a sua sanidade?
Ele te deixou ali, sem raciocinar direito, pensando mais em Seungcheol do que em si, do que em Haechan. Seu mundo tinha um eixo, e ele estava desmoronando no andar acima do seu. Apesar de não ser exatamente a pessoa mais atlética do mundo, subiu as escadas o mais rápido que pôde. Seungcheol não tinha entrado em casa ainda, estava encarando a porta quando o avistou de longe e, quando se aproximou, gostaria de ter permanecido na lonjura.
— Sai daqui.
— Seungcheol, me deixa te explicar…
— Sai. Daqui — as mãos dele estavam trêmulas quando tentou colocar a chave na maçaneta. Você tocou-as com as suas, mas tinha se esquecido completamente da joia no seu dedo. Seungcheol ignorou completamente a chave, deixou-a cair no chão e segurou sua mão com o adereço, os olhos vermelhos, mas não era de raiva, talvez um pouco, mas principalmente das lágrimas que deixavam os olhos que você sabia, amava demais.
— Ah, então você tá noiva? — questionou, seco, ainda segurando sua mão gelada em conflito com a mão quente dele. Tentou se aproximar, mas ele deu um passo pra trás, se afastando — eu só fui a sua despedida de solteira, né?
— Seungcheol, não é isso, ele chegou de repente com uma aliança e eu…
— E você aceitou? Aceitou porque ele te conhece muito melhor do que eu, provavelmente faz sexo melhor do que eu. Você realmente não tem um pingo de vergonha na sua cara — você segurou-o, mas ele te afastava, com cuidado pra não te machucar, embora Seungcheol não estivesse no melhor estado pra controlar alguma coisa, inclusive a própria força.
— Seungcheol, eu gosto de você.
— É, e eu te amo, caralho — a declaração de Seungcheol saiu ríspida. Tinha entrado dentro do apartamento impecável dele, mas não te dava abertura pra entrar, mesmo que você estivesse esse tempo todo no coração dele, sem nem mesmo ele ter se preparado pra abrir uma frestinha pra você.
— Então me deixa explicar — você pediu numa súplica. Devia estar horrorosa, chorona, sem maquiagem nenhuma e com o cabelo bagunçado, provavelmente, mas não se importava, só queria que ele te deixasse falar, mesmo sabendo o quanto ele estava chateado e magoado. Queria que ele te desse o benefício da dúvida, queria que ele te desse um beijo e dissesse que estava tudo bem, queria que fizessem amor e as pazes juntos, mas ele mal te olhava, e aquilo deixava o seu coração pequenininho dentro do peito.
Seungcheol apontou para sua mão.
— Acho que isso já explica tudo.
E fechou a porta, te deixou ali naquele corredor, sozinha, com as suas lágrimas e o seu coração tolo.
Mas também te deixou com a certeza de que você o amava.