We project our inward life outwards. Thus, the world around oneself is only beautiful when you’re at peace with the world within you.” Thomas Ogden
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We project our inward life outwards. Thus, the world around oneself is only beautiful when you’re at peace with the world within you.” Thomas Ogden
"... the world around oneself is only beautiful when you’re at peace with the world within you." - Thomas Ogden
We project our inward life outwards. Thus the world around oneself is only beautiful when you’re at peace with the world within you.” Thomas Ogden
"We project our inward life outwards.” - Thomas Ogden
Quando o mundo do outro invade abruptamente o nosso: por que precisamos proteger nossos limites emocionais
Os limites entre os mundos internos numa perspectiva de construção do espaço psíquico no campo relacional
A facilidade com que o mundo emocional do outro atravessa fronteiras que nem sabíamos que existiam compromete nossa saúde mental, gerando angústias, paranoias, pensamentos ambivalentes, confusões e feridas emocionais.
O colapso emocional: quando o outro entra sem mediação
Quando o mundo interior do outro entra no nosso, sem mediação simbólica, há um colapso: a experiência torna-se um strike emocional.
O psicanalista Thomas Ogden nos ajuda a pensar essa falha como um rompimento na construção simbólica compartilhada, em que o campo relacional se torna confuso, não continente e hostil.
Projeções, introjeções e o risco do desequilíbrio
Melanie Klein dizia que o psiquismo humano se constrói desde muito cedo sob intensas operações inconscientes de projeções e introjeções. Partes de um ego primitivo são lançadas no outro (projetadas) e partes do outro são incorporadas (introjetadas) como se fossem originariamente desse ego.
Essas ocorrências presentes numa via de mão dupla são constitutivas da mente, mas também podem assumir formas patológicas - destrutivas, fragmentadas, disruptivas - quando a capacidade de simbolizar é comprometida — como nos casos em que o irrepresentável domina, transformando o outro em mero depósito de conteúdos sensoriais e angústias não identificadas, nem nomeadas.
Bion diria que falta capacidade de transformar experiências sensoriais brutas e não simbolizadas (elementos beta) em pensamentos representáveis e comunicáveis (representações alfa): dar forma pensável ao que nos atravessa. Trata-se, enfim, de desenvolver a consciência de que nem tudo que o outro expressa é nosso para acolher, assim como, também, nem tudo que o próprio Eu expressa é recebido com consciência por quem o acolhe.
A empatia que adoece
A empatia idealizada, nesse contexto, vira armadilha narcisista: confundindo compreender com absorver, escutar com carregar, sustentar com padecer. Redes sociais intensificam isso, banalizando a dor, promovendo invasões emocionais constantes.
Não se trata de isolamento afetivo, ou indiferença emocional. A questão é estabelecer um posicionamento mental ativo, consciente, que filtra, que nomeia, que reconhece quando algo lhe pertence ou quando lhe foi jogado sem consentimento. Antes de tudo, é preciso proteger a própria estrutura de colapsos silenciosos que geralmente começam como “compaixão” e terminam em esgotamento e ressentimento.
Delimitar não é rejeitar
Delimitar fronteiras não é rejeitar o outro, mas proteger aquilo que, em nós, ainda precisa ser elaborado, interpretado e devidamente nomeado.
Do colapso à criação: outra forma de se relacionar
Em tempos de hiperexposição emocional, é usual - de maneira banal - permitir que o mundo interior do outro, quando violentamente derramado, faça morada em você. Nomeie, delimite, devolva para não identificar-se, de forma passiva, com o conteúdo do outro. Só assim, talvez quem sabe, o strike emocional possa ser evitado e o caos se transforme em possibilidade de encontro verdadeiro. Nessa atitude, o espaço relacional deixa de ser campo de invasão para se tornar campo de criação e amor.