COMO FUGIR DE ARQUETIPOS DE BOM & MAU EM SUA HISTÓRIA (ou FICA A DICA:)
Este foi o título da oficina que ministrei na Fantasticon deste ano. Estou usando-o novamente pois em minhas eternas pesquisas
(porque um bom estudioso nunca considera que sabe tudo de um assunto) encontrei duas colocações num livro de psicologia que eu acho bastante relevantes a respeito do assunto e gostaria de dividi-las.
Na oficina eu comentei que um fator importante é deixar de lado a ideia de que quem se oporá ao protagonista é o vilão, e se o primeiro é naturalmente bom, o segundo é naturalmente mau. Assim, vejam a colocação: “... é surpreendente observar como até mesmo os mais desagradáveis patifes e os piores criminosos facilmente conseguem fazer isso. Quer se trate de um traficante sem consciência, de um tirano frio como gelo ou de um impiedoso verdugo – seu ego também não encontra problemas em desenvolver uma imagem surpreendentemente favorável de si mesmo, atribuindo a culpa de todo mal às outras pessoas, a motivos de força maior ou a circunstâncias compulsórias.” Ou seja, essa ideia de vilão que sabe e se acha vilão, com direito a risada maligna e coisa e tal, cria um estereotipo infantil e que, a não ser que estejamos escrevendo com o objetivo de aliviar nossa consciência, praticamente não funciona mais. Um exemplo deste ‘alívio’, como nação, é o caso dos Estados Unidos nos últimos 20 ou 30 anos, que tem deflagrado guerras para ‘lutar pela liberdade’ embora eles praticamente só lutem onde tem petróleo. A colocação seguinte, inclusive, completa a de cima. Diz ela que: ““A ‘imagem viva’ precisa da sombra para parecer plástica”, diz Jung. “Sem a sombra, ela é uma ilusão bidimensional””. Ou seja, de modo a parecer real, a ‘imagem viva’, no caso o personagem, precisa de um contraponto em si mesmo. O vilão precisa ter uma parte boa, ou se achar bom lutando contra algo maior, e o herói também ter um lado negro. Senão eles serão mais caricaturas, estereótipos, do que arquétipos, não chamando a atenção ou criando ligação com o leitor. Como eu mesmo já coloquei por aqui: ‘Tenha uma ideia original, crie uma trama interessante e escreva uma boa história, e você venderá um livro; faça isso e crie um PERSONAGEM CARISMÁTICO e você venderá quantos livros escrever sobre ele.’
Por Gianpaolo Celli, editor.












