Tiro ao Álvaro
De tanto levar flechada do teu olhar,
Meu peito virou táubua, sabe o quê?
Tiro ao Álvaro, já não tem onde furar,
Teu amor me fere mais do que posso crer.
Teu olhar é bala de carabina,
Mata mais que veneno estricnina,
Que peixeira afiada e cruel,
Penetra no coração, faz doer como fel.
Teus olhos são setas, certeiras no alvo,
Acertam meu peito, é um tiro ao Álvaro.
Faz de mim táubua, sem mais onde marcar,
Mas mesmo ferido, não deixo de te amar.
Teu amor é um jogo, de dor e prazer,
Um tiro ao Álvaro, difícil de entender.
Mas mesmo marcado, no peito a sangrar,
Teu olhar frechado, eu vou sempre amar.
Com cada frechada, um novo furor,
Transforma a dor em um hino de amor.
Tiro ao Álvaro, meu peito é altar,
De um amor que machuca, mas não cessa de amar.








