Nunca pensei sobre escrever as loucuras que se passavam na minha cabeça. Nunca! E isso durou até eu me lembrar, do meu pé descalço tocando o chão, na rua deserta. Era 1h da manhã. A porta do carro se fechou e o vidro transparente permitia-nos enxergar diante de um breve adeus. Nos despedimos, novamente, agora com um beijo no ar. Eu abocanhei e até hoje trago nos lábios. Num instante eu senti um arrepio correr-me o dorso, e um medo profundo, daqueles que doem o coração, sabe? De verdade, eu senti, ele estava partindo. E o que eu poderia fazer? O carro já havia dobrado a esquina. Triste. Lamentei.
Até aí, tudo bem. Eu, por ter me apaixonado umas cinquenta mil vezes, acreditei que seria como os outros. No outro dia a perna ficaria bamba lembrando do beijo, do toque suave das mãos por baixo do short rendado, da língua desorientada que infringia regras de como se portar dentro da boca de um outro alguém, e daquela vontade inescrupulosa de dar para ele quando sussurrou em meu ouvido, mordiscando o lóbulo, palavras sujas. Mas o outro dia passou, e assim como ele, os outros também. Já se faziam 1 semana. E a vontade de vê-lo, e tê-lo, ainda continuava a mesma. Assim como os tremeliques nas pernas.
Sinceramente? Não achei que alguém tão tímido pudesse enlouquecer uma pessoa. Quão inocente sou! Os tímidos são os piores, já dizia minha mãe.
Aquele jeito faceiro de levar tudo numa boa, calmo, tô nem aí, me deixou inerte, cara. Em um dia, pra você ter noção do perigo, eu cheguei a olhar o perfil dele trinta vezes, em menos de uma hora. Eu tinha que ter a certeza de que ele não estava me enganando quando disse tchau no chat. E é aquela coisa do medo. Medo dele se interessar por alguém mais interessante, extrovertida, legal e bonita que você.
Sério. A mente de uma pessoa apaixonada é uma loucura, cara. Ela tem a capacidade de projetar mil e um diálogos por minuto, caso você encontre ele. Assim como tem a habilidade de controlar os seus gestos para não parecer uma retardada infantil ou uma psicopata fria quando estiver com ele. E além disso tudo.. Sim, tem mais! Tá achando o que? Além disso tudo aí, ela ainda tem a merda do poder de lançar imagens dele, indo e vindo de um lado para o outro, hora imagens, hora lembranças. E você externamente que nem um idiota, sorrindo abobadamente feito uma criança ao ganhar um pirulito.
Aff. A paixão me estressa! Me faz sentir calafrios e arrepios do nada. E eu odeio estar apaixonada por ele. Mas eu esqueço de tudo o que eu falei, quando os meus olhos encontram os dele. Que loucura né? É como se retornássemos ao ponto de partida. E começasse tudo outra vez. Nessa hora, a mente me joga um: "tome drible" e me faz pensar: como é bom estar apaixonada.