Dinner can wait || Andersons
Os três finalmente adentraram o apartamento e deram de cara com o pai sentado no sofá. Para Blaine, por mais que já soubesse que ele estava ali, era estranho. Fazia anos que não trocava uma palavra com ele. Vê-lo ali trazia lembranças nada boas, lembranças de um tempo que tentara esquecer. Cruzando os braços e franzindo os lábios, o rapaz começara a falar. “Olá, papai.” As palavras foram ditas de uma forma tão sarcástica e venenosa que, a maioria das pessoas poderia jurar que não haviam saído da boca do garoto. Contudo, o moreno não conseguia evitar que a raiva tomasse conta de si apenas por estar no mesmo ambiente que ele. Jonathan fizera menção de levantar-se para poder cumprimentar os filhos mas a expressão no rosto de Blaine fora o suficiente para fazê-lo pensar duas vezes. “O que é que você tem para dizer, afinal?” perguntara tentando controlar o sentimento de rancor dentro de si.
Cooper lançara um olhar a Jonathan como se estivesse obrigando-o a falar. O mais velho também não aparentava muito contente com toda a situação. O patriarca dos Anderson engolira em seco e tentara proferir algumas palavras. “Er, alguns anos atrás eu…” parara como se as palavras estivessem enganchadas em sua garganta. Blaine balançara a cabeça ordenando para que continuasse, mas o Jonathan calara-se de vez. Exasperado, Cooper passara a mão pelos cabelos e resolvera pôr um fim na situação. “O desgraçado tem uma filha, pronto!” dissera o moreno erguendo o tom de voz.
“O quê!?” indagara Blaine com uma expressão de choque tomando conta de seu rosto no instante em que sua mente processara o que fora dito. “Eu ouvi direito?” perguntara o garoto olhando para o pai esperando por uma confirmação. O simples aceno com a cabeça fora o suficiente para a raiva que o moreno estava trancando dentro si viesse à superfície. “Como assim ele tem uma filha?” Blaine dirigira-se a Cooper naquele momento. Sabia que se olhasse nos olhos do pai, o velho provavelmente levaria um soco na cara. Antes que pudesse agir precipitadamente, precisava ter certeza sobre o que a situação se tratava.
Era realmente fácil perceber o quanto Blaine estava borbulhando de raiva ao ver o pai ali na frente, após tudo que acontecera, Everett não o culpava, por isso permaneceu em silêncio e deixou o mais novo falar. Após tantos anos de distanciamento, não sabia exatamente o que fazer para acalmar o irmão, então apenas parou ao lado do mesmo e enfiou as mãos nos bolsos do moletom, esperando Jonathan dizer o que era tão importante para trazê-lo ali e acabar com toda aquela confusão. Só que as palavras pareciam entaladas na garganta do homem, como se ele não soubesse falar e Everett girou os olhos impaciente, já abrindo a boca para apressá-lo quando Cooper finalmente revelou o que diabos acontecia ali.
A frase cortou o silêncio e ficou ecoando na mente de Everett, processando o que ela realmente significava ou se aquilo era alguma pegadinha. O moreno olhou para o pai, escutando Blaine pedir confirmação e esperando uma negação em resposta, mas não foi o que recebeu. O mais novo parecia escandalizado, perguntando para Cooper o que acontecia, e tudo o que Everett conseguiu fazer foi ficar parado tentando assimilar a notícia. Vários perguntas ocupavam sua mente, mas na maior parte tudo que sentia era ódio. Por que eles estavam sabendo daquilo só agora? Ele queria muito alcançar seu pai, o puxar pelo colarinho e exigir as respostas, mas ao invés disso, o que fez foi soltar uma risada sem humor e debochada, expressando a raiva sentida.
“Você tá brincando com a minha cara?” Ele perguntou balançando a cabeça, porque como ele não esperou aquilo do seu pai? Depois de tantos anos sabendo o tipo de cara que o criara, como não pensara que ia ser uma bomba daquele tipo? Everett se aproximou de Jonathan e sentou na poltrona perto do sofá, o encarando com uma falsa expressão de curiosidade. “Então, me diga, sua esposa sabe disso, Jonathan? Porque presumo que não seja dela, certo? E que tal nos contar quantos anos sua dita filha tem? Sabe, pra saber se você andou colocando chifres na mãe, porque acho que todos concordam...” Olhou para Cooper e Blaine, como se pedisse permissão para continuar, antes de voltar a encarar seu pai com uma expressão de puro sarcasmo, seu coração batendo forte pela adrenalina do ódio que sentia. “Que a gente merece saber, ou você por acaso discorda?” Praticamente cuspiu a pergunta, sem desviar o olhar como se avisasse para o homem a sua frente escolher bem as respostas antes de pronunciá-las, porque ele já tinha os punhos bem fechados caso o contrário.












