Um achado e tanto
São apenas três palavras formadas por sete letras, há quem prefira em duas palavras, formada por cinco letras... Seja como for, eu considero uma das, se não A frase mais difícil de falar. Em tese é um vocábulo básico, mas carrega um peso enorme na pronuncia e no sentimento que vem embutido, parecendo um arame farpado que me corta a garganta e a transforma em nó.
Isso me lembra de um episodio em que uma ex minha gritava no meio do shopping: “EU TE AMO, GABRIELA! EU TE AMO!”, após uma tarde de dr comigo tentando reconciliação por sabe-se lá qual vez. Enquanto ela gritava, minhas bochechas coravam e eu só queria me enfiar dentro de um buraco. Ela só parou de gritar quando eu com muito custo consegui fazer o mesmo, porque realmente a amava e ela sabia, só foi difícil de falar.
Hoje em dia cansamos de ver rasas declarações de casais que em poucos dias já se separam e de certo modo, isso vem se tornado cada vez mais banal. Conseguimos banalizar o amor, dizem: “eu te amo” por ai como se fosse um “bom dia” qualquer, sem mais nem menos.
Outra vez em que ouvi o mesmo “eu te amo” por outra pessoa demorou algum tempo para perceber que não era amor e sim paixão. E entre o amor e a paixão, a paixão e o amor há uma grande diferença. Nesse caso em especifico fica obvio que o amor não trai, não mente, não te usa ou te esfaqueia pelas costas, não que a paixão faça isso, mas vocês entenderam.
Apaixonar é fácil, a paixão platônica está aí como referência. Olhares se trocando ou não a paixão vem à tona. Só que o problema é que a paixão acaba. Não estou falando por falar, é comprovado cientificamente, ela dura apenas alguns meros meses e olhe lá.
Já o amor... O amor não acaba, ele se transforma, mas isso é assunto para outro texto.
O amor é mais complicado, envolve os dois, envolve escolhas, um abre a mão de um teco ali e o outro de um teco lá. Amar dá trabalho de juntar dois mundos e concilia-los, mas também não é pra ser tão difícil, é pra ser leve e prazeroso. Amar às vezes dói, mas só às vezes, porque amar não é pra doer tanto, é pra ser companhia, ser presente, ser ombro e amigo, dar puxões de orelha quando precisar e também dispor de colo, amar é planejar, é construir, deixar rolar, amar é compreender, ouvir e ajudar, é crescer junto e respeitar. Amar é tudo isso e um pouco mais, cada um com suas peculiaridades.
E o amor romântico qual tanto falo, não cai do céu nem vende em loja, posso contar pra vocês onde o encontrar? Ele vem nas entrelinhas da paixão. A paixão está lá descarada e o amor envolto a ela, como se fosse uma criança escondendo atrás da saia da mãe, e aos poucos vai dando a ‘cara’, vai crescendo até aquela hora que você simplesmente sente no peito, não tem como explicar, é particular.
Mesmo não gritando: “EU TE AMO!” no meio de um shopping ou para os mais de quatro continentes no mundo, eu amo ela e ainda tem paixão, vocês vão ver... Eu amo seu sorriso e a forma que ela sorri com os olhos, seu cheiro, seu toque, seu cabelo quase sempre bagunçado, seu jeito engraçado de ser, amo seu riso e quando a faço rir, quando me explica algo arqueando as sobrancelhas; ficando séria, quando me ajuda a ser melhor ou quando enfia o que quer que seja que esteja comendo na minha boca, amo seus beijos e quando acompanho sua respiração ficando ofegante, me puxando pra mais perto de si, quando faz chantagem por algo bobo me chamando de neném com uma entonação específica, inclusive, das vozes estranhas que ela faz e até como conversa com seu gato como se ele entendesse tudo, e no fundo, parece que entende. Em suma, eu a amo como um todo, mesmo que aqui exaltando apenas as partes boas, todos temos partes ruins que fazem parte do pacote. Amo ela e cada detalhe.
Você enquanto leitor, o que espera do final dessa historia? Um final feliz? Se for, ficarei devendo.
Mesmo a amando, sabendo que ela acorda mau humorada e é extremamente difícil de lhe tirar da cama de manhã, ou que sua cor favorita é verde e ainda assim combina com todas as outras cores, em específico o azul. Mesmo olhando em seus olhos e eles brilhando, não mentem, mas infelizmente para mim, também brilha para outra pessoa.
Talvez eu seja antiquada e/ou egoísta em querer ter aqueles olhos brilhando apenas para mim, ser a única companhia para dar-lhe prazer na cama, ser sua confidente e única amante. Será que entre esse meio tempo em que pedi honestidade e deixamos rolar, fui à única que ela levou a cozinha e preparou café? A única que ela teve completamente despida de corpo e alma e viu conforto nos olhos, acariciando o rosto antes de dormir?
Mesmo com tudo dito e muito sentido, o amor não é e nem mantem tudo. Ainda que ela pareça ser tudo para mim. O que fui para ela?
E não esperem que eu diga aquela baboseira de: “espero que ela seja feliz”, certo que no fundo espero, mas preferiria se fosse comigo, mas não é sobre mim, é sobre nós, demanda de duas pessoas para fluir. E também não vou dizer que espero que ela encontre alguém que a ame e a faça rir, prepare um jantar a luz de velas, que descubra a música perfeita de sua banda favorita para tocar ao fundo, alguém que a leve flores, café na cama ou faça massagem nos seus pés, alguém que atravesse a cidade pra vê-la nem que seja por algumas horas ou poucos minutos, alguém que de bom dia e boa noite todo dia, alguém que esteja presente quando ela não conseguir conter lagrimas e procurar um guardião para um segredo ou alguém para papear quando não conseguir dormir.
Não serei hipócrita em desejar-lhe alguém que faça tudo isso, porque eu já fiz. Mesmo que ela não tenha pedido nada. E se for para encontrar alguém, espero que me re{encontre e queira me ter com ela.
Espero que se ela um dia mudar de ideia não hesite em me ligar, as três da manhã ou às onze da noite, no meio da semana ou no fim dele e quem sabe até que daqui dias ou semanas. Que essa distância e aperto no peito causada por divergências sejam apenas páginas que viraremos em nossa história que acabou de começar.
No fim, fiquei só por ouvir um: “acho que te amo”, que foi um achado e tanto, e não tive a oportunidade de dizer: “eu te amo!”. De achismo bastava eu achando que teríamos algo a mais. Em suas palavras banalizadas, não tínhamos “nada”. Parafraseando Parmênides: “para nada existir, nada tem que ser algo”, e era bom o algo que tínhamos.
É sobre essa liquidez no amor que tanto falam? Somos uma geração perdida em desamores e decepções, somos e estamos fardados ao fracasso no amor, porque afinal é tão fácil de falar, mas não sabemos amar. Como diria O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”. Há quem desista rápido de mais. Há quem se acomode e não queira tentar ou mudar. Há varias versões que se encaixem no "há [...]".
E quer saber? Eu não quero mais paixões, nem amores, nem histórias para contar. Porque acaba que me perco, que me entrego e mergulho de cabeça em águas rasas. Acaba que eu sempre amo sozinha, acaba que eu sempre fico sozinha. Mas a quem eu quero enganar? Um dia sei que alguém vai escolher ficar.
E no mais tardar, queria ter tempo para dizer: "eu também acho que amo você!".








