eu deveria saber quando você me apresentou sylvia plath
e a sua obsessão com a poesia dramática
e os filmes com espaços longos de silêncio
e diálogos que, mesmo entendendo, eu te pedia para me explicar
enquanto caminhávamos sentido metrô, muito devagar
porque eu queria te aproveitar em pequenos pedaços
eu deveria ter suspeitado pelo delineado marcado
que mesmo chorando permanecia intacto
você brincou que o meu beijo tem gosto de chuva
mas no fim foi eu que me afundei
“seus olhos são caídos como da virginia woolf”
você disse às três horas de um domingo em colapso
quando você presenciou minha primeira crise de ansiedade
e mesmo assim não decidiu partir
quando eu já tinha visto tantas despedidas
de repente você
e teve aquela noite na cama ruim de um motel beira de estrada
com luz baixa, lençóis bagunçados
enquanto eu tomava banho e conversava com você
porque era o que eu mais amava fazer
te ouvir
e você me perguntou que cor era a minha tristeza
azul
eu disse
“sabia” você murmurou
nessa hora eu entendi
tudo.







