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Análise social dos Pontos Turísticos Ambientais de Belém
Igor Luz; Jamile Eiko; Victória Mocbel; Walter Roberto
Faculdade de Estudos Avançados da Amazônia, Belém, PA
RESUMO
O presente trabalho é uma análise social na Amazônia, mais concretamente nos quatro principais pontos turísticos de Belém com foco na preservação ambiental onde a população pode conhecer e interagir com o ecossistema presente na região paraense, destacando, o Bosque Zoobotânico Rodrigues Alves, o Parque Naturalístico Mangal das Garças, o Parque Estadual do Utinga e o Museu Emílio Goeldi. O objetivo desse trabalho é a pesquisa civil de como a população comporta-se e como veem os pontos turísticos ambientais na região belenense.
PALAVRAS-CHAVE: amazônia; socioambiental; comportamento; interação; preservação;
TEXTO DO TRABALHO
A Amazônia é uma enorme extensão territorial que abrange uma grande quantidade de características que possibilitam o estudo e exploração em vários aspectos econômicos.
Uma lei de 1966 criou a chamada Amazônia Legal, que ocupa quase 60% do território do país (5 milhões de km²) onde toma os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Grande parte desse território perdido foi causada pela questão levantada no âmbito de Amazônia e Sustentabilidade por conta do modelo atual de desenvolvimento sustentável, no qual, de acordo com o artigo de Violetta Loureiro, "é excludente e não visa o verdadeiro desenvolvimento, fazendo assim, com que haja modelos alternativos de desenvolvimento na Amazônia, onde agregam valores sociais, culturais e principalmente ambientais".
Mesmo com todos esses problemas socioambientais, existem programas do governo onde há o incentivo de visitação e estudos ampliados sobre a Amazônia, e é com base nisso que foram criadas áreas específicas com foco na preservação ambiental. No Pará, há quatro principais locais onde a população em geral pode conhecer a fundo parte da Amazônia e interagir diretamente com o ecossistema presente na região: o Bosque Zoobotânico Rodrigues Alves, o Parque Naturalístico Mangal das Garças, o Parque Estadual do Utinga e o Museu Emílio Goeldi.
foto por Igor Luz, uma parte da Amazônia paraense.
Bosque
O Bosque Rodrigues Alves, antes conhecido como Bosque do Marco da Légua, foi inaugurado como Parque Municipal em 25 de agosto de 1883, com uma área de 15 hectares.
O Bosque abriga uma importante diversidade de espécies da fauna e flora do ecossistema amazônico.
Em 2002, o Bosque recebeu o registro provisório de Jardim Botânico da Amazônia na categoria “C”, que o coloca entre os 1.846 jardins botânicos distribuídos entre 148 países do mundo e lhe confere a responsabilidade de promover o conhecimento por meio da educação sobre a flora amazônica visando a conservação das espécies da região, tendo ainda como objetivo o compromisso com a pesquisa, conservação e a educação ambiental, preparando as gerações presentes e futuras para um mundo melhor, ecologicamente mais equilibrado e mais justo econômica e socialmente.
No entanto, o Bosque está em uma situação precária, precisando de uma reestruturação o quanto antes para atender as demandas da nova geração e dessa forma, movimentar capital para que alguns espaços internos que estão sendo forçados a fecharem as portas por falta de visitação, possam ser reabertos. Além disso, falta incentivo por parte do governo que não estimula a população a freqüentar esses locais e nem executa manutenções.
É necessário que haja atrações/novidades para que o Bosque volte a ter visitas, movimentando a economia e ajudando os ambulantes que ficam por ali, já que não "conseguem vender nada", como diz seu Francisco, vendedor da região.
fotos por Igor Luz, ilustrando o Bosque.
Mangal das Garças
Belém, quando vista de cima, não deixa dúvidas: é uma metrópole emoldurada pela floresta. No chão, em meio a modernidade dos prédios e asfaltos, a certeza não é tão grande, porém, entrando no Mangal das Garças, que representa um pedaço de toda a riqueza amazônica em plena cidade, você verá um oásis para os que valorizam a natureza.
