De suavezinho não teve nem um bocadinho – Dia 2 do Suave Fest 2023 | Reportagem Completa
Graça Carvalho dos Indignu // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ O átrio das salas de ensaio do Teatro Jordão foi o local, requisitado à última hora, como plano B para evitar constrangimentos devido à previsão de chuva. Ironicamente neste passado sábado à noite nem chuviscos caíram, ao invés do acontecido na noite transata. Aquele local é efetivamente resguardado, tem um tom bastante industrial e escuro porém a acústica não é, nem de perto nem de longe, a mais favorável. Sobretudo para sons com riffs de guitarras mais intensos e baterias com ritmo bem mais acelerado.
Dia 2 - sábado, 15 de setembro
Giliano Boucinha apresentou o seu projeto a solo Tyroliro em formato duo com o baterista Igor. Apesar do recinto estar literalmente com meia dúzia de pessoas o concerto inicial da noite arrancou às 21h, a hora exatamente prevista no cronograma. A rigidez da situação deveu-se ao facto de Giliano ter outro compromisso em Braga no qual tocou com Palas no gnration cujo evento iniciava-se às 22h.
Durante 30 minutos, a atuação mais curta da noite, o duo tocou algumas canções da discografia de Tyroliro com particular ênfase para ‘Jabali’, a edição mais recente ocorrida no ano passado. Temas como "Sal Que Tira o Mal" e "Quero é Só Fumaça!" foram interpretados.Este segundo tema teve direito a "efeito especial" pois um dos alarmes do espaço disparou e esteve ativo durante alguns longos segundos.
A sala foi enchendo aos poucos, na parte final, já estava mais composta. Provavelmente não esteve mais preenchida pois algumas pessoas tiveram dificuldade em descobrir o local pois não estava sinalizado. A entrada não se fazia pelo lado da fachada principal do teatro, o acesso era pelas traseiras.
Após uns longos 40 minutos de pausa foi altura para a segunda atuação. Pelas 22:11h, perante já talvez duas ou três centenas de pessoas, o quarteto Indignu, proveniente de Barcelos, fez a sua aparição em palco para entusiasmo geral. Afonso Dorido (guitarra), Graça Carvalho (violino), Ivo Correia (bateria) e Pedro Sousa (baixo) trouxeram o seu post-rock à moda minhota até Guimarães.
Ivo Correia dos Indignu na bateria // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ Pessoalmente foi a terceira vez que os vi em Guimarães, depois de concertos na Blackbox da Plataforma das Artes e no São Mamede em dia de aniversário do Oub’Lá. Curiosamente foi também a terceira vez que os vi em 2023, as outras ocasiões foram no Rodellus e no Vodafone Paredes de Coura.
Logo no início Afonso Dorido, abrindo os braços e gesticulando, solicitou que as pessoas se chegassem mais perto do palco. Um pedido prontamente aceite e que resultou numa proximidade cúmplice.
Os Indignu são uma daquelas bandas pelo qual tenho um carinho especial, gosto bastante da intensidade dos seus temas instrumentais e da impetuosidade com que as interpretam ao vivo. Neste passado sábado foi mais uma dessas ocasiões e a atuação, cumprida com distinção, foi sentida por toda a gente perante uma assistência em número generoso.
Afonso Dorido, o irrequieto guitarrista dos Indignu na bateria // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ Afonso Dorido, como habitualmente, foi o mais expansivo dos quatro. Chegou mesmo a sair do palco e vir à frontline tocar. Inclusive literalmente cedeu a sua guitarra a membros da audiência, por alguns instantes, para espanto das pessoas. Durante a performance, o guitarrista aproveitou a ocasião para dizer que eles têm “Guimarães no coração", um sentimento que é recíproco pelos fãs que têm na Cidade Berço.
São cinco os elementos dos Ganso e não faltaram à chamada vimaranense. Pela segunda vez tocaram na cidade depois do L’Agosto em 2017. Não foi das minhas apresentações preferidas, no entanto, registei para memória futura um ambiente vívido e bem alegre durante toda a atuação. Na assistência marcaram presença algumas boas dúzias de fãs.
João Sala, uma das vozes dos Ganso // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ “Sorte a Minha” e “Gino (O Menino Bolha)” os singles mais recentes, lançados em 2022, fizeram parte do alinhamento. Outros temas que animaram a toda a malta foram “Domingueira” que teve honras de "estreia absoluta da versão rockeira". Outros temas tocados foram, por exemplo, “Não Te Aborreças” ; Pistoleira e “Sono, Leva-me Longe”.
Não têm estado muito ativos os Fugly por isso foi mesmo de não deixar passar a oportunidade. Eles encerraram a parte da programação dos concertos do Suave Fest na versão de 2023.
Jimmy Feio, Rafa Silva, Nuno Loureiro e Brito estavam visivelmente felizes em palco e deram o máximo de si. As grandes malhas da sua discografia não faltaram como “Millennial Shit” ou “Take You Home Tonight” tocadas logo na parte inicial.
Jimmy Feio, Rafa Silva e Nuno Loureiro: o trio de vozes e dos instrumentos de cordas // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ Pela passagem de “Mom”,a homenagem essencial a todas as mães. “Hit A Wall” ; “Morning After” e “Punks” foram também interpretadas. A sequência da setlist foi bem pensada, porventura, não a mais provável tendo em conta o maior sucesso de certos temas. O final do concerto foi bonito com o público a cantar conjuntamente com a banda já perto das duas da manhã.
O rock alternativo dos Fugly é tipo um comboio de alta velocidade, assim que inicia marcha segue sempre de forma pujante cujas vozes de Jimmy, Rafa e Nuno dão um boost guerreiro. Uma atuação potente que de suavezinho não teve nem um bocadinho tal como quase todas as restantes atuações.
Brito, o bem equipado baterista dos Fugly // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ Nota positiva para a organização do Suave Fest a cargo do Associação Convívio. A apontar de menos bom a questão da falta de sinalização do acesso aos concertos de sábado. Felizmente na noite de sexta-feira correu bastante bem porém foi mesmo por um triz… A chuva miudinha quase que pareceu programada, só surgiu no início e no final do último concerto.
Para o próximo ano será a 10ª edição do Suave Fest pelo que a expetativa sobe naturalmente de tom. De nossa parte vamos continuar atentos à programação da associação, não ficamos só por este bonito evento.
Nuno Loureiro, o membro mais concentrado dos Fugly // Foto @ Rui Torres - @cadernetamusical_ Nota final: agradecimento ao Rui Torres pela disponibilização das fotografias utilizadas neste artigo. Podem seguir o seu trabalho, nomeadamente fotografia de concertos em @cadernetamusical_. Podem encontrar nesta página de Instagram bonitas fotos de ambos os dias do Suave Fest 2023.
Texto: Edgar Silva Fotografia: Rui Torres - @cadernetamusical_













