Dinner can wait || Andersons
De todas as coisas que poderiam estragar aquele jantar, por que teria que ser justo seu pai? Everett quase quis virar as costas e ir embora, apenas não o fez porque realmente queria uma explicação e também por saber que aquele não seria o melhor modo para tentar uma reaproximação com os irmãos. Ficou encarando Cooper, ainda esperando por uma resposta, mas antes que pudesse recebe-la, Blaine puxava o mais velho e fechava a porta, deixando os irmãos a sós no corredor. Foi só então que notou a expressão do gêmeo tão indignada quanto a dele, soube naquele momento que não era o único em choque com a notícia, o que o causou um pouco de alívio, não gostava da ideia de um complô.
A frase de Blaine confirmou suas indagações, olhou para Cooper, já impaciente com toda aquela demora. A resposta recebida do mais velho apenas causou revolta em Everett, que o encarou incrédulo, ele realmente estava falando aquelas coisas e ignorando o problema enfiado naquele apartamento? “Eu não tenho tempo pra suas piadinhas Cooper, fala logo que merda ele tá fazendo aqui" Sua voz saiu rude, mas nem metade da sua raiva foi demonstrada, tentou respirar fundo e encontrar a calma. Aquele jantar se encontrava um desastre sem nem ter começado, Everett devia ser o garoto com mais falta de sorte na face da terra, quando pensava que ia ajeitar as coisas com Blaine e finalmente ter contato com sua os irmãos, aquilo acontecia.
Estreitou os olhos quando Cooper terminou de falar, ele havia arrastado Jonathan para ali? O que faria Cooper arrastar o pai deles até eles? Olhou para Blaine e viu a mesma expressão desconfiada, era óbvio que era algo que também intrigava o mais novo. Everett não ia ir embora sem saber o que acontecia, mesmo se preferisse várias torturas do que ficar no mesmo cômodo que o pai. Então quando viu o olhar questionador do gêmeo, como se ainda estivesse incerto se eles deveriam entrar, fez um gesto com a cabeça para ambos seguirem em frente, voltando o olhar para Cooper “A gente vai falar com a fera, mas eu juro que se ele falar ou fizer algo que me irrite, eu dou meia volta e vou embora" Respondeu firmemente. Não sabia o que esperar, fazia um bom tempo que não via seu pai, não era como se o mesmo estivesse implorando para Everett o ver, e já que não fazia diferença para o Sr. Anderson, por que daria o trabalho de se importar? Passou a mão pelo rosto, ao menos para ter certeza de que aquilo tudo era real, e então Cooper os guiava para dentro da confusão sem fim.
Os três finalmente adentraram o apartamento e deram de cara com o pai sentado no sofá. Para Blaine, por mais que já soubesse que ele estava ali, era estranho. Fazia anos que não trocava uma palavra com ele. Vê-lo ali trazia lembranças nada boas, lembranças de um tempo que tentara esquecer. Cruzando os braços e franzindo os lábios, o rapaz começara a falar. “Olá, papai.” As palavras foram ditas de uma forma tão sarcástica e venenosa que, a maioria das pessoas poderia jurar que não haviam saído da boca do garoto. Contudo, o moreno não conseguia evitar que a raiva tomasse conta de si apenas por estar no mesmo ambiente que ele. Jonathan fizera menção de levantar-se para poder cumprimentar os filhos mas a expressão no rosto de Blaine fora o suficiente para fazê-lo pensar duas vezes. “O que é que você tem para dizer, afinal?” perguntara tentando controlar o sentimento de rancor dentro de si.
Cooper lançara um olhar a Jonathan como se estivesse obrigando-o a falar. O mais velho também não aparentava muito contente com toda a situação. O patriarca dos Anderson engolira em seco e tentara proferir algumas palavras. “Er, alguns anos atrás eu...” parara como se as palavras estivessem enganchadas em sua garganta. Blaine balançara a cabeça ordenando para que continuasse, mas o Jonathan calara-se de vez. Exasperado, Cooper passara a mão pelos cabelos e resolvera pôr um fim na situação. “O desgraçado tem uma filha, pronto!” dissera o moreno erguendo o tom de voz.
“O quê!?” indagara Blaine com uma expressão de choque tomando conta de seu rosto no instante em que sua mente processara o que fora dito. “Eu ouvi direito?” perguntara o garoto olhando para o pai esperando por uma confirmação. O simples aceno com a cabeça fora o suficiente para a raiva que o moreno estava trancando dentro si viesse à superfície. “Como assim ele tem uma filha?” Blaine dirigira-se a Cooper naquele momento. Sabia que se olhasse nos olhos do pai, o velho provavelmente levaria um soco na cara. Antes que pudesse agir precipitadamente, precisava ter certeza sobre o que a situação se tratava.