O Parque Naturalístico Mangal das Garças foi criado pelo Governo do Pará em 2005 e é o resultado da revitalização de uma área de cerca de 40.000 metros quadrados às margens do Rio Guamá, perto do centro histórico de Belém. O que antes era uma área alagada com extenso aningal transformou-se em mais um belo recanto de Belém. A transformação foi cuidadosa. O pré-requisito era o aproveitamento máximo das condições paisagísticas da área. A idéia era representar as diferentes macrorregiões florísticas do Pará: as matas de terra firme, as matas de várzea e os campos, com sua fauna. Com lagos, aves, vegetação típica, equipamentos de lazer, restaurante, vistas espetaculares da cidade e do rio, o Mangal das Garças logo se tornou um dos pontos turísticos mais elogiados de Belém com várias atrações, algumas pagas, como o farol e o borboletario, para o público em geral.
A preocupação com a vegetação é um dos traços marcantes da construção do parque. Todas as árvores originais foram mantidas e preservadas. O ambiente foi todo estruturado para receber as aves. O viveiro, por exemplo, sofre a influência das marés, o que permite a adaptação de aves aquáticas. A flora característica do local é a várzea do estuário amazônico. A aninga é uma espécie de planta invasora, presente no Mangal, e que cria condições de sombra e possibilidade de aparecerem outras espécies, como o açaí e o buriti, que estão no Viveiro.
A análise consistiu na avaliação característica do local, em um domingo, no último dia 20 de abril. O lugar é mais visitado por turistas do que a população belenense, pois é mais acessível à entrada turística de Belém, como navios e aeroporto.
Além de ter características futurísticas, é equilibrado com a preservação da natureza e por isso as pessoas ficam encantadas com a beleza do lugar, que é muito requintado. Com isso, podemos perceber que a quantidade de turistas visitando esse local é maior que a dos outros pontos turísticos de Belém, pois além do parque ser acessível para todos os cantos de seu interior, ainda há a interação direta entre animais e humanos, já que alguns bichos como camaleões, garças e flamingos vivem soltos pelo parque, isso atrai o público geral e principalmente, por ser um local atrativo e muito bonito, atrai estudantes para fazerem fotos de formatura e muitas pessoas fazem book fotográfico. É um local para passear e curtir a natureza como forma de se sentir diretamente ligado a natureza.
fotos por Igor Luz, ilustrando o Mangal das Garças.
Utinga
O Parque Estadual do Utinga (PEUt) é uma Unidade de Conservação Estadual criado com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, estimular a realização de pesquisas científicas e, além disso, incentivar o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, incluindo o turismo ecológico.
A Unidade de Conservação abrange uma área equivalente a quase 1.400 campos de futebol e está localizado na zona continental urbana da capital, possibilitando um alto fluxo de visitantes durante o ano inteiro, atendendo não apenas aos moradores do entorno, como também os de bairros e municípios adjacentes, além de turistas nacionais e internacionais, um fator social muito relevante para a habitação populacional da Amazônia e economia paraense.
Com a sua recente reinauguração, a área está sendo utilizada para caminhar, correr, andar de bicicleta e/ou de patins, além de exercícios contemplativos de beleza cênica e meditativos. Estimula, ainda, o ecoturismo a partir de múltiplas opções de trilhas com diferentes níveis e percursos – todas em contato direto com a abundância e a riqueza de espécies de fauna e flora presentes, rapel e outras atividades físicas, porém, ao analisar as particularidades recentes da abertura do parque, vimos muitas características negativas em relação ao ambiente que podem, em relevâncias mínimas, serem consertadas.
Com a inauguração, muitas pessoas estão visitando o local; Neste último feriado do Dia do Trabalho, podemos perceber uma quantidade massiva de turistas e população local que procurava área em busca de uma atividade diferente da rotina da urbanização, porém, ao entrar no parque, constatamos que não há mapas do território para distribuir aos visitantes, então os mesmos vagam pelo local conforme a maioria da população anda. Muitas pessoas desavisadas por não haver notícias em relação a isso vão ao parque despreparadas, pois a caminhada é longa, e muitas vezes as pessoas andam em busca de uma atração nova e acabam andando quilômetros apenas para encontrar locais que ainda não foram abertos ou expostos, como o museu que se encontra na metade do caminho, então o recomendado é ir com algum meio de transporte (Skate, patins, bicicleta) que inclusive empresas alugam a um preço absurdo na entrada do parque.
O parque em si, é mais utilizado para atividades físicas e exploração do que uma simples visita para sair da rotina.
