I'm sorry I let you down || POV
QUEM: Everett Anderson, Blaine Anderson
ONDE: Hospital de Westerville
QUANDO: 2006 (?? idk)
Everett odiava hospitais, na verdade, começara a odiar exatamente quando vira seu irmão deitado em um daqueles quartos brancos e desinteressantes, também odiava o clima de tristeza que predominava no local, odiava a cara séria e sem emoção de alguns médicos e como se não bastasse, odiava não poder fazer nada para poder tirar Blaine dali. Era frustrante olhar o gêmeo imóvel e tão frágil, com tantos hematomas no rosto que o deixavam parecendo derrotado, aquela definitivamente não era a aparência adequada para ele, o sorriso genuíno havia sumido e era quase como encarar um rosto desconhecido e infeliz. O pior de tudo era a culpa que assombrava Everett em todo lugar, repetindo em sua cabeça o dia em que o gêmeo o convidou para ir ao baile e ele respondera um simples “Não”, apenas um “Não” rápido e que causara toda aquela bagunça, nunca se arrependera tanto em negar algo. Sentado na cadeira perto da cama, naquele quarto tão impessoal e nada parecido com Blaine, observava-o sabendo que não ia conseguir nenhuma reação. Os médicos diziam que possivelmente ele escutava o que falavam ao redor, talvez fora isso que levou Everett abrir seu caderno em um dia solitário no quarto e começar a escrever. Gastara um maço de folhas tentando encontrar palavras até conseguir acabar de escrever ao menos algo decente, era idiotice, ele sabia, mas queria tentar de todas formas tirar Blaine dali e nunca fora bom em expressar seus sentimentos, que forma melhor do que aquela? Então abriu lentamente a carta em frente ao irmão deitado, soltando um suspiro nervoso e olhando para os lados checando se estava sozinho no quarto, se ia fazer aquilo, seria apenas para Blaine e ninguém mais.
Fitou-o por alguns segundos, tentando tomar coragem antes de sua voz começar a ler a carta em sua mão em um tom baixo e trêmulo. “Blaine, escrever uma carta é patético, até pra mim, mas eu sempre me expressei melhor escrevendo, sei que você vai entender. O problema é que nunca sei o que falar quando venho te visitar e não importa quantas vezes peço pra você acordar, nunca obtenho resposta, sei que você jamais me ignoraria, então se estiver escutando isso, abra os olhos, por favor.” Respirou fundo antes de continuar “Tem várias coisas que eu queria te dizer, a primeira é um ‘sinto muito’ por tudo, por te deixar na mão naquele estúpido baile, eu devia... Eu devia ter...” Não acabou de ler o primeiro parágrafo e já estava com um embrulho tão grande no estômago que teve que parar para evitar colocar o almoço todo para fora no quarto do hospital, a carta o fazendo se sentir pior do que já se encontrava.
Levantou o olhar para Blaine e esperou qualquer movimento, qualquer coisa que indicasse que o mesmo queria escutar as palavras que Everett escrevera. Mas nada aconteceu, o gêmeo continuava imóvel ali sem nenhum sinal de vida. Era horrível aquele sentimento de inutilidade, talvez Blaine apenas não quisesse acordar para encarar alguém que não estivera ao seu lado quando ele mais precisou, mas ele estava agora ali do lado dele, não era aquilo que importava? Everett passou a mão pelo rosto rapidamente para esconder qualquer evidência de que chorara. Levantou da cadeira se sentindo irritado, aquilo era inútil, se tinha alguém que ia conseguir acordar seu irmão, com certeza não seria ele ou algumas palavras de remorso, amassou o papel em suas mãos e jogou na lixeira próxima. Ele tinha escrito uma carta! Uma porcaria de carta, quem fazia aquela estupidez? E o pior de tudo, nem teve coragem para ler ao irmão desacordado que provavelmente não o escutaria, patético era apenas um pouco de como ele se sentia no momento. Não demorou muito para sair do lugar, ia acabar sufocado se ficasse por mais tempo no cômodo. E por mais que o papel embolado se encontrasse longe de seu alcance, as palavras escritas nunca sairiam de sua cabeça.
“B,
Escrever uma carta é patético, até pra mim, mas eu sempre me expressei melhor escrevendo, sei que você vai entender. O problema é que não tenho ideia do que falar quando venho te visitar e não importa quantas vezes peço pra você acordar, nunca obtenho resposta, sei que você jamais me ignoraria, então se estiver escutando isso, abra os olhos, por favor. Tem várias coisas que eu queria te dizer, a primeira é um “sinto muito” por tudo, por te deixar na mão naquele estúpido baile, eu devia ter ido com você, é isso que irmãos fazem, não é? Enfrentam as dificuldades juntos? Então sinto muito por você ter acabado com um irmão que nem eu. Sempre me pergunto se ao menos eu estivesse lá com você, se poderia ter impedido algo, feito qualquer coisa para te proteger assim como um irmão deveria ter feito, eu juro que nem me incomodaria de tomar seu lugar, porque se tem uma pessoa que não merece nada disso, é você. Eu também sinto muito pelo seu amigo, Justin, certo? Ele era um garoto legal, ao menos o que eu conhecia, sinto muito não poder fazer nada a respeito disso, às vezes fico irritado com o cara lá de cima, sabe? Mas é bem provável que Justin deve estar em um lugar melhor do que esse, então você não devia se preocupar com isso, só não ouse fazer o mesmo.
E acho que agora chega de lamentações, porque mamãe já faz isso o bastante por todos nós. Se você estiver com medo de acordar por causa do que aconteceu, saiba que dessa vez não vou deixar ninguém encostar em você, eu prometo, você não tem que se preocupar. Só tenta acordar, Blaine, eu não acho que consigo lidar mais tempo sem meu irmão, irmãos não deveriam ser separados assim tão cedo... Eu sinto muito por tudo, espero que não esteja irritado comigo, não te culpo se estiver, mas se não por mim, acorda pela mamãe e pelo Cooper. E se te faz se sentir melhor, acho que você uniu um pouco eles, viu o que consegue fazer mesmo desacordado? E sinto sua falta, até das suas cantorias pela casa, nunca pensei que fosse dizer isso, mas é verdade, aquele lugar está quieto e insuportável, não tem graça bagunçar a casa sozinho. Eu sinto muito, B, sei que já disse isso, mas não sei mais o que dizer pra consertar o que aconteceu, acorda pra dizer como eu posso consertar isso? Eu prometo que compro uma gravata borboleta com minha mesada se você acordar, é pegar ou largar.
Não sei como acabar a carta, então vou apenas dizer tchau e até a próxima.
Ev.”


















