Poucas palavras, altas ideias
Dentro de cada um de nós esconde-se um microcosmos. Nossa infinita imaginação, inúmeras conversas com outras pessoas, entre nós mesmos, e uma quantidade imensurável de coisas que nunca vão se tornar “reais”, que nunca acontecerão de fato. Memórias, esperanças, sonhos, criações, aflições, tudo que habita em nós. Coisas que ninguém nunca conseguirá saber por completo além de nós mesmos. Que não conseguiríamos exprimir com palavras, que não aparecem no sorriso que damos ao dizer bom dia, boa tarde ou boa noite.
Tudo aquilo que não dizemos faz um barulho enorme e tem um impacto gigante em quem somos, o que fazemos, como fazemos, nas nossas relações, criações, e até mesmo no nosso corpo, fisicamente. Por trás de cada palavra que dizemos, milhares de outras que ficaram guardadas se escondem. Por trás de cada máscara que usamos para encontrar cada pessoa, está quem estamos descobrindo e construindo, esse ser desconhecido e que conhecemos tão bem, que somos nós mesmos.
Ninguém além de nós sabe o infinito atrás de um silêncio, e de poucas palavras, e o infinito ainda maior (se é que se pode quantificar infinitos), atrás das muitas e muitas palavras. E isso me faz lembrar daquela frase que diz que nós não sabemos nada das lutas das outras pessoas, e por isso devemos ser gentis com todos. É. Ninguém sabe a sua dor, assim como você não sabe a dor de ninguém. As confusões, desafios, tudo que o outro está atravessando nesse momento. Se puder deixar algo, alguma lembrança pra um completo desconhecido hoje, deixe algo bom. Algo que seja um brilho de luz em meio a uma escuridão, ou mais um pedaço brilhante em um dia que já está feliz.
Eu sei que tem dias que é difícil ser gentil com todo mundo, e que às vezes descontamos coisas em pessoas que não tem nada a ver com nossas frustrações – e como odeio ver isso em mim! E, apesar de obviamente termos que nos esforçar para melhorar, também é importante entender os próprios limites, gatilhos e saber se respeitar, se perdoar e tentar melhorar. Mas eu gosto dessa ideia de que passamos pela vida de milhares de pessoas desconhecidas do momento que nascemos até o momento que respirarmos pela última vez, então, por que não ser um pontinho de alegria?