As trilhas são escolhidas conforme o perfil do grupo interessado, a faixa etária dos integrantes e o objetivo da visita. Cada trilha tem tamanhos, percursos e nível de dificuldades diferentes. As trilhas podem ser realizadas com suporte da equipe da GRB/DGMUC/IDEFLOR-Bio mediante agendamento prévio, que pode ser realizado por telefone ou email ou presencialmente, no IDEFLOR-Bio, que fica sediado à entrada do Parque.
Muitas trilhas ainda não têm placas de sinalização, isso impede a população de se localizar dentro do parque. Conversamos com uma visitante do lugar, Dona Maria Lurdes, de 46 anos, e ela estava com sua família e disse que "o ambiente era lindo, grande, mas muito cansativo e pouco atrativo", o que é verídico, pois ouvimos de muitas pessoas que não sabiam sobre a finalidade do parque que é muito exaustiva a extensão quilométrica do local justamente por conta da falta de informação. As pessoas estão indo lá por ser um parque novo, mas indo sem aviso prévio.
A atividade física é fundamental e visível no parque, o que é muito importante, pois Belém em si não tem muitos pontos fixos de atividades físicas espalhadas pela cidade.
Durante o passeio, os visitantes também são orientados sobre a captação, o tratamento e a distribuição da água dos mananciais que formam os lagos Bolonha e Água Preta, que abastecem grande parte da região belenense. A água que chega às torneiras da população é, portanto, advinda do parque, razão pela qual quase todo cidadão da região metropolitana de Belém, mesmo que nunca tenha visitado esta Unidade de Conservação, é um beneficiário indireto dos serviços ecossistêmicos prestados pelo Utinga.
fotos por Igor Luz, ilustrando a movimentação social do Parque do Utinga.
Museu
O Museu Paraense Emílio Goeldi é uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação do Brasil. Está localizado aqui na cidade de Belém, Estado do Pará, região amazônica. O museu conta com 2 divisões super importantes para a preservação ambiental da nossa região: O instituto de pesquisas e Parque Zoobotânico. Desde sua fundação, em 1866, suas atividades concentram-se no estudo científico dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como na divulgação de conhecimentos e acervos relacionados à região.
O Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi está situado no centro urbano de Belém, com uma área de 5,2 hectares. Foi fundado em 1895, sendo o mais antigo do Brasil no seu gênero. Além de abrigar uma significativa mostra da fauna e flora amazônicas, o Parque concentra as atividades educativas do Museu Goeldi, tal como um laboratório para aulas práticas. Recebia anualmente cerca de 200 mil visitantes, sendo que atualmente esses números caíram muito em decorrência da baixa visita e a não supervisão do governo.
O museu abriga muitas espécies nas quais a maioria está ameaçada de extinção, como a arara azul e a onça pintada, moradores do parque. Diferente do Bosque Rodrigues Alves, há acessibilidade entre as vias para se chegar em vários ambientes por lá, pois Belém é uma cidade que chove diariamente e é necessário que esses lugares estejam preparados para isso e o museu tem vias que possuem escorrimento de água, facilitando a passagem do visitante para conhecer os locais, o que é um ponto muito positivo, pois o indivíduo vai preferir conhecer o museu ao invés do bosque, já que além de ter uma ótima acessibilidade, há mais animais sendo expostos e mais limpeza.
Apesar dos poucos visitantes, é de praxe que o museu Emílio Goeldi é um espaço bonito e que deve ser muito valorizado pela quantidade de pesquisas científicas que existem e merecem o devido apoio de qualquer parte civil ou governamental.
Recentemente foram reabertas duas novas atrações nas quais o público pode conhecer mais a Amazônia: O aquário, que abriga espécies de peixes e répteis regionais e a Exposição sobre a Amazônia. Visitamos essas atrações e por mais que a visita ao espaço ainda seja pouca, o lugar é muito bonito; A Exposição sobre Amazônia logo na entrada do museu, possibilita o indivíduo a conhecer mais a fundo sobre nossa região florestal e principalmente sobre desmatamentos, queimadas, incêndio e animais em extinção, e essa conscientização é muito importante, pois muitas pessoas apenas visitam o local apenas por um mero contato com a natureza sem saber o que se passa atualmente com ela.
Como percebemos e conversamos com visitantes, alguns indivíduos vão ao museu com o intuito apenas de ver "bichos" e não para conhecer a fundo sobre nosso bioma regional, e essa exposição nos traz essa sensação de estar conhecendo onde moramos e o que o ser humano está fazendo com a região amazônica. As exposições são reais, reproduzidas muito perfeitamente, e há painéis tecnológicos onde o visitante pode interagir e conhecer áreas de queimadas e desmatamentos de alguns anos atrás para o ano atual.
Em cada atração principal há um caderno de visitantes, e é muito triste perceber que o número de pessoas circulantes é muito pequeno em comparação aos anos passados, e muitas delas são de fora da região amazônica.
fotos por Igor Luz, dentro do museu.
CONCLUSÃO
Neste trabalho abordamos um assunto de aspecto social na Amazônia e concluímos que o que era para ser um passeio emblemático para conhecer e interagir com a fauna e a flora amazônica torna-se uma caminhada comum, pois apesar de tudo parecer belo para o cidadão, o que realmente está acontecendo é que o verde, que antes era exuberante, está virando cinzas das árvores que um dia foram centenárias, e o conhecimento acerca da Amazônia, onde moramos, está se perdendo cada vez por não haver incentivos por parte do governo e da própria população em si. Apesar dos poucos parques ambientais que existem, mostrando a realidade e a decadência da amazônia, uma preocupação mais fiel da população deve ser levada em consideração. É necessário que haja uma abordagem abrangente acerca da Amazônia para que possamos compreeendê-la, estudá-la e preservá-la além do que vemos por aqui.
REFERÊNCIAS
UOL
BOSQUE
UTINGA
MUSEU
Loureiro Violetta, A Amazônia no século XXI:
novos e renovados dilemas no processo de
desenvolvimento.
Belém, d. 1880 / Bibliothèque nationale de France
Segundo conjunto de fotos mostrando imagens da área denominada de São Bráz e Utinga
40 place São Braz - local sem identificação precisa, a carroça transita sobre trilhos.
56 un coin de Braz - ainda na mesma região, com mais vegetação primária. Nota-se uma perfuração de poço com abundante fluxo d'água. No canto esquerdo estão dispostos tubos de canalização.
46 station de tramways - pequena estação de bondes, ainda movidos a tração animal. É possível ver quatro trilhos, dois no meio da foto, um com vagões em movimento e mais dois trilhos auxiliares no canto direito.
55 Utinga - duas benfeitorias, uma delas com chaminé e emanação de vapor por trás das casas. Em primeiro plano tubos de canalização e no canto direito um pequeno igarapé.
52 estrada d'Utinga - uma senda aberta com uma construção similar a um tanque em primeiro plano. Há um gradual aumento na elevação do terreno em direção ao fundo da foto.
53 e 54 vallée d'Utinga - duas perspectivas de igarapés artificialmente retificados. Em uma das fotos, onde estão dois homens, há uma cerca feita com caibros.
Conferir:
Coudreau na Amazônia
1º Conjunto de fotos: Campina Cidade Velha
3º Conjunto de fotos: Umarizal-Nazaré-Batista Campos
4º Conjunto de fotos: Sacramenta-Una
Trilha e Banho: Um Domingo Perfeito em Utinga
Venha conosco neste vídeo percorrer uma trilha na Utinga! O clima estava perfeito, a trilha leve e divertida, e ainda tivemos a oportunidade de aproveitar um refrescante banho. Assista e se você adora aventuras ao ar livre, não esqueça de se inscrever para mais!
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Conhecida como cipó-de-macaco ou escada-de-Jabuti (Bauhinia angulosa Vogel).
Este cipó pode ser usado em forma de chá para o tratamento de diabetes, infecção urinária e pedras nos rins.
Leva tempo para seu crescimento. Essa foto foi tirada em um passeio guiado pela mata da unidad de conservação ambiental Parque do Utinga na cidade de Belém no estado do Pará.
Eu e a magrela #utinga #parquedoutinga #parquedoutinga🚴🌳 #natureza #lagobolonha #lagoaguapreta #florestaamazonica #amazonrainforest #bicycle #pedaldatarde (em Parque Estadual do Utinga) https://www.instagram.com/p/CPEWX-4BsCilPIapLKnywmA2G4Tl0mpOYc8NHU0/?utm_medium=tumblr